segunda-feira, 29 de junho de 2015

O aviso prévio


Nem tudo acaba.

Um dia eu ainda vou aprender, de uma vez por todas, que as coisas são menos definitivas do que eu acredito que elas sejam. Que os objetos na visão do retrovisor podem aparecer maiores e mais significantes do que eles realmente são. E que, incrivelmente, nem tudo acaba. As coisas só... Mudam.
E eu já tive tantas oportunidades de me permitir aprender isso. Mas parece que quanto mais algo está diante de mim, mais eu procuro por outra interpretação. No mínimo, este é alguém que não gosta de ser contrariado, dado que o que está em sua frente não lhe agradou muito e outro significado precisava ser encontrado. Ou, no máximo, este é alguém que não sabe deixar a vida ser... Simples. Leve. Flutuante.
O ano mal passou da metade, mas a quantidade de desfechos que eu já carrego comigo parecia ser demais para ser verdade. Claro que nem tudo são epitáfios; muita coisa também começou. Mesmo sendo conhecido por deixar coisas boas passarem reto por mim, outras acabaram ficando para tomar mais uma taça de vinho comigo. Descuidos momentâneos, em que a gente se esquece de se auto-sabotar por um instante, mas que acabam fazendo quase toda a diferença. Só não faz toda a diferença porque não foi proposital. Eventualmente na vida, talvez o segredo para ser feliz esteja mesmo em parar de tentar. Na melhor das hipóteses, é melhor isto do que admitir para nós mesmos de que estávamos insistindo em bater nas portas erradas, ou em nos apoiar nas pessoas erradas.
O que eu quero dizer com tudo isto, afinal? Bom, para começar, este tem sido o ano em que as minhas teorias foram se desgastando pouco a pouco, e as minhas verdades tornaram-se cada vez mais rarefeitas. A verdade é que eu nunca realmente soube que as coisas ficariam bem – só parecia algo reconfortante para repetir a mim mesmo, e para dizer aos outros quando estes também pareciam ter a sua fé se esvanecendo. E convenhamos: você acreditou, não foi?

Bom. Eu acreditei.

Para quem me conhece, a minha velha história já deve parecer tão cansada e repetitiva, ao ponto de não parecer mais tão inspiradora. O garoto que se mudou para outra cidade, foi morar sozinho, começou a trabalhar sem nenhuma experiência, e aos poucos aprendeu a salvar uma vida: a minha.
E apesar de não estar me sentindo estável o bastante, eu me descuidei e deixei a porta destrancada. E logo vieram outras pessoas, derrubando coisas no chão e tirando outras do lugar, falando alto e ocupando o meu espaço. E me mostrando cada vez mais que uma vida não vale muita coisa a não ser que seja compartilhada. Porque se não fosse por isto, não haveriam fotos no sofá, jantares ao redor da mesa, ou brindes na sacada.
Quando eu paro para pensar, ainda consigo me lembrar do medo. Da insegurança, da ansiedade.. De como tudo parecia novo e impossível, mas que seguir em frente ainda era mais do que necessário – e voltar atrás não era uma opção. E por anos esta foi a história que eu decidi escrever aqui, quando deixei a vida que eu conhecia para trás, para sair por aí e descobrir exatamente até onde mais eu poderia ir – e quem eu poderia me tornar através disso. E eu gosto de pensar que fui longe.

Por seis anos e mais de seiscentos textos sobre mudanças, amigos, família, saudade, medo, esperança, amor e tudo mais que me fizesse tirar um tempo para refletir e escrever sobre o quanto algo era importante para mim, eu me mantive no meu caminho. Cada capítulo foi como uma migalha que deixei ao longo da trilha, para que quando eu me sentisse perdido ou cansado demais, eu tivesse algo para me lembrar da onde eu estava vindo – e para onde eu queria ir. Encontrei muita gente por aí, e visitei mais lugares do que imaginava ser possível, mas eu ainda acredito que há um mundo muito maior lá fora que precisa ser explorado. E que eu preciso crescer muito mais do que eu pude até agora. E da última vez que senti isso... Eu fui embora e comecei de novo.

Algumas coisas acabam, outras mudam. Eu sou do segundo tipo.

Considere este o meu aviso prévio, Cascavel: eu estou indo embora. Mas antes de ir, tem algumas coisas que eu ainda gostaria de escrever para você...

Ainda faltam 28 dias.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Terminar é normal


ELA: Um dia eu vou morar aqui...
EU: Pff. Ah, vai...

E foi assim que começou.

***

Alguns anos depois, ela me disse que tinha uma entrevista para ir. Uma vaga de estágio imperdível, e que precisava de pouso. E é claro que ela podia ficar aqui; a entrevista era bem cedo, e pra quem pegava o ônibus de volta para outra cidade todas as noites após a faculdade, seria muito mais fácil já estar por aqui. E ela ficou.

