quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Febre da primavera

Todo mês de Setembro traz consigo o início da primavera e com ela vem os sentimentos de recomeço e vida nova que surgem após o frio do inverno, mas nem todos percebem os detalhes que tomam a cidade meio às flores. É o momento do desabrochar das rosas, das borboletas deixarem seus casulos, e da busca das abelhas por néctar, mas nem todos se lembram de parar para cheirar as flores. Alguns estão muito ocupados se preocupando com o futuro, ou com erros que cometeram no passado. Outros se preocupam em não serem pegos, ou procuram maneiras de pegar outra pessoa. Assim como sempre haverá aqueles que preferem sentar no escuro e remoer-se por tudo que perderam, também sempre haverá aqueles que se lembrarão de parar para apreciar o que a primavera lhes trouxe.

E assim, Setembro chega ao fim, deixando para trás as promessas de dias melhores e todas as flores que cobrem nosso caminho. Esperança e agitação que nos causa borboletas no estômago. Em se tratando de relacionamentos, talvez todos nós moremos em casas com telhado de vidro e não devemos atirar pedras. Porque nunca se sabe; algumas pessoas estão se acomodando, alguns estão entrando em um acordo, e outros recusam a aceitar qualquer coisa que não lhes cause borboletas no estômago.

***

Trilha sonora de Setembro:

01. News 4 U – Fitz & The Tantrums

02. A Call From the Vatican – Penélope Cruz

03. Lady Marmalade – Patti LaBelle

04. Teenage Dream – Katy Perry

05. Bulletproof – La Roux

06. Life is Wonderful – Jason Mraz

07. If Tomorrow Never Comes – Ronan Keating

08. Boulevard of Broken Dreams – Green Day

09. The Last Song I’m Wasting On You – Evanescence

10. This is It – Michael Jackson

11. Emotion – Destiny’s Child

12. (I’ve Had) The Time of My Life – Bill Medley & Jennifer Warnes

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Más notícias

Más notícias espalham-se rápido, e quando chegam não há nada que podemos fazer a não ser lidar com elas. Se nosso amor nos manda seguir em frente, buscamos uma nova direção. Se as contas pesam no bolso, encontramos uma maneira de conseguir um dinheiro extra. Se nos contam um segredo demaseadamente terrível para ser revelado, aprendemos a guardá-lo. O telefonema que toca no meio da noite, as cartas que chegam pelo correio expresso, o e-mail com a marcação de “urgente”; existem várias formas de entregar más notícias, mas algumas notícias são tão horríveis que devem ser entregues pessoalmente.

Porém, precisamos nos atentar às notícias ruins que recebemos; às vezes podem ser boas notícias em disfarce.

Ao som de: News 4 U – Fitz & The Tantrums.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Quem é esse garoto?

Eu não sou o mais bonito ou o mais inteligente. Não marco presença ao adentrar um recinto, e faço pouca diferença quando o deixo. Meu eu não provoca reações ou impressões marcantes, e alguns ao meu redor nem sabem quem sou. Para estes, não existo; quem é aquele garoto? Qual é o seu nome? Nunca ouvi falar dele.

Empresto vida demais para quem me empresta sequer um pouco de vida. Estranhos anulam minha existência com a mesma facilidade com qual passam reto por mim. Não sou real, sou invisível. Ou, talvez, sou eu quem permitiu com que meu eu desaparecesse no mundo; falando baixo, agindo pouco, sonhando demais.

E eu me pergunto; sentiriam minha falta? Perceberiam que não estou mais presente? Ou questionariam minha ausência por alguns minutos, antes de finalmente cair no esquecimento? Estou fazendo a diferença? Estou vivo? E se estou vivo, quem é esse garoto e por que ninguém o ouve? Talvez o mais marcante em mim seja a capacidade incansável de caminhar sobre a linha da loucura sem nunca cruzá-la… Pelo menos, não totalmente. Este é o problema em estar meio a um mar de rostos desconhecidos; às vezes você pode se afogar.

Por que você existe; para os outros ou para si?

Ao som de: Mister Cellophane – “Chicago” Original Soundtrack.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A primeira tentação de Igor

Paixão é uma força tão potente que permanece em nossas memórias mesmo quando se desvanece no ar. Uma onda tão atraente, que pode nos empurrar para os braços das amantes mais inesperadas. Uma sensação tão esmagadora, capaz de derrubar paredes que construimos ao redor de nossos corações para nos proteger. Um sentimento tão intenso, que reaparece até mesmo quando lutamos para mantê-la escondida. De todas as emoções, paixão é aquela que nos dá uma razão para viver, e uma desculpa para cometer todos os tipos de pecados.

