quinta-feira, 31 de março de 2011

Um amor para recordar, ou como salvar uma vida

Era pra ser só mais um post do tipo “como sobreviver a um sábado à noite em casa”, mas como tende a acontecer nesses casos, aconteceu: a vida. O plano era simples: uma pizza, uma garrafa de vinho e um filme. Metade muzzarela, metade calabresa sem cebola, vinho tinto suave, e “Um amor para recordar” – três elementos que marcaram tanto meu passado, e que decidi dar atenção ao menos pelo bem dos velhos tempos.

Depois da pizza e da garrafa (inteira) de vinho, fiquei à mercê do filme e as lembranças que me vieram à mente conforme a história já conhecida tomava seu rumo. Preciso confessar, para início de conversa, que apesar da minha natureza deprimente, sou um otimista e romântico incurável – alguns amigos me desaconselharam a perder uma noite com um filme repetido, temendo que eu pudesse cortar meus pulsos meio a tanto drama, mas fui cuidadoso ao explicar que tamanho drama não só me atrai, como me seduz e me conquista todas as vezes.

Mas eu decidi rever o filme porque, na verdade, mesmo sabendo que ela morre no final, de algum modo a obra me traz esperança – como várias das minhas fantasias que tenho diante dos meus olhos quando estou acordado no mundo real, e me faz pensar que ei, talvez estar aqui e passar por tanta coisa valha mesmo a pena. Tenho a fama de estar errado sobre as coisas, na maioria das vezes, e nesses casos quando me recolho com minhas fantasias, são os momentos em que mais espero que isto seja verdade.

Tomara que eu esteja errado quando meu pessimismo toma o melhor de mim e o que meus amigos sempre dizem realmente aconteça: eu vou encontrar alguém um dia, alguém que terá feito todas as minhas lágrimas valerem a pena. Mais tarde naquela noite eu fiquei pensando; talvez fosse o filme, talvez fosse o vinho, ou talvez fosse o meu coração que, mesmo depois de todos esses anos, continua sendo demais para dar conta. E talvez seja por isso que eu continuo sonhando com aquela pessoa especial; existe tanto amor no meu coração, que eu não consigo lidar sozinho.

E assim, todas as lágrimas que eu achei que tinham sido perdidas, reencontraram seu caminho de volta pelos meus olhos. Naquele momento, naquela noite, tudo em que eu acreditava e tudo que fazia de mim quem eu era, estava de volta – eu era eu mesmo novamente e estava apaixonado – por uma mulher, por um sonho, e pelo amor em si. Às vezes quando você tenta apenas sobreviver a um sábado à noite, você pode acabar salvando uma vida.

***

Trilha sonora de Março, 2011

Volume I

01. One – U2

02. Something Special – Colbie Caillat

03. Faithfully – Journey

04. Cruisin’ – Gwyneth Paltrow & Huey Lewis

05. Try a Little Tenderness – Otis Redding

06. Thank You – Dido

07. To Sir With Love – Glee

08. Landslide – Glee feat. Gwyneth Paltrow

09. Someone to Watch Over Me – Ella Fitzgerald

10. Te Amo – Rihanna

11. One Hundred Tears Away – Vonda Shepard

Volume II

01. Misery – Maroon 5

02. Candles – Hey Monday

03. Get It Right – Glee

04. Dream a Little Dream of Me – Glee

05. Animal – Neon Trees

06. Us – Regina Spektor

07. Born This Way – Lady Gaga

08. How to Save a Life – The Fray

09. Falling in Love – McFly

10. You Make My Dreams – Hall & Oates

11. I Move On – Chicago

Bonus Track: Dog Days Are Over – Florence + The Machine

segunda-feira, 28 de março de 2011

Vinte anos depois

O tempo é uma coisa engraçada. Às vezes um dia pode parecer uma eternidade, enquanto três anos se passam num piscar de olhos sem sequer percebermos. Sonhos mudam, tendências vem e vão, mas amizades, as verdadeiras, sempre se mantém mesmo quando a distância, os horários, e vida faça parecer que estamos longe um do outro. Mas fizemos uma promessa anos atrás; cidades e amores não importam – somos amigos, e nos conhecemos de coração.

Só que o mesmo tempo pelo qual sempre rezamos para que faça as coisas melhorarem, também se torna uma das coisas mais difíceis de se suportar, porque simplesmente nunca fomos bons para esperar pelo que queremos. Quando éramos jovens, livres e desinibidos, gostávamos de pensar que tinhanos todo o tempo do mundo em mãos, e quando paramos para relembrar todas as conversas, todas as festas, todas as músicas e todas as risadas, parece que tudo ocorreu em mais do que apenas um ano, e que nós tinhamos apenas dezesseis anos quando nos conhecemos.

Já tinhamos nos visto antes pelos corredores do colégio, mas nunca realmente paramos para conversar, ou sequer para imaginar que um dia, anos depois, ainda estariamos conversando. Nunca pensamos que aquele garoto poderia ajudar com alguns problemas – como o de um dia, na maior das improbabilidades, desenvolver um coração e permitir-se se apaixonar por alguém – ou que aquela garota poderia ser tão importante pra mim a ponto de me ajudar a crescer e a perceber que o segredo não é sair por aí achando que está apaixonado, porque amor mesmo demora, isto é, quando realmente acontece.

Mas sabe quando você sente? E então você descobre que sua vida sem algumas pessoas jamais seria a mesma coisa sem elas, porque senão com quem compartilhariamos nossos segredos, ansiedades, estranhezas, e até mesmo nossos gostos (desde os lixos midiáticos até os secretos). Não, nenhum de nós pensou nisso naquela época, mas foi só depois de nos conhecermos que aquela época começou a fazer sentido, assim como nós só começamos a crescer, a nos despreocupar e a deixar tudo de ruim para trás, conforme fomos nos apoiando ao longo dos anos, aula após aula, tempo após tempo.