***

Quando ela conseguiu aquela vaga, me mandou uma mensagem perguntando se poderia ficar aqui por alguns dias. Duas semanas no máximo, só até encontrar um apartamento. E por um momento eu senti um aperto: seria pedir demais da minha já demasiada zona de conforto. Um abuso da minha boa vontade, da minha privacidade preguiçosa, e da minha rotina solitária com a qual eu aprendi a lidar com o passar dos anos. Mas seriam só duas semanas, Igor. Que motivos você tem para dizer “não”, realmente?
É claro que você pode ficar aqui.

***

(Um mês depois)

ELA: Eu vou ao mercado.
EU: Tudo bem.
ELA: Você quer ir?
EU: An... Você quer que eu vá com você?
ELA: Não.
EU: Você quer que eu *queira* ir no mercado com você?
ELA: Não.
EU: Você quer que eu *queira* ir ao mercado com você, sem ter que perguntar se você quer que eu vá ao mercado com você?
ELA: Sim.
EU: Ah, ok. Vamos lá.

E foi tão natural, como se ela estivesse ali desde o começo.

***

Quando dois meses se passaram, eu me peguei pensando no quanto nós já havíamos brigado. Sobre ela deixar a porta do box do banheiro aberta – eu queria ela fechada. Sobre presunto e queijo – ou ela comia o meu quando acabavam, ou eu acaba comendo o dela escondido. Sobre ela nunca usar o porta-copos da mesinha de centro. Sobre a janela aberta no quarto dela sempre fazer com que a porta batesse. Sobre a louça suja. Sobre o chinelo espalhado pela casa – com cada pé em um canto diferente. Sobre marcas de tempero para carne e sabão em pó – que diferença isso fazia?!
Não estava sendo fácil dividir o mesmo espaço. Por outro lado, a casa nunca pareceu tão... Cheia. Melhor ainda; a casa nunca pareceu tão viva. E mesmo quando as coisas já pareciam estar acomodadas, eu resolvi formalizar:

EU: Por que você não fica aqui mesmo?
ELA: Eu quero ficar.

E ela ficou.

***

Com o passar dos dias, qualquer coisa que acontecesse entre nós servia de motivo para sentarmos na sacada e discutirmos sobre o quanto aquilo significava para nós. Fosse durante o dia, entre revezamentos de copos de tereré, ou à noite entre rodadas filosóficas de uísque. E ao olhar em retrospectiva, foram mais coisas que nos uniram para conversar, do que nós preferíamos guardar para nós mesmos. Nada passava batido por nós, e tudo poderia ser dito com sinceridade.
Era o tipo de compartilhamento livre e suave que eu jamais considerei ser possível. E o tipo de amizade que, por mais que houvessem outros colegas passando por nós, a sacada e o sofá da sala, não era algo que pudesse ser comparado. Porque era mais do que uma divisão de contas, ou um companheirismo informal. Era um compromisso a ser respeitado. Uma família a ser honrada.
E as vezes em que ela chegou em casa chorando, ou quando ela mesma me encontrava aos pedaços pela casa, encolhido no meu quarto ao som de qualquer fundo melodramático, com a porta entreaberta, ela sabia que podia se aproximar para ajudar. E quando eu batia na porta dela, ela já sabia que as notícias não eram boas. Dentre tantos outros rituais que nós aprendemos a criar e a obedecer, uma coisa era fundamental: nós sabíamos que sempre estaríamos ali um pelo outro, e tudo ficaria bem.

***

Ela nunca soube lidar bem com o fim das coisas. Eu, por outro lado, preferia nem dar chance para que qualquer coisa começasse. E por um bom tempo nós vivemos assim, em extremos, porém teimosos em convencer o outro de que era necessário mudar, crescer, viver. Mas nenhum dos dois estava realmente disposto a criar coragem para isso. As coisas estavam bem do jeito que estavam, e enquanto não estivesse muito frio para sentar na sacada lá fora, ou enquanto ainda fosse divertido juntar as visitas para nossa já famosa foto no sofá, nós sentiríamos que nada havia mudado.
Até que mais alguns dias se passaram. Que se tornaram anos, que nos empurraram para frente. Até nós descobrirmos que os nossos maiores medos precisavam ser enfrentados... As coisas precisavam terminar para dar espaço para novos rumos.

E foi assim que ela tomou a frente em tomar a coragem de dizer, finalmente, que terminar era mais do que normal: era necessário.

