terça-feira, 27 de abril de 2010

A guerra fria II

Existe uma guerra não-declarada acontecendo, e que tem me desgastado demais dia após dia. Uma guerra fria que poucos conhecem e que muitos deixam ser vencidos. É a batlha que ocorre contra o mundo real e a teoria de que não existe amor, apenas sexo, agarramentos e troca de saliva. Não existe espaço para romantismo, muito menos para acreditar que se for paciente, amor virá até você. Se você esperar, se dedicar, e ser leal à sua crença, seus sonhos podem se tornar realidade, dentro de um mundo àspero que insiste em alienar e tentar destruir o que ainda existe de bom. Mas cansa, exaure, a alma às vezes não aguenta a pressão e você pode chegar num ponto em que, talvez, tudo pelo qual você sempre sonhou, tudo pelo qual você espera... Você pode perder forças, e achar que nada disso pode acontecer. Que talvez o mundo real esteja certo, e é você quem não está aproveitando tudo que poderia.

Hoje eu descobri que meu coração não pertence à mim, mas às pessoas que acreditam em mim e que me mantém vivo durante esta guerra. E que me ajudam a acreditar que estas trincheiras só virão abaixo quando você, aquela com quem sonho que está por aí - e que também está me procurando - aparecer na minha vida e declarar a paz oficial tanto do meu espírito, minha alma, quanto do meu coração. Deixei meu coração em Londrina; achei que seria um lugar seguro, e tenho certeza de que estará lá quando eu voltar. Enquanto isso marcho em frente em sua procura, coberto de cicatrizes e com lágrimas secas em meu rosto, mas sempre em frente. E se não foi hoje, será amanhã. Essa guerra está perto de terminar, o pior já passou. Você vai adorar o amanhã.


Música de Hoje: The Impossible Dream – Tom Jones.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O mundo sensível

As pessoas não sabem viver em sociedade. Até aí, todo mundo deveria saber. Mas o que faz das pessoas tão falhas é a utopia liderada pelo "mundo real", onde a vontade da maioria prevalece e não existe espaço para a individualidade. Assim as pessoas se perdem, se deixam morrer, e creem que se sentirão satisfeitos assim. E quando percebem que ainda estão desconfortáveis, descobrem que existe um vazio dentro de si. Um vazio de criação própria, porém alguns nem desconfiam disto. Pensam que se seguirem o mundo real, sem nunca questionar o que lhes é imposto, tudo ficará bem. E na maior das ironias, ainda se perguntam porque não são felizes.

A partir disto o caos toma conta. As inseguranças vem à tona e as pessoas, confudas com isto, passam a criar termos como "culpa" e responsabilizam uns aos outros por suas angústias. Todos vivemos a base de agonia e êxtase, e se nos dessemos conta disto perceberiamos como o vazio em nós, a busca pela felicidade, foi criado por nossos medos, as "imperfeições" que escondemos do mundo real, e a vontade de questionar tudo ao nosso redor acaba presa na garganta. O que tem de tão bom no mundo real?

A verdade é que vivemos num mundo sensível, e nossos antepassados já nos avisaram sobre isto. Não precisamos de milagres para sermos felizes, basta acreditarmos em algo. E acredite se quiser, mas de todas as crenças, a que mais precisamos é amor.


Música do Dia: Overture Delle Donne – “Nine” Original Soundtrack.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Como vai seu coração?

Em tempos de desorientação eu sinto que meu coração é minha posse mais preciosa. Por isso,em vês de gastar metade do meu salário em paracetamol ou neosaldina, eu procuro sempre preservar minha saúde emocional para não deixar qie esta afete o resto. E por isso,antes de qualquer outro atributo, eu tento conhecer o coração das outras pessoas ao meu redor, mas ultimamente não gostei do que tenho encontrado. Por que as pessoas em vês de de perguntarem “tudo bem?” (com certo desinteresse) não perguntam “como está seu coração?”. Talvez seja porque a maioria das pessoas não saberiam responder.


Música do Dia: I Dare You to Move – Switchfoot.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Até a eternidade

Antes de completar 18 anos, eu não estava ansioso para beber em público ou com medo de eventualmente ser preso. Em vês disso, eu fiquei com medo de morrer. De deixar esta vida incompleta, com todos os meus sonhos inacabados e com minhas vontades sendo enterradas comigo. Mas pior do que ir embora com meus desejos em aberto, seria ir embora sem me despedir das pessoas que eu amo - pessoas que tornaram o amor que existia em mim em algo real. Inclusive aquelas para quem não pude dizer "adeus" enquanto estava consciente, acreditando que seria menos doloroso. Imagine, o que poderia ser mais doloroso do que nunca mais poder dizer adeus? Ou, nunca mais poder dizer, "eu te amo".

Eu não sei como vou morrer ou quando vai acontecer, e ainda sim tenho medo. Porque, diferente da minha crença surreal de que existe amor nesta vida e que sou digno de um dia conhecê-la, o fim é algo certo. Minha existência é finita, meu tempo é contado, minha vida tem um prazo. E só de imaginar que isto pode acabar de uma hora para outra me deixa... assim.

E como seria o mundo depois que eu me fosse? Seria melhor, ou não faria diferença? Talvez para aqueles que me vêem como algo importante, enquanto eu - ainda respirando - não conseguia me enxergar como sendo tão insubstituível. Muito menos, dar o valor merecido a essas pessoas. Pessoas resposáveis por manter meu coração batendo, por me manter vivo até então. E toda vez que outro se vai, além da angústia que vem por se deparar com o fim de alguém, fica a pergunta que me assombra; serei eu o próximo?

