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Andança

Como todos os grandes contos épicos, tudo começou com lágrimas e um sonho de esperança. À partir disso, deu-se a idéia de que com uma música tema para tocar na minha cabeça eu seria capaz de sair da fossa e recuperar meu caminho de volta ao mundo real.

E então foram dias, semanas, meses de passos rumo a lugar nenhum com o único propósito de sair por aí e sentir o vento no rosto, a cidade sob os pés e perder-me meio à multidões de pessoas. E com o tempo foi-se aprimorando; as músicas, os lugares, a velocidade com qual passava quarteirão após quarteirão, e eventualmente sua vida acompanhou o mesmo ritimo. Deixou suas trilhas sonoras guiarem seu caminho, até encher-se de música o bastante para reencontrar força para dar seus próprios passos sozinho de novo.

De repente estava de volta no caminho do qual havia caído, desta vez mais forte, mais rápido, mais esperançoso do que nunca de que seus sonhos estavam mais perto do que jamais podia imaginar, e caminhava rumo a eles como se a estrada fosse só dele e não houvesse mais ninguém ao redor. O mundo estava abrindo caminho para ele, e ele não hesitava em atravessar as ruas e andar cada vez mais determinado; cada vez mais feliz. Ele havia recuperado a velha forma, a sua essência de viver, e era possível ver a esperança em seus olhos de novo.

Foi uma mudança imperceptível para qualquer um que não o conhecesse e não soubesse o quanto trilhou para chegar até aqui, mas finalmente deixou seu passado para trás e tomou seu caminho rumo ao futuro. Para frente, sem parar e até sem rumo, e sem saber quando chegará. E nunca mais olhou para trás.


Ao som de: Theme From Superman – John Williams.

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