***

Talvez eu nunca saberei colocar em palavras tudo o que isto significou para mim. Afinal, você quis dividir o mesmo espaço comigo. Eu, que por muito tempo vivi sozinho e escondido do mundo, e me convenci de que isto poderia ser confortável o bastante para não me incomodar pelo fato de que é impossível ser feliz sozinho. Você me obrigou a fazer as refeições na mesa da cozinha, por onde eu estava mais acostumado a desviar do que me sentar para ter algum momento em família. Você sempre teve um filme, ou uma cena de algum seriado, ou uma música para te ajudar a explicar alguma lição que eu precisava aprender. E quando eu não aprendia, e me colocava a chorar, você foi curta e grossa comigo: sofreu porque quis. Você havia avisado, e era bom eu aprender de uma vez por todas que certas pessoas não valem a pena, que os meus valores precisavam ser conservados, e que não há nada de errado em dizer “não”, ou em desistir de causas verdadeiramente perdidas, ou de chorar um pouco por isso se for necessário. Mas só um pouco.
Você fazia o copo do tereré na medida que achava correta, enquanto confiava em mim para a tarefa mais simples de preparar o suco. E em troca eu confiava em você para servir o meu uísque, no limite exato para nos manter entre a filosofia e a ressaca do dia seguinte.
Você fez de tudo para que eu não desistisse de mim, mesmo quando eu achava que não havia mais forças para lutar. E quando realmente não houve, você me acolheu.
Ah, a ironia.

***

Por anos eu repeti que o mundo não é mais um lugar romântico, mas que algumas pessoas ainda conseguem permanecer assim, e que cabe a elas uma promessa.
Eu sempre soube que você também era uma dessas pessoas. Senão o que mais explicaria os últimos dois anos e meio?
E aqui finalmente tenho a redenção de me ver livre do inefável: foi amor.


***

ELA: Quem faz o brinde hoje?
EU: Eu faço. Um brinde a nós.
ELA: Saúde.

E foi assim que Joyce Camapum morou comigo por dois anos, seis meses e uma semana. Ela sempre soube, desde o começo, que isto aconteceria. E por ela, e tudo o que ela me trouxe, eu só posso dizer: muito obrigado.

terça-feira, 16 de junho de 2015

A zona de conforto


Existe uma diferença bastante suave entre estabilidade e estagnação. Tal diferença que eu só fui capaz de compreender mesmo quando finalmente me peguei preso entre as duas coisas – e me sentindo perdido ao mesmo tempo.
Eu entendo que as coisas acabam. Repeti isto incansavelmente até que todas as coisas, bom, acabaram de fato. E assisti os rostos pelos quais eu passava diariamente se dispersarem nas multidões do mundo afora, enquanto nossas lembranças se espatifaram no chão a medida em que cada um de nós decidiu trilhar um caminho diferente após o apocalipse de luz e fúria chamado de formatura pelo qual nós esperamos por tantos anos, e pagamos tantas parcelas de carnês, só para descobrir que estávamos mesmo mais desprevenidos do que poderíamos imaginar. Quanto a mim, a minha imaginação só conseguiu ir até a definição de qual música eu escolheria para tocar na minha entrada para a festa. Algo épico, grandioso, lendário. E, por conseqüência, definitivo.
Até aí eu já escrevi bastante. Eu saí por aí e fiz o que qualquer adulto é obrigado a fazer: forcei o limite da minha resiliência até encontrar bases o suficiente para que eu pudesse me sentir normal de novo. Mais do que normal: seguro. O que, eventualmente, tornou-se o ponto de equilíbrio entre o que você quer e o que você pode ter desta vida.
Mesmo sem perceber, eu sempre tive esta capacidade em mim de transformar matérias primas aparentemente dizimadas em patrimônios históricos. Ao empurrar um sofá velho ao encontro de um papel de parede que nunca me agradou muito, eu criei um cenário perfeito para os meus retratos de família. Ao teimar por querer ter duas cadeiras na sacada lá fora, eu fiz daquele pequeno espaço a céu aberto um grande santuário. E ao permitir que certas pessoas tomassem a liberdade de tratar a minha casa como se fosse delas mesmas, eu aprendi que mais valia a pena compartilhar uma vida do que escondê-la.
Claro que eu também tive a minha dose de descontentamento. As vezes em que eu chorei pelos cantos, ou que me peguei sentado no chão da cozinha, me perdendo no limite do vazio do apartamento e do eco da minha própria existência. Quando ainda não havia em quem me apoiar, ou para quem eu pudesse dizer tudo o que pairava em mim sem moldura ou sentido, e que por parecer não se encaixar em nada nem com ninguém, também acabava esparramado pelo chão junto comigo.
Durante a maior parte do tempo, eu não soube o que fazer. E por muitas noites eu tive medo. Medo, culpa e dúvidas. Será que eu fiz a escolha certa? Será que era preciso mesmo ir embora? E se eu tivesse ficado? E se eu voltasse? Alguém sabe me dizer? Não. Ninguém soube. Até porque, por muito tempo também, não houve mais ninguém. Ao entrar por aquela porta depois de mais um dia de trabalho, ela se mantinha trancada até o dia seguinte. Ninguém tinha chance.
Ouve-se falar muito sobre zonas de conforto. Ironicamente, as minhas sempre fizeram jus à bagunça que a própria expressão insinua. Meus pensamentos, sempre aleatórios. Minhas metáforas, sempre me cercando. Minha insegurança, sempre latejando. E o meu coração... Bom, por mais tempo do que eu deveria ter permitido, ele optou mais por escrever sobre o caminho trilhado, do que prestar atenção ao que estava adiante. Foi assim que muita gente passou batida, e muitas oportunidades foram jogadas ao vento. Meu Deus, como eu sentia medo até de ter medo. Adultos não poderiam se sentir assim... Podiam?
Enfim, chega a hora em que a gente aprende. Geralmente, são momentos em que a gente se permite não pensar só para variar um pouco, e decide pular sem olhar se existe algum apoio para nós lá embaixo. Eu fiz isso uma vez e foi aterrorizante – e demorou muito para que eu me sentisse capaz de levantar do chão frio da cozinha para enfrentar o mundo lá fora de novo. Mas eu fui – eventualmente – e tudo ficou bem. Cá entre nós, eu nunca soube se tudo ia mesmo ficar bem. Era só algo que eu gostava de repetir, porque eu precisava acreditar.
Sair de uma zona de conforto é assim: bagunçado e impiedoso. Abrir mão do conhecido para pular do abismo, sem rede de proteção. Da última vez que eu fiz isso, uma cidade inteira ficou para trás – assim como muitos rostos conhecidos e lembranças de ruas e avenidas pelas quais nós costumávamos passar. E é exatamente este o segredo: deixar passar. Construir, demolir, reconstruir. É o próprio fluxo natural da vida, mas por que é tão doloroso para nós admitir que as coisas são finitas. Que estabilidade é boa, mas que estagnar-se é o fim. Por muito tempo eu não me senti estável, ou seguro, ou acompanhado. Mas eu segui em frente, porque era o que fazia sentido. Era o normal a ser feito. Não era necessariamente o que eu queria fazer, e definitivamente não foi confortável. Mas eu fui, e deu no que deu: eu fiquei bem. As coisas não acabam; elas mudam. E eu nunca me senti tão vivo quanto aqueles dias, em que o amanhã parecia tão especial. Tão esperançoso. Tão cheio de... Possibilidades.

