terça-feira, 30 de novembro de 2010

A canção ainda é a mesma

Cometemos erros. Alguns deles superamos e logo nos esquecemos, e alguns se arrastam por anos enquanto o arrependimento nos mata. Mas o que realmente podemos fazer quando alguns erros parecem ser irreversíveis? Nos recolhemos do mundo para os ombros de nossos amigos, o consolo de nossas músicas favoritas, enquanto reconstruimos nossas esperanças para dias melhores. O que aconteceu, aconteceu. É passado; o segredo é não olhar para trás e seguir sempre em frente, na alegria e na tristeza. Devemos nos lembrar que, por mais que o arrependimento machuque, o mundo nunca parou de girar só porque alguém deu um passo em falso. E quando as coisas parecerem difíceis demais, nada nos impede de ouvir a mesma música de novo e de novo até nos sentirmos melhor. Erros vem e vão, mas enquanto eu ainda tiver minhas trilhas sonoras, tudo ficará bem. Não há nada como um pouco de música para nos ajudar a sobreviver.

Trilha sonora de Novembro:

01. Labels or Love - Fergie

02. Venus – Bananarama

03. Falling For You – Colbie Caillat

04. Who Knew – P!nk

05. Tomorrow Can Wait – David Guetta

06. Vogue – Madonna

07. Point of View – DB Boulevard

08. I Will Survive – Gloria Gaynor

09. Start All Over Again – Dave Koz feat. Dana Glover

10. I Dreamed a Dream – Susan Boyle

11. This Guy’s in Love with You – Herb Alpert

12. She Believes in Me – Ronan Keating

13. Fools Fall in Love – Jennifer Holiday

14. You Got the Love – The Source feat. Candi Station

Bonus Track: All Dressed in Love – Jennifer Hudson

domingo, 28 de novembro de 2010

Eu vou sobreviver

video

Quando dói a ponto de morrer, você sobrevive. São essas palavras do ano passado que ainda carrego comigo quando as coisas parecem ficar muito difíceis, e eu sinto que estou prestes a deixar de acreditar. Mas ao olhar para trás e relembrar tudo que já vivi, ainda mais agora que este ano está chegando ao fim, essas palavras ainda me dão força para acreditar em algo fundamental: eu nunca vou deixar de acreditar.

Mesmo que seja ruim não ter algo que você quer, eu imagino que seja muito pior ter algo que você não quer. Claro, eu poderia me permitir viver novas experiências pelo único propósito de não estar aqui sozinho todas as noites, e transcrevendo meus apelos dia após dia vivendo apenas da esperança de que um dia meu alguém chegue a ler. Mas se existe algo nesta vida a qual sou leal, sem dúvida é ao meu coração. E meu coração jamais permitiria se permitir a alguém que não honestamente deseja. Cativar alguém sem quaisquer intenções de reciprocidade, só para não ficar sozinho...

Eu nunca tive medo de ficar sozinho e nem vergonha de querer alguém para amar. E quem sabe, apesar de tudo, eu realmente precise de alguém para amar, e vivenciar a longa vida de felicidade que eu sempre soube que estava reservada para mim. Ter a promessa do amanhã finalmente se cumprir, e pela primeira vez na vida deixar de me sentir sozinho e passar a me sentir completo com um piscar de olhos e a troca de um beijo... Imagine só. Mas eu já cometi vários enganos ao longo dos anos, mas os erros serviram para que eu aprendesse a mesma lição de novo e de novo; nada vai fazer meu coração deixar de acreditar.

E quanto a mim? Ah, eu vou sobreviver.

Ao som de: I Will Survive – Gloria Gaynor.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Fruto proibido

Quando a tentação surge, todos nós desejamos uma mordida do fruto proibido. Nos aventuramos em casos secretos, nos deliciamos com prazeres ilícitos, e nos entregamos de corpo e alma sem pensar nas consequências que virão amanhã. Deixamos nossos desejos tomarem o melhor de nós, excitando-se com o perigo, brincando com fogo, levando nossos instintos à flor da pele ao imaginar o que pode acontecer se formos pegos. É curioso o quanto somos atraídos pelo que não podemos ter, e o quanto o proibido parece ser mais gostoso. Lutar contra tentações ocorre com todos nós, mas somente quando nos entregamos a elas é que percebemos que são experiências vazias. Porém, em se tratando de experiências vazias, é uma das melhores.

Ao som de: Juicy – Better Than Ezra.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O pequeno príncipe

Existe um certo livro que as pessoas grandes insistem que serve apenas para crianças. Um livro que fala sobre o valor da amizade, o poder do amor, e a dor da separação. A maioria das pessoas nunca leu, mas se ao menos folheassem algumas páginas, perceberiam o quanto a linguagem supera as ilustrações e atinge homens e mulheres em um ponto em comum: o coração, cujo qual alguns já não dão importância ou pior, não sabem explicar porque já não sentem mais nada.

