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Cro-magnon

Eu não ligo se nada disso não tiver sentido. Fico feliz só pelo fato de estar escrevendo de novo.

***

Há anos eu venho tentado descobrir o que tem de errado com a minha natureza. Estudos antropológicos já demonstraram mil relatórios sobre a tal da natureza humana, exemplificando e comprovando a teoria de que, se soubermos de onde o homem veio, é possível saber para onde ele vai. Acho tudo muito simplório; gosto de pensar que o ser humano não é tão previsível. Mas estou perdendo o foco.

Eu não gosto de futebol, não só por causa da minha falta de capacidade motora, mas simplesmente porque a atividade em si - correr para lá e para cá atrás de uma bola por oitenta minutos - não parece possuir finalidade alguma. Adoro colocar ketchup em tudo, absolutamente tudo, mas odeio tomate. E talvez a característica mais peculiar de todas; meus ideais provaram ser tão sólidos, ou ao menos convincentes o bastante, para causarem que eu me tornasse extremamente exigente e provinciano - resultando, obviamente, num ser bastante complicado - quando o assunto é relacionamentos, ou até mesmo ao gostar de alguém; circunstância infelizmente fora do meu controle.

Uma soma de aspectos distintos e alternativos que fazem com que eu questione incansavelmente: o que há de errado comigo? Ou, mais além, porque eu sou assim? Se a natureza humana básica é tão evidente em 99 de cada 100 seres humanos, porque fui sorteado? Por exemplo, os outros 99 nem pensariam em metade dessas coisas. Simplesmente não faria sentido.

Eu não sou louco, mas também tão tenho os dois pés no chão. Por outro lado, gosto de ser assim. E o que mais me animou perante tantas, ahn..., peculiaridades (perdoem a falta de sinônimos) foi o fato de que, juntas, formam uma personalidade única e estranhamente curiosa. Ênfase na palavra “estranho”.

Entretanto, o que fez com que eu parasse com tais questionamentos foi o curso da vida em si, ou de um ser superior que possui um plano geral das vidas de todos e sabe bem como mexer conosco como marionetes muito bem coreografadas. Tudo isso só para dizer que, depois do meu primeiro beijo, eu agora enxergo a parte básica da natureza humana em mim. Não foi nada como eu esperava, pelo contrário; foi puro instinto, e afetou meus dogmas ao extremo. Sobrevivi, mas em dias menos felizes, ainda sinto questionamentos pesando em mim.

Se na natureza nada se cria nem se destrói, tudo então se transforma, considere a lição aprendida. De certo modo, me senti bem com isso. Quer dizer que não estou totalmente fora do normal. Ou, pelo menos, não totalmente louco. E eu aposto que nenhum antropólogo previu isso.

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Enfim, é nisso que dá morar sozinho e não ter ninguém para me impedir de escrever. Outra coisa que também me deixa bem.

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