E é por isso que eu vou embora.  De novo.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

A promessa


Para quem costuma se afeiçoar muito pelas metáforas flutuantes que encontro por aí, até mesmo quando não há nada para ser encontrado, eu sempre me pego desprevenido diante de um símbolo de verdade. Porque apesar de tudo o que há para ser disto sobre isto, no final do dia é isto o que esta aliança de namoro no meu dedo realmente significa. Um compromisso a ser zelado. Uma promessa a ser cumprida.
Talvez hoje não seja o melhor dia para discorrer sobre isto, mas os últimos dias também me pegaram de surpresa com tudo o que trouxeram – e, mais ainda, com as escolhas que eu me peguei fazendo. Por outro lado, talvez hoje seja mesmo mais um dia decisivo dentro da contagem regressiva que eu iniciei, mais uma vez. Três dias atrás, eu finalmente aceitei o que 2015 estava tentando me dizer desde, bom, 2014: está na hora de seguir em frente.
Mas quando tudo à minha volta estava terminando, eu encontrei você. Você e o seu sarcasmo revoltante. Você e as caixas de iogurte que me traz toda semana. Você e o seu mal humor durante aquela semana crítica do mês. Você e o seu desgosto por filmes de terror, música eletrônica e cerveja gelada. Você e os seus mistos quentes feitos na frigideira nas manhãs de domingo. Você e os seus cafunés. Você e os seus drinks feitos com vodka e energético. Você e os jantares que decide cozinhar até mesmo quando está tarde, ou quando faltam os ingredientes para fazer o seu próprio molho de tomate. Você e a sua taça de vinho, que eu sirvo sempre antes da minha, nas noites de inverno em que você se faz presente desde o fim do outono. Quando eu encontrei você e algo, entre as minhas ruínas, começou.
Não foi fácil ter que dizer à você que o que a gente tem é incrível, inesperado, imperdível, mas também impossível de ser protegido enquanto eu ainda estiver aqui, lutando contra as minhas próprias contingências. Eu preciso de impulso, de ar puro, de novas probabilidades para crescer e ser alguém um pouco melhor do que o cara que chega em casa todas as noites, estressado por conta do trabalho ou irritado porque as contas da casa irão durar mais do que o próprio mês que as trouxeram. Você merece um cara mais tranqüilo, menos grosso e mais determinado a evoluir ao ponto de que não seja mais necessário dividir as despesas no caixa do mercado. Você merece mimo, carinho, cuidado.
Você merece amor. E especialmente hoje, depois dos últimos dias que tive, é esta a promessa que eu lhe faço, completa com este compromisso enlaçado no meu dedo: nós vamos ficar bem.
Nós vamos continuar bem, porque o que faz um relacionamento funcionar não é o fato de que compartilhamos o mesmo CEP, mas o fato de que estamos juntos nisso. Com um compromisso a ser zelado, não importa o que aconteça. Talvez seja isto o que os meus amigos ficaram tentando me explicar por anos quando diziam que, “Um dia você vai saber como relacionamentos não são tão simples assim”. Eles tinham razão. As coisas ficaram complicadas, mas não impossíveis.
Antes de arrumar qualquer mala, eu deixei a promessa do nosso compromisso em suas mãos. E depois de quase três meses, algo inesperado aconteceu para mim mais uma vez: você decidiu seguir em frente comigo.  E eu não sei mais como te agradecer, a não ser por tentar honrar esta promessa com você.

