Pular para o conteúdo principal

O efeito Scherzinger

Todo homem sonha em encontrar sua alma-gêmea - uma mulher compreensiva, bonita, inteligente, capaz de tornar realidade todas as suas fantasias. Mas há controvérsias; alguns esperam anos por aquela mulher, com letra maiúscula, aquela que aparece apenas uma vez na vida e que após encontrá-la, passam o resto de sua existência tentando provar que são merecedores de sua graça, seu amor, ao mesmo tempo em que agradecem por esta finalmente trazer sentido aos seus dias. Assim como há aqueles que se contentam com a primeira que aparecer, de novo e de novo, sem expectativas de revê-la e fazendo uso da antropologia para justificar sua necessidade de espalhar sua semente o máximo que puder. Já dizia Woody Allen que sexo sem amor é uma experiência vazia, porém é uma das melhores. Mas o que resta à aqueles sonhadores incansáveis quando confrontados com o fim de suas ilusões e paixões platônicas que os mantém vivos enquanto ainda procuram a pessoa ideal? Começar a sonhar de novo. E foi exatamente o que eu fiz.

Quando o mundo real decepciona, às vezes não resta nada senão fantasias. E como é de praxe em fantasias, surge uma musa inspiradora para levar adiante as esperanças de um pobre romântico. Seu nome é Nicole Prescovia Elikolani Valiente Scherzinger; para os mais íntimos, Nicole. Como a maioria das musas inspiradoras, Nicole é extremamente atraente, inquestionavelmente sedurora, e ridiculamente inatingível. Em suma, a fantasia perfeita. Tão envolvente e aparentemente flexível, como eu poderia resistir? Mas até as fantasias mais envolventes possuem suas falhas; neste caso, a dolorosa ligação com a realidade. Seriam as fantasias a nova forma de superar traumas como, digamos assim, desilusões amorosas? Ou quem sabe sou eu quem precisa sair mais de casa. Acho que dia dos namorados, copa do mundo e semana de provas tudo de uma vez só é muito confuso. E então eu tive uma dura dose de realidade ao ler isto. Socorro, Nicole.

PS. Twitter está ficando muito assustador.


Música de Hoje: I Hate This Part - The Pussycat Dolls.

***


Qualquer semelhança é mera coincidência.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Os 5 estágios do Roacutan

            Olá. Meu nome é Igor Costa Moresca e eu não sou um alcoólatra. Muito pelo contrário, sou um apreciador, um namorador, um profissional em se tratando de bebidas. Sem preconceito, horário ou frescura com absolutamente nenhuma delas, acredito que existe sim o paraíso, e acredito que o harém particular que está reservado para mim certamente tem open bar. Já tive bebidas de todas as cores, de várias idades, de muitos amores, assim como todas as ressacas que eram possíveis de se tirar delas. Mas todo esse amor, essa dedicação e essas dores de cabeça há muito deixaram de fazer parte do meu dia a dia, tudo por uma causa maior. Até mesmo maior do que churrascos de aniversário, camarotes com bebida liberada e brindes à meia noite depois de um dia difícil. Maior do que o meu gosto pelos drinques, coquetéis e chopes, eu optei por mergulhar de cabeça numa tentativa de aprimorar a mim mesmo, em vês de continuar me afogando na mesmisse da minha mela...

A girafa e o chacal

Melhor do que os ensinamentos propostos por pensadores contemporâneos são as metáforas que eles usam para garantir que o que querem dizer seja mesmo absorvido. Não é à toa que, ao conceituar a importância da empatia dentro dos processos de comunicação não violenta, Marshall Rosenberg destacou as figuras da girafa e do chacal . Somos animais com tendências ambivalentes – logo, nada mais coerente do que sermos tratados como tal.  De acordo com Marshall, as girafas possuem o maior coração entre todos os mamíferos terrestre. O tamanho faz jus à sua força, superior 43 vezes a de um ser humano, necessária para bombear sangue por toda a extensão do seu pescoço até a cabeça. Como se sua visão privilegiada do horizonte não fosse evidente o suficiente, o animal é duplamente abençoado pela figura de linguagem: seu olhar é tão profundo quanto seus sentimentos.  Enquanto isso, o chacal opera primordialmente pelos impulsos violentos, julgando constantemente cada aspecto do ambiente ...

A justificativa sem fim

45 anos atrás, Pink Floyd disse que não precisamos de educação e aqui estamos nós: aparentemente muito confortáveis com a nossa imprudência. Claro: não imaginávamos que um hino rebelde poderia nos deixar tão mal acostumados, e realmente não é de se culpar o hino - nem nada ou alguém na verdade - a não ser nós mesmos pelo estado da nossa cultura. O problema, como é de se esperar, mora na interpretação de texto - ou então, especificamente, no nosso jeito de ler e reproduzir o mundo à nossa volta, à nossa maneira, sob uma visão espetacularmente egocêntrica. Pelo visto Pink Floyd não percebeu que, ao tirar a educação da equação, também estava abrindo a porta para a insensatez sem limites. O que nos leva ao novo grande mal estar da humanidade (e outro sério problema acadêmico): a justificativa sem fim. Assim como Pink Floyd nos absolve da necessidade de qualquer educação ou controle de pensamento, passamos a admirar toda e qualquer instituição capaz de assumir a responsabilidade sobre noss...