É um livro simples de brochura e em cores vivas, mas as mensagens que carregam consigo são muito mais profundas. Como a história de um empresário que viva para contar estrelas mas que não sabia explicar porque o estava fazendo, ou a do acendedor que vivia para seguir o regulamento de acender e apagar um lampião a cada minuto, ou o bêbado que tem vergonha de admitir que tem vergonha de beber. Tudo muito poético, mas sem muita utilidade.

Alguns mencionariam a flor, tão cativante em sua beleza mas que esconde uma natureza frágil e vulnerável, constantemente sob ameaças do mundo real. E então existe um pequeno menino, que nunca respondia quando lhe era perguntado, e nunca desistia de uma pergunta, que viajava através do universo sempre buscando conhecer coisas novas, e cujas únicas posses eram três vulcões que revolvia todos os dias - mesmo um deles sendo inativo, porque nunca se sabe. E falava também de amor; sobre como cativou e foi cativado por uma flor, mas era jovem demais para saber amá-la.

Dizem que é um livro para crianças e pessoas grandes afirmam não ter tempo para lê-lo pois são pessoas sérias. Mal sabem eles que talvez este livro possa ser exatamente o que estão precisando; reviver esperanças silenciosas que perderam ao longo do tempo, reaprender o valor das amizades e como cativar mais as pessoas ao seu redor - sempre tomando cuidado com os baboás - e de como às vezes é preciso suportar duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas. Mas crianças se cansam de ter que explicar tudo para as pessoas grandes, mesmo que até elas tenham sido pequenas um dia.

A maioria das pessoas já não pensa muito nisso, focam-se no mundo real e nas coisas que pensam que precisam. Nunca lembrando-se de que o essencial é invisível aos olhos. A raposa uma vez disse; é preciso ver com o coração. Todo o resto é efêmero, exceto duas ou três larvas. Por causa das borboletas.

Ao som de: You Got the Love – The Source feat. Candi Station.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Dois rios

A cada escolha que fazemos, outra é deixada para trás. E algumas vezes, por mais que as coisas estejam indo bem no nosso caminho, ainda paramos para pensar nas estradas que não foram trilhadas. Os amores que passaram, as oportunidades que não foram aproveitadas, as possibilidades que jogamos fora. E se eu tivesse agarrado aquela chance, ou cometido aquele erro, ou roubado aquele beijo? Minha vida sofreria muitas mudanças? Eu ainda seria eu?

Para cada decisão existe renúncia; apenas um caminho pode ser trilhado e não há como voltar atrás. Mas ao relembrar todos os outros capítulos da minha vida, será que eu faria as coisas diferente? Talvez não. De onde estou agora já conheço bem a jornada para entender como deve ser trilhada. E às vezes na vida, as estradas desconhecidas não são viajadas por um motivo: no final das contas, nós fizemos a escolha certa.

Ao som de: Thanks For the Memories – Fall Out Boy.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Nunca se sabe

Todos nós fazemos planos basicamente como forma de nos organizar para o futuro, mas mesmo que tentemos prever a estrada adiante, a vida sempre dá um jeito de nos levar a lugares inesperados. Sonhos mudam, tendências vem e vão, e até quando nos esforçamos para continuarmos os mesmos, nós crescemos e aprendemos a ver o mundo de outra maneira. E justo quando pensamos que já vimos de tudo, percebemos que na verdade não vimos nada ainda.

O emprego que não queríamos pode acabar se tornando uma de nossas paixões. A família que rejeitamos pode vir a ser nosso porto seguro. As pessoas com quem compartilhamos uma sala de aula podem se tornar nossos melhores amigos. E em uma cidade que antes parecia distante e fria, você pode reencontrar seu coração e novas esperanças para os dias à frente.

Nunca se sabe o que a vida trará para nós, por isso precisamos nos concentrar menos com planos e aproveitarmos mais o hoje. Quanto ao resto, a vida se encarrega. Não se preocupe, você vai adorar o amanhã.

Ao som de: Point of View – DB Boulevard.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A volta dos que não foram

Você foi embora. Já faz tanto tempo que quase não consigo me lembrar de quando estávamos juntos, mas aquelas fotos de nós dois sorrindo não me deixam negar. Um ano parece mais uma vida passada, mas ainda me recordo da última vez que te vi; de como não pude encará-la mesmo quando estava na minha frente de malas prontas e já com um pé para fora da minha vida, e de como nunca realmente me despedi. Você foi embora mas nunca realmente esteve comigo. E por meses eu desesperançosamente sonhei com a sua volta. Eu a teria em meus braços de novo e você diria que está tudo bem, mesmo que não estivesse.