Eu te amo. E Foz do Iguaçu é logo ali.

domingo, 7 de junho de 2015

Mais do que palavras


Às vezes eu acho que escrevo mais do que deveria. Não me entenda errado; eu falo bem mais do que eu deveria também, mas com a escrita é diferente. A escrita envolve pensamento, planejamento... Não pode derramar algo em um papel simplesmente sem filtrar nada daquilo antes. Você optou por aquela letra, aquela palavra, aquela frase... O que torna a experiência definitivamente mais significativa e, por isso mesmo, mais perigosa. E eu escrevo demais, sempre escrevi, mas não consigo me imaginar vivendo de qualquer outro jeito. Prefiro ter arrependimentos em forma de vírgulas e dois-pontos, do que morrer engasgado com um ponto final fatal que poderia ter salvo a minha vida caso eu decidisse admiti-lo não só em voz alta, mas em tinta também. Ou em manuscritos virtuais, já que é assim que a vida tem funcionado ultimamente.
Foi exatamente este perigo, este risco constante de ser pego desprevenido enquanto transcrevia o que deveria ser apenas mais um período em uma composição ordinária, e descobrir que aquilo que você achava que sentia era só a ponta do iceberg. Você pode descobrir muito sobre si mesmo quando escreve, especialmente quando quem guia a ponta da caneta é o seu coração. Quantas vezes você já respondeu uma mensagem a alguém, dizendo que estava tudo bem, enquanto chorava do seu lado da tela? Palavras são maravilhosas, mas também podem ser afiadas e até mesmo impossíveis de serem retiradas depois que são libertadas ao mundo. Particularmente falando, eu não as temo. Pelo contrário, na maioria das vezes até penso que tenho mesmo algum poder sobre elas e o efeito que podem causar quando abro mão do meu raciocínio para compartilhá-lo com qualquer leitor que se interessar pelo desafio de tentar entender minhas neuroses, minhas fantasias, meus travessões.
O problema é que, depois de um tempo, as palavras passaram a falhar comigo. Não por me ferirem ou me sabotarem de algum modo, mas por não serem mais capazes de me satisfazer como outrora conseguiam. Palavras não eram mais o bastante para mim; era preciso viver, e descobrir de uma vez por todas o que todas aquelas frases-prontas significavam, como “Eu estarei do seu lado”, “Acredite em mim” ou “Eu te amo”. Eu superei não só o meu medo, mas a minha necessidade das palavras, e aprendi uma das já famosas lições que toda pessoa vai aprender não uma nem duas, mas ao menos umas quinze vezes nesta vida: palavras não importam tanto quanto ações. Falar é fácil, escrever é lindo. Agora, quero ver mesmo sentir na pele.
Eventualmente, eu encontrei o meu caminho de volta aos cadernos, à frescura pelas canetas certas para dar conta de tudo que sentisse vontade de registrar em um papel, e aos súbitos olhares distantes no meio de multidões que pareciam ocupadas com qualquer coisa exceto pelos pequenos detalhes ao meu redor que só eu parecia capaz de perceber e até achar bonito. Aquele vento forte batendo naquela árvore, não poderia significar a nossa própria mortalidade sendo constantemente desafiada pela natureza? E aquelas mãos dadas daquele casal atravessando a rua, poderia esconder meses ou até anos de dificuldades de compromisso e superação de obstáculos até finalmente encontrarem um conforto real e digno do amor em si para apoiarem-se um no outro e serem capazes de andar, enfim, no mesmo ritmo? Talvez, com um bom raciocínio, uma dose generosa de criatividade e as palavras certas. Nunca subestime o poder de um escritor – ou até mesmo, o projeto cambaleante de um – de encontrar literatura em qualquer coisa ao seu redor. Mas tudo isso só começa mesmo com as palavras e a decisão de domá-las e transformá-las exatamente naquele pensamento que você teve quando estava à toa ali, parado debaixo de árvores e observando as pessoas. Parece simples, mas pode dar luz à mil significados diferentes. Alguém pode me emprestar uma caneta decente?
No fim, eu preciso agradecer às palavras por sempre terem sido tão misericordiosas comigo e pelos anos de colaboração que tivemos sem exigir nada em troca a não ser uma bela moldura para os pensamentos de uma mente neurótica, porém sensata que com os cuidados e as conjugações certas, poderiam deixar de ser vistos como transtornos para virar arte. Mas hoje em dia é diferente; não vivo apenas com palavras, ou para as palavras. Vivo para mim, e deixo que todos os contos que sentir a inspiração para dar vida também, sejam conseqüências da minha existência neste mundo louco e intransitivo. Porque apesar de fantásticas, nem tudo na vida são palavras. Porque um “eu te amo” deve ser calculado, repensado e revisto repetidas vezes antes de encontrar seu caminho rumo a um pedaço de papel ou o ouvido de alguém. Mais vale andar de mãos dadas com alguém, porque se tem uma coisa que eu aprendi depois de anos tentando encontrar as medidas certas para os meus sentimentos é isto: a vida é mais do que palavras. É o que você faz com elas que conta.


