sábado, 30 de abril de 2011

De volta ao normal

O que ninguém gosta de admitir mas sabe que é verdade dentro de seu ser, é que no fundo somos todos inseguros e nos deixamos levar por isto ao sempre tentar se encaixar nos bons e velhos padrões, para evitar questionamentos ou olhares tortos. E quando conseguimos, ainda nos perguntamos porque estamos nos sentindo tão vazios, ou então tão sem graça enquando outros, com os dois pés para fora da casinha e sem nenhum sinal de preocupação com isto, parecem estar se divertindo mais.

A vida seria mais divertida se apenas fossemos quem somos e fizessemos o que gostamos de fazer, e não o que o mundo exije que sejamos. O que é normal e o que não é? Quem estabelece o normal a ser feito, ou o tipo de coisa normal a ser seguido? Depois que disseram tudo e mais um pouco ao meu respeito, e minha loucura por sinal, eu decidi que, no fundo, estamos todos loucos por pensar que essa nossa vida em sociedade vai dar certo enquanto continuarmos rotulando uns aos outros como normal, anormal, quase normal, acima do normal, e os já infames e famosos estranhos - com os quais eu tenho um grande orgulho de me espelhar.

Vamos ser malucos, gente! Porque ultimamente, parece mais normal assumir sua insanidade do que tentar escondê-la com falsa sensatez. Até mesmo o ser mais estranho pode ser capaz de te surpreender com seu bom senso; não é a toa que ando com a nova música da Lady Gaga tocando na minha cabeça.

Este mês decidi comemorar minha estranheza junto com minhas músicas, reunindo aqui todos os posts em que bati a cabeça contra a parede da realidade enquanto tentava entender algumas coisas, questionar outras, somente para continuar assim: especialmente normal, com direito a trilha sonora.

· O normal a ser feito (26/07/09)

· Motivos normais (03/09/09)

· Tudo normal até que... (05/09/09)

· O tipo de coisa normal (14/09/09)

· Acima do normal (14/09/09)

· Acordando normalmente (15/09/09)

· Todos são normais (26/08/10)

· Estudar é normal (04/04/11)

· Dançar é normal (06/04/11)

· Ficar é normal (12/04/11)

· Ignorar é normal (14/04/11)

· Um pouco de cultura é normal (15/04/11)

· Desesperar é normal (16/04/11)

· Sensações normais (18/04/11)

· Questionamentos normais (19/04/11)

· Gente normal e civilizada (20/04/11)

· Divertimento sadio e normal (21/04/11)

***

Trilha sonora de Abril, 2011:

01. Someday We’ll Know – New Radicals

02. Dream On – Aerosmith

03. Toxic – Britney Spears

04. Fuckin’ Perfect – P!nk

05. Do Ya Think I’m Sexy – Rod Stewart

06. Somewhere Only We Know – Keane

07. Can’t Get You Out of My Head – Kylie Minogue

08. Addicted to Love – Florence + The Machine

09. Dance in the Dark – Lady Gaga

10. Teenage Dream – Katy Perry

11. Baby – Justin Bieber

12. Turning Tables – Adele

13. You’ve Lost That Lovin’ Feeling – Hall & Oates

14. Please Don’t Stop the Rain – James Morrison

15. Sunday – Sunday in the Park with George

16. Never Alone – Lady Antebellum

17. As If We Never Said Goodbye – Sunset Boulevard

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Viciado em amor

Seus olhos viram repentinamente para ela quando ela entra no recinto. Seu coração bate mais forte. Suas mãos suam. Suas pernas tremem. Sua fala some. Tudo ao seu redor se cala a medida que ela se aproxima de você. Sua mente já não pertence mais a você, mas a pensamentos sobre ela. Você pensa que ainda tem tudo sob controle, mas está longe disso. O nervosismo aumenta. Seus suspiros multiplicam-se. E enquanto você lentamente entra em transe de fantasias em câmera lenta, com um alarme tocando dentro de si avisando para sair dali, percebe que não consegue mexer seus pés e o encontro será inevitável. Vocês se cruzam, ela passa reto, você desmaia e o pior, com um sorriso no rosto.

Vocês se conhecem, tem muito em comum, e a conversa nunca termina. Ela descobre seus pontos fracos, você descobre os medos dela, e a história de vocês começa a ser escrita. Vocês saem juntos, andam juntos, riem juntos. Ela toca a sua mão, e você põe seu braço ao redor dela. Você e ela tornam-se vocês. Vocês criam apelidos, girias, histórias, e intimidade. Você a leva até em casa, ela diz que se divertiu. Você se aproxima para dar boa noite, ela olha em seus olhos, vocês se beijam. Ela diz boa noite, você vai para casa dançando.

Você conhece os pais dela, ela conhece os seus. Sua mãe não gosta dela, o pai dela não gosta de você, mas não importa. Você compra um anel, e esconde dela. Ela quer ter uma conversa, quer um compromisso, uma promessa de um futuro juntos. Você dá o anel a ela, ela chora. Vocês marcam a data. Ela escolhe a igreja, as flores, a música, enquanto você tenta não sujar o terno alugado. Vocês juram amor eterno, você põe a aliança no dedo dela, vocês se beijam.