Todos nós temos paixões, e algumas simplesmente não vão embora até que nos rendamos a elas. E eu tenho um plano do que faria com você, mas acho que isto terá que bastar por ora. Ah… Como eu te amo! Um beijo.

Ao som de: A Call From the Vatican – Penélope Cruz.

domingo, 26 de setembro de 2010

Palavras de um coração partido II

As palavras são minhas amigas. Não sou o indivíduo mais conectado com a sociedade que existe; às vezes as palavras são o que permitem com que eu me sinta parte do mundo, parte da vida. Se eu não tiver palavras, não tenho nada. E isso é só o começo das coisas de fazem de mim o irracional que sou.

Nem sempre minhas ações fazem sentido, mas são sempre de bom coração e por amor. Pareço bravo, irritado, indiferente, esnobe, e algumas vezes realmente estou, mas não é quem eu sou. Sou alguém à procura do amor; ridículo, inconveniente, avassalador, do tipo “um-não-vive-sem-o-outro”. Alguém que provavelmente não é igual a qualquer outro que você já tenha conhecido. E alguém que, proavelmente, você até sente curiosidade de conhecer, nem que seja apenas para saber do que os outros estão comentando. Tenho vários tipos de risadas que facilmente podem se transformar em lágrimas, num piscar de olhos. Não sorrio, mas não sorrir tem suas vantagens. Impede que as pessoas saibam imediatamente no que estou pensando, e é muito útil para jogar baralho. Não me encaixo; é simples assim.

Um filósofo grego chamado Epictetus possuia uma certa capacidade de refletir sobre a vida e sobre as pessoas que realmente “se encaixam”, comparando-as com os fios brancos de uma toga. Indistinguíveis. Ele queria ser o fio roxo; “Essa pequena parte que é brilhante, e faz todo o resto parece gracioso e bonito. Por que então você me diz para fazer-me como os outros? E se eu o fizer, como poderei continuar a ser roxo?

Pense nisso; algo que esquecemos às vezes é que não importa o quão difícil o seu dia foi, não importa o quão severas suas escolhas foram, ou o quão complexas suas decisões éticas foram; você sempre pode escolher o que quer para o almoço. Algo que deve ser trabalhado é a habilidade surpreendente e inesgotável de apenas viver e deixar viver. Ou isso, ou morremos. Palavras de um coração partido podem nem sempre fazer sentido, mas são sempre profundas.

***

26 de Setembro: Dia mundial do coração.

sábado, 25 de setembro de 2010

Palavras de um coração partido

Um coração partido pode facilmente se perder ou desorientar-se quanto às suas ações enquanto tenta superar o estresse pós-traumático que vem ao encarar sua solidão uma vez mais, quando recebe suas declarações de volta da musa para quem desesperadamente não consegue deixar de olhar, e de sonhar.

A incoerência toma conta e uma pessoa de repente pode descobrir que está completamente fora de nexo com o que costumava ser antes de permitir a si de tentar unir-se a outra, e de ver seus sentimentos serem colocados de lado por alguém que lhe significa tanto, sem nunca tê-la tocado ou ter ouvido o som de sua voz de perto. Aliás, uma das coisas que lhe confunde tanto, é vê-la todos os dias tão perto, e ainda estar tão longe.

Eu queria te conhecer, e eu queria que você me conhecesse. Se ao menos eu conseguisse me controlar, voltar ao meu normal, talvez você veria que não sou tão ruim assim. Que poderia me amar, assim como eu te amo, mesmo sem realmente te conhecer. Sei algumas coisas ao seu respeito, mas nada posso afirmar com certeza. Posso me assegurar apenas de fatos simples como a sua beleza, os seus sorrisos, e a constante curiosidade e atração que pairam sobre mim quando me pego pensando em você. E você está logo ali, mas preferiu que eu continuasse aqui, distante, fora da sua visão, e você fora do meu alcance.

Quem sabe eu tenha ido além do desquilíbrio e adentrado uma nova fase, onde não tê-la faz com que eu me sinta mal comigo mesmo. Por que você não me quis? Foi algo que eu fiz? E poderia arriscar-me a tentar outra vez? Você me fascina com cada pequeno movimento, cada gesto e cada olhar. Então aqui estou, tentando escolher entre seguir em frente ou voltar para trás, e percebo que estou exatamente no meio; apaixonado, obcecado, tomado pelo desejo que você despertou em mim com um piscar de olhos. Mas não leve nada disso em conta; são apenas palavras de um coração partido. E um coração partido raramente faz sentido.

Ao som de: Emotion – Destiny’s Child.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Schadenfreude

Alemão é uma das línguas mais complicadas que existem; até os palavrões soam mais ofensivos do que o normal. Mas é complicado em parte porque, em alemão, existe uma palavra específica para tudo, inclusive coisas – ou melhor, sentimentos – que não sabemos descrever, e às vezes nem admitimos que existem.

