terça-feira, 31 de agosto de 2010

18 ½

Escrevo… Escrevo… Escrevo… Por que escrevo? Escrevo porque é melhor do que falar sozinho; pelo menos há um registro. Escrevo todos os dias o que sinto e compartilho com o mundo, na esperança de que alguém no mundo deseje compartilhar também comigo o que sente, todos os dias. Escrever alivia minhas angústias, faz com que eu me sinta melhor enquanto estou perdido no mundo. Acho que escrever é o que está me levando adiante agora. E de certo modo, eu sinto que cada vírgula que escrevo me aproxima mais de você.

Quero me sentir vivo de novo, quero sorrisos, risadas, drama, lágrimas, som, fúria, paixão… Amor. Quero me apaixonar de novo; quer dizer, quero me permitir me apaixonar de novo. Quero coerência na minha incoerência, e quero você que eu nunca conheci mas sei que está por aí… É por você que estou vivendo, e não é a toa que me sinto vazio e sozinho mesmo ao redor de tantos rostos e com uma vida repleta de felicidade que para mim não faz sentido sem você. E não sei viver de outra maneira; você é a minha essência, minha assombração, minha constante, meu tudo. É só isso o que eu quero, o resto é consequência. Não me reprima por querer alguém para amar, mas minha vida é meio vazia sem você. Você está por aí… Não está?

Igor Costa Moresca, romântico incurável e eterno otimista. Dezoito anos e meio, e inúmeras neuroses. E a crise existencial de “Nine” continua…


***


Trilha sonora de Agosto:


01. California Gurls – Katy Perry feat. Snoop Dogg

02. Got to Be Real – Cheryl Lynn

03. Walk This Way – Aerosmith feat. Run DMC

04. Don’t Stop ‘Till You Get Enough – Michael Jackson

05. Shining Star – Earth, Wind & Fire

06. Beautiful Girls – Sean Kingston

07. Hold On – KT Tunstall

08. The Winner Takes It All – Meryl Streep

09. You Lost Me – Christina Aguilera

10. Take It All – Marion Cotillard

11. Long, Long Time – Linda Ronstadt

12. Walk On – U2

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Amor ilimitado

Amor. Nós todos queremos, mas nem todos conseguem. Alguns acreditam que acontece uma vez na vida, e dura para sempre. Outros gostam de pensar que existem vários amores para uma pessoa, mas no fim das contas, sempre voltam a dizer que, para passar o resto da vida, é só um. Difícl mesmo são os dias que nos massacram a ponto de parecer que estamos num mundo sem amor, onde abraços apertados e ombros para secar nossas lágrimas não passam se àguas passadas, como se nada disso pudesse existir nesse tal mundo real.

Particularmente, eu não consigo acreditar nisso. A única coisa que parece real para mim é o amor, entre amigos, família, e aquele... Aquele com o qual a gente passa o resto da vida, se reapaixonando todo dia, e se sentindo mais vivo do que nunca, no nosso próprio mundinho. São essas pequenas coisas que fazem do amor ser infinito, ilimitado, eterno, e por mais decepcionados que possamos estar, ele sempre reaparece para nos levantar. Pode ser uma música, um beijo, aquele abraço, ou uma amiga. Aquela amiga. Aquela que entende cada lágrima que derramamos, e sabe porque não estamos sorrindo – mas com isso, acaba nos fazendo sorrir, e chorar de alegria. Aquela amiga, cara-metade do nosso coração, e porto seguro que sempre nos recebe apesar das mais feias tempestades.

Se for mesmo um amor para cada um, você pode ser muito bem o meu. Já que dizem que precisamos amar a nós mesmo antes de encontrar a felicidade em outra pessoa, não é? Então, enquanto a felicidade não aparece, vamos ficar sozinhos juntos, com esse nosso amor ilimitado que só a gente entende. Não tem por quê prometer que vamos estar sempre aqui um pro outro; somos um, e não vamos a lugar nenhum sem ser assim. Eternamente jovens.

Eu te amo.