Vocês viajam juntos, tiram fotos juntos, e compram porta-retratos juntos. Vocês se mudam. Você compra uma cama nova, ela compra os lençóis. Ela se entristece, você a leva pra sair. Ela pergunta por quanto tempo você quer que seja só vocês dois, você diz que quer pintar o escritório de azul bebê. Ela engravida, você sofre com as mudanças de humor. Ela sente a bolsa estourar, você a leva para o hospital. Ela dá a luz, você chora quando seu filho agarra seu dedo pela primeira vez.

Vocês passam a vida juntos. Ela diz que seu filho ainda é novo para sair, você a acalma. Você briga com seu filho quando ele chega muito tarde em casa. Ela chora enquanto recarrega a bateria da câmera, você aplaude quando seu filho sobe ao palco para receber o diploma. Vocês voltam para casa, ela percebe que são só vocês de novo, você a beija. Você sugere que deviam se mudar, ela escolhe a casa nova. Vocês assistem ao por do sol juntos, ela toca a sua mão, você a abraça. Você percebe que tem tudo que sempre quis, ela diz que te ama.

Você acorda. Ela pergunta se está tudo bem, você diz que não desmaiou, apenas escorregou. Ela pergunta porque estava sorrindo, você diz que lembrou de algo engraçado. Ela se apresenta, você gagueja. Você sai correndo e ai sim tropeça, ela dá risadas de longe. Você promete que amanhã sim falará com ela, mas suas mãos suam e suas pernas tremem novamente.

É melhor admitir, Igor; você está viciado em amor.

Ao som de: Addicted to Love – Florence + The Machine.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Indiferentemente iguais

Apesar de afirmarmos que não, não nos importamos com o que os outros pensam e somos felizes assim, no fundo todos nós gostamos de receber atenção - até mesmo de quem não gostamos. Por isso é um sentimento muito forte que nos atinge quando somos ignorados, quando nossa existência é tomada de nós e somos anulados aos olhos do outro, e enquanto a negligência toma conta de nós, um enorme vazio passa a nos preencher. Queremos ser notados, ser percebidos pelos outros e quem sabe até receber de volta a importância que damos para certas pessoas, mas às vezes somos forçados a aprender a lidar com a indiferença, com o descaso até mesmo de pessoas que costumavam fazer parte do nosso mundo, mas que seguiram adiante sem nem olhar para trás, para ver se ainda estamos vivos.

Dizem que o oposto de amor é o ódio, mas se enganam; sentir ódio de alguém quer dizer que ainda em algum nível, você sente a importância desta pessoa em você, e de algum modo ainda estão conectados. O oposto de amor é a indiferença, em todo o seu poder de negligência que nos atinge com o mais certeiro dos olhares apontados para a frente sem reconhecer que passou por nós e nem nos viu, ou então que nos viu mas ignorou pois decidiu que não merecemos mais sua atenção. E talvez não tenha nada pior do que aceitar que não fazemos mais parte da vida daquela pessoa, enquanto ela continua a nos fazer sentir coisas tão fortes por dentro, seja amor, ódio ou apenas saudade que nos desmorona toda vez que nos reencontramos, mas sem mais trocar palavras.

O melhor que podemos fazer é apenas seguir em frente, rezando para que o tempo a torne menos importante dia após dia, mês após mês, ano após ano... E o dia em que já não nos lembramos mais do seu rosto, é aí que temos a maior surpresa de todas; quando já não penso mais em você, de repente você reaparece e me chama de volta. Mas, sabe de uma coisa? Agora sou eu quem não quer mais te responder. Se é melhor estar sozinho do que mal acompanhado, vou aprender a viver sozinho, não importa o quando machuque no começo.

Um dia, outra pessoa vai descobrir que aquilo que você deixou passar, valia mais do que você podia imaginar, só que agora não adianta chorar - sua indiferença agora é minha, e minhas lágrimas agora são suas.

Ao som de: All By Myself - Eric Carmen.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Domingo

Depois de mais uma semana corrida e agitada, o costume de várias famílias está no bom e velho ritual de se reunirem ao redor de uma mesa repleta de comida caseira, alguns com sua cervejinha enquanto as crianças se afogam no refrigerante, com uma sobremesa apetitosa os aguardando em seguida, ao som de risadas e muita conversa animada até mesmo depois da comida ser servida. Cada parente então se dividia para diversas tarefas depois do almoço; alguns faziam fila para o banheiro enquanto outros lidavam com a louça suja, as crianças mal podiam esperar termianr o almoço para voltarem a brincar, até todos se reunirem novamente em frente à televisão para o filme que estivesse passando até a hora do futebol. Assim, alguns permitiam se deixar levar pelo Futebol, pelo Faustão e pelo Fantástico, a medida que outros buscavam um lugar à sombra para digerir e descansar, e até mesmo roncar em uníssono - apenas para voltar para casa e dedicar-se novamente à arte de dormir. E na semana seguinte não é nem preciso remarcar; o ritual se repete com as mesmas peculiaridades, as mesmas figuras, e o mesmo ânimo. Este ritual é conhecido como o almoço de Domingo.

