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O pequeno príncipe

Existe um certo livro que as pessoas grandes insistem que serve apenas para crianças. Um livro que fala sobre o valor da amizade, o poder do amor, e a dor da separação. A maioria das pessoas nunca leu, mas se ao menos folheassem algumas páginas, perceberiam o quanto a linguagem supera as ilustrações e atinge homens e mulheres em um ponto em comum: o coração, cujo qual alguns já não dão importância ou pior, não sabem explicar porque já não sentem mais nada.

É um livro simples de brochura e em cores vivas, mas as mensagens que carregam consigo são muito mais profundas. Como a história de um empresário que viva para contar estrelas mas que não sabia explicar porque o estava fazendo, ou a do acendedor que vivia para seguir o regulamento de acender e apagar um lampião a cada minuto, ou o bêbado que tem vergonha de admitir que tem vergonha de beber. Tudo muito poético, mas sem muita utilidade.

Alguns mencionariam a flor, tão cativante em sua beleza mas que esconde uma natureza frágil e vulnerável, constantemente sob ameaças do mundo real. E então existe um pequeno menino, que nunca respondia quando lhe era perguntado, e nunca desistia de uma pergunta, que viajava através do universo sempre buscando conhecer coisas novas, e cujas únicas posses eram três vulcões que revolvia todos os dias - mesmo um deles sendo inativo, porque nunca se sabe. E falava também de amor; sobre como cativou e foi cativado por uma flor, mas era jovem demais para saber amá-la.

Dizem que é um livro para crianças e pessoas grandes afirmam não ter tempo para lê-lo pois são pessoas sérias. Mal sabem eles que talvez este livro possa ser exatamente o que estão precisando; reviver esperanças silenciosas que perderam ao longo do tempo, reaprender o valor das amizades e como cativar mais as pessoas ao seu redor - sempre tomando cuidado com os baboás - e de como às vezes é preciso suportar duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas. Mas crianças se cansam de ter que explicar tudo para as pessoas grandes, mesmo que até elas tenham sido pequenas um dia.

A maioria das pessoas já não pensa muito nisso, focam-se no mundo real e nas coisas que pensam que precisam. Nunca lembrando-se de que o essencial é invisível aos olhos. A raposa uma vez disse; é preciso ver com o coração. Todo o resto é efêmero, exceto duas ou três larvas. Por causa das borboletas.

Ao som de: You Got the Love – The Source feat. Candi Station.

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