(Texto publicado originalmente em 13/04/2013)

sábado, 6 de junho de 2015

O melhor de você


O que é intimidade? É o que separa os colegas dos amigos, e o que diferencia amigos de irmãos que você escolheu para si. E pra ser bem sincero, tudo que vem com isso é muito bom. A facilidade com a qual eu jogo minha chave pela janela porque estou com preguiça de ensinar a eles como funciona o interfone problemático do meu prédio e já deixo a porta aberta para entrarem, é a mesma que eu tenho para dizer a eles quando algo está errado. Na verdade eu nem preciso dizer nada, porque um silêncio inesperado, um olhar torto, uma piada que eu engoli em seco e às vezes até mesmo uma vírgula fora do lugar (ou uma ausência de qualquer palavra que me ajude a expressar o que está acontecendo) já servem para me delatar e para pedir ajuda a eles por mim. Pensando bem talvez eu não tenha tanta dificuldade assim em pedir ajuda, porque em se tratando de amigos e pessoas ao meu redor para me socorrerem em momentos difíceis, eu ando muito bem acompanhado.
O problema em dar intimidade para que as pessoas entrem na sua casa, na sua vida e no seu coração e deixar que se sintam à vontade é que, bom, é uma merda. É só dizer que não tem problema em derrubar migalhas no chão, ou esquecer de usar o porta-copos da mesinha de centro às vezes, ou não fechar a porta da geladeira direito, ou zoar meu Facebook quando eu esqueço ele aberto... De repente lá se foram as regras, o controle, o bom senso e alguns copos que foram quebrados entre uma festa e outra. Entre a intimidade e o respeito, existem sub-níveis de ousadia e imprudência que, querendo ou não, fui eu quem permiti que rolassem soltos assim como os parafusos da cortina da sala que há tempos ameaçam a cair. Porque não existe intimidade sem abrir mão dos seus limites para que outra pessoa possa realmente entrar não só na sua casa, mas na sua vida e no seu coração também.
O pior não é nem a bagunça em si, mas os cacos de vidro que se acumulam a cada prato quebrado, os sacos de lixo que se amontoam depois de cada jantar, os DVDs que ficam guardados no saquinho errado a cada noite de filmes... Como se os limites, ao contrário da zoeira, deixassem de existir. E de repente quem você convidou para se sentir a vontade aqui já não te faz sentir tão a vontade com eles por perto. Intimidade tem um preço, e pode ser muito alto caso você não esteja acostumado a abrir mão de outras comodidades, como controle ou privacidade.
Eu não gosto de arrumar a bagunça, mas adoro receber todos em casa. A verdade é que eu gosto de ser o anfitrião, o que serve Coca-Cola para os copos de todos, o que fica com a espátula em mãos para alcançar o seu pedaço de pizza, o que prepara a cabeça do arguile, o que deixa a cerveja e a vodka gelando um dia antes de usarmos, o que grava os filmes em potencial para assistirmos, e o que sempre tem os ingredientes para tereré em estoque, porque nunca se sabe quando vamos precisar de uma conversa lá fora na sacada. E faz bagunça sim; até demais. Suja o chão, mancha as paredes, estraga os móveis, derruba as cortinas, risca os vidros, quebra os copos...
Acontece que as mesmas pessoas que já não precisam mais de convite para entrar na minha casa são as mesmas que não precisam mais que eu diga que não estou bem. São as pessoas que há muito tempo deixaram de ser só colegas, e que já aprenderam a pegar a chave quando eu a arremesso da sacada. São as pessoas que sabem aonde procurar comida e onde a cerveja está guardada, e quais copos podem usar sem medo de quebrá-los e me ouvir brigar com eles. Eles sabem que podem se sentir à vontade aqui, porque a verdade é que apesar de morar sozinho, eu não vivo sem eles. Uma deles até se mudou para cá, e foi só abrir a porta, a vida e o coração por inteiro para um que de repente ficou fácil confiar de novo em qualquer um que valorizasse o que eu construí aqui e, mais importante, quem eu sou.
Eu não gosto de arrumar a bagunça, mas preciso admitir que ela não se fez sozinha. E se algo é tirado do lugar, certamente foi porque eu permiti. E uma vez que eu aprendi a permitir que as coisas não precisavam ficar sempre no lugar, esta casa nunca mais ficou vazia. E tanto eu quanto meus amigos aprendemos a conviver quase diariamente com o melhor e o pior de nós mesmos, desde a intimidade até a desordem. É isso que nos fortalece, e é isso que me faz agradecê-los sempre que aparecem correndo não só quando eu preciso, mas quando estamos todos sozinhos em cantos diferentes da cidade. Por que não assistimos um filme? Pedimos uma pizza, tomamos um tereré na sacada. Deixa a porta aberta porque tem mais gente chegando, e pode ficar à vontade.
Quem entrou na minha vida e me aguentou até agora tem todo o direito de colocar os pés na mesinha de centro e relaxar. Sinta-se em casa.


