domingo, 26 de julho de 2009

O normal a ser feito

Sempre que eu sinto meus instintos dominando a melhor parte de mim, eu tento me lembrar da filosofia de vida que me não me deixa jogar tudo pro alto e sair correndo: dê tempo ao tempo, você vai adorar o amanhã. Na maioria das vezes, funciona; eu acordo na manhã seguinte muito mais relaxado e com a sensação de que daqui em diante tudo vai dar certo. Pelo menos, é algo no qual eu preciso acreditar, por razões que não conheço bem. E uma vez mais, nada disso faz sentido.

Por mais que eu tente, não consigo expressar de outra maneira - ou, com outro tipo de vocabulário senão este que respinga subjetivismo. E estou aprendendo a não me incomodar tanto com isto também. A questão aqui é que eu me perdi; saí da minha cidade e larguei uma vida toda pra começar uma fase nova, enfrentei obstáculos que não esperava e dei meus pulos, mas eventualmente me perdi. E aquele negócio de procurar o normal a ser feito agora já era. Estranho mesmo é não me arrepender de ter largado a faculdade ou de continuar a assinar o recibo que me garante o próximo mês no meu apartamento.

Levar um dia de cada vez parece ser a melhor política, mas o desespero não foge muito. E o frio não ajuda. Seja como for, deixo que a vida se encarrega de me colocar de volta nos trilhos. Uma hora ou outra, eu acho meu caminho de volta. Palavras nada normais, de uma pessoa nada normal.

domingo, 12 de julho de 2009

Uma vez na vida

Demora certo tempo para perceber, mas em algum ponto da vida chega o momento em que descobrimos que amor e felicidade na verdade não são sinônimos. Eu tenho amor na minha vida; uma família querida que está longe de mim, apenas aguardando minha próxima visita, amigos leais que não se esqueceram de mim mesmo longe da internet, e uma cidade que ainda guarda meus eternos sonhos e esperanças de, um dia, combinar todo esse amor com a felicidade cuja qual procuro.

E eu não me importo se ninguém se preocupa em ler meus apelos. Até mesmo por que grande parte dos que liam, em lágrimas passadas, não compreendiam completamente o que eu tentava expressar. Tudo que quero é escrever o que sinto, e compartilhar isto. E o que eu sinto ainda é você.

Em dias mais otimistas, e até mesmo nos abismos de pessimismo nos quais me afundo às vezes, eu acredito na velha teoria sobre ter apenas um amor na vida. Um amor que, mesmo por mais que se tente, não é possível se esquecer. Um amor que eu sinceramente achei que poderia estar aqui. E se, por acaso, estava comigo o tempo todo?

Restam apenas duas coisas que ainda espero que aconteçam; que você me perdoe completamente, e que eu entenda de uma vez por todas porque errei.

***

Eu estou tentando ser feliz sem você. Mas sinto saudade às vezes.

A melhor coisa que já se aconteceu

Existem algumas pessoas que, quando você as conhece e logo após deixarem o recinto, te fazem pensar: “Como eu vivi até hoje sem ela?” Pode parecer ridículo, ou então a melhor coisa que já se aconteceu. O tempo se encarrega; você vai adorar o amanhã.

sábado, 11 de julho de 2009

Lágrimas secam sozinhas

É difícil dizer por quais razões vale a pena derrubar lágrimas, e por quais não vale. Choramos de felicidade quando reencontramos pessoas especiais, e choramos de tristeza quando estas, por sua vez, nos deixam sem dizer quando ou se voltam. Choramos de saudade por tempos que passaram rápido demais, e que tudo que nos resta são memórias dos sorrisos que ficaram para trás. Choramos secretamente e nunca contamos a ninguém, pois os porquês não teriam sentido para ninguém senão nós mesmos. Choramos por não conseguir abrir mão, não conseguir seguir em frente, e quase nos afogamos em lágrimas até mesmo por motivos que, cinco minutos depois, parecem tolos. E então, existem momentos em que, por mais dolorosos que sejam, não derrubamos sequer uma lágrima. É um sinal de que a dor está passando. E as lágrimas, enfim, secam sozinhas.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Cro-magnon II

Outra coisa bastante afirmada por antropólogos é o quanto evoluímos desde nossos primórdios, quando ainda éramos todos da espécie cro-magnon. A questão é; evoluímos mesmo? Ainda passamos grande parte do nosso tempo enclausurados em nossas respectivas cavernas, deixando-a apenas para propósitos de caça e coleta, ocasionalmente trombamos com neandertais aqui e ali, e cometemos erros cruciais que prejudicam nossa existência e de todos da nossa tribo. Tudo bem, as ferramentas mudaram, o idioma modificou-se de forma mais polida, e a sociedade insiste em crer que estamos caminhando para um futuro mais moderno, mas e quanto a nós mesmos? Em um mundo onde as pessoas ainda ferem, mesmo que acidentalmente, outras que lhes são importantes, e a necessidade por sobrevivência nos leva a cometer atos ainda mais asquerosos independente das conseqüências em jogo, é possível dizer com certeza de que deixamos nosso passado cro-magnon para trás?