Schadenfreude. Sem tradução exata, é a justaposição das palavras “schaden” (dano) e “freude” (alegria), que significa a alegria que sentimos com o sofrimento alheio. Eu já falei da minha incapacidade de ficar feliz pelos outros (mas claro, há exceções) e, mesmo com psicólogos atestando que este é apenas um lado ruim da natureza humana, schadenfreude na verdade vai além disto. É o desejo malicioso de sentir prazer ao ver alguém em uma situação ruim. Estudiosos até citam a existência de uma reação química no nosso organismo que demonstra e comprova schadenfreude em cada um de nós. Existe biológicamente e atua no nosso cotidiano, mas é reprimido.

Quem de nós admitiria que se diverte com a queda dos poderosos, ou com a exposição de pecadores hipócritas. A mídia usa e abusa do schadenfreude para manipular vereditos, condenar pessoas e formar uma massa de manobra contra aqueles que são pegos meio aos seus pecados. Assistir brigas, ver o circo pegar fogo, tudo isso faz parte do lado sombrio de nossas almas. Convenhamos, quando nos deparamos com uma discussão em público, não podemos deixar de não olhar, e de não julgar. E, às vezes, o único fator que nos leva a desgostar de alguém e a desejar seu mal, nada tem a ver com a pessoa; é schadenfreude.

Ninguém gosta de ter consciência do fato de que bem e mal podem co-existir em um mesmo coração. É difícil entender que nos divertimos com maldade; por isso deixamos em alemão.

Pensando pelo lado bom, quando formos pegos por schadenfreude, podemos dizer que foi faux pas.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Ela será amada

Ela é complicada; são as palavras que podem descrevê-la muito bem em qualquer época. Ela começou na primavera, e eu a conheci anos atrás quando éramos ambos jovens e ingênuos, com uma vida inteira pela frente e sem saber exatamente para onde ir. E por mais que eu a conhecesse, mais do que aqueles ao nosso redor, haviam sempre fragmentos que ela mantinha em segredo, e que até hoje descubro.

Mas como tudo de bom neste mundo, ela era difícil. Era linda, mas complexada, com problemas consigo mesma. Era genuosa, temperamental, equilibrada até onde sentia que podia. Era inteligente, rápida, se destacava na multidão. Era perseverante, insistente, teimosa. Adorava dias chuvosos e cantar na rua, dançar, pular, sorrir. Também era sensível; tinha argumentos para tudo e adorava usá-los. Adorava um bom debate, uma boa troca de idéias; apendia com eles, crescia com eles. Ela era preocupada, esforçada, esperançosa… Era feliz, em toda a sua complicação.

Mas o mundo roubou seus sonhos, suas esperanças, o otimismo que habitava seu olhar até quando estava chorando. Foi traída, magoada, ferida, enganada, passada para trás, mal-tratada. Apenas se escondeu, de tanto apanhar, de tanto sofrer. Foi reprimida, repreendida. Viu seu céu azul tornar-se cinza, e contentou-se com isto. Foi esgotando-se ano após ano, mas a menina que eu conheci ainda estava ali, firme e forte, ainda lutando por dias melhores.

Muitas lágrimas depois, eu ainda tento aprender mais sobre os fragmentos que esta menina esconde, por medo de deixar se expor de novo. Por medo de confiar de novo, de deixar-se levar. Pelo contrário, foi levada pela vida, perdendo de vista a menina que uma vez foi. Olhando fundo para ela, ainda posso enxergar aquela por quem faria tudo, e percebo que faria tudo de novo. Sabia muito sobre ela, seus gostos, seus desejos, suas aspirações. Ela nunca foi dele; ela sempre pertenceu a outro.

Ele aprendeu a conviver com isto, do jeito difícil, e percebeu que não poderia viver sem ela. Ela o recebeu de braços abertos uma vez mais, como já havia feito antes quando ele se perdia. Mesmo quando achava que não ouviria mais dele, e vice-e-versa, reencontravam-se e era como se nada tivesse acontecido. Olhando em retrospectiva, todo o drama parece distante a ponto de parecer só história. Mas é a história deles, é o que os formou e os trouxe até aqui. Estão separados, porém juntos ainda, mas não um com o outro. Não era amor; era melhor. Foram amigos, os melhores, e ainda são. Constantes variáveis, cujos destinos sempre estiveram congruentes porém nunca unidos.

Acima de tudo que sabia sobre ela, tinha certeza de algo que carregava sempre no coração quando a revia. Ela, a menina difícil e complicada, sonhadora com os pés no chão, não estava destinada a ficar sozinha. Mesmo em suas crises e momentos de desespero, ela seria amada; para sempre, por ele. A eterna menina, os melhores amigos.