Agora você não é nada além de um passado distante. Eu me reinventei; estou mais forte, mais realista, e até meu coração voltou a bater. E quanto ao sonho de um dia tê-la de volta, eu abri mão junto a todos os nossos sorrisos. Eu encontrei meu caminho de volta, e você nunca me machucará de novo. Não me procure mais, mas se tentar sinto dizer que não me encontrará. Aquele garoto idealista, engraçado e sonhador morreu – desculpe se não a convidei para o funeral. O nome ainda é o mesmo, mas o coração fez questão de te esquecer.

Você foi embora, e eu também.

Ao som de: Sitting, Waiting, Wishing – Jack Johnson.

domingo, 21 de novembro de 2010

Aquele em que o Igor volta ao Orkut

O título já diz tudo.

Igor Costa Moresca – Perfil: http://www.orkut.com.br/Main#Profile?rl=mp&uid=1993105040712709194

Record atual: 31 dias sem Orkut. PS. Droga.

Ao som de: Don’t Look Back in Anger – Oasis.

sábado, 20 de novembro de 2010

Você tem o amor

Mais tarde naquele dia, eu fiquei pensando sobre relacionamentos. Existem aqueles que nos abrem para algo novo e exótico, aqueles que são antigos e familiares, aqueles que trazem muitas perguntas, aqueles que te levam a lugares inesperados, e aqueles que te trazem de volta. Mas o relacionamento mais excitante, desafiador e significativo de todos é aquele que você tem consigo mesmo. E se você encontrar alguém que ame o você que você ama, bem, é aí que a felicidade começa.

Ao som de: You Got the Love – The Source feat. Candi Station.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

À primeira vista

Quem pode explicar como ou porque duas pessoas se apaixonam? Alguns dizem que os opostos se atraem, enquanto outros defendem a teoria de que são os interesses em comum que aproximam as pessoas. Pode acontecer em um piscar de olhos assim como pode acontecer através dos anos. São inúmeras variáveis e hipóteses, mas o que realmente mantém duas pessoas juntas? Seria amor? E se for amor, como pode algo tão sem sentido ser tão poderoso?

Por outro lado, existem aqueles que restringem seus corações e rejeitam quaisquer outras formas de amor que sejam diferentes daquela que sonham para si. Atribuem regras e circumstâncias específicas, elevam suas expectativas ao mais alto possível, e se surpreendem quando o amor não chega. Alguns ainda preferem ficar sozinhos com suas ilusões do que compartilharem algo real com alguém que não combina com o idealismo de seus sonhos. O amor está em toda parte, mas se ao menos parássemos para olhar ao nosso redor para perceber.

É impossível descrever exatamente o quanto o amor é poderoso. É capaz de nos sustentar durante tempos difíceis, ou a nos motivar a fazer sacrifícios extraordinários. Pode levar homens a cometer ações chocantes, ou incentivar mulheres a procurar por verdades escondidas. E mesmo depois de partirmos, o amor ainda vive em nossas memórias. Nós todos procuramos o amor, mas alguns de nós, depois que o encontram, desejam não tê-lo.

Ao som de: Fools Fall in Love – Jennifer Holiday.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Meu superego, meu eu II

É um fato comprovado que quem segue todas as regras, perde toda a diversão. Quando jovens aprendemos a respeitar as placas que dizem “não pise na grama”, a não falar com estranhos, e a não pegar coisas que não são nossas.

Mas quando crescemos e nossa vontade de se divertir cresce conosco, aprendemos a procurar brechas nas regras que tanto nos restringem – e na maioria das vezes, nós as encontramos. Aprendemos que algumas regras foram feitas para serem quebradas, e logo passamos a distinguir cada vez melhor quais delas podemos ou não desobedecer.

Não pise em terreno proibido, mas e se for tentador demais para resistir? Não fale com estranhos, mas e se seus sorrisos forem persuasivos o bastante para seguí-los? Não pegue coisas que não são suas, mas e se nosso desejo tomar o melhor de nós e nos convencer de que aquilo deve ser nosso?

Então deixamos nossa consciência de lado e quebramos as regras, sem nunca pensar nas consequências que virão se formos pegos no flagra.