***

Outro dia eu vi na televisão uma propaganda que dizia: “o mundo não é movido por respostas, mas sim por perguntas”. Por um instante, senti que minha natureza não parecia tão estranha.

Sem título

Ao andar sobre a chuva e o luar nublado, horas após a aula ter acabado e sem nenhum motivo aparente para ainda não estar em casa, eu percebi o inevitável: eu estava fazendo coisas idiotas de novo. E para mim, isso só significava uma coisa; a estranheza agora se tornara outra coisa... Outra coisa muito familiar.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Eu queria que você me conhecesse

Ao meu primeiro amor.

Eu sei que já disse muitas coisas antes, coisas que você provavelmente já cansou de ouvir, pois decidiu que nada seria verdade. Mas agora eu prometo que é diferente; existem duas últimas coisas que eu gostaria de dizer, antes de sair definitivamente da sua vida. Se puder me ouvir, saiba que serei eternamente grato por tudo que fez por mim, até mesmo quando não percebi suas boas intenções no momento certo e, em troca, tentei te empurrar para longe. É estranho, você veio do nada e do mesmo modo que adentrou meu coração, ali você ficou. Apesar de, assim do nada, tê-lo abandonado fisicamente, ainda guardarei comigo pequenos fragmentos de lembranças dos bons tempos que passamos juntos. Momentos que passaram tão rápido, e nos mudaram tão radicalmente, que até parece surreal. Mas cá estamos; eu aqui, você aí, e a vida continuou. Disseram-me para seguir em frente, e eu admito que não sabia para onde ir, sem você do meu lado. Porém, a vida me empurrou para frente e, pela primeira vez em muito tempo, acho que é assim mesmo que deve ser. Honestamente, eu gostaria que você me conhecesse agora, um pouco mais maduro e um pouco menos neurótico, mas ainda do jeito de sempre. Se puder mesmo me ouvir, leve estas últimas duas coisas com você: me desculpe por tudo, e obrigado por tudo. Eu não teria chego até aqui sem você, e por isso não posso completamente te esquecer.

Se cuida.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Interessante

Instantes após conhecê-la, a coisa mais estranha começou a acontecer: eu procurava qualquer desculpa só para pronunciar seu nome. Foi quando percebi que gostava de pronunciá-la tanto quanto gostava de estar conversando com ela, lado a lado com ela, observando ela. Não me cansava de observá-la com o canto do olho, da maneira mais discreta que pude, para não criar comentários.

Após dizer “boa noite”, eu tive dificuldades para criar uma imagem mental do seu rosto; tudo que eu conseguia me lembrar era de um sentimento. E as estranhezas continuaram; no dia seguinte, eu estava literalmente contando as horas para vê-la de novo, apenas para, no mínimo, rever seu rosto.

De repente, sensações que não sentia há tempos me invadiram; ela possuía atrativos que me cativavam todo tempo que ela estava no recinto, e meu coração... Meu coração deu um pulo quando ela chegou. E meu coração não pula desse jeito por muita gente.

Na verdade, não me lembro da última vez que ele pulara. Tentei ignorar, fingir que não era o que eu estava seriamente pensando - uma teoria que, ao longo dos anos, sempre acabou me decepcionando... Porém, não sem antes me trazer momentos e sorrisos que, inexplicavelmente, pareciam fazer tudo valer a pena. Tudo começou a ficar confuso, e então eu percebi: ela era... Interessante.

De certo modo, era exatamente o que eu estava procurando. Pelo menos, parecia ser por quem eu estava esperando. E daí em diante, as coisas realmente começaram a ficar boas.

Para não dizer, interessantes.

Um dia maravilhoso

Antes de morrer, o tio do Homem-Aranha proferiu a memorável frase: “Com grande poder, vem grande responsabilidade”, e foi exatamente isso que me ocorreu quando meu chefe me ligou com a notícia de que, devido à saída de mais uma funcionária insatisfeita, eu agora seria promovido - de atendente, para caixa. Foi o bastante para me deixar inquieto por alguns bons instantes antes de finalmente cair no sono.