Ao som de: You’re My First, My Last, My Everything – Barry White.

domingo, 29 de agosto de 2010

Eu só quero estar com você

A verdade é que eu não tenho as respostas; faço mil perguntas, e permaneço com elas porque ninguém sabe como extinguí-las ao certo. Eu não sei se vou encontrar alguém, e não sei quando você vai trombar com seu príncipe encantado vida afora. E eu tenho momentos de fraqueza; momentos que me fazem pensar em desistir, largar disso, jogar tudo pro alto e sair correndo, só para não deixar o mundo ver que estou derrubando lágrimas de novo. Fica difícil, fica solitário, e um abraço... Ah, um abraço. Um abraço da pessoa certa poderia resolver tudo, disso eu tenho certeza. Mas a realidade é que estamos sozinhos, de novo, e continuaremos assim até chegar a hora certa de que o alguém com quem esperamos apareça em nossas vidas e seque nossos olhos, de uma vez por todas. Talvez eu divida minha vida com alguém, talvez não. Mas quando eu penso em todos os momentos em que estava sofrendo por isto, eu vejo que não estava sozinho. Você estava comigo. Não estava do meu lado, e eu nunca ouvi sua voz, mas você esteve comigo mais do que qualquer outra pessoa, e é por isso que sou grato. É, estamos sozinhos. Mas eu tenho a você, e você tem a mim. Não se desespere se olhar ao redor e não encontrar os rostos familiares com os quais sonha a noite e revê em fotos antigas, porque tudo que é real permanece e sobrevive à qualquer distância. Somos prova disso, você e eu.

O mundo não é mais um lugar romântico. Algumas pessoas, porém, ainda são – e a elas cabe uma promessa. Não deixe o mundo vencer…


Ao som de: I Only Want to Be with You – Vonda Shepard.

sábado, 28 de agosto de 2010

Jogos que as pessoas jogam

Uma das marcas registradas da infância é a fase de brincar com bancos imobiliários, wars, imagens e ação, dentre outros divertimentos que vem em uma caixa para quatro até seis jogadores. Uma fase similar da vida ocorre a cada quatro anos, onde todos deste pequeno país sul-americano deixa de lado assuntos como o que acontece no senado para focalizar-se na tal Copa do Mundo. Parece que independente da idade estamos sempre nos envolvendo em algum tipo de jogo, mas além daqueles que vem em caixas e os que são transmitidos pela televisão, existem outros tipos de jogos que vão além das torcidas organizadas, mas o conceito ainda é o mesmo; existe estratégia, perseverança, um pouco de sorte, e claro, vencedores e perdedores.

Jogos que não foram feitos para crianças, e onde os perdedores às vezes saem com danos que vão além dos tradicionais tabuleiros – podem sair feridos de verdade. Maridos e esposas, pais e filhos, e até mesmo estudantes de uma mesma sala de aula; parece que em todos esses relacionamentos existe um jogo de poder cujo objetivo é manter o controle, ou provar ser melhor do que o outro, custe o que custar.

Mas as pessoas se esquecem que seus envolvimentos não dependem de um número na face de um dado, e não existe nenhum juíz para intervir quando a partida toma rumos inesperados. Às vezes somos nós quem damos início aos jogos, às vezes somos incluidos sem saber, apenas para sermos pegos de surpresa por não sabermos as regras. Este é o problema dos jogos; alguém sempre sai perdendo. Especialmente quando as pessoas tendem a não jogarem justamente.

Todas as crianças adoram jogos, mas a medida que crescem também aprendem novos tipos de jogos. Alguns fingem estar bem para não deixarem sua família preocupada. Alguns mentem para seus parceiros sobre aonde passam a noite. Alguns inventam histórias para esconder a verdade de seus amigos. Sim, todos se divertem com jogos, até o momento em que alguém se machuca.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A guerra fria III

O conceito de guerra fria é bem simples; em vez de travar uma verdadeira batalha épica, ocorre uma disputa ideológica que se mantém através de estratégias, planejamento e muita, muita paciência. Todos nós declaramos guerra de vez em quando, e nunca é tão bem vista quando ocorre no outro campo onde vale tudo: o amor.