Minha família seguia o ritual com cuidado e dedicação. Ao fim da Sexta Feira já fora decidido quem levaria o que; nos reuniriamos na casa da tia Odete, tia Odinalva levaria uma carne assada, mamãe produziria um de seus legendários pudins, com a supervisão de vovó, claro, e algum dos primos estaria encarregado de nos dar carona até o almoço. Logo, outros tios, outros primos e amigos família também apareciam para completar os lugares ao redor da mesa, para ajudar - e atrapalhar - o churrasqueiro da semana em seu embate com um carvão de marca duvidosa, enquanto as tias colocavam a conversa em dia sobre a última cirurgia que fizeram, ou o que aconteceu na novela das 8 na noite passada. E nunca se via um olhar triste, uma cara de desânimo ou uma falta de acolhimento por parte de ninguém; mesmo depois da pior semana, estávamos sempre ali reunidos para esquecer dos problemas e dar graças por mais um almoço juntos. Por isto talvez ainda seja tão difícil aceitar o fato de que aos Domingos eu ainda sou obrigado a vestir o uniforme e marchar ao trabalho - abrindo mão da comida caseira, de rever os parentes e passar horas em frente à televisão, assistindo qualquer coisa que fosse, mas se perdendo na barulheira da família.

Há dois anos, eu me convenci de que isto fazia parte do meu passado, e que estes Domingos haviam sido perdidos no caminho de Londrina para cá, mas como já é de se esperar nesses casos, a vida se encarrega de provar que sempre estamos errados sobre aquilo que pensamos ter certeza. Chame de milagre de Páscoa, mas o shopping fechou neste Domingo. E justo no dia da comemoração da ressurreição daquele que morreu por nós, não pude deixar de perceber que parte da minha fé em coisas como família, churrascos e Domingos também voltou a mim. Outra coisa que não pude deixar passar em branco; talvez estarmos sozinhos seja mesmo uma escolha nossa, e assim como podemos escolher por nos esconder no mundo, podemos optar por reintegrá-lo e descobrir que existem coisas piores do que passar por almoços tumultuosos em Domingos – podemos acabar sentindo falta deles.

Ao som de: Please Don’t Stop the Rain – James Morrison.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Meu já famoso desabafo infame

Talvez eu tenha perdido aquele sentimento amoroso que me mantinha sempre adiante com minhas loucuras, minhas irracionalidades, e meu jeito de ser que, de algum modo, sempre cativava aqueles dispostos a me dar atenção. Talvez enquanto eu estava por aí certo de que as coisas estavam melhorando, que este era o ano de tentar desafiar a gravidade - e até mesmo cheguei a sentir meus pés deixarem o chão - a verdade esteve diante de mim esse tempo todo, escondida nos olhares reprovadores dos meus amigos, nas coisas não ditas por meus colegas que foram se acumulando até finalmente encontrarem um caminho de volta para mim; você está piorando, Igor, talvez nem tanto a ponto de se insistir em não se deixar levar pelo mundo real e recuar pra dentro de si, mas definitivamente está lá fora fazendo papel de tolo, enquanto poderia estar fazendo melhor.

Muito do que eu digo e escrevo é infame, sem importância a ponto de passar batido por qualquer um, desde aqueles que eu mais desejava que prestassem atenção até a meros estranhos que nem sequer conheço, mas ultimamente os estranhos parecem estar se tornando uma fonte muito maior de conforto do que aqueles cujo nome já cansei de repetir, mas que nunca vem a mim. Mas antes de formarem qualquer conclusão quanto a mim, minhas atitudes ou até mesmo meu coração, eu gostaria de lembrá-los de, por favor, não me ferir; vocês fazem parte de mim, e eu não gostaria de descobrir que os laços que criei por ai possuem uma profundidade menor do que eu imagino, como se estivessemos limitados a conversas virtuais ou ocasionais momentos juntos entre uma aula e outra, enquanto jogamos coisas importantes um ao outro de maneiras tão superficialmente sutisque perdem seu encanto no meio do caminho, como "eu confio em você" ou "eu te amo".

No fundo eu me orgulho das minhas crises existenciais; se não fosse por elas, eu não me tornaria cada vez melhor que ontem e pior do que amanhã, a medida que os dias passam e as irracionalidades mudam, mas absolutamente tudo ainda dentro do normal - e quem se atreve a dizer o contrário? Não me importam os nomes que possam me chamar; obcecado, louco, anormal, desesperado, anti-social, carente... Sou eu, gente, lembram-se? Ainda sou eu; se melhor ou pior cabe ao tempo dizer mas não a nós, porque o que cada um de nós pode realmente ter certeza em se tratando do amanhã? Até mesmo isso me roubaram - pare de sonhar com o amanhã, viva o hoje, isso sim importa, o que vai ganhar com essas fantasias enquanto a vida segue lá fora? Bom, me digam vocês que estão ai fora, o que estou perdendo? Afinal de contas, pelo que me parece, isto é, pelo que vocês costumam me dizer no fim do dia, ainda estão tão perdidos quanto eu. E além do mais, quem disse que não estou vivendo? Estou vivendo, escrevendo, trabalhando, me emocionando, rindo e chorando, até mesmo morrendo... Só não chegou a minha vez ainda.

