sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Refazer

É um fato da vida: todos nós cometeremos erros de vez em quando. Alguns sofrem as conseqüências de ações mal-pensadas, enquanto outros se calam em desespero por arrependimento de coisas que deixaram de fazer. Há aqueles que se envolvem com as pessoas erradas e são forçadas a pagar pelos erros de outros, mas que acabaram por ser seus próprios erros no fim. Todos nós teremos momentos de fraqueza e seremos forçados a aprender com nossos desenganos, mas um passo em falso não significa necessariamente que nos perdemos do nosso caminho. A diferença está em deixar que um erro o defina, ou então aprender com isto e seguir em frente. As coisas mais bem feitas da vida não foram feitas na primeira tentativa, e isto deveria servir de lição para nós que erramos mas que nos recusamos a desistir até finalmente acertarmos. E o segredo para acertar está exatamente nisto: refazer.

Se um desentendimento interrompe uma amizade, devemos simplesmente abrir mão da pessoa que nos fazia rir, ou aprender a lidar com nossas diferenças para voltarmos a rir depois? Se um ato falho separa um casal, devemos aceitar o fato de que aquilo não era mesmo amor, ou honrar o compromisso que zelávamos tanto e tentar achar uma solução? Se dizemos algo que não deveria ter sido dito, devemos nos tornar escravos de nossas palavras, ou repensar o que dissemos e tentar reparar o estrago que fizemos? A verdade é que estamos em constante construção, jamais prontos ou completamente preparados para lidar com os enganos que virão; estamos apenas mais fortes do que os erros que cometemos no passado, e que já não fazem mais parte da nossa história atual.

Renovar nossas ideias é preciso, reavaliar nossas prioridades é necessário, e refazer a nós mesmos é essencial se queremos continuar em sintonia com um mundo que não pára de girar nunca; muito menos quando fazemos uma cagada.

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Trilha sonora de Setembro (2011)

01. Juicy – Better Than Ezra

02. I Try – Macy Gray

03. More Today Than Yesterday – The Spiral Staircase

04. Come on Closer – Jem

05. Somebody to Love – Queen

06. My Life Would Suck Without You – Kelly Clarkson

07. Everything – Michael Bublé

08. Be Prepared – The Lion King

09. Yoü and I – Lady Gaga

10. Come As You Are – Nirvana

11. Free Loop – Daniel Powter

12. First Day of My Life – Bright Eyes

13. Every Now and Then – Vonda Shepard

14. Don't Think Twice, It's Alright – Bob Dylan

15. Anything Goes / Anything You Can Do – Glee

16. Charm You – Venice

17. Pretending – Glee

18. In the Real World – Roy Orbison

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A arte de fazer arte

Eu tenho uma veia artística que venho exercitando ao longo dos anos com muita dedicação; mesmo que outras coisas em mim morram, como a sensibilidade do amor ou a felicidade com pequenas coisas belas do dia-a-dia, ao menos isto restará em mim.

Comecei a desenhar bem novo, quando a diversão da minha vida era ficar dentro de casa e dar vazão à minha criatividade por mim mesmo em vês de sair e brincar com meus amigos - e, pensando bem, acho que não mudei muito desde então. Quando os desenhos na televisão tornaram-se repetitivo demais, eu comecei a criar os meus e logo meu quarto tornou-se uma bagunça repleta de personagens e lápis de cor espalhados pelos cantos, mas que, quando eu os reunia com minha imaginação, acabavam por resultar nas mais belas e diversas ilustrações que um garoto entediado de doze anos poderia criar.

Durante o ensino médio alguns rabiscos de personagens animados ainda habitavam meus cadernos, mas assim como eu, meus sentimentos cresceram e já não cabiam mais em folhas de papel com desenhos meticulosamente elaborados e coloridos; agora eu precisava escrever para expressar meus pensamentos. O que eu não esperava - logo eu, que odiava estudar a língua portuguesa completa com suas regras, acentos e transições verbais - era o quanto minhas palavras tornaram-se tão meticulosamente elaboradas quanto meus desenhos de infância. Serviram para que eu ficasse rico ao vender redações para outros alunos menos criativos e mais intelectualmente desafiados, e também para que eu optasse por uma área de trabalho bastante promissora: a faculdade de Jornalismo.