Sempre dependemos do tempo para aprender que as coisas acontecem na hora certa em que devem acontecer, mas para aqueles momentos de crise e ansiedade entre um dia e outro, é para isso que ainda estamos aqui. Mais velhos, talvez até mais experientes, mas certos de que algumas coisas, mesmo depois de muito tempo, nunca mudam. Aliás, mudam sim, para melhor. O que era um simples e-mail de aniversário, agora não cabe mais em um e-mail. Você merece mais, e merece música no seu dia. Feliz aniversário do seu velho amigo; sempre grato, sempre feliz com aquela camisa que você escolheu, e sempre com saudades.

Ao som de: Dog Days Are Over – Florence + The Machine.

domingo, 27 de março de 2011

Cro-magnon III

Existem apenas dois tipos de pessoas no mundo: homens e mulheres. Dizem que todos os homens, por sua vez, são irmãos e precisam trabalhar juntos pelo bem da comunidade, pra servir e proteger seus entes queridos, e garantir a ordem e justiça do meio em que vivem. Isto é, até outro homem mexer com a sua mulher.

É um fato amplamente conhecido que para cada mulher bonita existe no mínimo dez homens trabalhando para chamar sua atenção - e ainda dizem que as pessoas não fazem mais nada por amor. Os homens fazem, pelo menos pelo amor ao corpo dela. Mas quando dois homens descobrem que estão disputando pelo amor de uma mesma mulher, todo o senso de irmandade e fraternidade desaparece; aquele cara é comepetição, e o resultado quase sempre é briga. Homens tem duelado uns com os outros para conquistar territórios, enfrentar exércitos e dominar novos limites desde o início dos tempos, mas apesar de todo o ouro e glória pela qual juram estar lutando, esses embates sempre verdadeiramente se baseiam em salvar uma princesa ou uma rainha que estava sendo cortejada por algum outro cavaleiro sem noção do perigo.

É assim que a maioria das guerras começam; homens matam e morrem pelas mulheres que amam desde os tempos medievais até a idade contemporânea, e não importa todo o progresso aparente da sociedade, quando sua namorada está recebendo atenção demais de outro cara, nossa natureza cro-magnon vem à tona e nossos instintos nos levam a tratar disto com as próprias mãos; é porrada na certa e que vença o mais cabeça-dura. Pode parecer que só os homens são tomados por seus instintos, mas muitas mulheres ainda gostam, mesmo que secretamente, de ver dois homens se matando por sua causa - na verdade, é o melhor elogio que poderiam receber.

Digam o que quiserem sobre a evolução das espécies, mas ainda somos primitivos demais para dar conta das nossas emoções em se tratando de amor, e sem nenhuma pressa de deixar nossos instintos para trás.

Ao som de: Animal – Neon Trees.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Sr. & Sra. Moresca

Quantas pessoas casadas você conhece? Não estou falando de casais "ajuntados"; estou falando de álbuns de casamento, bodas de aniversário, filhos, netos, alianças e uma vida inteira juntos repleta de histórias e glórias que só aconteceram depois que duas pessoas deram o passo mais importante em seu compromisso e disseram "aceito" um ao outro. Os votos são simples; aqueles que os assumem prometem ficarem juntos durante os bons e maus tempos, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, para honrar e valorizar, abrindo mão de todos os outros, até que a morte os separe. Mas não é o tipo de compromisso que a maiora das pessoas está disposta a assumir, nem por elas mesmas, nem por ninguém.

Quando eu tinha 14 anos, tive minha primeira grande paixão - daquelas que você jura que a garota foi feita para você, que estão na terra com o único propósito de se encontrarem e ficarem juntos, e que após se conhecerem fica impossível imaginar sua vida sem ela. Um amor que te faz crescer, amadurecer, aprender mais sobre a vida e a si mesmo, inclusive quando você descobre que tudo isso era só na sua cabeça e amor, amor mesmo, ainda está por vir. Nos conheciamos já há algum tempo mas foi a primeira vez que realmente conversamos, e em poucos instantes comecei a sonhar acordado - algo que até então eu mal sabia que se tornaria mais rotineiro do que eu podia imaginar - e tive uma visão de um grande salão de festas com várias mesas ao redor de uma pista de dança, mas estava vazio. E então nós tomamos a pista ao som de uma valsa; ela estava com um vestido branco e eu de terno e gravata, o que só podia significar uma coisa - e quando a valsa terminou e "How Deep is Your Love" dos Bee Gees começou a tocar, eu percebi que ali, no meio de uma conversa qualquer com uma garota que eu havia recém conhecido, eu estava imaginando nossa primeira dança como marido e mulher. Foi a experiência mais perturbadora e encantadora que eu já havia tido e nem estou me referindo à trilha sonora, mas tudo isso aconteceu há anos quando eu sequer sabia o que casamento realmente significava e, muito menos, amor. Não que meus conceitos tenham melhorado ao longo dos anos; a única certeza que podemos ter sobre amor é que não sabemos nada.

Hoje a realidade é diferente; são poucos aqueles que tomam o voto do casamento com seriedade e comprometimento de outrora, isto é, quando permitem discutir sobre isso. Talvez seja a sensação de liberdade que as pessoas sentem enquanto estão solteiras ou puro desinteresse em se comprometer a apenas uma pessoa para o resto da vida, sob a teoria de que a vida é curta e é preciso aproveitar enquanto podemos. Certo tempo atrás, eu sonhei de novo. Desta vez era uma grande igreja e estava cheia com meus amigos, familiares, e milhares de ex-amores platônicos que vieram apenas para ter certeza de que o impossível estava mesmo acontecendo: eu havia encontrado alguém capaz de suportar todos os meus dramas e irracionalidades, e ainda me amava por isto. Havia mais mulheres do que homens nos bancos da igreja, algumas estavam com os repectivos namorados e maridos mas a maiora continuava solteira e em busca daquele algo a mais, algo que não viram em mim nem em qualquer outro homem até então. Eu estava no altar e recebendo sinais dos meus amigos, perguntando quais das mulheres estavam disponíveis ou eram "fáceis" de chegar junto. Lembro de estar sempre sorrindo, mas só havia um detalhe que eu não consegui enxergar no sonho: o rosto da noiva. Ela estava em pé na minha frente, enquanto o padre lia mil e um sermões sobre como casamento era coisa séria e como nós ali éramos jovens abençoados e corajosos por darmos este passo adiante. Lá estava eu, perante Deus, meus amigos e amigas, familiares e fotógrafos, mas com o rosto da minha noiva escondido por um véu que eu não pude levantar, porque acordei antes de conseguir alcançá-la.