Passei a guardar um lugar na mesa para minha namorada, mas onde está ela? Não sei. Só sei que ela tem seu lugar guardado, e pode demorar o tempo que for, porque ninguém abaixo do que eu mereço tomará seu lugar. Mas as pessoas insistem que o que me falta mesmo é sair, viver, conhecer gente nova e criar laços instantâneos, mas nunca compromisso. Infelizmente, uma vida repleta de coisas superficiais nunca me atraiu; eu preciso de conteúdo, de contextos, de um mínimo de organização, e de ser justo comigo e com o que eu estou sentindo, e dessa vez eu sinto que não estou errado. Tudo o que eu sempre quis, tudo o que eu sempre precisei foi dela, e nunca me envergonhei disso. Porque eu tive uma vez, ou, pelo menos, eu pensei que tive, mas foi tudo pra mim. E o que vocês tanto fazem no mundo lá fora? Não estão procurando por alguém também?

Bom, de agora em diante, vou fazer o que uma amiga há tempos insiste para que eu aprenda; vou ligar o foda-se, e vou ser feliz. Alguns vão ficar para trás, por mais que pareçam tão importantes agora, mas eu sei que realmente não são e a maiora das vezes em que estou errado, me forço a aceitar. Mas eu vou em frente, com aquele bom e velho sentimento amoroso que por anos me mantém vivo e idealista, à procura de transformar sonhos e fantasias na melhor das realidades possíveis, porque a prova de que o amor ainda está aqui comigo é que agora meus sorrisos até aparecem em fotos. E mesmo sabendo que este não foi meu post mais infame, vou terminar aqui com algo definitivamente condenável, mas certo de que nada nem ninguém agora vai me impedir de tentar realizar meu sonho de adolescente.

Ao som de: Teenage Dream – Katy Perry.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Divertimento sadio e normal


Eu sou legal às vezes, quando não estou angustiado, cansado, em meio a crises existenciais, sofrendo por antecedência, grilado com ansiedade, com fome, com sono, apaixonado, com frio, com calor, enjoado, indignado... Enfim, eu sou legal, engraçado, e até divertido conforme o ambiente me proporciona piadas o suficiente para me tornar um humorista nato, ou então o palhaço da sala se for o caso.

Agora, sair por ai talvez não seja o meu forte, e os extremos se encontram - enquanto as pessoas sarem por ai juntas para beberem sem rumo, sem dinheiro, sem hora para voltar e sem compromisso com uns aos outros ou a qualquer tipo de crença, eu fico em casa assistindo televisão, ou passando horas no computador, ou pior - escrevendo - e ambas as partes pensam na diversão da outra como doloroso e desnecessário. Mas as pessoas tem ideias diferentes do que é divertido e o que não é, do que as faz rir e o que as faz chorar de frustração - o problema é encontrar um consenso.

Tem gente que acha divertido fazer caminhadas no meio da natureza por achar algo saudável e interativo com o meio ambiente, enquanto outros preferem passar horas, dias, meses em frente ao computador ao verem um dia tão belo de sol lá fora e pensarem, "Que dia lindo para ficar em casa!". Ai entram aqueles que passam a ideia de divertimento que todos compram, ao fazerem qualquer coisa por ai, fotografarem e jogarem na internet para mostrar aos outros, "Olhe como eu sou feliz!" - esses sim são mesmo divertidos; eu mesmo adoro rir deles.

E assim como eu, existem aqueles que diversão mesmo é rir dos outros, esses que saem por ai e tentam exibir-se como aventureiros, desbravadores, excêntricos e despreocupados, enquanto cada foto esconde o mesmo desespero silencioso daqueles que as veem e sentem inveja. Cada um faz o que se sente bem em fazer, e talvez não haja uma risada que não valha a pena ser solta, independente do que a causou. A vida é uma comédia, e às vezes em meio a tanta incoerência, é melhor rir do que chorar, não é?

Ao som de: Raise Your Glass – P!nk.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Gente normal e civilizada

Nada pode ser considerado um teste mais eficaz para a capacidade humana, ou a falta dela, sobre como conviver em sociedade como uma boa fila de banco, daquelas típicas segunda-feira após o dia do pagamento onde o primeiro a chegar encontra mesmo uma das maiores formas de felicidade possíveis, enquanto o último encontra seu inferno particular em questão de minutos, às vezes horas, e passa a descobrir o seu melhor e o seu pior a medida que se aproxima passo a passo do tão esperado caixa, e da sua vez de atendimento. Mas claro, às vezes pode demorar um pouco…

- Droga!

- Tudo bem, companheiro?

- Eu jurava que a essa hora não haveria fila...

- Ih, nem se engane com isto, esqueceu de que dia é hoje?

- Ah, claro... Mas é que, com tanta coisa que ainda tenho para fazer hoje, realmente não poderia perder tempo nesta fila...

- O que podemos fazer, não é? O negócio é esperar.

- É, realmente, isso acontece. Aliás, não é o tipo de coisa tão demorada, né? Só vai levar alguns minutos...

(10 minutos depois)

- Ei...

- Sim?

- Está prestando atenção naquilo?

- Desculpe, estava olhando para o relógio. O que?

- Não está vendo que aquele cara está enrolando com a vez dele?

- Como assim?

- Ele fica repetindo tudo que a caixa diz. Quer dizer, ele faz uma pergunta, ela responde, e ele repete a pergunta! É tão difícil assim pagar uma conta?