(Texto publicado originalmente em 09/09/2013.)

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Precisamos conversar


                Estas provavelmente são as duas palavras mais assustadoras que uma pessoa pode ouvir. Porque você “precisa” falar comigo? Em vês de só conversar, livremente e arbitrariamente, você “precisa” falar comigo? O que foi que eu fiz? Já estava assim quando eu cheguei. Você deve ter entendido errado. Não foi aquilo que eu quis dizer. Ou foi, não sei, mas talvez eu tenha dito com a entonação errada. É isso, você não me ouviu direito. Ou eu disse errado. Ou eu fiz errado. Ou eu não fiz nada, e você esperava que eu tivesse feito. O que você quer afinal? Me diga agora! Não deixe para depois o castigo que você quer me dar agora. Por que tem que ser pessoalmente? Por que algo tem que ser dito afinal?! Eu achei que estava tudo bem. O que está acontecendo?!
                O que aconteceu foi que as pessoas não conversam mais, vide a necessidade de pedir a você que precisamos tirar um tempo das nossas vidas ocupadas, nossos compromissos inadiáveis e nossas outras mil pessoas em nossas vidas para falar sobre nós e como estamos – e, principalmente, sobre o que vamos fazer. Porque não está tudo bem. Nós podemos continuar fingindo que está, e empurrar com a barriga até aonde der, mas e aí? Tudo tem limite, inclusive nós, e quando cairmos dele não me diga que eu não tentei.
                O silêncio grita. As palavras não ditas sufocam e as decepções que se mantém escondidas atrás de um sorriso amarelo e torto podem ser o gatilho definitivo para o fim de qualquer relacionamento, amizade ou ligação entre duas pessoas que se importam muito uma com a outra, até que alguém fez algo que o outro não gostou. Só que em vês do outro dizer que não gostou, ele guardou para si. Talvez porque quis se convencer de que aquilo não teve importância. Ou de que aquilo não machucou. Ou de que você não quis dizer aquilo. E aí acabamos conversando com nós mesmos para evitar admitir que precisamos conversar um com o outro.
                Pior mesmo é quando eu e você não só evitamos de nos falar, mas trazemos reféns inocentes ao nosso eixo do mal-entendido. E repetimos a história tantas vezes que acabamos por decidir que conversar não adianta. Porque se você realmente se importasse, não teria dito o que dito. Porque Fulano entendeu o que eu senti, enquanto você não percebeu nada. Esse é o problema dos relacionamentos atuais: às vezes quando você pensa que não disse nada, o outro faz do seu nada o universo. E não só é capaz de se perder nele, mas se fere cada vez mais a medida que insiste em não avisar a você que aquilo doeu. Que você não é mais o mesmo. Que você sumiu. Que eu sinto a sua falta. Que nós precisamos nos ver. E que tudo isso só vai ser possível se a gente sentar, olhar nos olhos um do outro e dizer tudo o que queremos dizer. Tudo o que precisamos dizer.
                Quanto a mim, ultimamente eu tenho dado crédito instantâneo a qualquer um que se disponha a me dar atenção. Eu gosto das pessoas, especialmente das minhas pessoas. Gosto de conversar com elas, de saber como foi o seu dia e de como você está. Se tiver algo que eu possa fazer, me diga. E se tiver algo que está me incomodando, nada mais justo do que eu avisar a você de que não, não está tudo bem.
                Não é a toa que fazemos manutenções preventivas em aparelhos e máquinas, mas e quanto a impedir que nossos relacionamentos atrofiem? O que aconteceu com o tempo em que nós conversávamos só por conversar. Quando estávamos contentes só por estarmos juntos. Quando não precisávamos de nada a mais um do outro, porque estávamos em tamanha sincronia que você sempre era capaz de perceber que eu estava precisando de um abraço, ou de uma palavra amiga, às vezes de um conselho ou uma direção. E na grande maioria das vezes, eu simplesmente precisava de que você estivesse aqui, ou de que você me procurasse de vez em quando também.
                Para mim, mais assustador do que ouvir alguém dizer que precisa falar comigo, é quando alguém com quem eu conversava muito já não parece mais tão ansiosa para que troquemos palavras. E cá entre nós, ultimamente eu venho aprendendo cada vez mais que não existem pessoas importantes na vida com as quais é preciso conversar, porque elas geralmente costumam estar sempre por perto. Mas ainda há aquelas que decidem falar tarde demais.