Os adversários, opostos que naturalmente se atraem e lutam contra isto, fazem de tudo para mostrar ao outro não só que são superiores mas também suam para não demonstrar interesse; agrupam suas tropas, olham-se com desprezo, ignoram-se com frequência, esnobam-se na maior das infantilidades que só uma verdadeira guerra os poderia reduzir. E quando a poeira se abaixa, os arsenais se encerram, os soldados se entregam e ambas as partes ainda sobreviventes estão cansados de lutar contra já não sabem mais o que, tudo o que gostariam é hastear a bandeira branca e dar fim a este embate sem sentido. Mas qual de nós admitiria "derrota" primeiro?

O embate entre amor e ódio, e a linha tênue que os separa, é tudo menos fria. Então marchamos em frente, dia após dia no nosso campo de batalha, certeiros de nossos alvos e motivados a lutar até o fim, sempre sonhando com bandeiras brancas.

Eu adoro uma boa guerra fria, mas pelo que estamos brigando?


Ao som de: I’m Gonna Make You Love Me – Diana Ross & The Supremes.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Todos são normais

A cada dia que passo dentro da sala de aula do meu curso, eu sinto minha saúde mental sendo testada mais e mais a ponto de imaginar o inimaginável: eu sou normal? Justo agora que eu passei a considerar que talvez eu não tivesse tanto contato com a realidade como eu acho que tenho, no fim do dia descubro que minhas irracionalidades, minhas neuroses, meus dramas mexicanos e minhas crises existenciais são meras irritabilidades cotidianas que apenas fortalecem meu eu: esta bagunça ambulante que desistiu de tentar encontrar coerência em suas ações, e agora só procura coerência dentro de sua própria incoerência, para evitar confundir-se mais do que o de costume.

Mas conseguir dar um passo para trás e analisar tudo isto faz de mim algo além do excepcional com o qual já havia aprendido a conviver. Quando havia encontrado uma zona de conforto meio a tantas variáveis, eis que me surge a verdade inconveniente: sou normal, e não há nada de neurótico em minhas neuroses. Sempre evitei misturar-me com o bege do mundo por ser a favor do que o coletivo é contra, e por ainda estar convicto com minhas crenças impossíveis e minhas deliciosas ilusões que vão além daqueles que possuem os dois pés no chão. Isto sim é motivo para pânico; é normal ser normal sem querer? E se somos todos normais, o que estimula nossas paranóias?

Existe uma linha tênue entre a lucidez e as pessoas que falam sozinhas em público, e aqui estamos brincando de manter o equilíbrio com um pé à frente e um atrás. Afinal de contas, loucura é como a gravidade; só é preciso um empurrãozinho.


Ao som de: Guido’s Song – Daniel Day-Lewis.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A seca

Abstinência é uma necessidade de muitos mas praticada por poucos, em grande parte por envolver virtudes muito fortes como paciência, auto-controle e força de vontade. Algumas pessoas quando abstêm-se de seus, digamos, vícios – ou são obrigadas a isto (o que é a maioria dos casos) – exibem comportamentos e efeitos colaterais bastante curiosos; depressão, raiva, paranóia, desespero, ansiedade, desorientação… Algumas pessoas até morrem por não satisfazerem suas vontades, sem perceberem que tornaram-se vícios, mas a abstinência por vontade própria é um excelente exercício – não só os vícios vem à tona, como testa a capacidade de privar-se de tal coisa. Dizem que nada demais faz bem, assim como ouço falar que, “para que serve uma coisa boa senão para ser levada ao excesso?” mas aí cai nas contradições que perseguem cada um de nós. Mas a abstinência como prova de resistência ainda sim é boa para descobrir exatamente o quanto somos dependentes de algo, e se somos capazes de viver sem.

E isto vale também para as pessoas em quem nos viciamos; até que ponto estamos vivendo juntos, ou será que eu não existo mais sem você?

terça-feira, 24 de agosto de 2010

De volta ao amor

A verdade me atingiu como um relâmpago, e em um piscar de olhos a mentira em que eu estava vivendo desmoronou sobre os meus pés - e me deixou sem chão, do mesmo modo que fiquei quando você foi embora. Não teve crescimento ou progresso; nada. Enquanto eu pensava que havia escondido meu coração do mundo, e até de mim mesmo, para não me machucar de novo, todo este tempo eu estive sob uma ilusão; você levou meu coração com você, e em vez de jogá-lo fora continua usando-o para seu divertimento. Por isto eu ainda tremo com o som da sua voz, e por isto eu nunca mais me apaixonei.

