terça-feira, 15 de setembro de 2009

Acordando normalmente

Bom humor matinal não depende de mim ou do mundo, é uma anomalia emocional que ocorre quando menos espero e quando mais preciso. E não depende também de qualquer variação do meu ritual: bocejar, espreguiçar, arrastar-se até o banheiro, jogar água fria na cara até parecer humano de novo. Claro, o mundo participa também; os pássaros cantam, o vizinho faz barulhos estranhos ao sair pro trabalho, a dona-de-casa do apartamento da frente liga o axé no máximo para limpar sua casa mais graciosamente - ou não - e meu celular tem a hora programada pra tocar "So Happy Together" do The Turtles (daquela propaganda do Ford Focus no final do ano passado) para fazer com que eu abra os olhos e volte à realidade. Ah, e café. Café é vital, agora. Depois de anos adepto ao tradicional leite com toddy (nem Nescau, Toddy mesmo), eu agora tomo "a bebida que gente grande bebe o dia todo pra continuar funcionando" (acho que minha mãe disse algo parecido pra mim, em algum ponto da minha vida onde Toddy estava caro). Enfim, eu curto os dias que começam com bom humor, mas não dura muito. É só pisar do trabalho que tudo volta ao normal (viu?). Mais sorte na manhã seguinte.

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Pense numa pessoa que dá um passo à frente, dois pra trás, e se perde. Sou eu.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Sobre viver a vida

Quando a vontade de escrever bate, tem que seguir com ela até o final. Sem mais nada de produtivo pra fazer a não ser atualizar o twitter a "less than 5 seconds ago from web" e curtir os flashbacks que só o media player no aleatório pode proporcionar, eu decidi passar pelo Jornal Nacional no mudo para, pela primeira vez na minha vida, pegar uma novela do começo. Afinal, agora não tem mais mãe lá na sala pra me explicar a história quando eu resolver assistir quando saio da minha caverna pra jantar em família.

Da Índia pro Leblon, tudo bem, Manoel Carlos, a gente entende. Helena, claro, a gente entende. Título com subjetividade universal, entendo muito bem. E dessa vez, nove meses depois da Flora ter sido presa, eu não me sinto mal por começar outra novela na segunda assim, depois de um final na sexta. (Só um comentário aleatório; William Bonner fica bem engraçado no mudo, experimente. Ouvindo: The Winner Takes It All - não a versão maníaco-dramática da Meryl Streep, é o ABBA mesmo) É que da última vez, demorou pra que eu deixasse a Flora em paz para aceitar a Juliana Paes indiana e aquele gordo em quem ninguém podia tocar, mas com o tempo eu aprendi a jantar com eles também.

Peraí que eu tenho que tirar do mudo, começou. Por-do-sol, "What the world needs now is love", Búzios 2008. Corta pro monólogo interior da Taís Araújo, num barco. Pelo visto, essa Helena sempre andou descalça e por isso tem os pés no chão, mas deu pra ver na cara da equipe de reportagem entrevistando ela que acharam a frase batida. Ela sonha muito também, mas não delira. Particularmente, não sei como é isso. Parei pra pensar e ela agora pulou num Banana-Boat, com um tema latino que era pra ter tudo a ver, mas não foi. Corta pro morro, - sabe, a parte de cima do Rio - perseguição, sobe e desce de escadas, Tropa de Elite soundtrack, e de volta pra Helena/Taís na praia, de biquini que é pra dar ipobe, e começa a justaposição de imagens porque o diretor acha que é um efeito legal (no mais, serviu pra atacar minha enxaqueca). Agora a gente entende que, enquanto a irmã rica tá de boa em Búzios, a irmã pobre foge da polícia, sem deixar de lado que família é importante e tal.

Corta pra Alinne Moraes, num buggy rosa (É. Um buggy. Rosa), que também é modelo mas não tem cérebro. "Sabia que meu rosto está entre os 20 mais bonitos? Mas não vi seu nome lá!" - "É que eu estou entre as 10, queridinha". As duas param o trânsito, no sentido ruim, e quase são atropeladas quando um cara decide mesmo "passar por cima" delas. Há algumas locações dali, Lília Cabral/Tereza e José Mayer/Marcos discutem num carro, até a mulher bater a cabeça no porta-luvas. Enquanto isso, Danielle Suzuki socorre a irmã pobre da Taís, que despistou a polícia porque a novela é fiel à realidade. Lília Cabral continua a falar mal do ex-marido, da carreira da filha, do restaurante, de Búzios, e do oxigênio que inala enquanto a filha balança a cabeça. Ah, ela odeia carnaval também; isso aí.