Ao som de: Lying is the Most Fun a Girl Can Have Without Taking Her Clothes Off – Panic! At the Disco.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Faça-se a luz

Somos criados para acreditar que mesmo envolvidos nas piores situações sempre haverá uma luz no fim do túnel, logo temos que enfrentar nossos problemas e manter as esperanças de que logo chegaremos do outro lado mais fortes do que antes. Mas o que acontece quando nos perdemos na escuridão e perdemos a capacidade de enxergar o que existe de bom em nossas vidas, incluindo a nós mesmos? Às vezes conseguimos ver os outros tão claramente, mas em se tratando de nós mesmos, será que vemos tudo que há para ser visto?

Quando a vida se torna difícil de ser enfrentada estamos fadados a seguir nossos instintos mais primitivos de sobrevivência e podemos acabar deixando de lado alguns pertences durante o trajeto sejam eles velhos amigos, ou paixões inacabadas, ou sonhos que foram postos de lado. Abrimos mão do que for preciso para aguentarmos até o nascer do sol.

A verdade é que em um mundo repleto de escuridão, todos nós precisamos de algum tipo de luz. Pode ser uma grande chama que nos mostra como recuperar o que perdemos, ou um farolete poderoso que ajude a afastar ameaças em potencial, ou talvez alguns globos brilhantes que revelam a verdade sobre nosso passado. Todos nós precisamos de algo para nos ajudar a passar pela noite, nem que seja mesmo um pequeno brilho de esperança.

Ao som de: You’re Still You – Josh Groban.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Psicologia - ano I

Ano após ano, adolescentes de todas as partes do país fazem suas inscrições em busca de uma nova vida com dois A's: acadêmica e amorosa. E um ano atrás, eu era um deles.

Desde então, todos os dias – tirando todos os feriados - a classe de Psicologia do 1º ano reuniu-se para aprender sobre os ensinamentos da psicanálise, as atrocidades da mente humana, e os desvios sociais que deram base à sociedade, enquanto nos conheciamos cada vez mais - uns aos outros, assim como a nós mesmos.

Depois de finalmente encontrar minha vocação, e de ter que convencer todos ao meu redor que isto realmente é minha vocação, eu me concentrei na minha busca por amor. Mas diferente da Psicologia, senso comum não é tão fácil de encontrar em se tratando de amor. Por isso você precisa de ajuda para não enlouquecer; muita ajuda. Ajuda também conhecida como meus amigos; os antigos, os novos, e os de sempre.

Meu nome é Igor Costa Moresca, acadêmico de Psicologia quase no 2º ano, e escritor nas horas vagas. E ano após ano, meus amigos foram minha salvação, e no fim das contas, minhas fontes de inspiração. No começo eu procurava pelo amor perfeito; quer dizer, quase perfeito. A única falha do plano foi que ninguém é perfeito, e nem mesmo amor poderia segurar duas pessoas que nasceram para estar juntas, mas não um com o outro.

Então eu parti em minha jornada em busca de algo a mais, e me tornei atraído pelo amor difícil. Inatingível, na verdade. Mas depois de aprender exatamente o quanto esse amor é impossível, e de quase morrer por ele, eu me reinventei e segui em frente. Então eu descobri o quanto a teoria do amor não é nada comparada à prática, mas somente prática sem sentimento não me satisfez e logo abri mão do prazer momentâneo para encontrar a felicidade constante.

Ainda determinado, eu percebi que na verdade estava procurando por alguém única, alguém especial. Mas procurar por essa alguém nem sempre é fácil, e ao relembrar todos os outros capítulos da minha vida nenhum foi tão único quanto aquele em que descobri exatamente o quanto eu sou a exceção de todas as regras, e o quanto eu precisava estar com alguém que fosse diferentemente igual a mim.

Um ano de Psicologia e dois anos em Cascavel depois, eu ainda me sinto como aquele adolescente idealista, e apesar do tempo ter nos empurrado para frente eu consegui manter-me exatamente como sempre estive: apaixonado. Um brinde a nós, e aos próximos quatro anos.

Ao som de: Labels or Love – Fergie.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Chromolume #5

Não há nada tão difícil quanto agir verdadeiramente com quem somos, e deixar que nossas verdadeiras cores se tornem visíveis para os outros. Então escondemos a verdade de quem somos do mundo, deixamos nossos sonhos e nossas paixões de lado e nossas esperanças e desejos guardados ainda esperando que um dia possamos ser plenamente felizes.

Impedimos que outros se aproximem demais, temendo que nos abandonem caso nos conheçam bem demais. Construimos um muro ao nosso redor para manter os outros longe da nossa verdadeira face, enquanto lentamente nos permitimos morrer com o isolamento. Em troca, ninguém realmente chega a nos conhecer, e relacionamentos em potencial vem e vão enquanto nos mantemos de vigília para nos proteger, mal sabendo que limitar até onde outros podem adentrar nossa vida na verdade não é viver, e morremos cada dia um pouco mais sob a ilusão de que estamos seguros.