Me perguntam como eu consigo ter uma noção tão romântica e ilusória sobre o amor; bom, eu comecei cedo. Eu sonhei com amor quando tinha 14 anos, e nunca deixei de acreditar desde então. Mas o que me assusta hoje é a idéia da instituição do casamento cair em desuso antes que eu encontre alguém. Entre uma vida boêmia repleta de aventuras e surpresas, ou uma rotina em casa com você e nossos filhos, eu escolheria você – sempre. Os votos são realmente bastante simples, mas encontrar alguém digna de tais votos é a parte mais difícil. Mas se encontrarmos tal pessoa, é aí que começamos a viver felizes para sempre.

Ao som de: Marry You - Bruno Mars.

quinta-feira, 24 de março de 2011

(300) posts sem ela

Eu sempre achei que minha vida se desenrolaria como uma daquelas velhas histórias de "garoto conhece uma garota, garoto se apaixona, garota hesita um pouco mas não resiste aos encantos do garoto, garoto e garota passam a vida juntos", como aqueles contos de fadas que ouvimos inúmeras vezes quando somos crianças e depois passamos a maior parte da nossa maturidade tentando correr atrás, acreditando que pode dar certo. Mas eu cansei de falar de mim, e cansei de falar de você. Mentira. Eu só cansei de falar sozinho mesmo. O meu maior problema não é ansiedade, mas admito que parte da minha inconsistência, incoerência e indignação partem dela. Meu maior problema é acreditar que não serei feliz enquanto não encontrar a mulher da minha vida, mas de algum modo não consigo me sentir totalmente ruim com isto.

Tudo bem, eu ri bastante, chorei bastante, me desesperei mais do que podia, me senti sozinho a ponto de deixar minha sanidade quase escapar de mim, tive sonhos impossíveis, desafiei a gravidade, senti saudades no meio da madrugada e liguei para pessoas dizendo que precisava delas ali agora, deixei a música me levar, e quase me permiti aceitar o fato de que amor não existe - se não fosse por aquela única exceção. Mas ao olhar em retrospectiva, eu percebo agora como você, ou você, ou você, e muito menos você, certamente não foram feitas para mim tampouco como eu não fui feito para vocês. Eu não soube amá-las, e você mereciam mais - e, pensando bem, acho que eu também. Eu estava certo sobre o amor, só não quanto à mulher certa,

Pode parecer besteira contentar-me com nada, mas não é melhor estar só do que mal acompanhado? E quem disse que eu estou só? Mesmo nos meus momentos mais solitários sempre havia alguém ao meu lado, e quando todas vocês partiram eu sempre pude contar com a minha fantasia para me consolar e me fazer perceber o quanto esse amor que vive em mim jamais terminará - mas para isso, eu preciso continuar acreditando. Eu amo o seu sorriso, o jeito que você arruma o cabelo, o som da sua risada, essas marquinhas de nascença na sua pele, o aroma do seu perfume, e a música que toca na minha cabeça quando penso em você. E eu nem te conheço, ou então conheço mas ainda não fomos apresentados. Olá, meu nome é Igor e eu te amo. Leve o tempo que precisar para me responder. Por mais cansado que esteja eu ainda sempre pareço ter o que te dizer, na esperança de um dia desses você me ouvir e aparecer na minha vida - quer dizer, para dar inicio à minha vida.

Enfim, aqui estou eu; dois anos, mil músicas e trezentas postagens depois, sem você. Mas se tem uma coisa que aprendi durante este tempo é que não importa o quanto eu chorei ou sonhei ou me emocionei antes, eu não te conheci ainda mas ainda espero por você. Porque quando eu e você finalmente nos tornarmos nós, tudo terá valido a pena. Não importa o que aconteça, eu não esquecerei e nem me arrependerei do que eu fiz por amor.

Ao som de: Us - Regina Spektor.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Vá sonhando

Tem algumas coisas na vida que não são meras fantasias, mas feitos inevitáveis e apenas há algumas lágrimas de distância de nós. Mas aqueles devaneios mais alucinantes e sedutores que dão expressão para nossos medos, vontades e ansiedades, aqueles sim nós chamamos de sonhos. Existem várias teorias que tentam explicar o que sonhamos e porque sonhamos, mas nada vai muito além do conceito de que são o preenchimento do nosso vazio interior. Quando você está se remexendo na cama durante a noite e não consegue dormir, o que está faltando? Alguns sonhos nós descobrimos quando pequenos e passamos a vida tentando torná-los realidades, enquanto outros nem sabemos que possuiamos até algo acontecer para incentivá-lo. E então existem aqueles sonhos mais loucos como sentir que estamos caindo, ou então que nossos dentes cairam, ou quem sabe encontrar o amor da vida no dia seguinte.

Às vezes o que mais aspiramos e passamos tardes sonhando acordados são rotulados como feitos impossíveis por aqueles mais céticos, mas cuja descrença provavelmente vem da frustração de ter deixado sua vida se tornar totalmente diferente do que esperava que fosse. A verdade é que não existem sonhos pequenos ou grandes, apenas pessoas pequenas com muito medo e grandes pessoas com poucos limites. O que faz do impossível tão impossível? Não seriamos nada sem nossos sonhos; são fragmentos essenciais em nossas vidas que nos mantém adiante movidos à esperança e perseverança, somente para um dia vê-los serem realizados diante dos nossos olhos. E se cairmos em descrença, bom, o que será de nós? Seremos felizes ao deixar nossas vidas tomarem rumos aleatórios com destino a lugar algum e sem saber ao menos quando teremos chego? Provavelmente não. Precisamos de um destino para nossa jornada mesmo quando não sabemos o caminho certo ou quanto tempo levará, não só porque a caminhada em si já faz valer a pena mas porque olhar pela janela para as paisagens que passam por nós e imaginar como será quando chegarmos às vezes pode ser mais promissor do que parece.

