segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Sobre mim, com amor


Às vezes eu estou errado. Tenho um dom para observação, escrita, pesquisa, e procurar entender e tentar dar o meu máximo em tudo que invento fazer da minha vida. Não que eu necessariamente consiga ser bem sucedido todas as vezes. Em parte - ok, em grande parte - porque convivo com uma verdade universal ridiculamente distorcida: estou sempre certo. O restante não passa de som ambiente.

Tenho um egocentrismo do tamanho do mundo. Um orgulho que seria invejável se não fosse tão tóxico. E uma auto imagem tão, mas tão estraçalhada, que é de se admirar o quanto eu a idolatro. Sinceramente? Eu seria a melhor pessoa do mundo, se não fosse por mim mesmo.

Cresci com uma visão absurda que enxerga a necessidade de pedir ajuda como um sinônimo de admissão de derrota. E aí você me pergunta: derrota do que? Pois este é outro problema: cá entre nós, a vida é uma competição. Pelo menos, pra mim é. E isso poderia ser muito saudável - é bom ter ambições, não se contentar pelo regular, correr atrás do primeiro lugar, tornar-se excelente em algo - mas no meu caso não é. Porque ao estabelecer a vida como uma competição, me percebo constantemente ficando para trás. O eterno atrasado. A constante segunda opção. O som ambiente que resta.

Convenhamos que bom humor não me falta. Mas o mesmo sarcasmo e ironia que ajudam a aliviar determinadas situações, são os mesmos que sustentam a melancolia que eventualmente as criam também. As crises existenciais, os dramas familiares, os relacionamentos turbulentos. Tudo meu. Do amor à culpa.

Mas eu quero mudar. Juro. Ser assim é cansativo. Exaustivo. Consumidor ao ponto de me desmotivar a levantar da cama pela manhã e sair por aí, enfrentando a vida. A selva de complicações, pendências e boletos que preciso procurar imprimir uma segunda via pra pagar, porque o original venceu, vez por muitas outras é demais pra mim. E eu sei que a mudança só terá espaço para respirar quando eu finalmente me dispor a ouvir e a reconhecer que - plot twist! - às vezes eu estou errado.

E é isso que quero deixar registrado aqui, para reler quando isto acontecer de novo. Porque é claro que isso vai acontecer de novo. Mudar não me deixará perfeito, por mais que eu sonhe com isto. Mas poderá ajudar. Melhorar, quem sabe. Ser um pouco menos Igor em um mundo que já é incorrigível, inconsequente e grosso demais para a maioria de nós. Mas nem tão menos Igor ao ponto de abrir mão da compaixão, do companheirismo e - por que não? - do sarcasmo que gosto de pensar que me mantém seguindo adiante. Em busca de sonhos e ideais que julgo serem tão essenciais para viver, mas que confesso que os deixo de lado às vezes por preferir muito mais estar certo. Ter razão. Me chafurdar na vaidade do meu convencimento. 

Quer saber? Acho que já estou satisfeito com isso. Não preciso estar certo o tempo todo. Vale mais a pena ser feliz.

Perdoe os meus comentários sarcásticos e não desista de mim.