No dia seguinte, assumi meu novo posto - eu agora podia ficar sentado o dia todo, e ainda mandar em quem por ventura trabalhasse comigo de agora em diante. O chefe e a gerente se reuniram comigo para passarem o básico; eu agora seria responsável por toda a frente da loja e, ainda por cima, sozinho. De repente, a inquietação transformou-se em medo; medo do desconhecido, medo de falhar, medo de contar errado e ter que arcar com as conseqüências de quaisquer fosse meus erros, diretamente do meu bolso.

A idéia de ter uma cobrança ainda maior sobre meu trabalho, e não somente a responsabilidade praticamente direta sobre as despesas e lucros da loja, pagamento de funcionários e até a segurança e estabilidade financeira de suas famílias, sem contar o estresse que vem com o novo controle, me deixou com borboletas no estômago e calafrios durante a tarde toda. Foi só quando eu fechei minhas contas e passei o posto para a caixa noturna que comecei a me sentir melhor.

Talvez eu seja subjetivo demais para esse trabalho. Ou para qualquer outro trabalho do tipo, pensando bem.

***

Talvez seja o clima que esquentou subitamente, ou então sou eu quem se acostumou com toda a frieza que me cerca - e que pode até ter me afetado ao ponto de eu nem sentir mais qualquer mudança climática. Às vezes eu sinto que ando pela rua como um fantasma perturbado que vaga sem rumo, sonhando sem esperanças em voltar para casa. Eu ando com um olhar tão distraído, e com uma cara tão fechada, que nem pareço ter alma. Ou pior, parece que perdi minha alma.

Sei lá, mas é o que parece. As músicas que escolho ouvir a caminho de casa, voltando da faculdade à noite, também não ajudam muito.

All of the happiness you seek, all of the joy for which you pray, it’s closer than you think, it’s just a hundred tears away”.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Era amor

Sentimentos ás vezes parecem ser tão indecifráveis que, por um momento, parece impossível defini-los sem nos confundir ainda mais. Mas na primeira vez que a vi, eu tinha certeza do que estava sentindo.

O sol do meio-dia há pouco tempo tinha baixado e estávamos no meio de uma tarde de quarta-feira qualquer quando nossos caminhos se cruzaram. Foi um encontro tão inesperado, e num cenário tão ridículo, que tudo só parecia ainda mais surreal. Meu coração distraído não a viu chegar. Ela estava usando o uniforme do nosso colégio, assim como eu. Eu ainda o usava por preguiça; cheguei em casa e, antes de sair novamente, não senti necessidade de tirá-lo. Mesmo com as roupas de sempre, ela parecia diferente. E mal sabia eu que, ao retornar para casa, eu estaria diferente também.

Ela estava acompanhada por sua irmã, que reclamava constantemente sobre exatamente o fato de ter sido recrutada para ir com ela até a lotérica, já que o apartamento onde moravam ficava apenas a três quadras para baixo e não havia nenhum perigo aparente. Sua irmã também possuía um nome raro, incomum, do tipo que a maioria das pessoas erraria ao pronunciar pela primeira vez. Admito que também demorei algumas semanas para me acostumar; eu ouvira errado quando nos conhecemos.

Ao esperarmos por nossa vez para sermos atendidos, cada um com seu respectivo boleto nas mãos e o dinheiro para pagá-lo num dos bolsos da calça, três horas de conversa simplesmente fluíram no espaço de quinze minutos. No tempo de uma corriqueira fila de lotérica, nós havíamos descoberto milhões de coisas um sobre o outro. Parecia que nos conhecíamos intimamente há anos, e que há anos estávamos separados. Finalmente havíamos nos reencontrado, e os sorrisos eram constantes. Quando finalmente fomos atendidos, tanto eu quanto ela esquecemos o que tínhamos ido fazer ali. Ah, sim, pagar a fatura do mercado. Andamos lado a lado até a esquina que dividia nossos caminhos uma vez mais. Ela e a irmã atravessaram a rua, enquanto eu as observava ao lentamente tomar meu rumo. Mesmo sem vê-la chegar, meu coração sentiu um enorme peso quando nos despedimos. De repente, eu não queria mais ficar longe dela. Por que aquela fila tinha que terminar?

