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O dia em que a terra tremeu

E então, eu decidi ficar louco. Se deu certo pro Raul...

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Lembra de como você costumava ser impulsivo; espontâneo a ponto de não pensar duas vezes antes de sair de casa para procurar alguém a quem você devia desculpas. Espontâneo a ponto de dizer e fazer tudo que pensava, tudo que queria, sem temer os olhares dos outros em volta. Você não se preocupava em dormir cedo para descansar; dormia cedo para que a noite passasse rápido, para que pudesse rever todos aqueles que ama no dia seguinte. Você costumava guardar os segredos de todos, e em troca dar-lhes os seus pois sabia que estariam seguros também. Você não se preocupava tanto com dinheiro; as coisas que te faziam feliz não tinham preço. Você ássava horas conversando sobre coisas sem sentido, e se sentia bem com isso. De repente, as coisas – e as pessoas – precisavam ter uma espécie de “conteúdo” para chamar sua atenção. Estranho como você nem sabe definir bem que tipo de “conteúdo” é esse. E aí, você cresceu. Conseguiu tudo que queria – quer dizer, tudo que achou que queria – só para desejar ser aquele garoto de novo.

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As coisas estão parecendo surreais de novo. Como se o “mundo real” estivesse me engolindo, me afundando nesse poço de responsabilidades e dolorosas verdades. E, de certo modo, não me sinto tão ruim. A não ser que tenha chego fundo demais, sem perceber. Ultimamente tudo tem seu lado “ou não” mesmo.

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Estranho como os pensamentos mais significatibos que tenho acabam sendo escritos nos pedaços de papel mais abomináveis.

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