Ao som de: She Will Be Loved – Maroon 5.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Espelho meu

Às vezes olhar para um espelho pode ser incômodo; ali estamos deparados com a realidade de nós mesmos, sem mais nem menos. Narciso se afogou por tentar ver a si mesmo muito a fundo em um lago, enquanto nós hoje vemos os outros claramente mas temos dificuldade de encarar nossa própria realidade. E nossa própria reflexão nos leva a refletir; espelho, espelho meu, eu sou tão “eu” assim?

Por anos não suportei encarar a mim mesmo por muito tempo neste pedaço de vidro na parede; eu não gostava do que via. Tão imperfeito, tão incoerente; o que as pessoas viam em mim? O segredo para ser feliz é olhar-se no espelho e gostar do que vê. Gostar de si, sem mais nem menos. Senão no pedaço de vidro pendurado na parede, então em outros iguais a nós que servem para nos mostrar que somos mais belos do que pensamos. Quando nossa imagem fica embaçada e difícil de enxergar, é sempre bom ter amigos para nos ajudar a refletir nossa beleza.

E então, eu me encarei frente ao espelho, e pela primeira vez em muito tempo, eu gostei do que vi. Espelho, espelho meu; existe alguém mais irracional do que eu?


Ao som de: The Music and the Mirror – “A Chorus Line” Original Soundtrack.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Zen-Morescismo

Deve ser muito bom não ter consciência o tempo todo. Ter a inspiração para lançar-se no mundo espontaneamente e descuidadamente, sem rede de proteção ou qualquer preocupação em chegar perto de cruzar a fronteira entre lucidez, e o que ando sentindo ultimamente. Então me prendo aos padrões formais, à tradições e costumes, ultra-conservador e... Infeliz...?

Sinto que talvez esteja na hora de me reinventar uma vez mais, e para isso precisarei refazer minha base e minhas razões para acreditar em dias melhores. Precisarei de uma trilha sonora, uma musa, e uma filosofia. Bem vindo ao Zen-Morescismo; quanto menos sentido tem, mais significado possui. Encontrar coerência na incoerência, razão na irracionalidade, e ainda continuar o mesmo quando a poeira baixar são as metas.

Às vezes sinto que deve ser legal ser normal, mas só às vezes. Ao me descreverem, as pessoas com quem conto para me manter adiante em minha jornada não usam termos como "estranho" (ou, "Igor") e sim, um em um milhão. Alguém especial, em busca de outro alguém especial. Alguém muito sozinho, que só quer alguém para amar e nada mais. Alguém que não se sujeita ao que a maioria pensa, ao que dizem ser certo. Esta desorientação só pode ter vindo de um lugar - repitam comigo - o mundo real. Não é a toa que ando com tantas dores de cabeça.

Eu vou ficar bem... Agora é só questão de repetir até acreditar. Pelo menos me consolo por saber que, quando finalmente cruzar a linha tênue da loucura, alguém me avisará. Mas acho que não enlouqueci ainda; o "feliz para sempre" ainda parece possível.


Ao som de: Crazy – Gnarls Barkley.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Tão feliz por você estar tão feliz

Eu não sou uma boa pessoa, mas sou honesto quanto à minha podridão; isto conta alguma coisa? Às vezes ficar feliz pelos outros é a coisa mais difícil que existe, como parabenizar ganhadores da loteria, ou conhecer a nova namorada do seu amigo.

Eu não sei ficar feliz pelos outros, é isso. Meu egocentrismo limita os fenômenos do universo ao meu umbigo e descarta o resto. Já senti contentamento por glórias alheias, mas são situações raras como presenciar um eclipse ou achar dinheiro na rua. Em dias menos felizes a felicidade alheia me irrita, e não diga que nunca sentiu o mesmo. Na maioria das vezes você pode olhar fundo nos olhos das pessoas, além dos sorrisos que estampam em seus rostos, e ver exatamente o que estão pensando: “Por que isso não aconteceu comigo?

Isto não é problema agora; estou feliz, e aprendi a conviver com isso. O que eu não esperava eram os olhares afiados de inveja, mas a melhor maneira de combater este mal é dividindo sua felicidade com os outros. Porém, sempre lembrando-se de que não há nada mais desonesto do que um sorriso.