Mas há a redenção, e quando nos permitimos mostrar ao mundo a beleza de ser quem somos, finalmente percebemos quanto tempo perdemos com medo e negação, forçando sorrisos e risadas, e acobertando um coração partido que já poderia estar curado há tanto tempo. E quando alguém nos faz perceber exatamente o quanto somos belos pelo que somos, é aí que a felicidade começa.

Ao som de: True Colors – Cyndi Lauper.

domingo, 14 de novembro de 2010

Estrelas cadentes

Eu estava caminhando de volta para casa quando me peguei olhando para o céu estrelado. Já fazia algum tempo que as estrelas não tomavam o céu de tal forma, e me lembrei do pedido que fiz a elas na última vez que as vi.

Eu queria que o desespero acabasse, que eu parasse de me sentir tão sozinho e desesperançado. Queria minha vida de volta, com amigos, família, risadas e sorrisos em vez de lágrimas. Queria que o amor cruzasse meu caminho de novo, queria deixar de ser neurótico e me permitir ser feliz, sem restrições ou questionamentos. Queria voltar ao mundo dos vivos, e queria meu coração de volta.

E então eu percebi ao olhar para o céu que meus pedidos haviam sido atendidos. Apesar de não ter céus estrelados, estrelas cadentes passaram por minha vida e se fizeram constantes. Usaram seu brilho para afastar a escuridão, e onde havia tristeza agora havia luz.

Ao relembrar meus momentos mais solitários, agora percebo que nunca estive realmente sozinho. Sempre havia alguém do meu lado evitando que minhas lágrimas caissem, assegurando-me que dias melhores viriam. Estas pessoas são estrelas cadentes que iluminam e trazem de volta esperanças que foram perdidas, sonhos que foram colocados de lado, e sorrisos que há tempos foram esquecidos.

De repente a vida tornou-se repleta de possibilidades, e o amanhã manteve todas as promessas das quais me esforçei tanto para continuar acreditando. E assim, eu voltei a viver. Seja bem vindo de volta, Igor.

Ao som de: Tomorrow – Aileen Quinn.

sábado, 13 de novembro de 2010

O rei do drama

É preciso ter um mundo interior extremamente sensível a ataques do mundo real, assim como é preciso ter o dom de transformar pequenos eventos em calamidades extraordinárias, para criar tempestades em copos d'água. Mas às vezes a gota d'água que transborda o copo pode dar significado ao exagero e o que antes parecia mero estresse relvela-se ser uma dor de verdade.

Lágrimas antes jogadas ao vento passam a se tornar raras e atenção deve ser dada quando chegam a escorrer pelo rosto, afinal toda tragédia no fundo é mesmo tragédia para quem sente. Eu já atingi minha cota de martírios há muito tempo atrás e venho ultrapassando-a sempre que me sinto injustiçado ou ultrajado, mas quando profundamente ferido são raras as pessoas que conseguem distinguí-lo dos outros gritos vazios de socorro.

Nunca sabemos ao certo o efeito de nossas palavras ou a profundidade que nossas ações terão sobre outros, porque atrás de sorrisos e risadas pode existir dor, e porque até mesmo o rei do drama, sem ajuda da suas neuroses e manias de perseguição, pode sofrer perdas e danos por outros.

Ao som de: The Only Difference Between Martyrdom and Suicide is Press Coverage – Panic! At the Disco.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Este cara está apaixonado por você

Este cara teve um ano difícil, está desorientado e faz as coisas sem pensar. Acostumou-se com o arrependimento assim como se acostumou com carregar um coração partido, ver seus sonhos desaparecerem, e tudo que fazia dele ele mesmo dissipar-se no ar.

Este cara fez uma promessa de não repetir os mesmos erros do passado; se comprometeu a novos desastres. E com o ano chegando ao fim, ele pode dizer que pelo menos esta promessa foi cumprida. Este cara está desesperado porém incoerentemente são, e está se afogando nas próprias lágrimas que jamais derramou, mas que guardou para si já que não aguentou mais deixar que o mundo se aproveitasse da sua dor apenas para ignorá-lo.

Este cara pede mais ajuda do que realmente ajuda os outros, reconsidera sua sanidade a cada instante em que comete enganos e vive correndo atrás para se desculpar com os outros por estar tão alienante, tão difícil, tão... Sozinho. Este cara agora conta com segundas chances e não entende como as pessoas que passou a considerar tanto ainda não desistiram dele, talvez ele não seja tão ruim assim.

