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Os três dias do condor

Eu não durmo há três dias, mas não foi de todo ruim. Por três dias eu vi o sol nascer, e foi bom sentir em mãos inúmeras possibilidades apresentadas a mim pelo início de mais um dia. Noites bem dormidas tornaram-se lembranças distantes, enquanto sonhos tornaram-se mais inalcançáveis do que o de costume. E por três dias, eu não fiz nada senão pensar sobre isto, sem chegar em conclusões satisfatórias… Até agora.

Talvez tudo tenha começado, ou melhor, terminado, quando eu mesmo declarei o fim dos meus sonhos; que não havia alma-gêmea, que não sentiríamos no coração com apenas um olhar que pertencemos um ao outro, e que quando nos encontrássemos, vindo de caminhos distantes, seguiriamos em frente de mãos dadas a mesma direção, para onde quer que fossemos. Desde então não houveram mais sonhos de qualquer tipo, e uma sucessão de noites mal-dormidas deu-se início. Eu não deveria estar surpreso que logo após os sonhos, perderia o sono em seguida.

Ao me assegurar no que diziam ser terrivelmente verdadeiro, acabei preso no mundo real. Vi meus sonhos desaparecerem sem deixarem vestígios, a não ser por meus rascunhos e lamentações que vieram a calhar como faíscas na escuridão, e tudo o que restou foi a vontade imensa e a saudade de dormir de novo. Quem sabe, sonhar de novo. Seria melhor continuar, digamos assim, feliz em sonhos, do que miseráel na realidade? Qual é o mal em acreditar em algo que não se pode ver, e ter esperanças de um dia a encontrar?

As músicas ainda são as mesmas; melodias que funcionam como lembretes de como era passar os dias em constantes devaneios da vaga satisfação que estes traziam. Músicas que me lembram de mim e de coisas que me fazem feliz; coisas que me fazem vivo. Sem os sonhos nada restou, pelo menos é que me parece claro agora. Como eu pude abrir mão do que parece ser minha razão, em troca de firmar meus pés no chão e passar a existir como um fantasma; uma alma perturbada em busca de paz interior. Mas paz interior só se encontra em um lugar, e esta busca, assim como todas as coisas mais importantes da vida, começa com um sonho.

Eu preciso acreditar que isto é real, pela minha paz de espírito, e acima de tudo, para deitar minha cabeça no travesseiro com tranquilidade ao fim do dia. Eu preciso levar isto para a cama comigo, mesmo que eu vá para a cama sozinho.


Ao som de: The Only Exception – Paramore.


***


Às vezes eu me sinto infiel ao amor em si.

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