domingo, 19 de setembro de 2010

Muito Igor por nada

Conservador, é isso. Sem gestos tresloucados e sem falar muito alto, sem atitudes grandiosas ou algum tipo de atrevimento. Chato a ponto de passar ridículo, por não deixar-se passar ridículo. Mas é quem eu sou, e acredite se quiser, já foi pior. Depois de anos tentando dar forma à essa bagunça em forma de gente, acredito que posso sair de casa com a cabeça erguida com a certeza de que sou um homem melhor do que ontem, e pior do que amanhã, e sem muita preocupação em fundamentar suas ações com razões convincentes. Por que devo ser coerente se a vida não faz sentido? Começamos a morrer a partir de quando nascemos, e tudo o que fazemos entre uma coisa e outra são o que nos definem, assim como o que optamos por não fazer. Eu optei por esperar por tudo mesmo com o risco de acabar sem nada, e no mundo real isto é o que faz de mim único. Ridículo? Não sei. Mas único, certamente, na minha estranheza. Meço minhas glórias por momentos que me tiram suspiros, que fazem meu coração bater mais rápido, minhas mãos suarem, minhas pernas tremerem… Faço do amor minha maior ambição, e é o que me tira da cama de manhã. Existem maneiras piores de se passar uma vida; aliás, dizem que sequer vivi. Ah, acredite, eu vivi. E como eu vivi. E senti, vibrei, sorri, chorei, gargalhei mais do que poderia imaginar, e ainda tem muito mais por vir. Sou feliz com pouco, muito pouco, mesmo tendo tudo e ainda querendo mais do que tudo, não preciso ir muito longe para encontrar minha felicidade. Quero amar e ser amado, e quando o momento for certo, eu saberei. Não haverá dúvidas quanto à isso; é o sonho que me permiti manter, porque é bom demais para não ser verdade. O amor está em toda parte, é real e acontece com todos. E apesar de toda a minha estranheza e feiura, neuroses e excentricidades, há uma vida longa e feliz à minha frente e disso eu nunca duvidei. Há cem lágrimas de distância, e ninguém vai me tirar do meu caminho. Não há palavras para definir tudo isto, a não ser que eu sou “muito Igor”. Agora, se é muito Igor por nada, o tempo dirá. Enquanto isso, vou deixar o mundo real me empurrar até o dia em que eu finalmente trombe com a felicidade que está reservada para mim. Sabe, eu estava com saudade de ser irracional; já me sinto como eu mesmo de novo… Que coisa mais Igor.

Meu nome é Igor Costa Moresca e eu sou estranho/feliz. E eu devo ter feito alguma coisa certa para ter pessoas lendo isto.


Ao som de: This is It – Michael Jackson.

sábado, 18 de setembro de 2010

Mais do que tudo

Eu juntei os pedaços do meu coração partido um a um e não foi fácil. Eu saí por aí e comecei a sorrir de novo, a rir de novo, a viver de novo. E foi bom por um momento; honestamente, eu nem me sentia como eu mesmo. A melancolia deu lugar a algo novo... Felicidade.

Mas agora eu me sinto vazio; não porque me sentia mais confortável nadando em minhas próprias lágrimas, mas porque depois de ver este velho coração - que alguns até dizem que não viveu nada ainda - ser estraçalhado tantas vezes, não pude deixar de senti-lo desgastado. Como se estivesse esgotando-se emocionalmente a cada paixão, e aos poucos vê sua esperança acabar. Empresto vida demais para quem sequer empresta um pouco em troca. Temo que no fim não sobrará nada de mim, e que toda essa agonia pode ter sido vão. Vi meus sonhos desaparecerem; antes esperava ansioso pela noite para deitar a cabeça no travesseiro e apenas sonhar com o amanhã.

No final do dia, a realidade é um grande muro no qual todos nós trombamos, e meio à desorientação preciso sempre encontrar forças para levantar e continuar seguindo em frente. Se esse for o preço à pagar para ser “feliz” então não faz sentido. Ainda existem fragmentos que ficaram para trás, para contar a história. Quer um pouco do meu amor, da minha alma? Fique à vontade, leve o que sobrou. Sentimentos que ficaram esparramados precisam de um lar. Eu sinto falta do meu coração.

Você sempre quis mais do que tudo; e se no fim não sobrar nada?


Ao som de: Take It All – Marion Cotillard.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O mundo real III

Se dizemos que há o mundo real é porque paralelo a ele existe o nosso próprio mundo; às vezes apenas recluso, às vezes secreto, e às vezes até mesmo imaginário. Por encontrar-me constantemente caminhando sobre a linha tênue que separa a lucidez da loucura, o perigo de perder o equilíbrio finalmente veio a mim. Minhas neuroses parecem tão inocentes, imagine perder o controle sobre elas, e eventualmente perder toda a autonomia sobre mim mesmo.

Só de pensar que já cheguei tão perto de cruzar a linha me faz arrepiar, ao questionar o que há de tão bom no mundo real. Poderia me perder dentro do meu próprio mundo imaginário ou pior, poderia tentar ao máximo torná-lo real, e ver o mundo lá fora como a verdadeira ilusão. Afinal de contas, com todo o mal que existe, por que não prender-me às minhas alucinações? Qual é o mal de acreditar em algo que não existe? Isto é, enquanto você souber que não existe tudo bem, mas é uma linha tão fácil de cruzar que podemos até mesmo já tê-la atravessado com um dos pés, sem nem saber disso.