Talvez ele não seja só um cara e sim algo mais, alguém diferente - a única exceção. Uma estrela cadente. Mas apesar de tudo, este cara percorreu um longo caminho de volta para si mesmo, e mesmo em dias cinzas ainda consegue ver todo o progresso que fez. Este cara está crescendo e aprendendo constantemente sobre o que realmente significam estas coisas que vive repetindo como felicidade, amor, e estar vivo.

Este cara está aprendendo a viver e a deixar viver mas ainda tem muito pela frente. Uma coisa é certa; talvez ninguém a olhe com os mesmos olhos que este cara. E mesmo que ele não tenha as palavras certas, ou as atitudes mais coerentes, ou os olhos mais bonitos, este cara está apaixonado por você. Do pouco que lhe restou, esta é uma das poucas certezas que ainda tem no coração.

Ao som de: This Guy’s in Love with You – Herp Alpert.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Existe amor em Cascavel?

Depois de quase dois anos morando em Cascavel e apesar de tudo que já vivi em minha jornada, ainda não encontrei o que estou procurando. Cascavel é uma cidade rica em vários aspectos – mulheres bonitas, apartamentos razoáveis e pontos de moto-taxi em quase cada esquina – mas deixa a desejar em fatores como simpatia, sorrisos e, acima de tudo, amor.

Claro, existem casais de mãos dadas por todos os lados mas basta olhar em seus olhos para perceber exatamente o quanto sua paixão é profunda. Parece que cada vez mais pessoas preferem casos de uma só noite do que compromissos de uma vida inteira, e optam pelo prazer imediato ao em vez da verdadeira felicidade. E conforme a luxúria tende a superar quaisquer esperanças de tornar sonhos em realidade, eu tive que questionar; existe amor em Cascavel?

Não há como negar que este é o mundo real onde o tempo envelhece o rosto das mulheres e esfria o coração dos homens, e materialismo e cinismo são tomados como valores para garantir nossa sobrevivência, mas estamos mesmo nos sentindo tão ameaçados e melancólicos para deixar de acreditar que existe alguém lá fora para nos apaixonarmos e que nos ame de volta?

O mundo não é mais um lugar romântico, mas nunca realmente abrimos mão do romantismo. Ainda existem aqueles dispostos a lutar pelos seus sonhos e a promessa do amanhã. Não deixe o mundo vencer.

Ao som de: She Believes in Me – Ronan Keating.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Eu queria que você tivesse me conhecido...

Houve uma época onde éramos muito felizes. Estávamos juntos e tudo era como deveria ser. Era perfeito; era amor. Nossa vida era como um sonho, mas todos os sonhos um dia chegam ao fim. O mundo agora é outro e as pessoas também. As coisas que faço, os lugares que frequento; tudo mudou, e eu também. Ainda respondo pelo mesmo nome, mas se perguntar quem sou e se lembrar de quem eu costumava ser, ouvirá uma resposta diferente. Eu queria que você tivesse me conhecido antes; acho que teria gostado muito de mim. Mas quanto a esse que vos fala, certamente é outra pessoa. É alguém que passou pelo inferno e voltou inteiro mas perdeu a si mesmo no caminho. É alguém que sofreu, chorou e morreu mil vezes e foi forçado a se reinventar para sobreviver. Mas apesar de tudo ainda tenho minha memória; as lembranças de quem eu fui, de como a vida era antes, e dos sonhos que já não voltam mais.

Ao som de: I Dreamed a Dream – Susan Boyle.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Não pergunte, não diga

Todos nós temos segredos e estratégias para mantê-los escondidos do mundo. Às vezes buscamos conforto na negação e fingimos que nossas ações nunca aconteceram, enquanto outros reinventam-se para não serem descobertos pelo que realmente são. Alguns criam mentiras para despistar os outros da verdade, e alguns são capazes de ir mais além para manter seus segredos a ponto de levarem vidas duplas, ou de passarem a vida toda na escuridão.

Por que mantemos segredos e por que lutamos tanto para protegê-los? Porque temos medo do que pode acontecer caso forem revelados, então deixamos nosso instinto de sobrevivência tomar conta e mentimos para nos proteger. Também existem os casos onde mentir é o mais humano a se fazer; às vezes contar a verdade de nada serve se apenas causará dor.

Mas uma das lições mais valiosas que a vida nos ensina é que contar a verdade nos liberta, nos traz de votla à luz e acaba com os fantasmas que nos perseguem quando passamos a vida fugindo de nós mesmos, e todas as consequências de se estar vivo.

Ao som de: Easier to Lie – Aqualung.

domingo, 7 de novembro de 2010

Quando a chuva passar...