Os dias parecem iguais e sinto estagnado aonde estou, sem mais o otimismo nos olhos de que meu alguém aparecesse e deixasse tudo bem; um otimismo que se mantinha forte até meio a lágrimas. Não me prendo mais às pessoas, não sonho com o futuro nem mesmo ouço sinos tocando ou o nervosismo que vem da possibilidade de me deparar com o sentimento de novo. Não estou preso a você mas ao que você representa; meu último amor, que fez meu coração acelerar e sempre me tirava o fôlego com sua presença. Tentei colocar a culpa no inverno, ou na frieza dos outros, na desilusão que hoje faz o mundo girar, e naquelas que simplesmente gostam de me provocar e saber que estou por perto - e sozinho, ao seu dispor. Não, o problema ainda é reencontrar o caminho de volta para o amor.

Eu ainda não a conheci, eu talvez nem a conheça, e já me disseram que ela nem existe. A esperança está se esgotando e uma calmaria está tomando conta - um contentamento descontente - do qual eu não faço questão. Quero sentir meu coração pular outra vez; é a promessa que fiz a mim mesmo. Ceder às tentações e acreditar que nada disto pode ser real seria como deixar o mundo real vencer, e eu não posso fazer isto. Você tem um dom, Igor Costa Moresca, e por aí existe alguém disposta a compartilhar sua vida com você. Alguém que fará seu coração pular, enquanto presencia suas vidas tornarem-se uma só, e suas existências tomarem significado. Eu te amo, meu alguém.


Ao som de: Way Back Into Love – Hugh Grant & Hayley Bennett.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Estar vivo

Estar contente, estar quase se sentindo satisfeito não é o bastante para mim. Não enquanto eu estiver dormindo sozinho todas as noites e ao imaginar aonde você está, enquanto tento sonhar com o seu rosto.

O único medo que me restou foi de já ter passado por você em um dia qualquer, em uma rua qualquer com um olhar qualquer, sem me dar conta de que você era Você. Não consigo imaginar que já poderia ter te conhecido e que a deixei partir da minha vida como se fosse uma mera paixão passageira. Não, você ainda está por vir, e quando minhas maiores fantasias tomam vida eu sinto que está mais próxima de mim do que nunca, e que em breve estarei sentindo o que é estar vivo e plenamente feliz, ao seu lado. Você me completa sem eu sequer conhecê-la, e eu não existo sem você. É por você que estou tentando sobreviver; é a espera que me mantém adiante.

Não consegue me ouvir? Estou ficando louco com a espera, a ponto de me tornar lúcido e acreditar que isto é só uma ilusão e que você não existe. Não me deixe cair na realidade; quero continuar louco por você. Não seria feliz levando uma vida normal, uma rotina de sorrisos semi-prontos estampados no rosto e sem nada que pudesse me fazer voar e sonhar e... Não me contento com a realidade e em ter os dois pés no chão. Quero drama, som, fúria, lágrimas, atos de pura insanidade e sem nenhum sentido. Quero que me faça rir e chorar, sofrer e sonhar, e acima de tudo quero te fazer feliz em troca. Quero que faça meu dia valer a pena.

Contento-me em deliciar delírios à meia-noite enquanto não a encontro; de certo modo é a única hora do dia em que me sinto vivo, até você chegar. Quero sentir meu coração acelerar quando te ver todos os dias pelo resto das nossas vidas, e quero sentir amor de verdade quando segurar sua mão e sair por aí, finalmente me sentindo completo.

Quero alguém que faça com que eu me sinta vivo de novo.


Ao som de: Being Alive – Bernadette Peters.

domingo, 22 de agosto de 2010

Se eu pensaria em suicídio?