Claro, nem todos os nosso sonhos se tornarão realidade; alguns simplesmente foram feitos para ocuparem um vazio ou para tornarem o descanso em nossas noites mais prazeroso. Mas nada disso deve nos impedir de deixar de acreditar em seja lá com o que imaginamos para o futuro - uma casa, uma carreira, uma família, uma oportunidade, um amor. Porque ter um sonho se tornar realidade faz toda a fé da espera e a crença no impossível valer a pena. É aí que descobrimos que somos capazes de muito mais do que imaginamos, e que mesmo quando nossos desejos se realizam, sempre haverá mais um por vir. Vá sonhando e acredite.

Ao som de: You Make My Dreams – Hall & Oates.

terça-feira, 22 de março de 2011

Coração e alma

Alguns amigos dizem que eu falo demais, penso demais nas coisas, e sinto demais a ponto de nunca fazer nada e me contentar apenas com sonhos, fantasias e esperanças silenciosas para o amanhã. Mas ultimamente, apesar de ainda sentir demais, o que sinto agora continua sendo a incerteza sobre aquela velha pergunta; as coisas estão melhorando? Eu ainda não sei dizer que rumo estou tomando ou aonde isto irá parar, mas algumas coisas que eu costumava carregar comigo, bom, estou sentindo falta delas enquanto continuo seguindo adiante, como tudo aquilo sobre o amor e o amanhã.

Dizia que quando um homem abre mão de seus sonhos ele começa a morrer, lentamente e aos poucos a medida que vai apenas se deixando levar pelo tempo, logo os dias parecem ser todos iguais e nada mais o surpreende - afinal, desistiu de ser surpreendido por alguma coisa do mundo lá fora. Dizia que mal podia esperar para te encontrar, te conhecer finalmente, e passar o resto das minhas noites ao seu lado, e começar os dias com o seu sorriso e o seu beijo. Dizia que jamais iria deixar de acreditar, porque por mais que tentasse, era algo mais forte do que minha mera vontade de sucumbir à fraqueza quando o mundo real desaba uma avalanche sobre mim, e me faz pensar que talvez a vida seria melhor, ou no mínimo mais fácil, se eu apenas me conformasse com menos e me esforçasse mais para me encaixar ao que parece mais conveniente, em vez de tentar alcançar o impossível. Bom, ninguém me disse que era impossível, por isso eu tentei.

Mas e quando o seu melhor não é bom o bastante? Eu tenho a vontade de chorar, a agonia e o êxtase na alma, e a sensação no coração de que algo está faltando, mas não tenho as lágrimas. Imagino que seria mais feliz se não falasse tanto, pensasse tanto, sentisse tanto essas coisas do mundo no coração e na alma. Mas aceitar que esse amor que dizem ser impossível não passa de uma ilusão, e que tudo realmente se resume à sexo, contas de banco conjuntas, e gostar dos mesmos filmes, não me convence. Estou louco? Quando duas pessoas se envolvem e permitem conhecer a intimidade um do outro, com total vulnerabilidade e confiança, não deveriam estar apaixonadas? Não, não acho que esteje louco, mas acho que terei que guardar segredo sobre isto.

Sou o que sou e, como o próprio tempo já provou, nada vai me fazer deixar de acreditar. A verdade é que não estou ficando mais jovem e esta jornada um dia vai terminar; tudo o que posso esperar é que não esteja sozinho no fim. Só que ao olhar para trás, e lembrar de todas as coisas que já disse, as fantasias que pensei, e os amores que senti, eu percebo que nem nunca estive, nem nunca realmente estarei sozinho. Então existem coisas que eu ainda não conheço, coisas que não sei fazer ou que ainda não tentei, mas quando minha jornada chegar ao fim haverá duas coisas pelas quais espero ser lembrado; apesar de tudo, ele tinha um coração como nenhum outro, e não era nada senão uma alma inquieta, inconstante, e desgraçadamente esperançosa pelo que o amanhã iria lhe trazer. Sabia que sua felicidade estava há cem lágrimas de distância e seguiu em frente em busca do amor, com coração e alma.

Ao som de: One Hundred Tears Away – Vonda Shepard.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Como reparar um coração partido (parte 2)

Meu coração está partido. E não é por causa de nenhuma mulher em específico; é apenas uma gigante fratura causada por estresse. Toda vez que ouço uma música romântica no rádio ou assisto a um filme, eu me pego no meio de uma fantasia de uma mulher que eu nunca conheci mas que sempre achei que estaria por aí. Eu suponho que durante todo este tempo eu poderia ter escrito meros textos com palavras vazias, mas de certo modo escrever para alguém fazia com que eu me sentisse menos sozinho. E quando alguém, real ou imaginária, está na sua vida há tanto tempo, não é fácil dizer adeus. Só de pensar que criar meu próprio mundo como válvula de escape do mundo real até ontem costumava fazer sentido, e que essa coisa de amor verdadeiro é real, me assusta. Meus olhos perderam o otimismo que costumavam ter até quando estavam cheios de lágrimas - como se toda a esperança tivesse vazado. Ela não está por aí, e acho que estou começando a lidar com isso.

Então eu preciso me colocar lá fora; namorar, viver e encontrar de uma vez por todas a mulher que estou procurando. Dizem que sair por aí é a resposta, beber e festar com estranhos, ficar com garotas sem sequer saber seus nomes, e me deixar tomar pela despreocupação e prazer instantâneo. Mas no fim do dia, eu tenho certeza de que não sou o único que gostaria de ter alguém para amar. Ainda existem mulheres que chegam perto da ilusão que criei para mim mesmo, mas infelizmente estão todas em casa com seus respectivos namorados. Quanto a mim, assim como a várias pessoas que tentam me aconselhar quando me perco nessas crises de fé, eu não me sinto inteiro quando estou sozinho.

Vivo uma vida meio vazia, com um espaço reservado para uma mulher especial que sem dúvida será mais do que qualquer outra que eu já tenha conhecido. E se de vez em quando eu me sentir enfraquecido, vou me esconder no meu quarto - meu mundo - até que tudo faça sentido novamente. No mínimo, não estarei sozinho - estarei junto a ela em meus sonhos. As pessoas me veem como alguém mentalmente distraído, ou como um paciente fugitivo de um hospício à procura de simpatia e compaixão. Não, tudo que eu quero e sempre quis foi só alguém para amar. Alguém que me amasse de volta, e que aquietasse toda essa ansiedade e agonia que residem em mim, que me mantém acordado por noites e noites, apenas esperando para que um dia desses eu seja tudo aos olhos desta mulher, do mesmo modo que ela já significa tudo para mim.