Foi você quem me ensinou a não derramar lágrimas pelos outros, dizendo que ninguém as merecia. Você me ensinou a não me importar com o que os outros pensam de mim, uma vez que sequer pensam neles mesmos antes de julgar os outros. Me ensinou também a ser feliz com coisas pequenas como conversas à meia-noite e caminhadas sem rumo sob o luar. Mas algo que você sempre lutou para me ensinar foi como não estaria aqui para sempre, e eu me recusei a aprender. Me recusei a aceitar que esta felicidade um dia teria fim, mas teve. Você se foi, levou meu coração com você, enquanto eu fiquei para trás me sentindo quebrado e vazio.

E na sua ausência me senti forçado a colocar as coisas que você me ensinou em prática; comecei a lutar para ser feliz sem abrir mão de tudo o que acredito, a não me importar com o que os outros possam dizer sobre mim, e a não derramar lágrimas tão facilmente por pessoas que simplesmente não as merecem. Foi assim que lentamente deixei meu velho coração partido para trás, e o vazio logo tomou conta. Do amor não correspondido nasceu a indiferença, e a tristeza deu lugar ao sarcasmo, à ironia e ao descaso com os outros.

Guardei meu eu nas profundezas da minha dor onde ninguém nunca mais o conheceu e passei a sair de casa com uma armadura para me proteger até mesmo quando não estava sendo atacado, mas sempre se preparando para o pior, ou então, para o nada. Você roubou minha capacidade de acreditar, de ousar-me em fantasias que antes eram tão facilmente atraentes, e de me deixar levar em romances que significavam tudo para mim.

Você me matou; desculpe se não a convidei para o funeral. E além de julgar inocência até hoje, ainda gosta de visitar a cena do crime. Como você sente que estou quase conseguindo ser feliz sem você? E como você sabe a hora exata de aparecer e me impedir de te esquecer? Eu te amo, eu te odeio, eu sinto a sua falta, mas eu não posso mais te amar.

Em dias cinzas e menos felizes ainda me pego esperando por você; esperando que seja você quem está ligando ou que seja você quem está batendo na minha porta. E mesmo quando a chuva cessa lá fora, a tempestade permanece dentro de mim. Está frio lá fora mas dentro de mim está pior. Só que o céu sempre abre novamente, os pássaros voltam a cantar e o sol volta a brilhar mesmo sem você estar aqui. As noites sem dormir que passei pensando em você foram lentamente abrindo espaço para os sonhos que abri mão no dia depois da sua partida, enquanto estrelas cadentes tomaram os céus novamente. Felizmente estava com os olhos abertos o bastante para não deixá-las mais passar em vão, e a voltar ao caminho que me mostram para seguir.

De todas as coisas que você me ensinou a mais importante foi aprender a me amar mais, e apesar de todo o estrago e de todo o tempo que já se passou, você ainda mexe comigo como ninguém e me faz pensar que jamais serei feliz de novo como quando fui ao seu lado, mas eu me amo mais. A esperança de voltar a ser o que fui antes de você aparecer ainda está viva; eu mereço mais, e você também. Sinta-se satisfeita; aprendi a ser insensível apesar de todo o meu amor, e aprendi com a melhor.

Assim tive meu primeiro suspiro de volta à vida. Quem diria? Existe vida depois do amor.

Ao som de: Lead the Way – Marah Carrey.

Lembre-se

Crescer em parte envolve deixar nosso passado para trás para nos aventurarmos em novas experiências; novos lugares, novos amigos, e até novos amores. Assim, coisas como nosso primeiro lar, a rua onde morávamos, e as pessoas com quem costumavamos rir e chorar tornam-se memórias distantes que guardamos no coração e sempre relembramos com carinho.

E então o dia chega onde reencontramos um velho conhecido e temos dificuldade para lembrar seu nome. Logo nos reinventamos e a pessoa que éramos antes já não se encaixa em nosso presente, e os esquecimentos tornam-se mais constantes. Nossa memória não consegue carregar toda a nossa história, mas nosso coração sempre dá um pulo na presença de um lugar memorável, ou de alguém inesquecível.

E se pudessemos mandar uma mensagem para nós mesmos em anos atrás, e nos avisar sobre as mudanças que viriam? Não podemos, e ao amaduredermos percebemos que nossa história foi escrita do jeito que deveria ser, que cada um dos nossos erros foi importante para aprendermos, e que o bom do futuro é que vem um dia de cada vez.

E a melhor parte; ter uma memória falha nos permite divertir-se com as mesmas lembranças inúmeras vezes.

