terça-feira, 30 de junho de 2009

120, 150, 200 km por hora

As coisas estão passando mais depressa
O ponteiro marca 120
O tempo diminui
As árvores passam como vultos
A vida passa, o tempo passa
Estou a 130
As imagens se confundem
Estou fugindo de mim mesmo
Fugindo do passado, do meu mundo assombrado
De tristeza, de incerteza
Estou a 140
Fugindo de você
Eu vou voando pela vida sem querer chegar
Nada vai mudar meu rumo nem me fazer voltar
Vivo, fugindo, sem destino algum
Sigo caminhos que me levam a lugar nenhum

O ponteiro marca 150
Tudo passa ainda mais depressa
O amor, a felicidade
O vento afasta uma lágrima
Que começa a rolar no meu rosto
Estou a 160
Vou acender os faróis, já é noite
Agora são as luzes que passam por mim
Sinto um vazio imenso
Estou só na escuridão
A 180
Estou fugindo de você

Eu vou sem saber pra onde nem quando vou parar
Não, não deixo marcas no caminho pra não saber voltar
Às vezes sinto que o mundo se esqueceu de mim
Não, não sei por quanto tempo ainda eu vou viver assim

O ponteiro agora marca 190
Por um momento tive a sensação
De ver você a meu lado
O banco está vazio
Estou só a 200 por hora
Vou parar de pensar em você
Pra prestar atenção na estrada

Vou sem saber pra onde nem quando vou parar
Não, não deixo marcas no caminho pra não saber voltar
Às vezes, às vezes sinto que o mundo se esqueceu de mim
Não, não sei por quanto tempo ainda eu vou viver assim

Eu vou, vou voando pela vida
Sem querer chegar.

Desapaixonar-se

Medo. Por isso fiz o que fiz. De onde estou hoje, percebo que nada que eu conquiste preencherá o vazio criado por atitudes tomadas a partir do medo. Medo de te perder, não por quaisquer dramas que eu por ventura alimentasse, mas para evitar que você me deixasse. Insegurança talvez também sirva de justificativa, mas a única palavra que me vem em mente é medo. Medo do que parecia ser inevitável. Por isso, para tentar minimizar a dor, decidi fazer primeiro o que você provavelmente faria. E eu admito; por um momento, eu sinceramente achei que machucaria menos. É isso que mais me apavora; eu precisei me arrebentar, quebrar minha cara em mim pedaços, para descobrir que eu estava errado.

É... Eu ainda te amo. E não estou surpreso.

***

Por outro lado, estou pegando prática em dizer adeus. Só não sei se isso é uma coisa boa.

***

Quase 18 anos e ainda desabafando em um caderno. E não vou parar enquanto... Enquanto eu não souber como terminar esta frase.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

O único amor que tive

Era uma vez
Há muito tempo atrás
Eu achei que deveria te deixar
Eu achei que você deveria ir embora
Nunca realmente disse adeus
Nunca sequer escutei você chorar
E mesmo depois de tanto tempo, é difícil dizer
O único amor que tive, eu mandei embora

Ah, mas você era jovem
Mais jovem do que eu pensava
Espero que me perdoe
Eu era jovem também
Eu realmente achei que sabia
O que era melhor para você e eu
Mas depois de tanto tempo, é difícil dizer
Porque o único amor que tive, eu mandei embora

Às vezes, enquanto fico deitado aqui no escuro
Me pergunto aonde estás dormindo
Ou se você sequer pensa em mim
Você está aquecida?
Você está feliz aonde está?
Você ás vezes sente vontade de chorar quando os verões se tornam invernos?
Você sequer pensa em mim?

E então eu mando isto
Para aonde quer que você esteja
Para dizer que ainda te amo
Você ainda faz parte de mim
E se você puder encontrar um jeito
Eu estarei esperando pelo dia
Em que você possa sorrir para mim e dizer que está tudo bem
Pois o único amor que tive, eu mandei embora.