Alinne Moraes continua a dirigir com seu buggy rosa pela novela enquanto Mayer observa de longe um grupo de turistas que está visitando a praia, e se perde em devaneios de como logo se casará de novo só para voltar a ouvir as babozeiras de uma mulher no meio da noite, mas uma Letícia Spiller descabelada o interrompe com algo que ninguém presta atenção, pois ela está descabelada. A entrevistadora então decide falar com Helena Taís sobre amor, e esta demonstra desespero, desilusão e esperança tudo numa só expressão (igual quando a Regina Duarte fica feliz e triste ao mesmo tempo). Ao aprofundar-se mais no turbilhão de emoções e frases impulsivas que tomaram sua fala, Mayer aparece no fundo e percebemos que (nossa) estão no mesmo bar - balanceado com imagens de Danielle Suzuki, an, fazendo uma salada.

A equipe de filmagem vai embora e Taís Helena, ou Helena Taís fica pensativa, até ligar para Suzuki, que fala de boca cheia (pois está comendo salada) sobre como está a situação da irmã pobre. Suzuki engole a salada e muda repentinamente de cenários enquanto Taís Helena continua no bar, e pede ao garçom um pedaço de papel e uma caneta para anotar um telefone. Mayer usa a deixa para se aproximar de Helena, e lhe oferece papel e caneta (porque todo mundo tem papel e caneta assim, fácil). Helena comenta com Mayer sobre como é raro um homem andar por aí com caneta à tinta, e Mayer contra-acata com uma cantada tipo "filosofia-da-caneta-que-papai-me-passou" e logo se aproxima dela. Helena agradece e devolve a caneta quando um repórter volta para buscá-la. Antes de sair, Helena agradece novamente pela caneta, e Mayer, em sua última jogada, se despede com "até qualquer outro momento". Mayer agora observa Taís ir embora com o sol batendo na cara, mas a música permite que ele curta o momento. Corta para a abertura, começou a novela.

Por enquanto, tá mais interessante que as peripécias de Maya pela Índia afora. Não me decepcione, Helena Taís.

Obs. Logo após o intervalo, vemos Moraes e Mayer no buggy, e Mayer comenta sobre como é bizarro o veículo rosa vagando pelas areias de Búzios. E agora ela também está de biquini. Me convenceu a continuar.

Acima do normal

Eu juro que ouço essa palavra todo dia, e estou repetindo aqui de propósito. Simplesmente para ver se alguém também se dá conta disso. Na maioria daz vezes, é usada pra descrever uma sensação, um lugar, uma atitude, um pensamento, o tempo lá fora, enfim. Outras vezes, é o que uma pessoa espera atingir na esperança de não ser julgada por outros e sentir a comodidade de “se encaixar” na sociedade, e então perder tempo com outras coisas.

O que eu não entendo é essa busca sem sentido pela normalidade; que graça tem? Ser igual a todo mundo, fazer as mesmas coisas, sem nunca sair da rotina, só porque a televisão mostrou que aquela menina que dança “A Little Less Conversation” no corredor de casa tem síndrome de down. Eu faço a mesma coisa, quando o espírito do Barry White baixa aqui (you’re my first, my last, my everything, yeah baby), e consigo comer sem babar (exceção clássica: cachorro-quente), e andar na rua (grande parte do tempo) sem trombar em nada. Tio Raul já dizia que excercitava sua falta de normalidade tanto musicalmente quanto no dia-a-dia e, até quando estava fumando maconha até o Tico e o Teco desmaiarem, era chamado de gênio. E gritam pra ele tocar em qualquer show até hoje.

- Você, bom, você...

- Não sou como qualquer outro que você conhece?

- Mais ou menos. Você não é normal.

- Eu sei. E eu gosto.