- É, nem me fale, odeio esses tipos. Atrasam tudo e a todos nós.

- Gente sem consideração, né?

- Gente sem consideração?

- É, essas pessoinhas que ficam atrasando todo mundo, sendo que estamos aqui com nossos compromissos a mercê da... da... da estupidez alheia mesmo!

- Calma, cara. Falando assim, não me leve a mal, parece até que você se sente superior. Quer dizer, todos temos nossos compromissos.

- Eu sei, eu sei. Mas o que eu quis dizer é que, veja eu e você por exemplo, estamos aqui, aguardando nossa vez para ser atendidos, já com a fatura e o dinheiro em mãos...

- E?

- E é isso que nos diferencia dessa gente! Parece até que não se lembram de que vivemos em sociedade!

- O que viver em sociedade tem a ver com o dinheiro separado?

- Não entende? Estar com o dinheiro separado mostra que somos práticos, eficazes, prontos para sermos atendidos e agilizar a vez do próximo. Isso, mostra que nos importamos com o próximo!

- Ah, acho que entendi... Mas não se preocupe, ele parece que já está terminando, logo chega a nossa vez...

(30 minutos depois)

- Ei, cara...

- Oi?

- Acho que você tem razão...

- Desculpe, eu meio que cochilei aqui. Como assim?

- Não viu aquela senhora?!

- Que senhora?

- Aquela senhora! Chegou ao caixa com mil contas, e depois da caixa lerda passar dias para efetuar o pagamento, a velha despejou dez mil reais em moedas no balcão e ainda não terminaram de contar!

- Odeio quando isso acontece. Pense comigo; existem quatro caixas, mais o preferencial. A esta hora, todos os caixas deveriam estar funcionando. Mas o que eles fazem? Deixam só uma caixa lerda para fazer o serviço dessa gente toda, e além de ser lerda, ainda dá atendimento preferencial!

- Cá entre nós, uma das vantagens de ser velho deve ser essa. Cortar a frente de todo mundo e ir direto para o fim da fila. Isso e pegar o ônibus de graça, claro...

- Mas sabe o que é? Essas contas nem devem ser dela. Olhe só pra ela, acha mesmo que ela gastaria tanto assim? Isso é a mãe, a neta, o porteiro do prédio que dão as contas pra ela pagar e a mandam pro banco, pra evitar a fila!

- Cara, minha mulher faz exatamente isso. Manda a mãe dela de 75 anos pro banco enquanto ela espera no carro, e é sempre questão de 5 minutos. Ela me disse que nem dá tempo de sentir calor dentro do carro!

- Viu, eu falei...

- Mas eu acho mesmo uma falta de consideração. Vivemos em sociedade, não é? Então o que gente normal e civilizada deveria fazer, é estar aqui suando, batalhando em pé, sem nem direito a água gelada ou cafezinho quente, com a fatura em mãos e o dinheiro contado, sem nada pra fazer a não ser olhar pro relógio e não tentar pensar que essa caixa deve estar mesmo querendo briga!

- Calma, cara...

- Não, não, agora me enfezei. Que bosta de banco é esse que deixa só uma caixa em atendimento pra toda essa gente?!

- Cara, as pessoas estão ouvindo...

- Eu não ligo, devem mesmo é ouvir! Acham que não tenho compromisso?! Acham que estou me divertindo aqui?! Depois meu chefe me chama na sala dele pra perguntar porque passei tanto tempo de expediente fora do escritório, e ainda tenho que ouvir que preciso mostrar mais resultados!

- Cara, o segurança da porta está te encarando...

- Deixe encarar! Está pensando o que?! Cadê os nossos direitos?! Nem um cafezinho, nem um cafezinho!

***

- E ai, cara, está melhor?

- Sim, sim... Eles me deram um tranquilizante, deve durar por algumas horas. Daqui vou direto pra casa, o chefe disse que ando meio estressado...

- Mas quem é que não fica estressado com uma fila dessas, não é?

- O que está fazendo?

- Jogando aquele joguinho de celular, o da cobrinha, sabe?

- Não sou muito bom nesse jogo. Está ganhando?

- Eu também não era muito bom, mas tive tempo de aprender já que aquela senhora ainda está ali. Já tenho cinquenta e três mil pontos...

- Como assim, aquela senhora ainda está ali...?

- Pois é, pelo visto a sua gritaria fez ela desmaiar e só agora ela acordou. E como o atendimento é preferencial...

- NAAAAAAAAAAOOOOOOOOOOO!!!

terça-feira, 19 de abril de 2011

Questionamentos normais

A fase dos "porquês" inicia-se aproximadamente aos sete anos de acordo com certas teorias do desenvolvimento humano, mas o que nenhum livro ou artigo traz a tona é exatamente até quando esta fase dura, porque nos segue até hoje. Algumas pessoas tem uma visão de mundo diferente de outras; enquanto uns veem as coisas como são e indagam, "por que?", outras veem as coisas como nunca foram e questionam, "por que não?". E a fase dos "porquês" se aprofunda cada vez mais a medida que levamos a vida dia após dia e dúvida após dúvida.