O que estou tentando dizer é que pela primeira vez estou dando graças à minha lucidez, à minha mente brilhante e semi-intacta que permanece intocada pela loucura, por mais incrível que pareça. Abri mão do meu mundo imaginário por medo de perder-me meio a ele e não saber mais voltar; ou, não querer mais voltar. De agora em diante, não quero nada a não ser a realidade e nunca mais ter o medo de olhar as pessoas ao redor e sentir vontade de perguntar se existem de verdade. Dessa vez eu sei que é real.


Ao som de: Crazy – Patsy Cline.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

As últimas palavras que desperdiçarei com você

Como posso sentir falta de algo que nunca tive? Perder algo que nunca foi meu, e ainda assim deixou um vazio quando se foi. Na verdade, é um vazio que já estava aqui há muito tempo, e apenas dei-lhe seu nome para tentar trivializar a dor. Não estou feliz, estou sentindo que deveria estar feliz pois não há prova concreta de que eu deveria sentir o contrário. Sim, eu era feliz com você, mas pelas razões erradas. Por que deixar o vazio anular tudo de bom que eu realmente tenho? Ainda mais porque é algo que eu nunca realmente tive. Cansei de mim e cansei de você, já que nunca fomos “nós”. Eu quero o que sempre quis; repitam comigo: amor. Já que não sou tudo para você, que tal eu me tornar nada? Você disse para eu seguir em frente, mas para onde vou?

Não faria diferença se você continuasse aonde está ou se estivesse do meu lado; você ainda estaria longe de mim. Você estará sempre inalcançável para mim, e em parte talvez seja isso que me atrai tanto. A paixão improvável, o sonho impossível, à cem lágrimas de distância. Você era minha maior ilusão, mas agora vou deixar você deixar eu abrir mão disso tudo. Não é culpa sua, mas essas serão as últimas palavras que desperdiçarei com você. Talvez eu consiga ser seu amigo um dia, mas não hoje.

Eu te amo… Adeus.


Ao som de: The Last Song I’m Wasting On You – Evanescence.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Mulheres bonitas

Mulheres bonitas sabem que são o centro das atenções quando adentram um recinto; nos fazem perder a cabeça e ainda torcer o pescoço para a olhadinha final quando passam, deixando-nos apenas com nossoas pensamentos lascivos e seu perfume no ar. Quando aparecem as vemos de longe, e tornam-se só o que vemos, ofuscando pedestres, sinaleiros, e qualquer outra ordem social que nos tenta impedir de darmos a olhadinha. Alguns preferem quando chegam, alguns preferem vê-las passar; a ida e a volta trazem ângulos diferentes para serem apreciados. E além de pararmos tudo para vê-las, também fazemos de tudo para sermos vistos por elas; construímos foguetes, dividimos moléculas, combatemos a fome, engajamo-nos à causas sociais, dentre as técnicas mais comuns. Cuidamos da nossa aparência, nosso visual, malhamos, falamos grosso, compramos presentes, mandamos flores, orquestramos as mais improváveis situações, sempre parecendo acidental, apenas para dizermos “oi”, na esperança de que lembrarão dos nossos nomes. Não perdemos só a cabeça, perdemos toda a razão por uma mulher bonita. Abandonamos nossa conciência e deixamos nosso passado cro-magnon liderar nossas ações. Tudo por mulheres bonitas; sedutoras, envolventes, avassaladoras, capazes de nos destruir com um olhar. Tão atraentes e provocativas que, às vezes, enlouquecem até mesmo outras mulheres.

Pessoalmente, eu gosto de vê-las passar, se é que me entende.


Ao som de: Beautiful Girls – Sean Kingston.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Morescismo

Deve ser legal elaborar uma teoria tão envolvente a ponto de atrair seguidores e dar às suas idéias seu nome para perpetuar através da história. Se eu conseguisse atribuir coerência o bastante na minha incoerência, talvez se tornaria algo memorável; algo a ser estudado posteriormente. Talvez minhas irracionalidades somadas dessem alguns bons livros, fortes o suficiente para sobreviverem ao longo dos anos e tornarem-se clássicos. Poderiam fazer um filme – Robert Downey Jr. ou Hugh Jackman poderiam fazer o meu papel (ou se o Matthew Perry não estiver ocupado). E as mulheres, ah… Poderiam fazer algo como a cena de abertura em “Nine”, mesclando todo aquele Existencialismo com alguns toques de neurose. Imagine, poderiam usar a frase, “Isto é tão Morescano”, com toda a grandeza que uma escola de pensamento possui. Ser o precursor de um zeitgeist contemporâneo, e marcar época como um grande pensador. Tornar-se uma lenda em meu próprio tempo, e deixar minha marca daqui para a eternidade. E quando questionarem minhas teorias, procurando saber qual é a base para tamanha excepcionalidade, direi apenas que foi tudo por amor…

Cite-me se quiser; isto é um Morescismo.


