Pular para o conteúdo principal

Sonhando acordado

Há quase uma semana eu venho tendo o mesmo sonho, todas as noites. Na verdade é mais uma sensação do que um sonho, mas ocorre sempre de noite quando já estou na cama, virando de um lado para o outro na esperança de ficar sonolento. Ontem eu deitei à 00h; eu ainda estava acordado à 1h30.

No sonho, eu me livrei de todo o senso teatral/dramático que me acompanhou durante o colegial, sou bem-resolvido quanto a minha vida (trabalho, estudo, pouco tempo para lazer), e não possuía sequer a mínima complicação amorosa passional que sempre costumava gerar desde os últimos anos em que adquiri consciência. E o mais estranho do sonho é que, até o presente momento, ele ainda não acabou. Mais assustador do que qualquer pesadelo que já tive; tudo isso era real.

No trabalho, eu temo que tudo acabará quando um cliente se impor e reclamar da comida. Na faculdade, eu me fecho para evitar que eu por ventura acorde caso eu finalmente me comunique com alguém. Eu não consigo entender; cadê aquela subjetividade toda que estava aqui?

Eu jamais esperei uma entrada suave no tal “mundo real”, muito menos então que eu me portasse com calma e destreza para assumir responsabilidades, aprender lições novas e – a maior das causalidades – crescer. E então eu percebi; eu não apenas me mudei... EU mudei.

Sem motivo para pânico... ?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Os 5 estágios do Roacutan

            Olá. Meu nome é Igor Costa Moresca e eu não sou um alcoólatra. Muito pelo contrário, sou um apreciador, um namorador, um profissional em se tratando de bebidas. Sem preconceito, horário ou frescura com absolutamente nenhuma delas, acredito que existe sim o paraíso, e acredito que o harém particular que está reservado para mim certamente tem open bar. Já tive bebidas de todas as cores, de várias idades, de muitos amores, assim como todas as ressacas que eram possíveis de se tirar delas. Mas todo esse amor, essa dedicação e essas dores de cabeça há muito deixaram de fazer parte do meu dia a dia, tudo por uma causa maior. Até mesmo maior do que churrascos de aniversário, camarotes com bebida liberada e brindes à meia noite depois de um dia difícil. Maior do que o meu gosto pelos drinques, coquetéis e chopes, eu optei por mergulhar de cabeça numa tentativa de aprimorar a mim mesmo, em vês de continuar me afogando na mesmisse da minha mela...

A girafa e o chacal

Melhor do que os ensinamentos propostos por pensadores contemporâneos são as metáforas que eles usam para garantir que o que querem dizer seja mesmo absorvido. Não é à toa que, ao conceituar a importância da empatia dentro dos processos de comunicação não violenta, Marshall Rosenberg destacou as figuras da girafa e do chacal . Somos animais com tendências ambivalentes – logo, nada mais coerente do que sermos tratados como tal.  De acordo com Marshall, as girafas possuem o maior coração entre todos os mamíferos terrestre. O tamanho faz jus à sua força, superior 43 vezes a de um ser humano, necessária para bombear sangue por toda a extensão do seu pescoço até a cabeça. Como se sua visão privilegiada do horizonte não fosse evidente o suficiente, o animal é duplamente abençoado pela figura de linguagem: seu olhar é tão profundo quanto seus sentimentos.  Enquanto isso, o chacal opera primordialmente pelos impulsos violentos, julgando constantemente cada aspecto do ambiente ...

A justificativa sem fim

45 anos atrás, Pink Floyd disse que não precisamos de educação e aqui estamos nós: aparentemente muito confortáveis com a nossa imprudência. Claro: não imaginávamos que um hino rebelde poderia nos deixar tão mal acostumados, e realmente não é de se culpar o hino - nem nada ou alguém na verdade - a não ser nós mesmos pelo estado da nossa cultura. O problema, como é de se esperar, mora na interpretação de texto - ou então, especificamente, no nosso jeito de ler e reproduzir o mundo à nossa volta, à nossa maneira, sob uma visão espetacularmente egocêntrica. Pelo visto Pink Floyd não percebeu que, ao tirar a educação da equação, também estava abrindo a porta para a insensatez sem limites. O que nos leva ao novo grande mal estar da humanidade (e outro sério problema acadêmico): a justificativa sem fim. Assim como Pink Floyd nos absolve da necessidade de qualquer educação ou controle de pensamento, passamos a admirar toda e qualquer instituição capaz de assumir a responsabilidade sobre noss...