Pular para o conteúdo principal

Meu superego, meu eu

Freud explica a estrutura da nossa consciência como um iceberg à deriva, onde apenas a ponta que fica fora da àgua representa a parte que está sob nosso controle. Enquanto isso, Freud também explica que existem três outras estruturas que comandam a ponta do iceberg; nossa natureza selvagem e primal cro-magnon de cada um (o Id), nosso senso de auto-limitação que restringe nossas ações pelo bem da ordem social (o Superego), e o equilíbrio que deve haver entre ambos para mantermos nossa saúde mental (o Ego).

Mas quando nosso iceberg passa a ser liderado por apenas nossa natureza ou nossa auto-censura, o desequilíbrio gera um caos na pessoa capaz de desencadear neuroses, complexos, patologias e muita, muita dor de cabeça. E como se já não bastasse a dificuldade de manter minha cabeça fora da água, imagine então manter o equilíbrio de um iceberg. Afundar na loucura parece fácil meio a um mar de neuroses, mas é um risco que todos devem correr. Perigo em mar aberto contra a insanidade em terra firme. O medo de me afogar enquanto estou à deriva não é nada demais; é só a ponta do iceberg.


***


Não é a toa que o Titanic afundou.

Comentários

  1. Seu " Super Ego" ? asaposkaopska ás vezes queria ser dominado pelo meu ID, mas sou sana demais para tanto

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Os 5 estágios do Roacutan

            Olá. Meu nome é Igor Costa Moresca e eu não sou um alcoólatra. Muito pelo contrário, sou um apreciador, um namorador, um profissional em se tratando de bebidas. Sem preconceito, horário ou frescura com absolutamente nenhuma delas, acredito que existe sim o paraíso, e acredito que o harém particular que está reservado para mim certamente tem open bar. Já tive bebidas de todas as cores, de várias idades, de muitos amores, assim como todas as ressacas que eram possíveis de se tirar delas. Mas todo esse amor, essa dedicação e essas dores de cabeça há muito deixaram de fazer parte do meu dia a dia, tudo por uma causa maior. Até mesmo maior do que churrascos de aniversário, camarotes com bebida liberada e brindes à meia noite depois de um dia difícil. Maior do que o meu gosto pelos drinques, coquetéis e chopes, eu optei por mergulhar de cabeça numa tentativa de aprimorar a mim mesmo, em vês de continuar me afogando na mesmisse da minha mela...

A girafa e o chacal

Melhor do que os ensinamentos propostos por pensadores contemporâneos são as metáforas que eles usam para garantir que o que querem dizer seja mesmo absorvido. Não é à toa que, ao conceituar a importância da empatia dentro dos processos de comunicação não violenta, Marshall Rosenberg destacou as figuras da girafa e do chacal . Somos animais com tendências ambivalentes – logo, nada mais coerente do que sermos tratados como tal.  De acordo com Marshall, as girafas possuem o maior coração entre todos os mamíferos terrestre. O tamanho faz jus à sua força, superior 43 vezes a de um ser humano, necessária para bombear sangue por toda a extensão do seu pescoço até a cabeça. Como se sua visão privilegiada do horizonte não fosse evidente o suficiente, o animal é duplamente abençoado pela figura de linguagem: seu olhar é tão profundo quanto seus sentimentos.  Enquanto isso, o chacal opera primordialmente pelos impulsos violentos, julgando constantemente cada aspecto do ambiente ...

A justificativa sem fim

45 anos atrás, Pink Floyd disse que não precisamos de educação e aqui estamos nós: aparentemente muito confortáveis com a nossa imprudência. Claro: não imaginávamos que um hino rebelde poderia nos deixar tão mal acostumados, e realmente não é de se culpar o hino - nem nada ou alguém na verdade - a não ser nós mesmos pelo estado da nossa cultura. O problema, como é de se esperar, mora na interpretação de texto - ou então, especificamente, no nosso jeito de ler e reproduzir o mundo à nossa volta, à nossa maneira, sob uma visão espetacularmente egocêntrica. Pelo visto Pink Floyd não percebeu que, ao tirar a educação da equação, também estava abrindo a porta para a insensatez sem limites. O que nos leva ao novo grande mal estar da humanidade (e outro sério problema acadêmico): a justificativa sem fim. Assim como Pink Floyd nos absolve da necessidade de qualquer educação ou controle de pensamento, passamos a admirar toda e qualquer instituição capaz de assumir a responsabilidade sobre noss...