Três anos depois. Não moramos mais na mesma vizinhança, e eu já nem sei que caminho ela segue para voltar para casa. Tudo que sei é que, desde a primeira vez que a vi, eu sabia exatamente o que estava sentindo. Era amor.

Ainda é.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Tudo novo, de novo

Talvez o que eu senti no ônibus a caminho de casa, voltando da faculdade com o frio no meu rosto e o pouco movimento de minhas mãos, não seja raiva, mas sim desconforto - daqueles que são momentâneos, sabe? Desconforto pelo fato de que minha rotina foi alterada uma vez mais, como se fosse impossível regularizar padrões durante minha estadia aqui. Ontem foi o desapego de Londrina, depois as complicações da faculdade, os aprendizados no trabalho, e agora chegou a isso; trocar o conforto da van pelo tumulto e agonia de ônibus para ir e voltar da faculdade, tudo em nome do meu novo aluguel.

A verdade é que sempre fui irresistivelmente apegado a rotinas; padrões de comportamento do dia a dia, que por sinal fazem até o dia passar mais rápido, ou senão, pelo menos com mais ordem. Eu gosto de organizar minhas tarefas e compromissos, como se tudo pudesse ser previsto, mas sempre deixando uma brecha para planos de emergência - por exemplo, tornou-se de praxe sempre carregar consigo R$2,20; a tarifa do ônibus daqui, porque nunca se sabe. E se existe uma coisa que agita meus sentidos e aumenta minhas aflições, são remanejamentos inesperados.

Provavelmente me adaptarei a isto com o tempo, o problema é que hoje foi só o primeiro dia. E parece que as rotinas que eu costumava ter jamais voltarão, já que o plano é continuar seguindo em frente e, de agora em diante, é tudo novo de novo. Por exemplo, já estou me acertando com o inverno, e reencontrar meu cachecol, touca e luvas, que há anos não eram usados, meio a malas que ainda não desfiz também ajudou um monte. Sejamos sinceros; numa cidade onde a temperatura abaixa perigosamente ao longo do dia, a última coisa que eu precisava era que o ônibus quebrasse no meio do caminho pra faculdade. E ninguém gosta muito de andar no inverno; nem mesmo eu.

É isso que acontece quando se sai da rotina; nada mais será o mesmo de novo. Pelo menos agora eu tenho um cachecol.

***

Às vezes eu acho que quando me deparo com semi-conhecidos na rua, é na verdade o jeito de Deus me dizer: “crie vergonha na cara e faça amigos!”.

domingo, 5 de julho de 2009

Não tema mais

Existem certas obrigações que encaramos ao chegar em casa após um longo dia de trabalho. Tirar os sapatos na porta, cumprimentar todos, e iniciar todo um ritual de desembarque até finalmente poder suspirar e aliviar-se por estar de volta ao lar. Curiosamente, tal ritual não ocorre quando se mora sozinho. É estranho, mas ao entrar dentro de casa, me sinto... perdido. Não há ninguém que me lembre de tirar os sapatos, muito menos a quem cumprimentar - com exceção de raros encontros com vizinhos no corredor. Não parece haver obrigação alguma, em vês disso há total liberdade de fazer o que quiser até a hora que quiser do jeito que quiser. Foi quando eu percebi que ter tal liberdade chega a ser até assustadora.

Por isso é sempre bom ter um alguém esperando por nós. Nem que seja apenas uma carona.

sábado, 4 de julho de 2009

A atmosfera perfeita

É incrível a quantidade de paracetamol que precisei comprar para sobreviver ao inverno daqui. Talvez seja a atmosfera com a qual meu corpo não está acostumado, mas está do jeito que eu gosto. Desde quando consigo me lembrar, sempre tive paixão pelo inverno. É a estação do ano propícia para ficar dentro de casa de pijama e meias, só bebendo coisas quentes, sem ser questionado. Só o que eu não esperava era o alto risco de pneumonia. Vide o paracetamol.

Já fazia alguns anos que eu não via o interior de um hospital, mas após passar mal no meio do trabalho, meus superiores decidiram que estava na ora de ver um profissional. “Você já tomou algum medicamento?”, “Naldecon, Neosaldina, Paragripe, Ambroxmel...”. O médico tirou uma longa pausa e me deu um olhar sério, julgando mentalmente a lista farmacêutica que eu ditara. O que aconteceu foi que, logo no início quando era apenas um resfriado, saí recolhendo recomendações médicas de todos que encontrava, o que acabou resultando numa maçante dor de cabeça, quinze quilos de catarro e náusea.