Não nos encontramos ainda, mas eu a conheço de coração.

Ao som de: I Know Her By Heart – Vonda Shepard.

domingo, 20 de março de 2011

Como reparar um coração partido (parte 1)

Homens mentem para atrair mulheres para debaixo dos seus cobertores, enquanto mulheres mentem para atrair homens para o casamento; estes são os simples fatos da vida. Não, eu não acredito nisso. Aliás, eu não acho normal duas pessoas se casarem, ou até se envolverem, sem que seus corações não estejam envolvidos um com o outro. É preciso ter paixão. Dizem também que tanto homens quanto mulheres ao atingirem uma certa idade, quando ainda não encontraram aquela pessoa especial pela qual tanto procuram, parte do idealismo é descartado e decidem se comprometer por alguém que apesar dos apesares, não é sua alma-gêmea.

O conceito de alma-gêmea é um mito extremamente perigoso; mais da metade dos casamentos terminam em divórcio, logo em se tratando de instituições, esta não é boa. E a maior razão de fracasso está na noção que as pessoas carregam consigo quando trocam seus votos, justificando-os como "a coisa certa a fazer" de acordo com seus corações. Os votos, por sua vez, não passam de jargões arcáicos estabelecidos sobre o maior de todos os clichês - amor - enquanto outros como honrar, obedecer, e aceitar um ao outro pelo que são, não passam de promessas feitas em vão quando a novidade termina e a realidade rotineira e esmagadora passa a tomar conta. A instituição do casamento é a maior de todas as fraudes; as pessoas se unem sob a ilusão de que foram feitos um para o outro. A sociedade nos leva a acreditar que ao chegarmos na casa dos 20, encontraremos aquela pessoa que será a resposta de todos os nosso sonhos. Ninguém é tudo, e os homens e mulheres dos nossos sonhos existem apenas em nossos sonhos.

Eu passei a vida toda com base em uma fantasia; amando uma mulher que nunca está lá. Eu imagino como ela seria, o que ela pensa, o aroma do seu perfume, o toque da sua pele. Tenho uma leve noção de como eu faço ela se sentir, e uma idéia um pouco mais clara de como ela faz com que eu me sinta. Eu não a conheço, e talvez nunca a conheça. Já até me disseram que ela não está lá fora. Eu nunca me comprometeria por menos, e por muito tempo esta tem sido a minha maior ilusão. Pensava que meu maior medo seria estar sozinho mas a verdade é que talvez eu esteje melhor assim. Por mais triste que pareça não ter algo que você deseja, é ainda pior ter algo que você não quer. Se um dia eu começar a namorar e me casar, ela provavelmente também acabará sendo algo que eu não quero. Porque o que eu quero não existe.

O amor talvez seja mesmo uma fantasia, e inconscientemente durante este tempo todo, eu sabia que o único mundo que não me desapontaria seria aquele que eu criei para mim mesmo. Achava que era mentira, que pensava e falava sobre essas coisas porque era apenas louco, e que no fundo eu gosto do mundo real. Mas, quem sabe, agora eu esteja pronto para viver nele com o resto de vocês.

Ao som de: How Can You Mend a Broken Heart – Al Green.

sábado, 19 de março de 2011

Ensaio sobre a carência

Dizem que do sofrimento, da agonia e do desespero, vem a arte em sua forma mais sublime. Mas às vezes eu não faço questão da arte, e sim só um pouco de afeto. Todos nós em algum ponto do dia precisamos de uma palavra de compaixão, ou um ombro amigo para nos apoiar, ou apenas alguém que impeça nossas lágrimas de cairem - ou então, que chorem conosco. Porque até mesmo o ser mais orgulhoso, quando está sem ninguém por perto, se sente sozinho e gostaria que alguém estivesse ao seu lado para reconfortá-lo.

Nos dias em que o mundo real pega pesado, chega a ser indescritível a falta que sentimos de alguém para nos dizer "boa noite" quando deitamos a cabeça no travesseiro. Assim como não podemos ter certeza do efeito que nossas ações terão sobre os outros, uma palavra pode mudar o nosso dia e nos causar sorrisos ou nos submeter a lágrimas. E em dias menos felizes, quando a esperança parece estar perdida e não conseguimos encontrar nosso caminho de volta para casa, devemos ser fortes não para admitir derrota, mas para reconhecermos que precisamos de ajuda e que nenhum de nós é auto-suficiente o bastante para viver sozinho.

Precisamos uns dos outros para compartilhar risadas, ou conversar sobre nada, ou apenas trocar olhares diante dessas situações únicas da vida onde somente eu e você sabemos o significado que possui. E são nesses momentos que eu mais sinto falta de alguém que ainda não conheci, mas que apesar das cicatrizes na alma e nós no coração, ainda acredito que está por aí - tão perdida no mundo quanto eu, e vivendo através do otimismo que sempre nos mantém seguindo adiante, até finalmente nos encontrarmos e descobrirmos o sentido de todas as coisas que temos feito ao longo dos anos e que não parecem se encaixar.

É carência, é a saudade que sentimos de pessoas e lugares que marcaram nossa história, assim como aqueles que nem chegamos a conhecer mas nosso desejo de sentir a terra firme sob nossos pés é tão forte que faz o sentimento ser tão real a ponto de nos deixar engasgados e com o coração apertado. Agora eu percebo que não só queria que você estivesse aqui comigo; eu preciso de você agora. Estou tentando sobreviver sem você, mas não estou gostando. Mas não importa quanto tempo demore estarei sempre guardando seu lugar ao meu lado, e sempre te desejando uma boa noite mesmo que ainda não esteja aqui para ouvir.