Por que eu não me lembrei daquele prazo? Como é que eu não vi aquele sinal? Será que é tarde demais para tentar concertar as coisas? Quando será que terei outra oportunidade como aquela? Do momento em que nos levantamos da cama pela manhã até cairmos de volta ao travesseiro de noite, nossas mentes se enchem de perguntas. Algumas são fáceis de serem resolvidas e logo são esquecidas, enquanto outras acabam por ser ainda mais difíceis de serem formuladas, porque temos muito medo de qual possa ser a resposta. Eu estarei por perto para ver meus netos crescerem? Estou cometendo um erro ao me comprometer com esta mulher? Será que ela realmente me ama? O que eu faria sem você? E o que acontece, então, quando não recebemos a resposta que esperávamos?

A vida é uma constante busca por respostas, desde as mais simples até as que passamos anos tentando desvendar, seja para dar um fim aos nossos questionamentos, pela nossa paz de espírito, ou para nos sentirmos mais seguros quanto a nós e aqueles ao nosso redor. Mas assim como cada um de nós deve aprender que muitas perguntas, como a questão da vida em sim, não possuem uma resposta concreta, certa ou errada, às vezes quando encaramos algumas das perguntas mais difíceis e recebemos a resposta com a qual estávamos esperando, bem, talvez seja aí que a felicidade comece.

Ao som de: Why – Avril Lavigne.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Sensações normais

Até mesmo o homem mais indiferente ou a mulher mais incrédula não pode negar que o constante embate entre coração e razão ainda os atinge, porque além da atração por contradições fazer parte da natureza humana, nenhum de nós pode afirmar com certeza que segue cegamente apenas um dos dois - estamos sempre em dúvida quanto ao que fazer, e nos encontramos presos meio ao fogo cruzado da objetividade em nossos cérebros e o amor em nosso peito. Somos criados para acreditar que em situações críticas, devemos agir com racionalidade e atuar conforme o normal a ser feito, sempre visando o bem estar social e tudo mais que se envolve e se complica em nossas vidas. Mas e quando nossos sentimentos se perdem meio a tamanho conflito, ou então nos dizem para seguir um caminho diferente do que a situação nos sugere?

Racionalidade não consegue explicar todos os nossos conflitos porque não há nada lógico no que sentimos; é emocional, subjetivo e sujeito a reflexões e questionamentos, mas nunca pode ser taxado como algo padrão ou concreto. Nossos sentimentos apenas aparecem e precisamos aprender a lidar com eles da melhor maneira que pudermos, sem tentar enquadrá-los em regras ou rótulos. Tudo bem que, dentro da matemática, a aleatoriedade também é considerada um padrão, mas os únicos números capazes de se aproximar da sensibilidade humana são os indeterminados: tenho várias dúvidas, inúmeras crises existenciais, infinitas incertezas, e mil e uma teorias para tentar entender porque estou me sentindo assim. Eu sigo meu coração em tudo o que faço, mas estou tão perdido quanto aqueles que tentam encontrar uma base lógica para apoiarem suas vidas.

Existem mais mistérios em nossos corações do que no céu e na terra juntos que nossas vãs filosofia possam tentar compreender.

Ao som de: Somewhere Only We Know - Keane.

domingo, 17 de abril de 2011

A insustentável leveza do meu ser

Auto-confiança é o que separa os homens e mulheres mais carismáticos e inspiradores daqueles mais tímidos e retraidos. Mas às vezes nada parece mais difícil do que acreditar que a decisão que estamos tomando é a certa, ou que a direção que estamos seguindo em nossas vidas nos levará a tudo que estamos procurando. Por que quem de nós pode saber ao certo que sua vida está se desenrolando de acordo com seus planos? Às vezes me sinto certo, às vezes totalmente errado. Tenho dias mais felizes e menos felizes, sorrisos forçados e verdadeiros, lágrimas a toa ou necessárias. Depende de como eu acordei naquele dia, de quem passou por meus olhos enquanto estava por aí, e quem continua em meu coração mesmo depois de ter partido há tanto tempo.

Viver não é tão fácil quanto parece; é só refletir sobre aqueles dias em que você não se sente em seu melhor estado e ainda assim é forçado a enfrentar as convenções e conflitos do dia-a-dia - manter um bom relacionamento com seus amigos, suas médias na faculdade, sua moral e respeito com os pais, sua lealdade com o que acredita, sua aparência para aqueles que fazem questão de te julgarem sem conhecê-lo, e apesar de tudo, sua felicidade quando fecha os olhos de noite e se prepara para mais um nascer do sol. Os erros que cometemos podem parecer mais profundos e irreparáveis do que realmente são, e de repente tudo de bom que existe em nós e o que fazemos durante nosso dia é ofuscado por pequenos desenganos, ou meras desventuras que sem querer parecem nos definir e nos fazer esquecer que somos muito, muito mais. Se ao menos parássemos para perceber...

