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O bem maior

Até mesmo o ser mais irreverente carrega consigo um senso mínimo de ética ou pelo menos uma boa noção do que é certo e o que é errado, por mais que ainda opte pelo errado. Somos ensinados a sempre optar pelo certo porque aprendemos desde cedo que isto trará boas consequências para nós, e quando a vida nos força a realizar tais escolhas, diferenciar o bom do ruim é sempre claro para nós.

Mas e quando a coisa certa a ser feita, apesar de ser certa, não resulta num bom resultado para nós? Ainda devemos seguir em frente pelo bem maior ou deixar que nosso instinto de sobrevivência aja por nós? Quando o certo não nos parece certo, apesar de sabermos que é certo, é errado agir contra por mais que optar pelo bem maior não inclua nossa própria felicidade? O conceito de ética é amplo porém único; o bom senso rege a sociedade, e para que esta continue em harmonia é preciso agir conforme o social para manter o equilíbrio, mas nem sempre nossas emoções estão em sincronia.

E caímos na velha questão; agimos com a razão ou com o coração? Escolhemos o certo ao pensar com a lógica ou deixamos nossos sentimentos mostrarem o caminho? E na maioria das vezes o coração pode nos apontar à direção errada e a decisão de seguir adiante pode nem fazer sentido, mas se nosso coração sente que é o certo a ser feito, como podemos estar errados? Existe uma linha tênue entre agir com ética e agir com egoísmo, e é preciso tomar cuidado para não cruzá-la. Porque às vezes fazer a coisa certa, apesar de entendermos que foi preciso ser feito, nem sempre nos deixará felizes.

Ninguém pode dizer exatamente se é errado tomar uma decisão baseando-se somente na razão, ou que é errado agir conforme o que o coração nos diz. Nem sempre o errado é ruim e nem sempre o certo é bom. Mas naqueles raros momentos onde é preciso escolher entre o nosso egoísmo ou a felicidade do outro, qualquer um de nós sabe qual é o certo ao ser feito. E optamos pelo sorriso do outro, mesmo que isto nos faça derramar lágrimas. Perdemos a cabeça ao agir com o coração, mas com razão.

Ao som de: The Right Thing to Do – Carly Simon & Megan Mullally.

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