A única falha no plano foi que Jornalismo parecia não dar tanta atenção às minhas capacidades artísticas quanto dava a coisas que para mim tinham menos importância, como os acontecimentos do mundo real e outras coisas do tipo. E então eu me vi a sós com meus dotes artísticos de novo, mas desta vez era diferente: desta vez não havia uma direção cuja qual eu estava seguindo para utilizá-los ao meu favor, o que me fez enlouquecer um pouco. Felizmente, enlouquecer só me fez bem e me mostrou qual caminho eu deveria seguir agora: não havia nada mais desafiador para um artista do que encontrar sentido na sua incoerência e sobreviver para contar a história. E qual é o curso que lida com todas as contradições mentais que condicionam e orientam os seres humanos? Psicologia, claro. Não há arte tão bela e pura quanto uma neurose saudável.

E hoje eu continuo assim, produzindo arte como posso: ilustrando personagens, descrevendo suas características mais curiosas, e estudando para que possa ajudá-los a enxergarem sua própria beleza e para que aprendam a lidar com ela. E continuo acreditando que exercitar meus dons artísticos é algo intensamente instigante, mas que seja junto a outras pessoas tão engajadas quanto eu. Porque lidar com naturezas mortas nunca me interessou.

Ao som de: Putting It Together – Barbra Streisand.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Igorcentrismo

Algumas pessoas possuem uma sensação de auto-suficiência tão grande que ultrapassa até mesmo os limites conhecidos por nós, meros mortais, através de meras definições como "egocêntrico", "metido", "egoísta" ou "vaidoso". O mundo interior destas pessoas na verdade é tão poderoso que as engole de tal forma que este realmente acaba virado de ponta-cabeça, acreditando solenemente que seu mundo é o mundo real enquanto nós, os outros, somos quem vivemos alienados a ele. Mas em meus dias mais felizes devo confessar que compartilho parte destas impressões e as reproduzo em meus amigos, minha família ou em meu trabalho.

Se está cochichando algo a alguém, sei que está falando de mim, ou então está me olhando diferente como se estivesse pensando algo que não quer que eu descubra, com certeza é alguma malícia relacionada a mim. É fácil ver o próprio umbigo como o centro do universo; basta ter auto-estima o suficiente para transformar o resto da humanidade em meros personagens secundários de um show onde você é a estrela e só a você cabem os holofotes. Não querendo dizer que é assim que me sinto, mas ultimamente tenho tido vários momentos e até dias de "Igorcentrismo" que simplesmente não pude evitar, mas ainda consigo mantê-los sob meu controle e sob a paciência dos meus figurantes.

E as pessoas me perdoam porque sabem que isto é apenas conseqüência da minha iminente felicidade que aos poucos deixou de ser uma característica estranha do meu papel, e tornou-se algo naturalizado em minha própria natureza - como se já não possuísse teatricalidade o bastante.

Sinta-se livre para se sentir a pessoa mais importante do mundo; pelo menos para alguém, você é. E não estou falando da sua mãe.

Ao som de: Anything Goes / Anything You Can Do – Glee.

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Em breve, "Você vai adorar o amanhã" – o livro.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Tudo bem

Acordei às 6h30 da manhã hoje. Talvez eu não devesse mais ir dormir pensando em você, se ao menos você não fosse a última coisa na qual penso em meu dia – para não dizer também, a primeira da qual me lembro quando acordo. Mesmo que eu quisesse tê-la de volta, faria diferença agora? Na verdade, acho que estou ficando bom em perder mulheres que nunca tive, ou então somos nós quem nos tornamos bons em fingir que nada aconteceu quando nos cruzamos no corredor. E talvez o motivo pelo qual eu fui embora e te deixei sem entender, seja o mesmo pelo qual você mesma nunca me explicou porque o único jeito de continuar do seu lado seria à distância. Mas quantas vezes eu te disse que não seria apenas mais um na sua vida?

Eu sinto saudade. Muita saudade, na verdade. Tanta saudade, que me mantém acordado enquanto eu deveria estar ocupado dormindo ou ao menos sonhando com qualquer outra pessoa, não importa se fosse possível ou impossível de tê-la. Mas continuar acordado por sua causa simplesmente não faz sentido, e isto está vindo de alguém que geralmente não gosta de ver sentido nas coisas que sente ou faz. E está chovendo lá fora, mas a tempestade que vive em mim parece mais agitada do que a água caindo na cabeça das pessoas na rua. Eu nem sei o que te diria se tivesse a chance, assim como não imagino o que você ainda deve estar pensando disso tudo.