Não há nada mais difícil do que a auto-aceitação, mas uma vez conquistada, a força existente em acreditar em si mesmo pode vencer quaisquer desavenças que aparecerem em nosso caminho. Se sentirmos nossas almas em momentos de incerteza, ainda não é nada que não possamos superar - porque no fim das contas, ainda somos humanos; constantemente propensos a fraquezas. O segredo da auto-confiança está em nunca pensar que não somos nada senão perfeitos do jeito que somos, e quem são os outros para dizerem o contrário? Não teria chego até aqui se ao menos não acreditasse que poderia, e veja só; a estrada adiante de repente já não parece mais tão assustadora. Se sentir que está sem rumo, siga em frente; não há como se perder se não estiver sempre indo adiante. E quanto aos medos que ainda nos seguem? Bom, ajuda se não trilharmos este caminho sozinhos - especialmente quando sabemos que a pessoa ao nosso lado, está tão insegura quanto nós.

Ao som de: Fuckin' Perfect - P!nk.

sábado, 16 de abril de 2011

Desesperar é normal

Sabe aquela calma que só o desespero dá? São os momentos de crise que mostram quem nós somos, a verdadeira força e os limites que possuimos - até ultrapassar todos deles com a velocidade de um só rompante, mas não se preocupe; se exaltar é normal. São os momentos de crise que também geram mudanças; revemos nossas atitudes, buscamos possiveis soluções, tudo isso enquanto a ansiedade toma conta e o nervosismo se faz presente a cada instante em que ainda não encontramos uma saída. Mas sem motivo para pânico, ainda temos tudo sob controle - basta repetir isto para si mesmo até acreditar, para ganhar tempo.

Não estudei para a prova. O namoro acabou. Esqueci aquele trabalho. Fui demitido. Bati o carro. Levei um choque. Meus amigos sumiram. Começou a chover do nada. Perdi a carteira. Quebrei o copo. O cachorro morreu. Reprovei de ano. Tropecei e cai na rua. Quando a vida acontece e muda nossos planos, não há muito que podemos fazer a não ser tentar seguir o novo ritmo que nos foi dado e rezar pelo melhor. Mas sabem o que dizem sobre situações desesperadoras; medidas desesperadas devem ser tomadas. Há também aqueles que mantem seu desespero silencioso, cuidadosamente reprimido dentro de si e jamais se permite perder o controle, afinal imagine o que poderia acontecer. Existe perigo maior do que se deixar levar pelas emoções, especialmente quando aquelas em evidência são a agonia e o êxtase?

Mas nossas crises precisam ser enfrentadas não importa o quanto possam parecer complicadas ou frágeis, porque se não tomarmos cuidado, podemos nos perder meio a elas e um simples problema pode evoluir para algo muito pior, e de repente não é mais só o nosso bem estar em jogo, mas o de todos aqueles ao nosso redor que tentaram oferecer ajuda e que acabaram atropelados pelo nosso desequilíbrio. Crises vem e vão, e não tem como escapar do desespero. Agora, como lidamos com isto é o que realmente nos define; nos deixamos ser derrubados, ou levantamos e seguimos adiante? Cabe a cada um decidir.

Desesperar é normal, desequilibrar-se faz parte, mas o segredo está mesmo em superar os obstáculos que nos são apresentados; é aí que descobrimos que o que não nos mata, nos fortalece. No entanto, não importa o que aconteça, nunca siga o cara que diz, "Relaxe, eu tenho um plano" - ele é o mais desesperado, se não até o mais perdido. Nada traduz mais insanidade temporária do que tentar disfarçar desespero com estratégia.

Ao som de: Toxic - Britney Spears.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Um pouco de cultura é normal

Quantos livros você lê por ano? E quantos filmes você assiste por mês? Consegue se lembrar da última vez em que foi ao teatro? As pessoas tem um jeito curioso de conceituar cultura, do mesmo modo em que julgam e diferenciam aqueles que a possuem daqueles que não sabem quem foi Humphrey Bogart ou pensam que Barbra Streisand é apenas um remix. E dizem que é importante ter vocabulário, interesse pela leitura e pelas belas artes, de tal modo que qualquer coisa que você faça a partir daí passe a ter um certo toque de sofisticação, mesmo quando se sabe ao certo como soletrar "sofisticação".

Dizem também que cultura mesmo é conhecimento geral, é estar atento quanto aos últimos acontecimentos do mundo, desde os mais banais até as calamidades públicas, as pequenas novidades e as grandes reviravoltas, como a atual situação política de Gana ou a reconstrução relâmpago do Japão que, em questão de semanas, ultrapassou o progresso do Brasil sobre a construção do novo estádio para sediar a Copa do Mundo de 2014. Há quem diga que nosso país em si é carente de quesitos culturais, mas não passam de generalizações feitas por aqueles menos intelectualmente afortunados, cujos animais de estimação possuem mais contato direto com o jornal do que eles - nem que seja apenas para dar na mesma merda.

Mas o que realmente define cultura? Como podemos dizer que temos cultura, e é mesmo possível fazer comparações quanto ao nossos diferentes modos de adquirí-la? E se pararmos para pensar bem, para que serve a cultura mesmo? Algumas pessoas conseguem participar tranquilamente de sérias discussões sobre geopolítica ou a crise econômica mundial e seus desobramentos atuais que vão da América Latina até a Ásia, sem nem saber quais os nomes dos oceanos que existem entre elas. Basta balançar a cabeça, encolher os ombros em desdém, e dizer com um ar de insatisfação, "Isto é inacreditável!". Eu me lembro de uma novela em que um homem tenta passar sua namorada, uma prostituta, por uma socialite em uma festa de casamento da alta sociedade, e a ela é ensinada apenas uma frase capaz de encaixá-la em qualquer conversa no recinto - ela se aproximava das senhoras esnobres e suspirava, "Que boa idéia este casamento primaveril em pleno outono", somente para depois perguntar se "primaveril" era o nome de algum remédio.