***


Acho que posso me ajustar à felicidade assim como me acomodei com um coração partido; tudo que preciso é achar a trilha sonora certa.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Ainda louco depois de todos esses anos

Talvez eu me sinta desorientado por tudo isto, esses sorrisos que tomaram o lugar das lágrimas, porque isto significa que a chama se apagou. Não totalmente, mas a busca incansável, a tortura e a espera, a agonia e o êxtase, terminaram de queimar junto às minhas ilusões, agora apenas cinzas do que um dia foram grandes sonhos para um futuro incerto, tudo se foi. Aqui estou de pé no mundo real sem o que temer pois percebo que na verdade, mesmo nos meus momentos mais solitários, eu nunca estava sozinho.

É loucura ser pego de surpresa pelo contentamento? Havia conforto na procura pela felicidade, havia ansiedade, paixão, um motivo para acordar de manhã... Estou feliz, finalmente, sem mais. E deveria estar feliz por isto também, não deveria? É tudo muito novo para mim, esta calmaria, esta pessoa que não impede mais que outros se tornem parte dele, que se apresentem e conheçam seu coração que ainda bate forte no peito, e não deixou o que ainda havia de vida se espairecer no ar. O que sobra? O que farei agora? Viver e deixar viver? Quero que o amor venha e apliquei todas estas regras sobre como deveria vir... Sem considerar que poderia ter passado direto por mim, e eu não a deixei ficar; não me permiti conhecê-la. Afinal, o que eu realmente sei sobre amor ou a vida, com tão pouca existência ainda a ser explorada...

É preciso abrir mão de quem você foi para se tornar quem você será, e percebe que não é o passado que nos puxa para trás... Somos nós quem tinhamos medo de seguir adiante. Medo do desconhecido. Vou deixar a felicidade tomar conta, já que é o que eu sempre quis. Estou feliz, ponto. E não vou me entristecer por isto porque, apesar de tudo, continuo louco depois de todos esses anos. Estranho, não?


Ao som de: I Believe I Can Fly – R. Kelly.

sábado, 4 de setembro de 2010

A curva da normalidade

Não tem nada de normal na sociedade a não ser pelo fato de que todo mundo é estranho… Entende?

Eu tenho medo das pessoas que dizem não ter pelo menos um pé “fora da casinha” porque essa tal “casinha” sufoca e, quando menos se espera, o sujeito surta e acaba com os dois pés para fora da casinha… E provavelmente sem teto também. O que gente normal faz da vida? Certamente, falta assunto. Ou quem sabe o maior sonho dos normais seja um dia desenvolver uma neurose, uma desordem, um tique nervoso, qualquer coisa fora do padrão, só para ter noção do que todas as outras pessoas estão falando. Honestamente, deve ser anormal ser normal. Gosto de ser uma bagunça; é quem eu sou.


***


As pessoas mais lúcidas estão sempre no limite da razão.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Meu superego, meu eu

Freud explica a estrutura da nossa consciência como um iceberg à deriva, onde apenas a ponta que fica fora da àgua representa a parte que está sob nosso controle. Enquanto isso, Freud também explica que existem três outras estruturas que comandam a ponta do iceberg; nossa natureza selvagem e primal cro-magnon de cada um (o Id), nosso senso de auto-limitação que restringe nossas ações pelo bem da ordem social (o Superego), e o equilíbrio que deve haver entre ambos para mantermos nossa saúde mental (o Ego).

Mas quando nosso iceberg passa a ser liderado por apenas nossa natureza ou nossa auto-censura, o desequilíbrio gera um caos na pessoa capaz de desencadear neuroses, complexos, patologias e muita, muita dor de cabeça. E como se já não bastasse a dificuldade de manter minha cabeça fora da água, imagine então manter o equilíbrio de um iceberg. Afundar na loucura parece fácil meio a um mar de neuroses, mas é um risco que todos devem correr. Perigo em mar aberto contra a insanidade em terra firme. O medo de me afogar enquanto estou à deriva não é nada demais; é só a ponta do iceberg.