Meus amigos dizem que você nem pensa mais em mim, porque se pensasse teria corrido atrás de mim. Mas você correu; depois de algum tempo já separados, e só não foi o bastante para me satisfazer. O que me faria feliz mesmo ainda é aquilo que eu já te disse várias vezes: ter você inteira. E para alguém cuja vontade de te ter inteira é tão grande, eu deveria ao menos passar mais tempo sonhando com isto. Em vês de estar aqui acordado, vendo o sol nascer e repensando minha decisão de ter expulsado você da minha vida sem a decência de uma explicação ou a honra de um adeus. Mas isso é só porque quando me lembro de você hoje, só os bons momentos me vem a mente.

A verdade, e algo que me frustra mais do que a vontade de te querer tanto, é que você também cometeu erros. Você só não os assumiu e o pior; antes de começarmos a fingir que não nos conhecemos, você fingiu que não entendeu nada e eu me tornei o culpado por ter ido embora sem motivo. Você sabe o motivo, e eu te odeio por ter feito o que fez. Infelizmente, você só me usou daquele jeito porque eu mesmo estava desesperado para ser importante para você. Desesperado para tê-la debaixo do meu teto, sob o meu cuidado, e que não importasse as circunstâncias, desesperado para que eu fosse o primeiro que você visse quando o dia nascesse. E que você gostasse de mim por isso.

Eu não deveria estar pensando nisso ainda. Pelo contrário, eu deveria estar dormindo. E eu gostaria muito de poder dizer que você roubou minha capacidade de sonhar com outras mulheres mais capazes de me fazer feliz, ou de se entregarem a mim por inteiras. Mas pensar em você é só o que me restou, e eu nunca imaginei que ver você todos os dias e fingir que nada aconteceu seriam tão... Bom, seja lá qual for a palavra, é o que está me mantendo acordado por todos esses meses. Tudo bem, não me preocupo. Quando for a hora certa, sei que meu sono chegará e logo estarei sonhando com outra pessoa. E enquanto esta hora não chega, acho que vou me esforçar mais para pensar menos em você. Porque se você diz que não sabe o motivo pelo qual eu fui embora até agora, e nem eu sei a razão de não ter sido mais próximo de você, então já não faz mais diferença. Agora são 7h45 da manhã. Boa noite.

Ao som de: Don't Think Twice, It's Alright – Bob Dylan.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Um pouco de segurança

Em um mundo tão instável todos nós buscamos algo que nos faça sentir seguros. Alguns rodam a chave duas vezes na maçaneta para garantirem que nenhum estranho invadirá seu lar, outros inventam senhas indecifráveis para proteger suas contas bancárias, e ainda há aqueles que sempre tentam manter um bom relacionamento com seus amigos para certificarem-se de que terão ajuda em caso de emergências.

Mas garantir uma boa sensação de segurança não é algo fácil, especialmente quando nos encontramos em risco e descobrimos que tudo aquilo que tínhamos como certo vem a nos deixar desamparados; a família com a qual contávamos pode não nos oferecer o conforto que esperávamos, os amigos com os quais convivíamos podem nos abandonar sem explicações, e ocasionalmente podemos acabar sozinhos sem ter quem nos ajude a nos reerguer quando as coisas se tornam difíceis.

Assim, alguns de nós passam a viver em um constante estado de alerta; ressegurando-nos de que nossos amigos guardarão nossos segredos, que nossa família se prontificará a cuidar de nós quando precisarmos, e nos certificando de que nossa vida financeira não desabe para que nosso lar continue sempre aberto para nós quando precisamos de refúgio de um mundo tão perigoso. Infelizmente não importa o quanto nos sentimos seguros, sempre haverão momentos de incertezas que nos farão perguntar, "Será que dividirei minha vida com alguém um dia?" ou "Esta pessoa irá partir meu coração?".

Por isso precisamos estar preparados caso toda a nossa segurança não seja o bastante para suportar tempestades que não podemos prever, seja por ouvir que somos importantes para alguém, ou ao encontrar forças para enfrentar nossos medos, ou quem sabe ao decidirmos ir em frente e fazer a coisa certa mesmo quando isto significa não conseguir o que queremos. Não há nada como uma boa sensação de segurança para nos fazer dormir tranqüilos, mas às vezes é preciso sair da nossa zona de conforto e pular sem uma rede de proteção para nos amparar; só assim conseguiremos sentir como realmente é estar vivo.

Ao som de: I'll Be There - Jackson 5.