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100 lágrimas

Todo mundo é bom em alguma coisa e se destaca de alguma forma mesmo sem acreditar em si mesmo; os outros podem ver. Em dias menos felizes, com céus acinzentados acima, parece que o mundo não passa de dias iguais vividos de formas diferentes, e que nós mesmos não fazemos tanta diferença quanto pensamos. Mas não deixe se deixar levar por dias menos felizes; dias melhores sempre virão.

Por exemplo, eu gosto de escrever. Escrevo todos os dias, quando a inspiração leva minha imaginação longe, assim como minha tão cultivada sanidade e meu senso de realidade. Assim escrevo… E maravilhosamente bem, na verdade. Alguns dizem que é falta do que fazer; eu digo que é um dom. Mas ninguém nunca lê; dizem não ter tempo para isso, que estão ocupados… Enfim, nunca lêem. Eu ficava triste no começo; afinal, para que estava escrevendo? Para que estaria aqui, texto após texto, vírgula seguida de vírgula, transcrevendo cada alegria e cada lágrima, se ninguém dá atenção?

Me fez pensar em parar de escrever, de deixar tudo isso para trás. E então eu percebi; porque devo parar de escrever se é algo que me faz bem? Foi aí que eu aprendi que não poderia deixar que o mundo me impedisse de fazer algo que faço tão bem. Você tem que aprender a conviver com a indiferença do mundo; é isso ou permitir-se morrer, deixar de ser quem é para ser quem os outros querem que você seja. Mais um meio ao bege do mundo, todos iguais sem ousar pisar fora da linha. Mas meu prazer em caminhar sobre a linha da loucura é maior do que viver em qualquer padrão. Sabe por que? A esperança é a última que morre; um dia alguém leria meus apelos e quando este dia chegasse, todas as minhas palavras teriam valido a pena serem escritas.

E, cem lágrimas depois, foi exatamente o que aconteceu. Obrigado por ler, seja lá quem você for. Sei que não estou mais chorando sozinho; são lágrimas de alegria agora. E então, este tornou-se o meu mundo. Seja bem vindo.

Ao som de: One Hundred Tears Away – Vonda Shepard.

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