Fim do dia; imprevistos superados, medicamentos comprados, tarefas cumpridas, e o nariz parece até menos congestionado do que antes. A dor de cabeça insuportável minimizou-se, e um estoque pessoal de remédios agora ocupa o último canto vazio que havia na mesa da cozinha, com direito a atestado, receita médica e bulas, muitas bulas. Apesar dos novos quatro medicamentos que devo tomar antes de dormir, ainda é minha estação favorita. Meu corpo pode estar desacostumado com o ambiente, mas a mente já se acomodou. E então, a parte ruim acabou. O resto é apenas névoa.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

E se...

Hoje eu tive um pensamento diferente; e se eu tivesse ficado?

Quais são as chances de eu ter conquistado tudo que consegui até agora, em tão pouco tempo, nas circunstâncias com as quais eu convivia? Faria cursinho? Me dedicaria mais? Trabalharia? Conheceria gente nova? Amadureceria? Provavelmente não. A cada dia que passa me dou conta do quanto minha escolha foi drástica, decisiva, quem sabe até em tempo. A verdade é que eu precisava vir para cá; para virar gente, para crescer.

Claro, estourar a bolha na qual vivi pelos últimos anos não foi fácil, muito menos então aceitar o fato de que o tal ensino médio simplesmente acabou, assim, de repente. Agora caí no mundo real, e as coisas são mais difíceis do que eu imaginava. Por sorte, ainda tenho benefícios como ser “filho do chefe” (apesar de expressão não carregar tanto prestígio como aparenta), e de ainda precisar de empurrões para continuar seguindo em frente. Se dependesse só de mim, já teria desistido.

Outra coisa que preciso me lembrar todo dia; as pessoas que querem me ver feliz querem que eu siga mesmo em frente, mesmo que a dor da separação e da distância machuque mais a elas do que a mim. Meus pais, meus amigos, minha família. Não estou fazendo isso só por mim.

No fim de cada dia preciso me lembrar de que as lágrimas que escorrem por meu rosto antes de dormir serão equivalentes a sorrisos e mais sorrisos no futuro. Se é verdade eu não sei, mas parece algo que eu preciso acreditar para conseguir ir adiante. Então o plano é este; chorar no presente para ser feliz amanhã. E seja o que Deus quiser.

***

Talvez essa seja a tal maturidade da qual todos tem me falado.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Independência

Sejamos honestos, morar sozinho não é sequer o mínimo sinônimo de independência. Tanto não é, que não sinto, nem por um instante. Quer dizer, eu sinto em pequenos momentos somente quando é inevitável; quando lavo minha própria roupa, pago minhas próprias contas, limpo minha própria casa, e estoco minha própria geladeira.

Talvez independência seja uma utopia porque, pensando bem, sempre acabamos dependendo de alguém para alguma coisa. Dependemos de nossos pais para abrir nossos olhos até quando estamos cegos demais para tomar o rumo certo, dependemos dos nossos amigos para nos assegurarem de que somos especiais, dependemos até de coisas pequenas como lugares ou até músicas para nos lembrarem de que estamos vivos, quando o mundo real tende a nos massacrar de novo e de novo.

Eu não me sinto independente, e nem quero ser. Porque depender dos outros significa que não estamos sozinhos, e nada parece ser mais reconfortante. Talvez eu esteja errado, mas independência para mim traduz-se como não precisar de ninguém para nada - o mesmo que ser sozinho. Tudo que sei com certeza é que agradeço ao fim do meu dia por todos aqueles que me ajudam a viver, porque eu não conseguiria absolutamente nada sem eles.

Acreditem quando eu digo; o fato de eu comprar meu próprio sabão em pó não quer dizer nada.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Culpado

A verdade é que eu me sinto culpado por ter ido embora. Culpado por alguns pensarem que me esqueci de tudo e de todos, e de como ás vezes não parece haver um meio de eu alcançá-los, só para dizer um “olá” rápido e garantir que ainda me lembro de tudo. Culpado por agir impulsivamente e magoar pessoas que só querem meu bem, quando não consigo entender a finalidade de suas ações - ou então, a falta delas. Culpado por não conseguir expressar tudo que sinto, ou não dizer o que gostaria na hora certa. Culpado por decidir ir atrás do meu sonho, mesmo quando já não tenho muita certeza de que isto é mesmo o que eu queria. Mas a culpa mais pesada que carrego, é por não ter esperado por você, e por ter deixado meus instintos falarem mais alto.

E pelo que parece, esta é uma culpa que ainda carregarei por muito tempo.