Claro que eu já pensei em dar um fim em tudo; em deixar este mundo frio para trás e aquietar as dores que já me matam de dentro pra fora, e de certo modo já me impediam de viver há muito tempo. Não se questiona mais se o mundo é um lugar bom e somos nós quem o destrói, e deixar a vida tão difícil como é na verdade é feito de cada um de nós. Ninguém pensa nisto quando o desespero bate; tudo o que queremos é paz e o resto é consequência, independente das consequências.

É algo horripilante de se pensar? Lógico que é. Agora, e quanto aos momentos em que estamos sozinhos e não podemos deixar de contemplar o vazio que nos cerca, os fantasmas que nos perseguem, e as feridas que não se fecham? Se temos o poder de viver conforme desejamos, também temos o poder de parar o mundo e descer desta louca viagem, com toda intenção de não voltar. Sem olhar para trás, um ato em falso poderia nos tirar daqui… Basta deixar a loucura e o desespero liderarem o próximo passo. Não discutimos isto com os outros, porque não entenderiam. Ou então, achamos que não entenderiam.

Ficamos cegos pela solidão e a agonia não pára de crescer; cada vez mais queremos que este sentimento vá embora, e que nosso coração pare de bater tão forte. Pensamentos sombrios que existem nos corações de todos nós e consomem nossas esperanças de um futuro melhor; nos tornamos obcecados por uma solução no presente, e nada parece satisfazer a não ser puxar o gatilho.

Todos nós temos momentos de desespero. Mas se os enfrentarmos de frente, é quando descobrimos exatamente o quão forte somos. E então acordamos, felizes com as esperanças que um novo dia nos traz. Está tudo bem; foi só mais um sonho ruim.


Ao som de: Is That All There Is? – Peggy Lee.

sábado, 21 de agosto de 2010

Siga em frente

Algumas pessoas passam uma vida inteira em busca de algo que dê significado aos seus dias, enquanto em apenas dois anos coisas incríveis podem acontecer. Você pode recomeçar sua vida em outro lugar, arranjar um emprego, fazer novas amizades, passar por situações que jamais esperava, e no fim das contas ser surpreendido por si mesmo ao se pegar sorrindo quando relembra tudo que passou, e como ainda é só o começo.

Você pode conhecer pessoas novas, se apaixonar e contruir castelos em cima de sonhos, pode se decepcionar, pode não querer sair da cama de manhã, e pode encontrar força para recomeçar de novo, quantas vezes for necessário, até convencer-se de que ninguém é melhor do que ninguém, e você ainda é você.

Vai descobrir que a vida é muito curta e deve aproveitar cada dia, cada nascer e por do sol, e que não deve deixar dúvidas sobre o que as pessoas ao seu redor significam para você. Alguns você conheceu ontem, alguns estão com você há anos, alguns partiram, e alguns você simplesmente não verá de novo, e claro, há aqueles que ainda estão por vir. Todos fazem parte da sua vida; não se esquece ninguém. Mas em algum ponto, os caminhos se desviam e deixamos estas companhias para trás com esperança de revê-los um dia, quem sabe, quando chegarmos ao nosso destino. Alguns de nós nem sonham em chegar; para eles, é a jornada que faz valer a pena, sempre adiante.

Deixe para trás o que não precisa levar com você; seus medos, suas inseguranças, seus erros, suas lembranças ruins, tudo que planejou e não deu certo. Comece o hoje sem pensar no ontem; agora é tudo novo, tudo novo de novo, e não tem porque se prender ao passado. Siga em frente, sempre em busca de dias melhores. Melhor que ontem, pior que o amanhã. A única coisa que você não pode deixar para trás é o seu coração; é ele quem mostrará o caminho.


Ao som de: Walk On – U2.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

À procura da infelicidade

Isto não é sobre ser feliz ou não; é sobre não se sentir feliz por estar feliz, entende? De certa maneira eu não me sinto "certo" ao não acordar de manhã com alguma neurose latejando dentro de mim, ou sem a dor de carregar um coração partido em busca de sua alma-gêmea.