Cidade fantasma

Eu tive um pesadelo ontem à noite. No sonho, eu estava cercado de pessoas em um grande corredor, frente às portas de salas que pareciam não ter nada dentro. Na minha frente, estava outra pessoa, com uma cara desapontada. Não havia som no sonho, mas pelo que pude identificar em sua face e o modo como proferia suas sentenças, tudo dava a entender que a pessoa estava gritando sobre algo. Quando acordei, percebi que não era ilusão; era uma briga que tive ano passado, e a culpa que eu ainda carrego estava apenas começando a se expressar.

Ao longo do dia, fui relembrando uma série de desentendimentos passados cujos quais não superei totalmente; alguns pequenos porém marcantes, outros escandalosos e irreparáveis. Cada um recheado com sua própria parcela de culpa que, aparentemente, ainda pesava em mim. Mais do que eu imaginava.

Quando saí de Londrina, deixei para trás grande parte de minhas angústias, mas algumas ainda encontraram um meio de se infiltrar em minha bagagem e me seguiram. Achei que as tinha perdido ou simplesmente superado, mas pelo visto estava enganado. Meus desentendimentos e momentos rancorosos passados estavam repassando diante dos meus olhos, e não pude deixar de sentir um golpe. Estranho, mas após uma briga, será que nos livramos completamente das assombrações? Ou somos perpetuamente perturbados por fantasmas de discordâncias passadas?

Tentei me perder em trabalhos ou me concentrar em outras coisas mais relevantes, mas os pensamentos não fugiam da minha cabeça. Cada briga que tive, cada instante de raiva que senti e que expressei, e cada mágoa que senti estavam ressuscitando, e a culpa, a pior parte, ia lentamente se acumulando.

Claro, depois de toda discussão, era de praxe pedir desculpas já que vivíamos - e estudávamos - no mesmo ambiente fechado, e nos deparar de novo e de novo frente a frente era questão de segundos. Mas agora que estamos todos soltos no mundo, sem portões de colégio nos cercando, todo e qualquer vestígio de rancor que ainda possa existir pode ser perigoso para o bem de uma amizade.

E eu me torturo; será que fui mesmo perdoado? Ou então, será que perdoei de verdade? Como me livrar desses pensamentos-fantasmas? Comecei a pensar em Londrina como uma verdadeira cidade fantasma, repleta de espíritos de relacionamentos passados e inacabados que pareciam ainda vagar pelas avenidas buscando por fim a tal perturbação. Relacionamentos que estou com medo de reviver.

Eu sabia o que tinha que fazer agora; confrontar meus fantasmas para finalmente encontrar paz de espírito. O único problema é, como confrontar pessoas que não posso ver? Pessoas que não estão aqui. Pessoas que, de um jeito ou de outro, deixei para trás. Preciso dar um fim definitivo para maus entendidos que abandonei, e descobrir se fui mesmo perdoado. Pela minha paz de espírito.

domingo, 28 de junho de 2009

Guerra fria

Enquanto espero a hora exata para sair de casa e ir trabalhar, sentado frente ao computador e tremendo de frio graças ao clima temperamental lá fora, eu percebo o quanto eu estive brigando... comigo mesmo. Ao criar inúmeras regras e ilusões de como a vida deveria ser, acabei estabelecendo padrões altos demais e quase impossíveis de serem alcançados, sempre levando a desapontamentos no fim das contas. E para que? Eu poderia estar me divertindo há muito tempo, se não fosse por mim mesmo.

Dizem que tudo depende da atitude, de como encaramos as mudanças que ocorrem na nossa vida, e da verdade universal sobre nada ser tão bom como gostaríamos, nem tão ruim quanto tememos. Talvez seja o frio, talvez seja o turbilhão de novidades que quase fez com que eu me perdesse, mas perdi a noção de tudo isso. Isso explica porque sempre havia chocolate ou cerveja por perto.

sábado, 27 de junho de 2009

Cro-magnon

Eu não ligo se nada disso não tiver sentido. Fico feliz só pelo fato de estar escrevendo de novo.