Pode continuar fazendo tudo igual aí, enquanto eu me divirto com essa música tocando na minha cabeça.

Segunda-feira, 15:35.

É, a tarde de hoje foi bem produtiva. Mas sabe, o que realmente acontece depois que se encontra o amor? A pessoa fica feliz, e só? O drama acaba, as inseguranças se acalmam, as lágrimas secam, o coração pára de pular... fim? Talvez eu seja louco, ou apenas masoquista, mas isso me parece bastante chato. Eu gosto da busca, a procura incansável; essa é a graça. Quanto mais se está perdido, mais se tem a esperar. Quem diria, eu estou feliz e nem tenho noção.

Pensando em você

Hoje eu me lembrei daquela frase que diz que a vida se baseia nos momentos em que perdemos o fôlego, e já faz algum tempo que eu venho reparando em como eu ando suspirando bastante, com tudo que me acontece. Só que em vês de suspirar por algum amor perdido ou por prender meu dedo no freezer sem querer, dessa vez foi puro tédio. Aí eu caí num dia tipo “o-que-posso-fazer-pra-mudar-minha-vida-hoje?” e decidi tentar um experimento bastante desafiador: pensar antes de falar e agir. Sistema de filtragem: ligado, e assim foi. Sabe como se descobre que se fala muita merda? Quando se pensa antes de falar e o silencio se torna constante. E digo mais, é melhor do que exercitar a paciência.

O tipo de coisa normal

Demora um pouco pra se perceber, mas depois de muita observação a outros seres huamnos e suas manias ao longo dos anos, posso honestamente dizer que o mundo é feito de pessoas estranhas. Mas por que não nos avisam? Quando crianças, por que não nos ensinam na pré-escola que as pessoas são bizarras, assim não nos sentiriamos tão mal com nossa própria estranheza, e talvez até seriamos mais mente-aberta quanto ao estranho. Pense na pessoa que você julgou ser estranha e tirou da sua vida; ela é mesmo pior do que os estranhos que você ama, e até sente falta?

Resumindo, somos todos submetidos a uma lavagem cerebral para acreditar que as melhores pessoas são normais e atraentes, mas talvez não sejam! Talvez os estranhos sejam mesmo as pessoas mais legais, e a culpa é nossa por estar ignorando-os. Afinal de contas, ainda estamos sozinhos. Estamos, definitivamente, esquecendo de alguma coisa.

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Normal é o meio-termo entre o que você quer e o que você pode ter.

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Não somos apenas atraídos a querer o que não podemos ter. Também somos atraidos a querer o que realmente não queremos. Estranho, mas é normal.

O efeito dominó

Segredos, mentiras, e mágoas são resultados do que acontece todos os dias quando as pessoas menos esperam, quando se vive num mundo sem amor. Em vês de corações abertos, tudo que se encontra são ironias e sarcasmos engatilhados, prontos para serem atirados contra alguém que, curiosamente, ainda acredita que aquela coisa estranha chamada amor possa mesmo, apesar dos apesares, conquistar tudo. A partir disso, ocorro todo aquele efeito dominó: uma pessoa quebra a cara, que por sua vez torna-se fria e acaba por esmigalhar as crenças de outro em seguida. No fim, o que nos resta para acreditar a não ser na tal realidade, com toda sua frieza e senso de que fantasia só pode existir até quando, digamos, você começar a pagar seu próprio aluguel. Encarados com tantas calúnias, a única coisa que resta perguntar é: nos dias de hoje, exatamente quão perigoso manter um coração aberto é?

terça-feira, 8 de setembro de 2009

A dor maravilhosa

Eu fui pra cama à uma da manhã, e ainda estava acordado às duas e meia. Não haviam mais palavras, já havíamos dito todas. Depois daquilo, eu sabia que tinha acabado. Será que eu realmente amei? Ou estava apenas viciado na dor? A dor maravilhosa de querer alguém tão inatingível. Eu queria ir até ela, mas me senti amarrado aonde estava. Uma parte de mim estava me segurando, sabendo que já tinha ido longe demais, atingindo meu limite. E assim, eu me desprendi do amor. Eu estava livre, mas não tinha nada de maravilhoso nisso.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Se for só na sua cabeça

É fácil se perder quando se segue o coração o tempo todo. Num piscar de olhos, dá pra perder amigos, oportunidades únicas e até mesmo uma vida; basta esquecer que tem cérebro e deixar que seus batimentos cardíacos tome decisões por você. Isso só não se aplica à exceção clássica: amor. Não se escolhe a quem amar, até aí todo mundo sabe, mas o que o mundo cisma em impor é que é sim possível decidir por quem sofrer – para não dizer, que dá até pra não sofrer por ninguém.