Ao som de: Candles - Hey Monday.

quinta-feira, 17 de março de 2011

A.A.: Apaixonados anônimos

Olá... Meu nome é Igor, e eu me apaixono muito rápido. Tudo começou quando eu tinha 14 anos e uma garota que até então eu só havia visto de longe conversou comigo por uns dez minutos - foi o bastante para que eu sonhasse acordado com a música que tocaria durante nossa primeira dança, na nossa recepção de casamento. Ao longo dos anos senti que o problema - que eu sequer julgava ser um problema - agravou-se; de repente estava tendo fantasias tão surreais que me causavam dores no estômado, crises irracionais de ciumes, e o pior de tudo, lágrimas inexplicáveis por amores inexistentes.

Mas mantive minha compostura, assim como meu orgulho, e sempre arranjava desculpas desfarçadas de argumentos semi-convincentes para justificar meu comportamento - o que na verdade também não passava de mais uma paranóia em ação, de uma alma perturbada numa busca desesperada e alucinada por alguém para amar, mesmo sem nunca desconfiar do fato que estava claro para todos menos para mim; eu era jovem demais para saber amar alguém, especialmente a mim mesmo.

Anos depois, cheguei ao fundo do poço quando meus olhos inchados de lágrimas derramadas sem sentido, noites mal-dormidas sem motivo, e sonhos destruídos sem noção me levaram a tentar procurar por amor no mundo real, somente para ser derrubado de novo e de novo e de novo, até não aguentar mais e tentar levantar bandeira branca, desistir de tudo isso e me encolher em minha irracionalidade sutilmente, encoberta de ilusões e todas aquelas paixões que poderiam ter sido muito, muito mais, mas não foram.

Eu nunca tive vergonha de querer alguém para amar porque eu a tive uma vez, e foi tudo para mim. Mas pensando bem, talvez eu não tive realmente. Não me condene por querer amar alguém, não é como se minha vida fosse vazia sem uma mulher. É só... meio vazia. Mas estou disposto a mudar, a procurar ajuda e me refazer, se é o que tanto me dizem que precisa ser feito. Amor verdadeiro... Ah, como seria bom, mas não é para todos, especialmente neste mundo.

De todas as drogas, nenhuma é tão potente, destrutiva e sedutora como o amor. Logo, para se recuperar, porque não utilizar os mesmos passos de reabilitação de qualquer outro dependente químico, já que meu problema não passa de apenas química não correspondida por outra pessoa. Doze passos para sobreviver ao amor não correspondido. Estou a caminho da recuperação; se conseguir manter uma planta viva, então adotarei um animal. E se os dois sobreviverem quem sabe, daqui alguns anos, eu não me atrevo a me juntar à sociedade de novo.

Me dê a serenidade para aceitar os amores que não posso modificar, coragem para abrir mão daqueles que posso, e a sabedoria para distinguir quem está dando mole, e quem está apenas sendo legal. Amém.

Ao som de: Lovestruck - Duffy.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Vida de solteiro

Em um relacionamento, até mesmo quando os papéis se invertem, sempre há aquele perdido em relação a compromissos e comprometimentos, e aquele que estabelece a ordem para o bom andamento da vida a dois. Mas quando se é solteiro, a única coisa da qual temos certeza é a sensação constante de desorientação. Na falta de um compromisso com alguém, não há exatamente um guia para solteiros que explique como se comportar em situações como sair para jantar sem que as pessoas pensem que você está abandonado, ou ser forçado a admitir que não, não estou acompanhado, em reuniões de amigos ou família quando questionam se está saindo com alguém.

Existem mais de 111.000.000,00 solteiros, isto só na contagem do Badoo.com, enquanto outros milhares permanecem anônimos, porém esperançosos. Dizem que você só se descobre mesmo quando está em um relacionamento, mas uma vida de solteiro pode ser ainda mais desafiadora do que simplesmente aprender a conviver com alguém. Porque se não soubermos ao certo como viver por nós mesmos no nosso mundo, como poderemos tentar nos aventurar no mundo de outra pessoa? E mais, como poderemos então criar um mundo novo, onde só existem eu e você, sendo que meu eu ainda está em construção?

Às vezes eu sinto como se o status do Orkut estivesse me zoando silenciosamente toda vez que eu o encaro; lá está, escancarado para o mundo, "solteiro", e sem previsões de mudança até então. A verdade é que eu não acho que nasci para ser solteiro, para transformar uma casa em um lar e, tampouco, viver sozinho. Sinto uma necessidade de compartilhar tudo que fica espalhado em mim com outra pessoa, na esperança de conseguir dar forma e deixar toda essa agonia e êxtase que mora em mim para trás - para conviver apenas com as emoções de ter a mão de alguém para segurar durante os bons e maus momentos. Mas talvez, antes de querer aprender a amar alguém, eu precise mesmo aprender a ser solteiro. As pessoas não encontram muito sentido quando se deparam com um garoto de 19 anos que mora sozinho, trabalha, estuda, tem total liberdade e tempo de sobra, e passar as noites sozinho enquanto poderia estar se divertindo por aí - ou então, até mesmo em casa, ao lado (ou em cima) de outra pessoa.

Estar solteiro costumava significar que ninguém te queria; agora significa que você está apenas levando seu tempo para decidir como quer que sua vida seja, e com quem você quer compartilhá-la. E se divertir enquanto não se decide, bom, faz parte dessa nossa vida. Mesmo que não haja uma maneira de aprender como ser solteiro, existe algo que você nunca pode deixar para trás quando sair de casa em um sábado à noite: seus amigos.

Ao som de: Like a G6 - Far East Movement feat. The Cataracs, DEV.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Sexy

Sexo. É igual a um abraço, só que mais molhado. Quando se é um adolescente, nosso mundo gira ao redor de três coisas: como conseguir sexo, como conseguir sexo de novo, e como cuidar para que nunca fiquemos na seca. E você consegue enxergar claramente aqueles que andam ganhando, e aqueles que estão com as mãos abanando; está na cara. Mas apesar de nossos hormônios nos enlouquecerem a ponto de não termos nenhum pensamento sem duplo sentido, o que nós realmente sabemos sobre sexo? Não só o ato em si, mas as consequências, os métodos de prevenção, e as moralidades envolvidas. Sexo é o momento onde nos expomos para outra pessoa no auge da nossa vulnerabilidade, portanto quando nos envolvemos com alguém debaixo nas cobertas como podemos ter certeza de que estamos seguros?