Quando tudo parece estabilizar, para mim é sinal de problema. Tudo menos ser normal, por favor. Não me sinto como eu mesmo sem agonias, sem crises existenciais, sem amores para recordar, e sem lágrimas. Não sou nada sem minhas lágrimas e aprendi a conviver com isto, mas e agora? O que é esta felicidade que baixou aqui e insiste em perpetuar-se? Não posso estar feliz se não estou com você... Posso? Devo? Estou?

Não é assim que eu sonhava em ser feliz; eu tinha um plano, um sonho, uma idealização de como seria e... É isso? Não pode ser. Não quero ser feliz se não for com você; não faz sentido. Tudo bem, eu sei; sou a última pessoa que deve reclamar sobre algo não fazer sentido, considerando que não vivo em torno de dar significado às minhas irracionalidades, mas nesse caso eu sei que você vai entender. Eu quero ser feliz com você, e não sozinho. Ou, quem sabe, eu me tornei tão acostumado com a infelicidade que me apeguei a ponto de renegar qualquer outro sentimento que não contenha lágrimas...

Talvez seja o medo do novo, de descobrir que existe vida além da agonia e êxtase, e de que a vida pode ser mais do que um drama constante. Seja lá o que for, no fim do dia eu ainda sinto a sua falta. E é isso o que importa.


Ao som de: This is It – Michael Jackson.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Andança

Como todos os grandes contos épicos, tudo começou com lágrimas e um sonho de esperança. À partir disso, deu-se a idéia de que com uma música tema para tocar na minha cabeça eu seria capaz de sair da fossa e recuperar meu caminho de volta ao mundo real.

E então foram dias, semanas, meses de passos rumo a lugar nenhum com o único propósito de sair por aí e sentir o vento no rosto, a cidade sob os pés e perder-me meio à multidões de pessoas. E com o tempo foi-se aprimorando; as músicas, os lugares, a velocidade com qual passava quarteirão após quarteirão, e eventualmente sua vida acompanhou o mesmo ritimo. Deixou suas trilhas sonoras guiarem seu caminho, até encher-se de música o bastante para reencontrar força para dar seus próprios passos sozinho de novo.

De repente estava de volta no caminho do qual havia caído, desta vez mais forte, mais rápido, mais esperançoso do que nunca de que seus sonhos estavam mais perto do que jamais podia imaginar, e caminhava rumo a eles como se a estrada fosse só dele e não houvesse mais ninguém ao redor. O mundo estava abrindo caminho para ele, e ele não hesitava em atravessar as ruas e andar cada vez mais determinado; cada vez mais feliz. Ele havia recuperado a velha forma, a sua essência de viver, e era possível ver a esperança em seus olhos de novo.

Foi uma mudança imperceptível para qualquer um que não o conhecesse e não soubesse o quanto trilhou para chegar até aqui, mas finalmente deixou seu passado para trás e tomou seu caminho rumo ao futuro. Para frente, sem parar e até sem rumo, e sem saber quando chegará. E nunca mais olhou para trás.


Ao som de: Theme From Superman – John Williams.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Faux pas

Os franceses possuem um termo bem bonito em sua linguagem que, em sua literal tradução popular, para nós brasileiros seria o equivalente às “cagadas” (gafes, para os mais cordiais) que cometemos no nosso dia-a-dia; em vez de dizerem “fulano fez merda” eles dizem “faux pas” (lê-se “fau pá”).

Os norte-americanos aderiram ao termo, assim como muitos outros da língua francesa (“divorcée”, “menage à trois”, “croissant”) para adicionarem uma certa elegância à situações constrangedoras ou de vergonha alheia. “Faux pas” é traduzido como “false step”, ou “passo em falso”, e a idéia por trás do uso do termo é até interessante se não fosse inútil; para não simplesmente dar de ombros ao deparar-se com passos em falso dos outros, diz-se “faux pas” com um ar de superioridade, digna dos narizes empinados da aristocracia francesa. E mais; quem vai pensar mal de alguém que fala francês? “Faux pas” é atitude. Ou quem sabe, isto seja um grande “faux pas” só esperando para ser desmascarado.


