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O que o diabo dá, o diabo leva

Todo dia eu ainda acordo pensando em você. Sigo com minha rotina pensando no que você diria se pudesse me ver, ou a sua reação caso ainda lesse meus apelos por aqui. Parece que acabei de adentrar a fase da despedida em que a realidade da sua ausência começa a ficar clara, nas palavras não ditas, nos olhares que não trocamos mais, e nos sentimentos que ainda restam em nós e gritam em silêncio por misericórdia.

Por que eu ainda me importo tanto? Por que algo que demorou tanto para começar, e que suavemente tornou-se parte do meu coração, agora parece tão mais difícil de se deixar ir? Minha cabeça diz que tenho razão, assim como todos os outros que me alertaram sobre você e ainda tem um certo orgulho do que fiz, mas por que meu coração não sente o mesmo? Nunca fui o tipo de pessoa que aceita as coisas que vem assim, tão facilmente para mim. Pelo contrário, quando não há drama, para mim geralmente é um sinal de que não há muita importância ou significado, e que a novidade não durará muito tempo.

Acho que é verdade o que dizem; o que vem fácil, vai fácil, mas por quanto tempo mais vou continuar tentando deixar você ir? Exatamente quanto tempo dura um adeus? Minha mente se enche de perguntas enquanto um novo dia nasce e a luz do sol traz a tona toda a dor que mantenho escondida; será que você ainda pensa em mim também? Mas apesar dos meus questionamentos e tentativas de me agarrar a frases prontas como "as coisas vão melhorar logo" ou "eu fiz a coisa certa", só o que parece se prender a mim é o dito de que "o que o diabo dá, o diabo leva"; talvez isto explique porque parece que, mesmo depois de ter feito algo bom para mim pela primeira vez em muito tempo, ainda me sinto preso no inferno.

O que vem fácil, se vai fácil, e mesmo com o nascer de muitos novos dias por vir, acho que ainda vou te amar por um bom tempo, e não há nada que eu possa fazer a não ser aceitar isto até que eu naturalmente me esqueça de você. Enquanto isso, estou sozinho de novo - naturalmente.

Vendo pelo lado bom, pelo menos tenho minha teatricalidade de volta.

Ao som de: Alone Again (Naturally) - Gilbert o'Sullivan.

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