O conceito é simples; começa com um toque, depois um beijo, algumas carícias, mãos entrelaçam-se, a nudez toma conta, e em questão de suspiros dois corpos tornam-se apenas um, culminando na mais prazerosa emoção humana - ainda maior do que o êxtase de cheiro de carro novo, a alegria de encontrar dinheiro esquecido no bolso, ou a sorte de não pegar fila no banco - o orgasmo. Mas algumas pessoas perderam o toque ao tratar o sexo não como o mais alto grau de intimidade e paixão entre duas pessoas, e o vêem apenas como um esporte designado para 3 até 4 jogadores onde vale tudo desde besteiras sussurradas aos ouvidos até as posições do kama-sutra que foram editadas e banidas da tradução.

Existem outros três momentos marcantes na vida de um adolescente; a primeira vez em que você faz sexo, a primeira vez em que você faz sexo bom, e a primeira vez em que você apenas passa a noite com aquela pessoa especial. Algumas pessoas não pensam mais em sexo como o momento de maior expressão da subjetividade e afetividade humana, de sublime arte e atração entre duas pessoas que juntas buscam o prazer, e está na hora de colocar o sexy de volta no sexo.

Comece por lembrando-se do seu valor, do quanto você é especial e de como seu corpo, suas emoções e sua alma não podem ser jogados aos braços de outra pessoa sem ao menos saber seu nome, ou então sem pelo menos estarem em um lugar coberto. E então lembre-se que isto não se trata apenas de você; existe outra pessoa com os cotovelos apoiados nos seus joelhos, que também precisa ser levada em conta. É aí que a arte entra em cena; luz de velas, música romântica, um jantar reservado, uma dança suave, uma troca de olhares sugestivos, alguns movimentos provocantes, até toda a eroticidade dos dois os levar a entrar em erupção - onde aqueles dois corpos não podem mais ficar separados e precisam se unir, se sentir nas mãos um do outro, até o suor escorrer por seus rostos e não deixar nada a não ser sorrisos e despreocupações de que ali, naquele momento, só existem vocês dois e nada mais.

Às vezes não há nada mais sexy do que a procura, a espera por aquele alguém capaz de nos arrancar suspiros com um olhar, ou o menor toque da sua mão que já nos deixa suando frio de desejo. Qualquer um com a saúde em dia e os membros certos nos lugares certos pode fazer sexo, mas é preciso coração e alma para fazer amor.

Ao som de: Te Amo - Rihanna.

sábado, 12 de março de 2011

Eu te amo

Existem algumas coisas que eu gostaria de te dizer, mas não direi. Se tem algo que aprendi ao longo dos anos é que uma vez que estas palavras são ditas, não há como voltar atrás. Mesmo assim ainda sinto que preciso confessar tudo isto que tem sido guardado, escondido e negado já por algum tempo. Queria te dizer que sou extremamente agradecido por tudo que fez por mim, talvez tenham sido atos tão pequenos mas que fizeram com que eu sorrisse de novo. E cá entre nós, eu não esperava sorrir deste jeito de novo.

Gostaria de dizer o quanto jamais esperei que alguém como você pudesse se igualar a alguém como eu, muito menos que um dia sentissemos as mesmas angústias e que procurassemos um ao outro para nos apoiar, para secar nossas lágrimas ou ao menos derramá-las com alguém que entende porque estamos chorando. Gostaria de dizer que essa sua beleza sempre me fascinou, mas que jamais me pareceu o tipo de beleza que eu seria capaz contemplar de perto. Gostaria de agradecer seus apelos, seus elogios, e até suas críticas a mim quando eu estava assim, fazendo pouco caso de mim mesmo, quando na verdade eu era muito mais. Gostaria de agradecer pelo seu tempo, que passou a ser o nosso tempo, essencial e único para cada um de nós mas que nunca parecia ser o bastante. Você sempre precisava ir, e quem era eu para te segurar? Do mesmo jeito que você veio eu sabia que partiria, e de certo modo estive me preparando para isto desde o começo - até quando não acreditava, no começo, que isto estava acontecendo.

Da noite pro dia você se tornou alguém que eu jamais esperava encontrar; ontem você era só mais uma, e agora se tornou incomparável, irresistível, inesquecível. Mas eu nunca pude me enganar, e me permitir pensar que poderia se tornar nada além do que realmente era. E o que era? Apenas conversas à meia-noite, entre duas almas perdidas que sempre se encontravam para tentar buscar consolo, buscar socorro desse mundo incoerente que insiste em acabar conosco dia após dia. Mas pessoas como você, pessoas como eu, jamais se deixam levar por dias ruins. Não me leve a mal, vamos chorar muito se precisarmos, mas acordamos pela manhã com as lágrimas secas e prontos para o novo dia nos trará. Não direi nada disto, talvez exceto pelo mais importante; algo pelo qual sempre lembrarei de você. Gostaria de agradecer mesmo por me fazer sorrir de novo. De tudo acho que é isto o que ficará; depois de um longo dia, ainda precisamos manter o entusiasmo. Senão, onde estaria a graça em viver?

Sim, existem várias coisas que eu queria te dizer, mas entendo que talvez seriam inúteis se expressas em voz alta. Talvez machuque menos se eu as guardar comigo, bem no fundo do meu coração, como fiz com todos esses sentimentos que criei e que agora preciso aprender a dar conta. Acima de tudo, algo que jamais direi é aquilo que sem dúvida será minha ruína, aquilo pelo qual sempre me disponho a morrer por dentro, mas que consegue ser mais forte do que eu e encontra um caminho de chegar aos seus ouvidos. Não desta vez. Não importa o que aconteça, não direi que te amo.

Ao som de: Landslide – Glee feat. Gwyneth Paltrow.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Eu ♥ Cascavel

Alguns anos atrás, durante os meus anos de adolescente irreverente, incoerente e irracional - não que tenha tido algum progresso desde então - eu costumava passar os meus dias questionando coisas como, quantos amores alguém pode ter na vida? E os grandes amores; do que são feitos, o que os diferenciam de meras paixões ou atrações passageiras? Típico de adolescente, eu acho, sofrer por antecipação. Especialmente, em se tratando de garotas.