Depois de inúmeras cartas de amor, lágrimas de arrependimento e pedidos de desculpas, a tendencia é de que o garoto ingênuo e apaixonado que existe dentro de cada homem morra pouco a pouco ao longo do caminho rumo à maturidade. Quando não passa de um garoto ingênuo dentro de um garoto mais ingênuo ainda, acaba demorando mais ainda. Mas acontece.

Acreditar no amor é algo que envolve tempo, imaginação fértil, castelos em cima de sonhos, coragem de admitir para o resto do mundo que você não vai pegar a garota bêbada da festa só porque ela está no estado “qualquer-dez-reais-me-leva”, e força para sobreviver a incorrespondências que eventualmente levam amizades a completos desastres. Só que como mudanças fazem parte da vida, esse tipo de força acaba se transformando em outra, aquela que nos ajuda a superar fatalidades de verdade e que nos leva a enfrentar o mundo real dia após dia.

E então, chega o momento em que você não encontra mais seus amigos por perto e tudo pelo que sonha ainda está há mil lágrimas de distância. Foi quando eu percebi que não sei usar meu coração. E se eu não sei usá-lo, como acreditar em algo cujo símbolo é ele?

Talvez eu encontre a pessoa dos meus sonhos, talvez não. Mas, por ora, cansei.

Mundo Real: 1 x Igor: 1.

sábado, 5 de setembro de 2009

Tudo normal até que...

Sabe aqueles dias em que você sente que não pode chegar perto de outros seres humanos, para o seu bem e a segurança deles? É um dia em que todas as forças do universo se conciliam estritamente para te irritar, e conseguem. Você pode até, no maior dos milagres, acordar de bom humor num dia assim, mas com um piscar de olhos, de repente tudo e todos tornam-se malditos que só apareceram no seu caminho para testar sua paciência, geralmente com coisas pequenas e perguntas insignificantes. As pessoas dizem que você não pode ficar estressado, você as manda pra bem longe, e o dia vai piorando.

Todos tornam-se alvos e não há quem você não imagine que exploda e te deixe em paz. E, claro, a hora no relógio não passa para que você volte para casa o mais rápido possível, sem ferir ninguém. Você questiona se as ordens do seu chefe no trabalho são de verdade, ou se são só pra te irritar, você não liga pra colega escrota que não te cumprimenta, e você nem se preocupa em servir direito o cara que pediu um chopp justo na hora em que você está fechando o caixa. Deu até vontade de cumprir aquela promessa.

Aí tem os lugares onde você não pode ir num dia assim; evite aglomerações, porque você é a única pessoa sã que tem bom senso de não parar pra cagar no meio do shopping e não anda na velocidade de um peido; até parece que é pra te atrapalhar de propósito quando você tenta se locomover em corredores estreitos – e sempre, sempre haverá duas ou mais tartarugas na sua frente que não te deixam passar, mesmo que você esteja de uniforme e provavelmente trabalhando. E eu fiz a cagada de ir nas Lojas Americanas exatamente com esse humor.

Parecia pegadinha; tem dez caixas, só cinco funcionando, sendo um deles preferencial, e as pessoas muito inteligentes que saem de casa naquele sabadão de tarde pra ir passear esquecem que precisa de dinheiro pra pagar o que querem comprar e despejam mil reais em moedas no balcão – e contam uma por uma, que é pra não perder troco. Pra melhorar, o caixa não sabe fazer conta. Rangi os dentes numa fúria assassina, mas mantendo estampado no rosto aquele sorriso plastificado que é pra não dar na cara que estava desejando que o chão se abrisse e engolisse todos à minha volta. É uma oportunidade ótima para treinar frases-feitas e felicidade forçada, que é o que mais se vê num shopping.

