Pular para o conteúdo principal

Eclipse

Às vezes uma palavra pode acabar com o nosso dia, uma ação malfeita pode dar fim ao nosso bon humor, e um rompimento pode afetar drasticamente nossas crenças. E quando a frustração torna-se demais para suportar podemos acabar cegos e tudo aquilo que julgavamos certo acaba temporariamente ofuscado para nós, como se um eclipse cobrisse nosso coração juntamente aos nossos olhos e nos impedisse de enxergar a realidade claramente como antes.

E assim perdemos força para continar acreditando em coisas que nos mantinham vivos como nosso sonhos, ou encontrar o amor, ou na própria beleza de sermos quem somos. Quando o mundo real contra-ataca é preciso saber como não se deixar abater e deixar quem você é lado apenas para seguir de acordo com o convencional, ou como os outros querem que você seja.

Por mais simplório que pareça e mesmo quando tentamos avisar antes, a maioria das pessoas não se dá conta exatamente dos comprometimentos que fazem pelo mundo ou pelos outros para serem aceitos - apenas para acabarem sendo mais alguns perdidos numa multidão com nada além de esperanças de que um dia consigam reconstruir tudo aquilo que fazia cada um deles, único.

Então alguém lhe disse algo que te chateou, ou fizeram algo que você ainda não foi capaz de perdoar, ou aquela pessoa especial em que você tanto confiava acabou partindo seu coração. Nada disso é o fim do mundo; a vida continua. Talvez você se sinta perdido no começo ou não saiba o que fazer, e o eclipse que toma conta lhe impeça de reencontrar seu caminho de volta. Mas no fim, nós sempre voltamos; talvez com algumas cicatrizes, porém mais experientes. até acontecer de novo, só que desta vez não cairemos tão fácil.

Não há escuridão que possa cegar um coração ainda disposto a acreditar.

Ao som de: Total Eclipse of the Heart – Bonnie Tyler.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Os 5 estágios do Roacutan

            Olá. Meu nome é Igor Costa Moresca e eu não sou um alcoólatra. Muito pelo contrário, sou um apreciador, um namorador, um profissional em se tratando de bebidas. Sem preconceito, horário ou frescura com absolutamente nenhuma delas, acredito que existe sim o paraíso, e acredito que o harém particular que está reservado para mim certamente tem open bar. Já tive bebidas de todas as cores, de várias idades, de muitos amores, assim como todas as ressacas que eram possíveis de se tirar delas. Mas todo esse amor, essa dedicação e essas dores de cabeça há muito deixaram de fazer parte do meu dia a dia, tudo por uma causa maior. Até mesmo maior do que churrascos de aniversário, camarotes com bebida liberada e brindes à meia noite depois de um dia difícil. Maior do que o meu gosto pelos drinques, coquetéis e chopes, eu optei por mergulhar de cabeça numa tentativa de aprimorar a mim mesmo, em vês de continuar me afogando na mesmisse da minha mela...

A justificativa sem fim

45 anos atrás, Pink Floyd disse que não precisamos de educação e aqui estamos nós: aparentemente muito confortáveis com a nossa imprudência. Claro: não imaginávamos que um hino rebelde poderia nos deixar tão mal acostumados, e realmente não é de se culpar o hino - nem nada ou alguém na verdade - a não ser nós mesmos pelo estado da nossa cultura. O problema, como é de se esperar, mora na interpretação de texto - ou então, especificamente, no nosso jeito de ler e reproduzir o mundo à nossa volta, à nossa maneira, sob uma visão espetacularmente egocêntrica. Pelo visto Pink Floyd não percebeu que, ao tirar a educação da equação, também estava abrindo a porta para a insensatez sem limites. O que nos leva ao novo grande mal estar da humanidade (e outro sério problema acadêmico): a justificativa sem fim. Assim como Pink Floyd nos absolve da necessidade de qualquer educação ou controle de pensamento, passamos a admirar toda e qualquer instituição capaz de assumir a responsabilidade sobre noss...

Olhe em seus olhos e verá o que sabem

Quando as coisas parecem estar a ponto de desmoronarem, eu me pego pensando no passado e todas as pessoas que conheci. As pessoas com quem compartilhei risadas, que afagaram meu choro, e sempre me disseram que apesar de tudo eu poderia ser feliz em qualquer lugar. Eu me lembro de quando conheci cada um, e como aos poucos foram tornando-se essenciais, e mesmo depois de tanto tempo eu ainda revejo nossos momentos juntos e percebo que enquanto durou, tudo valeu a pena. Os sorrisos imortalizados nas fotos não me deixam mentir; estávamos no auge, felizes sem saber, e sem se preocupar com o amanhã. Afinal, estávamos juntos, nas alegrias e tristezas, e era só o que importava. Mas ao refletir sobre tudo, me pego pensando se realmente fui o melhor amigo que poderia ter sido, ou se eu demonstrei o bastante a importância de cada um na minha vida. Se os amei o bastante, se fiz diferença... Se o que nós tínhamos poderia sobreviver à frieza dos anos e, quem sabe um dia, pudessemos todos nos e...