Mas na ausência de um amor real, eu desenvolvi um laço mais especial do que qualquer outro até então, e certamente um que provou ser mais duradouro do que as garotas que vieram, partiram meu coração, e se foram. Eu me apaixonei por uma cidade; Londrina. Minha cidade, onde minha história se desenrolou até a formação da minha consciência - e inconsciência também, diga-se de passagem. Mas dizem que temos dois grandes amores na vida; aquele que conhecemos enquanto ainda somos jovens e não sabemos ao certo como amá-la, e aquele que aparece quando estamos um pouco mais maduros, um pouco mais experientes, mas ainda tão perdidos quanto antes. Se o que dizem estiver certo, e enquanto as mulheres continuam a integrar-se e a abandonarem meu coração, Cascavel talvez seja mesmo o meu novo amor, aquele que fica. Na ausência de um relacionamento de verdade, as pessoas tendem a se apoiar em ilusões. Não me entenda errado; eu sonho, imagino, fantasio e até alucino, mas nunca deliro.

Claro, Cascavel e eu não temos o relacionamento perfeito; às vezes é um tanto abusivo, desrespeitoso, grosso e insensível. Mas sem dúvida tem sido o amor que esteve comigo nos meus melhores e piores momentos, desde quando deixei meu primeiro grande amor para trás, e não é o tipo de coisa que se pode ignorar. Aliás, tenho aprendido a me deixar levar de tal maneira que me vejo deslumbrado a cada dia com algo novo que a cidade me traz; seja as paisagens, as pessoas, ou o mundo de possibilidades que tem sido aberto para mim conforme me adapto aos meus novos arredores. Temos nossas divergências de vez em quando, mas faz parte. Que relacionamento não possiu seus altos e baixos, não é? Ainda mais, os peculiares e especiais como este. Enquanto não encontrar a mulher da minha vida, vou me comprometer à cidade que até então tem suportado meus dramas, que tem apoiado meus sonhos e aplaudido minhas canções, e que vem secando minhas lágrimas quando é preciso.

É, estou namorando Cascavel há dois anos e está ficando cada vez mais sério. Acho que estou me apaixonando.

Ao som de: Try a Little Tenderness - Otis Redding.

***

Eu só não mudo meu status do Orkut também, porque as pessoas já pensam que sou estranho o bastante.

Mulheres bonitas II

Das duas, uma: ou esse cara não gosta de mulher, ou gosta tanto que não consegue escolher uma só. Sempre levei minha vida rodeado por mulheres, e particularmente falando talvez não haja uma maneira melhor; no mínimo estou sempre bem acompanhado. E então você pergunta, como posso estar tão acompanhado e saber tanto sobre o mundo delas, e ainda assim estar sozinho? Porque apesar de amar cada uma delas, ainda não conheci aquela, a mulher da minha vida. E enquanto não encontro a mulher certa, por que não me divertir com as erradas? Claro, cada homem carrega consigo um significado diferente de diversão. Alguns contam suas conquistas através do número de mulheres cujas calças eles conseguem abaixar, mas eu nunca fui desse tipo. Não, pelo contrário, sou muito mais ousado do que pareço. Eu as conquisto pelo coração, e não é o tipo de coisa fácil de se conseguir, tampouco de se esquecer.

Já me atraí por quase todos os tipos; loiras, morenas, ruivas, altas, baixas, gordas, magras, feias, bonitas, até aquelas que mastigam de boca aberta, aquelas que não são boas com números, as que não sabem escrever direito, as de caráter mais duvidoso, até as mais inatingíveis de beleza incomparável ou integridade invejável. Mas o que pode um homem fazer para conquistar uma mulher? O dilema começa exatamente aí; depende da sua perspectiva, se as vê como "pegadas" ou conquistas. Mas não se engane; as melhores são sem dúvida aquelas que estão no topo da àrvore, não as que estão caídas pelo chão, algumas até já meio mordidas. Para uma mulher conquistar um homem é simples; basta dizer "oi", dar uma jogada de cabelo qualquer, soltar uma risadinha, e escolher o restaurante em que deseja ir.

Não há uma mulher em minha vida que já não tenha me ensinado algo, senão sobre as próprias mulheres ou então sobre mim mesmo e meus ideais de encontrar a pessoa certa, me apaixonar e realizar o sonho de construir uma vida a dois. A realidade deixa a desejar nesse caso; ultimamente as pessoas perderam o interesse em relacionamentos de longo prazo, aliás, para não assustar uns aos outros já nem chamam de relacionamentos. Mas me mantenho fiel às minhas mulheres porque precisam de mim tanto quanto eu preciso delas, e deixo reservado um espaço em meu coração para aquela que ainda não conheci mas sei que está por aí. Aquela que dará um passo a frente das outras e dirá, "ele é meu", assim como eu confirmarei para todas que procurarem saber, "ela está comigo".

Eu amo as mulheres, mas talvez ainda não esteja pronto para me comprometer totalmente com apenas uma. Afinal, se este fosse o caso, não só seria difícil dizer com qual delas eu gostaria de passar minhas manhãs e noites, como a revolta popular certamente causaria alguns danos à minha pessoa. Este é segredo das mulheres, assim como de todos os sonhadores, não importa o sexo: aquele que está sempre ao nosso lado jamais será tão interessante, até o ponto em que deixa de ser nosso e passa a ser inalcançável. Quem disse que só as mulheres tem sonhos impossíveis? Mas, claro, para entender isso você primeiro precisa estabelecer seu conceito de conquista, ao em vez de apenas se contentar com casos de uma noite só. Mulheres são encantadoras e precisam ser encantadas da mesma maneira, conquistadas fazendo justiça ao valor que possuem, mas nada disso conta muito vindo de mim. Senão não estaria solteiro... Não é?

Igor Costa Moresca, 19 anos, pertencente à todas as mulheres, e a nenhuma ao mesmo tempo. Não, não estou "pegando" nenhuma... E nem você. E não me diga que ainda assim, não sente inveja de estar em meu lugar.

Ao som de: Cruisin’ – Gwyneth Paltrow & Huey Lewis.