Aprender palavras novas pode ser divertido se você tiver uma imaginação fértil – com uma boa dose de neurose. É o que os franceses chamam de “je ne sais quoi”…

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Verissimo & eu

Eu estava assistindo a uma entrevista na televisão com o mestre Luis Fernando Verissimo, onde só se ouvia a voz do entrevistador e só se via o Luis Fernando respondendo às perguntas fazendo que sim e que não com a cabeça. Honestamente sou um imenso fã enrustido do Luis Fernando, em parte por não conhecer toda a sua obra, mas por ser grato a ele por ter me ensinado a ler, e consequentemente a escrever.

Dizem que os que menos falam são os que mais sabem e, somado com o fato de que até assistir a esta entrevista eu sequer conhecia a voz do Luis Fernando, apesar do narcisismo que isto possa implicar, eu me sinto tão mais sábio do que algumas pessoas que insistem em enunciar besteiras em voz alta. Logo cabe a nós, com nossos ouvidos danificados, expressar nossa indignação do único modo que sabemos: através de papel, caneta, borracha e sinais de pontuação – que por sua vez conseguem ser mais eficazes do que qualquer tímbre de voz erroneamente utilizado. O Érico, pai do Luis Fernando, também foi entrevistado porém sua voz já me era familiar, mas acho que toda regra deve ter sua exceção – e quem melhor do que o pai do Luis Fernando para ser a exceção da sua regra? Luis Fernando estava de braços cruzados e com um semi-sorriso controlado no rosto que demonstrava prazer apenas por estar ali ouvindo – imagino eu, ansioso para chegar em casa e transcrever tudo.

Eu espero que ele não leia isto. Tudo menos aquele olhar de desaprovação, e uma crônica de humor negro sobre mim.


Ao som de: Time is Tight – Booker T. & The MG’s.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Agonia e êxtase

Eu sinto meu coração esfriando mais a cada dia, mas não por sua causa. É por você e todas as outras que eu achei que fossem feitas para mim – e, de certa forma, foram. Foram feitas para que eu as amasse, mas não foram feitas para ficarem comigo. E quando a ferida se abre, todos os fantasmas voltam a me assombrar; todos os amores que tinham tudo para ser e não foram. Amores que não foram fortes o bastante para sobreviverem aos obstáculos que grandes contos costumam ter em seus caminhos rumo ao “felizes para sempre”.

Ao longo dos anos eu vivi com base na teoria das almas-gêmeas; que é possível duas pessoas se encontrarem quando a hora for certa e em um piscar de olhos percebem que suas almas se completam, e assim duas vidas separadas tornam-se apenas uma, cujas consequências são eternos sorrisos e amor acima de tudo… Aí eu acordei; o mundo real chamou e vi meu sonho se despedaçar ao deparar-me com a verdade: existem mais pessoas sozinhas, perdidas e incompletas do que eu podia imaginar, e o desespero silencioso é a religião oficial em vez de acreditar que meio à perdição do mundo, duas pessoas ainda poderiam se encontrar e descobrirem que são tudo o que faltava na vida do outro.

Ninguém mais sonha com grandes histórias de amor e ninguém é feliz para sempre. O cupido se demitiu, e o dia dos namorados foi apossado pelo capitalismo. Casamento tornou-se improvável, e amor tornou-se uma ilusão. Tudo o que restou para aqueles poucos esperançosos que ainda sentem seus corações baterem é rezarem com todas as forças que ainda lhes resta por um milagre, e um dia acordar e descobrir que tudo isto foi só um sonho ruim.


Encontrar minha alma-gêmea e viver feliz para sempre parece bom demais para não ser verdade.


Ao som de: World Without Love – Vonda Shepard.

domingo, 15 de agosto de 2010

Você me perdeu

Somos apenas pessoas, logo não podemos tomar posse uns dos outros, muito menos sermos apossados por outros. Mas quando essas coisas chegam ao fim o sentimento de perda é o mais forte, e é o que resta. Eu te perdi… Isto é, eu achei que te perdi. Por muito tempo pensei assim, e como eu sofri para superar o luto de uma perda que na verdade nunca existiu. Ah, e como o momento desta descoberta doeu mais do que qualquer uma das vezes em que derramei lágrimas ao me lembrar de você.