O que mais me assusta nesta vida, pior de toda a hipocrisia e desdém que move o mundo, é a idéia de morrer sem saber antes o que é o amor, o que é ser feliz, e o que é arriscar para descobrir uma vida mais plena do que jamais conheci. Ainda espero ser forte o bastante para sentir uma fração de felicidade antes que meu tempo se esgote, e te encontrar ainda nesta vida. Daqui até a eternidade, porque eu não descansaria em paz sem você. Até amanhã.


Música de Hoje: Advertising Space - Robbie Williams

domingo, 11 de abril de 2010

Sonhos de uma noite de serão

Eu sabia que assistir “Nine” ia me deixar assim.


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Um homem só se conhece de verdade quando perde a razão. Logo, um homem que passa a vida em um surto atrás do outro, se conhece o tempo todo. Quando o mundo real decide cair pesado, ajuda correr de volta para debaixo das cobertas – da onde eu não deveria ter saído – e ter meus artistas favoritos cantando para mim; cantando minha vida.

Com minha saúde mental em ruínas ei decidi que se uma simples gripe poderia ser motivo para ficar em casa, não havia porque não deixar o trabalho no meio do dia para me refugiar em minha cama. E com a vontade de gritar “Ok, mundo real, você ganhou!” entalada na minha garganta, eu achei melhor deixar que meus devaneios musicais me acalmassem antes que eu decidisse nunca mais sair de casa e viver isolado da sociedade lá fora. Porque, pelo menos, meu quarto não é baseado em hipocrisia. E aqui no meu mundo, ainda existe amor. Talvez não tão forte para recomeçar, mas é real. E não me deixa morrer meio a tanta… merda.

Ultimamente eu me acostumei com a idéia de que surtar, além de normal, é bom. Ajuda a parar com a agitação desse mundo louco e perceber que eu ainda existo – e que estou com dificuldade para respirar. Viver fora dos padrões da sociedade é difícil – alguém no meu contexto, por exemplo, jamais pensaria nisto. Ou então, pensaria por um segundo e tentaria esquecer por medo do que as outras pessoas diriam. Eu nunca tive este medo, porque eu sei que as outras pessoas estão tão perdidas quanto eu – a maioria só não sabe disso.

Eu tenho saudade dos meus finais de semana repletos de fazer nada; agora eu dificilmente vejo o sol, ou o céu extremamente azul em dias frios. O que me consola é que o inverno já está querendo chegar por aqui; de algum modo, me encher de blusas para me aquecer ajuda a me sentir vivo.

Às vezes, os lugares em que vivi, as pessoas que conheci – e pelas quais me apaixonei – parecem mais do que memórias distantes, mas ilusões. Ilusões de uma vida feliz que eu abri mão devido a uma fantasia ainda maior: que eu poderia ser mais feliz ainda se saísse porta afora para aprender exatamente como o mundo é grande, e como eu sou tão insignificante e ao mesmo tempo tão único. Ou isso, ou tem uma camisa de força com meu nome me esperando em algum lugar.

Estranho como a vida pode ser tão sutíl a ponto de ter pais e filhos com sonhos diferentes e desviar ambos sem tornar nenhuma de suas crenças realidade. A não ser que isto seja apenas o começo, e o melhor ainda esteja por vir. Que isto sirva de lição; se não se sentir pronto para enfrentar o mundo real, não saia de casa. Mas em caso de emergência, sinta-se livre para se esconder debaixo das cobertas até tudo fazer sentido de novo.


Música de Hoje: Tears Dry On Their Own – Amy Winehouse


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De agora em diante, tomo notas dessas coisas pra não me perder mais.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Eu ainda estou aqui

Mesmo nos meus piores momentos, a sensação de olhar para trás e sorrir por ainda estar seguindo em frente me parece a melhor das experiências. Porque desistir, voltar para casa onde tudo é confortável e onde o mundo real não pode me ferir, é tudo muito fácil; difícil mesmo é enfrentar tudo que a vida pode nos fazer passar, desde os bons tempos até os ruins, e continuar caminhando. E lutando para continuar sendo si mesmo, para manter suas crenças, seus valores, e até mesmo seus amigos. E depois que a poeira abaixa, não há nada melhor como rever tudo e dizer: eu ainda estou aqui. Amadurecido, coberto de cicatrizes e cada vez mais surpreso com o quanto o mundo real é grande e como é viver solto nele, mas ainda estou aqui. E vou continuar aqui até chegar a hora em que eu sentir que é preciso mudar de novo - isto é, de volta. Eu vou sobreviver, afinal já estive em situações piores. E se meu coração ainda tem forças para continuar, não tem para onde ir senão para frente. Por que não vem comigo?

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O que tocou na minha cabeça em Março:

01. I Hope That I Don't Fall in Love with You – Tom Waits

02. The Way You Look Tonight - Rod Stewart

03. Wonderwall - Oasis

04. I Want Love - Elton John

05. Bad Romance - Lady Gaga

06. Halo - Beyoncé

07. Alone Again, Naturally - Gilbert O'Sullivan

08. The Impossible Dream - Tom Jones

09. Tomorrow - Avril Lavigne

10. To You wih Love - Al Green & Vonda Shepard

11. Somewhere Down the Road - Barry Manilow

12. The One - Elton John