Voltando pra casa – da onde você não deveria ter saído - , os carros sincronizam suas passagens exatamente quando você vai atravessar a rua, e as pessoas coreografam seus passos com os seus, e tomam o espaço da calçada. Ao entrar dentro de casa, você consegue respirar fundo pela primeira vez no seu dia e agradece por não ter saído armado. E prepara um drink do tamanho da sua cabeça, porque amanhã tem mais.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Motivos normais

Na maioria das vezes, medo é o que separa as pessoas daquilo que mais querem. Medo de admitir que errou, e que sente falta. Medo de perceber que talvez fez a escolha errada, e de aceitar em vês de se afogar em arrependimento. Eu não tenho, nem nunca tive, medo de querer alguém para amar. Porque eu tive uma vez, e era tudo. O que me amedronta agora é a possibilidade de nunca te ter de novo.

Ou talvez, eu nunca tive de verdade.

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Sabe aquela calma que só o desespero dá?

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As pessoas gostam de dizer “muito pouco” pelo mesmo motivo que se apaixonam pela pessoa errada: atração por contradição. E nunca falha.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Amanhecer

Morrer é fácil. O coração pára de bater, você vê uma luz branca, e caminha em direção à eternidade, deixando para trás a vida que sequer chegou a conhecer por completo. Ruim mesmo é morrer enquanto ainda se está respirando, porque a dor não pára. É um momento inexplicável quando paramos por um segundo para perguntar a si mesmo: “pelo quê eu estou vivendo?”, e encontrar-se sem resposta. Talvez seja pela família, pelos amigos, o trabalho, ou quem sabe a vontade de realizar todos os sonhos pelo qual aspira, antes de parar de respirar.

Alguns nem param para pensar nisto; dizem que a vida foi feita pra ser vivida e nada mais, e não estão errados. Mas ao encarar-se com o fim de uma vida alheia, a tendência de tirar alguns instantes para analisar a própria é quase inevitável. E na maioria das vezes, não sabemos exatamente porque levantar da cama de manhã.

Todos queremos realizar algo em nossas vidas antes de deixá-la; algo significativo. Seja a emoção de um romance, a alegria de criar uma família, ou a angústia de uma perda; esperamos que algo aconteça para dar sentido ao nosso cotidiano, e para que lembrem-se de nós quando partirmos.

Começamos a morrer logo quando nascemos, por isso é fundamental criar nosso legado antes que seja tarde demais. Ontem já se foi, então aproveite o hoje. Mas não se esqueça do amanhã.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O dia em que a terra tremeu

E então, eu decidi ficar louco. Se deu certo pro Raul...

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Lembra de como você costumava ser impulsivo; espontâneo a ponto de não pensar duas vezes antes de sair de casa para procurar alguém a quem você devia desculpas. Espontâneo a ponto de dizer e fazer tudo que pensava, tudo que queria, sem temer os olhares dos outros em volta. Você não se preocupava em dormir cedo para descansar; dormia cedo para que a noite passasse rápido, para que pudesse rever todos aqueles que ama no dia seguinte. Você costumava guardar os segredos de todos, e em troca dar-lhes os seus pois sabia que estariam seguros também. Você não se preocupava tanto com dinheiro; as coisas que te faziam feliz não tinham preço. Você ássava horas conversando sobre coisas sem sentido, e se sentia bem com isso. De repente, as coisas – e as pessoas – precisavam ter uma espécie de “conteúdo” para chamar sua atenção. Estranho como você nem sabe definir bem que tipo de “conteúdo” é esse. E aí, você cresceu. Conseguiu tudo que queria – quer dizer, tudo que achou que queria – só para desejar ser aquele garoto de novo.

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As coisas estão parecendo surreais de novo. Como se o “mundo real” estivesse me engolindo, me afundando nesse poço de responsabilidades e dolorosas verdades. E, de certo modo, não me sinto tão ruim. A não ser que tenha chego fundo demais, sem perceber. Ultimamente tudo tem seu lado “ou não” mesmo.

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Estranho como os pensamentos mais significatibos que tenho acabam sendo escritos nos pedaços de papel mais abomináveis.