Cada um constrói a sua cultura do modo que acha melhor, porque os críticos estão por toda parte e sempre prontos para empinarem seus narizes e julgarem seus gostos como inferiores ou simplórios, quando na verdade passam as noites de sábado em casa assistindo "Zorra Total" e engasgando-se nas risadas enquanto tomam groselha de canudinho. Não é um filme da época de 60 ou um dos livros mais vendidos segundo a Veja que vai te tirar da zona de alienação e inserí-lo no mundo dos bem aventurados culturalmente, mas convenhamos que ao menos saber enxergar o pleonasmo agonizante existente na frase, "Há alguns anos atrás...", é o mínimo... Não é?

***

- Aquele filme é muito interessante, especialmente para aprofundar os conhecimentos do nosso curso. Você não acha, Igor?

- Eu não vi...

- Como assim, não viu?!

- Eu não tenho cultura mesmo...

Depois de cometer inúmeras gafes devido ao meu baixo nível de prática intelectual, uma das minhas resoluções para este ano é tentar adquirir um pouco mais de cultura, não para sobreviver a conversas mais elevadas ou para causar uma boa impressão em meus circulos sociais tão insustentavelmente frágeis, mas porque um pouco de cultura é normal mesmo. A meta é pelo menos um filme por semana; todos os filmes que sempre quis ver mas nunca tive tempo ou fui atrás, agora tem seu espaço garantido em meus fins de noite, desde os trash até os clássicos, com brecha até para algumas sessões de flashbacks - apesar que, talvez rever "Um amor para recordar" não tenha sido uma idéia tão boa...

Ao som de: Only Girl (In the World) - Aston.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Ignorar é normal

- Ei!

- Oi?

- O que está fazendo?

- Como assim?

- Porque me ignorou ontem?

- Eu não te ignorei.

- Claro que ignorou. Não falou comigo a noite toda.

- Aí, tá vendo, são duas coisas diferentes. Eu só não falei com você ontem.

- Porque você me ignorou!

- Se eu estivesse te ignorando, não falaria com você agora, não é?

- Mas agora fui eu quem veio atrás de você, porque ontem você praticamente esqueceu que eu existia!

- Só porque eu não falei com você?

- Claro, a gente se fala todo dia!

- Então se a gente se fala todo dia, e eu não falo com você uma vez, isso é ignorar?

- Não me diga que não me ignorou ontem!

- Nós só não conversamos, porque não veio me chamar ontem se precisava tanto falar comigo?

- Mas eu não precisava falar com você...

- Então qual é o problema?

- O problema é que você me ignorou!

- Mas se você não queria falar comigo, porque estamos discutindo?

- Não estamos discutindo, eu só quero saber porque me ignorou ontem!

- Eu não te cumprimentei quando cheguei?

- Sim...

- Eu não me despedi quando fui embora?

- Sim...

- Então exatamente como isso pode ser ignorar alguém?

- Porque ficou a noite inteira, entre o oi e o tchau, sem conversar comigo!

- Mas você queria conversar?

- Não é isso que eu quis dizer!

- Então o que você quis dizer, já que agora estamos conversando...

- Acontece que nós sempre conversamos...

- Sim, eu sei.

- Então não acha estranho não termos conversado ontem?

- Mas se você não precisava conversar comigo, qual é o problema?

- Você também não precisava conversar comigo não? Conversou com outras mil pessoas menos comigo!

- Ok, desculpe, eu ainda não consegui entender...

- Nós deveriamos ter conversado!

- Por que?

- Porque nós sempre conversamos!

- Mas não conversar de vez em quando é normal...

- Não quando duas pessoas estão acostumadas a conversar todo dia. Quando uma das pessoas não conversa com a outra, é sinal de que algo está errado.

- Nada está errado, nós só não conversamos...

- E você não acha estranho?!

- Se nem você e nem eu precisávamos conversar, é normal não assunto assim, todo dia, pra ser conversado.

- Mas nós conversamos todo santo dia. Algo deve ter acontecido para você me ignorar daquele jeito!

- Eu já disse que não te ignorei! Estamos conversando normalmente, não estamos?

- Estamos...

- Então me diga onde está esse tal problema com o qual você está tão preocupada?

- É... Talvez eu tenha exagerado...

- Mas se conversar todo dia significa tanto para você, pode deixar que eu vou fazer a minha parte, ok?

- Eu só achei estranho, sabe... Da noite pro dia, duas pessoas não se falarem assim...

- Eu sei, eu sei, mas estamos bem, certo?

- Certo. Preciso ir, mas conversamos amanhã, né?

- Claro, um beijo, viu.

Isso vai ensinar a ela a não me ignorar igual ela fez anteontem. Parece que às vezes só assim percebem que estamos vivos. Custa me dar um pouco de atenção? Nos falamos todo dia, pô!

Ao som de: Can't Get You Out of My Head - Kylie Minogue.