***


Não é a toa que o Titanic afundou.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Talvez amanhã

Às vezes eu gosto de deixar minhas crises tomarem conta para ver o quanto minha sanidade é empurrada até o limite, e sempre me surpreendo com até onde consigo chegar sem romper com a lucidez… Eu acho. Está difícil, falta ar, meus pés doem, mas a cabeça ainda está erguida. Estou tentando seguir em frente mas não consigo me livrar da sensação de que estou parado no mesmo lugar há meses… Desde que você foi embora, e ninguém preencheu o vazio que você deixou. Quer dizer, eu não deixei que tentassem. Deixar seu lugar reservado, mesmo sabendo que você mesma nunca fez questão que eu a esperasse, é o que me reconfortava quando o mundo real batia na minha porta e dizia que estava na hora de sair desta ilusão.

Mas não, eu evitei a realidade o máximo que pude, e me escondi do mundo em minhas fantasias – o meu mundo, que eu sabia no fundo da minha alma que seria o único lugar que não me desapontaria. E passei a exigir mais das pessoas que estavam dispostas a ver além da minha condição crítica para se aproximarem de mim. Passei a esperar algo das pessoas que sequer sabia exatamente o que era. Elevei minhas expectativas ao máximo para que ninguém pudesse atingí-las, assim não haveria perigo. Sem laços, sem correr o risco de perder-me em intimidades, sem me apaixonar de novo… Para não sofrer de novo. Passei a temer e a afastar aquilo que sempre quis, acreditando que no final eu estaria sozinho de novo. Usava o final hipotético para justificar evitar o começo. E me tranquei dentro de mim, ao mesmo tempo que o despespero de querer sair e viver de novo tornou-se minha única companhia.

Eu posso sentir a razão escapar por meus dedos. Minha vida passou a girar em torno do amanhã que nunca chega, mas com ansiedade e falsa esperança por dias melhores. A dor tornou-se familiar demais; como uma espécie de porto-seguro, uma vez que era só o que eu conheci. Felicidade tornou-se um sonho distante, quase inalcançável, se eu me permitisse buscá-la. Apesar da angústia, existe segurança na desesperança – nada mais poderia me machucar… Poderia? Sim.

E então eu percebi o quanto estava sem direção e sem noção alguma, mas é fácil se perder quando se deixa levar por fantasias. Ao ver meus devaneios chegarem ao fim pude sentir meus pés voltarem ao chão, ainda ouvindo a música no fundo… “How can you mend a broken heart…”.

Fui até as profundezas do inferno dentro de mim e voltei, quase intacto e desorientado quanto aos meus próximos passos, mas determinado a abrir meu coração novamente e deixar as pessoas entrarem. Senti faíscas de vida reluzirem diante dos meus dedos, me levantei da escuridão e fui em direção à luz. O amanhã pode não chegar, este é o verdadeiro perigo. Acho que estou pronto para viver de novo. Senão hoje, talvez amanhã.


Ao som de: If Tomorrow Never Comes – Ronan Keating.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Onda de calor

Todo homem tem momentos de medo e dúvida no meio da sua caminhada que o faz repensar o caminho que está trilhando. Claro, eu tenho minhas trilhas sonoras para ouvir durante a jornada, mas ultimamente minha visão tem ficado um pouco cansada.

Começou com algumas visões… Na verdade eu deveria dizer que foram alucinações, porque definitivamente não eram minhas fantasias normais; ele simplesmente aparecia e cantava a música… “How can you mend a broken heart…” E quando Al Green parou por um tempo, Gloria Gaynor começou a me seguir por aí, cantando sobre amor, sobre a minha vida, e sobre como eu nunca conseguiria dizer adeus. Ao longo do tempo eu me acostumei; outros artistas apareceram com melodias que expressavam claramente meu sofrimento; Barry Manilow compreendia minha solidão, Vonda Shepard assimilava minha vontade de amar e ser amado, e Barry White me dava forças para manter meus castelos de areia em pé, e que alguém que está por aí e eu ainda não conheci seria a resposta para todos os meus sonhos. Às vezes ouço até mesmo algumas orquestras aos meus ouvidos, dramatizando minhas emoções com som e fúria.

Agora me sinto assombrado por músicas que não falam de amor, mas de paixão, capaz de causar arrepios e levantar suspiros não ao sentir amor mas ao fazer amor. Ainda no tema recorrente de amor, um dos filmes cuja história épica ainda arranca sorrisos e lágrimas fez tocar uma música na minha cabeça sobre uma paixão arrebatadora que deu início a um amor imortal… Ou pelo menos é um jeito poético de dizer que estou sentindo calafrios ao ouvir “Lady Marmelade”. Mas a pergunta que está pesando em mim ainda reside: pode surgir o amor de uma vida em uma paixão inesperada? E se é possível, então devemos nos entregar à paixão para nos trazer de volta a vida?

A essa altura talvez não sejam mais fantasias e sim, miragens.


Ao som de: Lady Marmelade – Patti LaBelle.