***

Há anos eu venho tentado descobrir o que tem de errado com a minha natureza. Estudos antropológicos já demonstraram mil relatórios sobre a tal da natureza humana, exemplificando e comprovando a teoria de que, se soubermos de onde o homem veio, é possível saber para onde ele vai. Acho tudo muito simplório; gosto de pensar que o ser humano não é tão previsível. Mas estou perdendo o foco.

Eu não gosto de futebol, não só por causa da minha falta de capacidade motora, mas simplesmente porque a atividade em si - correr para lá e para cá atrás de uma bola por oitenta minutos - não parece possuir finalidade alguma. Adoro colocar ketchup em tudo, absolutamente tudo, mas odeio tomate. E talvez a característica mais peculiar de todas; meus ideais provaram ser tão sólidos, ou ao menos convincentes o bastante, para causarem que eu me tornasse extremamente exigente e provinciano - resultando, obviamente, num ser bastante complicado - quando o assunto é relacionamentos, ou até mesmo ao gostar de alguém; circunstância infelizmente fora do meu controle.

Uma soma de aspectos distintos e alternativos que fazem com que eu questione incansavelmente: o que há de errado comigo? Ou, mais além, porque eu sou assim? Se a natureza humana básica é tão evidente em 99 de cada 100 seres humanos, porque fui sorteado? Por exemplo, os outros 99 nem pensariam em metade dessas coisas. Simplesmente não faria sentido.

Eu não sou louco, mas também tão tenho os dois pés no chão. Por outro lado, gosto de ser assim. E o que mais me animou perante tantas, ahn..., peculiaridades (perdoem a falta de sinônimos) foi o fato de que, juntas, formam uma personalidade única e estranhamente curiosa. Ênfase na palavra “estranho”.

Entretanto, o que fez com que eu parasse com tais questionamentos foi o curso da vida em si, ou de um ser superior que possui um plano geral das vidas de todos e sabe bem como mexer conosco como marionetes muito bem coreografadas. Tudo isso só para dizer que, depois do meu primeiro beijo, eu agora enxergo a parte básica da natureza humana em mim. Não foi nada como eu esperava, pelo contrário; foi puro instinto, e afetou meus dogmas ao extremo. Sobrevivi, mas em dias menos felizes, ainda sinto questionamentos pesando em mim.

Se na natureza nada se cria nem se destrói, tudo então se transforma, considere a lição aprendida. De certo modo, me senti bem com isso. Quer dizer que não estou totalmente fora do normal. Ou, pelo menos, não totalmente louco. E eu aposto que nenhum antropólogo previu isso.

***

Enfim, é nisso que dá morar sozinho e não ter ninguém para me impedir de escrever. Outra coisa que também me deixa bem.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Meu alguém

Algumas vezes parece que escrevo especialmente para um alguém que ainda não conheci, mas que sei que está por aí. Tudo que tenho a fazer é encontrá-la. E então, existem as vezes em que tenho a sensação de que, independente do que aconteça, eu sempre faço as escolhas erradas. Eu já nem tento entender mais; só vou levando. Eu estava assistindo a uma série noutro dia, onde dois personagens conversavam sobre uma música de um filme antigo cujo nome não lembro. A música se chamava “goodnight, my someone”, e fala de uma pessoa solitária que canta todas as noites para alguém que não está ali, pois é o único modo que ela tem de expressar seus últimos rastros de esperança. Não sei, mas senti que a conversa também era comigo.
Também existem momentos onde penso em algumas pessoas em especial com o mesmo sentimento, mas acho que não é a mesma coisa. Seja lá o que tudo isso signifique, vou aproveitar minha taça de vinho enquanto não encontro meu alguém. É mais fácil de aceitar isto do que o fato de que, talvez, eu já tenha encontrado meu alguém. E se o único amor que tive, eu mandei embora?

***

Como foi que Junho chegou tão rápido?