Não é como se eu tivesse perdido algo hoje que eu tinha ontem, mas ontem eu acreditava em algo. Eu não tenho vergonha de querer alguém para amar, nem nunca me envergonhei. Porque eu tive alguém uma vez, e era tudo para mim. Mas talvez eu realmente não tivesse. Como dizem, se já faz tanto tempo então não há importância… Ou quem sabe, ainda, seja eu quem esteja vendo a situação de maneira errada. Eu nunca a tive, mas por muito tempo você teve a mim, fixado em seu olhar e enrolado em seus dedos, até eu descobrir a verdade e dar um fim ao que eu pensava ser algo mais; ao que eu pensava ser amor. Mas amor não poderia doer tanto assim… Poderia?

No final das contas, ainda estamos aqui; sobrevivemos e contamos a história para quem quiser ouvir, mas escondendo os detalhes que ainda nos fere mais profundamente do que qualquer um pode perceber. E agora eu vejo exatamente o que aconteceu sobre a dura e fria visão da realidade; você e eu não fomos nada a não ser você e eu. Foi bom enquanto durou mas quando não é amor, o fim é inevitável. Você me perdeu.


Ao som de: You Lost Me – Christina Aguilera.

sábado, 14 de agosto de 2010

O sonho possível

Mais tarde naquela noite eu comecei a pensar sobre sonhos. Nós todos os temos, cada um com sua importância, mas ainda sim existem aqueles que insistem em classificá-los como pequenos ou grandes, ridículos ou inacreditáveis, reais ou impossíveis. Mas talvez não existam sonhos grandes ou pequenos, e apenas esperanças grandes ou pequenas de um dia torná-los realidade, e assim conseguir sentir uma fração de felicidade.

Eu vi a expressão no rosto da minha amiga quando um de seus sonhos se realizou, e foi um daqueles momentos especiais da vida que só é possível presenciar uma vez. Um momento onde algo tão pequeno para nós pode de repente parecer tão grande. E então percebemos a beleza que existe em manter nossas esperanças vivas, para um dia vermos nossos sonhos se tornarem realidade. E, talvez, seja aí que a felicidade começe.


Ao som de: The Impossible Dream – Tom Jones.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O verdadeiro Igor

São as coisas constrangedoras, irracionais e idiotas que fazemos que definem quem somos. Jung já dizia que existem duas “personas” em cada pessoa; uma para o convívio social e outra para quando estamos sozinhos. Dizem também que a “persona” de quando estamos sozinhos é a parte mais pura de nossa existência; em outras palavras, é o verdadeiro você. Com todas as imperfeições, manias, neuroses, segredos, esperanças, sonhos e fantasias que mantemos escondidos do mundo real – e da “persona” que projetamos lá fora. Não por falsidade, mas para manter estes mundos separados pelo bem das convenções sociais, e a nossa saúde mental. Sem sermos julgados – ou acharmos que estamos sendo julgados – somos pessoas diferentes de quando estamos, digamos assim, em uma sala de cheia de outras “personas” (tão perdidas e lutando para sobreviver como nós), mas ainda existem pessoas capazes de nos enxergar como realmente somos – e mesmo assim ainda gostam de nós. É preciso coragem para expor nossa subjetividade no mundo, e encontrar nosso espaço meio a tantas crises que nós mesmos criamos, por medo do que pensarão de nós. Claro, temos amigos para nos espelharmos, porém por mais que conseguimos ver nossos modelos perfeitamente, em se tratando de nós mesmos será que conseguimos nos ver claramente?

Somos o meio-termo entre o que temos e o que queremos ser, e às vezes precisamos de outros que nos conhecem para nos lembrar de como somos especiais. E assim, eu guardei meus medos e receios e voltei a viver no mundo real, como uma pessoa real. Careca e tudo mais.


Ao som de: Got to Be Real – Cheryl Lynn.


***


Não estou passando por uma fase estranha; eu realmente sou estranho, e melhor hoje por isso. Com menos medo de ficar sozinho, menos medo de não me encaixar… Eu não me encaixo; que bom!