Texto originalmente publicado em 02/09/2013, mas eu continuo não-dizendo muita coisa.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Meu já famoso desabafo infame


De todas as coisas que eu já fui capaz de escrever um dia, as marcações que mais se destacam são as frases batidas sobre sonhos e esperanças. Eu sempre gostei muito de ter um lado puxado para a poesia, mesmo que estivesse abastecido por egocentrismo e paranóia. É um lado que eu curti muito, e que me ajudou a superar varias das fases difíceis que eu tive na vida ao longo dos seis anos que já se passaram desde que eu decidi morar sozinho. E muito mais até, depois que eu aprendi a diferenciar o que era morar sozinho de viver sozinho – e a, irremediavelmente, optar por abrir mão do meu status quo. Porque eventualmente, queira ou não, você aprende que estar sozinho é muito bom sim, mas que isto só te leva até certo ponto. Eventualmente você vai precisar de outra pessoa com quem se possa trocar idéias e debater pontos de vista diferentes – ou, no mínimo, alguém com quem você possa brindar.
Mas à medida em que eu vivo e trabalho para manter o meu ego em cheque e as contas do meu apartamento em dia, eu percebi o quanto muito de mim ficou para trás em nome disso. A gente ouve muito dizer sobre o quando o mundo é cruel, ou que a vida é difícil, mas a realidade pós-formatura tem ido muito mais além do que eu esperava que fosse me custar.
Porque, sinceramente, às vezes parece que para que eu pudesse seguir adiante, partes de mim precisavam ficar para trás. Mas, calma; eu vou dar a você um instante para que possa entender isso.
Em termos poéticos, é como se aqueles sonhos e esperanças tivessem sido obrigados a ser esquecidos em prol de coisas mais importantes, como a árdua tarefa de simplesmente sobreviver. E em termos mais práticos, eu sempre soube que esta seria aquela fase de vida em que eu não faria o que eu quero por um bom tempo, até que as coisas se tornassem sustentáveis o bastante de novo. Eu só não tinha noção de quanto tempo exatamente isto levaria – ou o quanto o horário comercial parece ser interminável, e o quão rarefeitos parecem ser os minutos que me restam a cada fim de noite para que eu possa me concentrar em mim. Sem o peso das responsabilidades do trabalho, da casa ou de tudo mais que me cerca – o resto da minha vida, alheia às minhas horas de trabalho, que um dia parecia ser tão relevante, agora parece estar à mercê de feriados e finais de semana.
Isto é, depois que eu lavar, secar e guardar a louça acumulada na pia durante a semana. E de tirar o lixo negligenciado pelos cestos da casa. E de passar a pilha de roupas que eu ignorei até as meias limpas se esgotarem...
Quanto a estar sozinho, isto é algo que eu não posso alegar. Milagrosamente, já estou há dois meses sendo afagado em um relacionamento estável e feliz. Mas isto não muda o fato de que esta vida, em outros aspectos, tem se mostrado muito... pesada. Adulterada, até, pelos deveres e compromissos a serem cumpridos diariamente, até a luz do fim do túnel (representada atualmente como o período vespertino da sexta-feira) vir ao meu socorro.
E assim o meu lado poético foi tomado por outra parte muito significativa do meu ser: a melancolia. Porque por mais feliz que eu esteja, sempre haverá aquela brecha para olhar para o horizonte e questionar, “Para onde essa vida está indo?”. Assim como sempre habitará em mim o instinto de querer abandonar tudo para seguir viagem rumo a lugar nenhum sozinho.
Claro que a namorada, os amigos, os parentes e os leitores desavisados devem manter em mente que nada disto lhes diz respeito. Esta melancolia é minha, para fins recreativos apenas. Porque no final das contas, não há nada que você não possa escrever em forma de poesia que não parecerá, no mínimo, profundo. Mesmo que não haja nada de relevante a ser dito, há sempre uma necessidade de ser escrito.

E caso você não entenda isso, talvez esteja mais perdido do que eu. Ao menos eu tenho noção da minha futilidade literária. E de que quando se fala de sonhos e esperanças, por mais que você também já não saiba mais quais são os seus, ainda é algo que chama a atenção.