Ao som de: In My Life – Bette Midler.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

História de amor

Ele era um garoto e ela era uma garota; o que mais poderia dizer sobre eles? Ele não sabia definir exatamente o que sentia, mas quando ela entrava no recinto seu coração pulava de alegria e ansiedade, e sabia que isto só poderia significar uma coisa. A garota sequer sabia disto, muito menos que o garoto existia. Ou então, não se importava com ele.

Ele sabia que seus sentimentos cresciam a cada dia e que mesmo ouvindo de outras que ela não era a mais bonita ou a mais simpática, era ela quem chamava sua atenção mais do que tudo. Ela passava por ele com naturalidade, sem olhá-lo duas vezes. Para ela ele era apenas mais um; para ele ela era única. Um dia ele decidiu que não poderia viver com este amor trancado dentro de si, ela precisava saber... E, quem sabe?

Ele arrastou-se para fora da sua zona de conforto, lutou contra sua timidez e com todas as suas forças fez o que pode para demonstrar uma fração dos seus sentimentos para ela, iludindo-se com uma reciprocidade e sonhando com um final feliz. Ela o ignorou, ou não acreditou com o que se deparou. Ele se fechou mais ainda, porém ainda prestando atenção nos passos dela. Na sua risada, seu olhar, seu cabelo, seu corpo, e de como seria bom segurar sua mão, beijar seus lábios, ser feliz ao seu lado por estar ao seu lado. Ela lança olhares para ele às vezes, ele se contentou com apenas sonhar acordado em sua presença. Ela agora sabia que ele existia, e só. Ele a amava, mas guardou para si.

Todos nós queremos viver uma história de amor e todos queremos um final feliz, mas nunca sabemos ao certo por onde começar.

Ao som de: Who Knew – Pink.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Enquanto houver sol

Eu sinto muito a falta de uma sacada na minha casa; para mim não há nada como me sentar de frente ao por-do-sol no fim de mais um longo dia exaustivo com uma bebida em mãos e um bom amigo ao lado. E além da paisagem é um tanto quanto reconfortante também olhar para baixo e avistar pessoas tão pequenas à distância e tão apressadas com suas vidas, olhando no relógio e atravessando ruas sem nunca reparar que alguém de cima pode estar observando. Todos afobados e ansiosos para voltar para casa que sequer reparam em outros ao seu redor – a não ser quando tromam neles – e muito menos ao por-do-sol. Todos tão preocupados em garantir seu lugar ao sol que se esquecem de aproveitar os pequenos prazeres da vida; momentos raros como se inspirar com um horizonte repleto de promessas para o amanhã. O sol continua a nascer e a se por, e sempre me pego preso ao olhar enquanto mais um dia termina, lentamente me entregando à crença de que enquanto houver sol, você vai adorar o amanhã.

Ao som de: Don’t Let the Sun Go Down On Me – Elton John.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Razões para acreditar

Talvez não haja mais aquela mesma paixão de antes nestas palavras. Você me matou, simples e claro. E minha incapacidade de chorar pela perda é a maior prova do mal que você causou, mesmo que tenha vindo em forma de amor. Demorou um tempo para perceber, mas desde então sempre soube que algo estava errado. Algo em mim quebrou, e só o que pude fazer foi esperar que o tempo passasse e a ferida se fechasse, mas ainda estou esperando.

Já faz tanto tempo mas você ainda faz parte da minha vida e parece que não vai embora tão cedo, então continuarei morrendo dia após dia, sem derrubar sequer uma lágrima. Quando o sol se põe minha dor torna-se mais exposta, mas ninguém consegue realmente perceber o quanto este coração foi partido. Eu costumava ter tantas fantasias, tocar músicas na minha cabeça e sonhar acordado... Sonhos que não consigo mais ter.

Você levou minha capacidade de acreditar, e eu te odeio por isso. Tento esconder com sorrisos forçados que já perderam seu esmero, mas as pessoas já conseguem ver através deles. E então eu afasto as pessoas, uma vez que parecem tão passageiras a ponto de não sentir necessidade de me despedir; já não faz diferença. Ninguém atrai ou se prende a mim, vem e vão como os dias.

Percebo o quanto a negação tornou-se minha melhor amiga; o que aconteceu mesmo? Quem é você? E por que eu ainda te amo tanto se não era verdade? E como não pode sentir remorso por ter estraçalhado meu coração em mil pedaços, a ponto de não conseguir juntá-los e me conformar em estar desesperadamente quebrado, e desesperançosamente cético. Pela primeira vez, o amanhã pode esperar.

Talvez seja por isso que ainda esteja sozinho, esperando por um milagre. Antes que alguém apareça para mostrar que o amor que existe em mim ainda pode me trazer de volta à vida, preciso de razões para acreditar de novo.

Ao som de: Reason to Believe – Rod Stewart.