Pular para o conteúdo principal

Um pouco de segurança

Em um mundo tão instável todos nós buscamos algo que nos faça sentir seguros. Alguns rodam a chave duas vezes na maçaneta para garantirem que nenhum estranho invadirá seu lar, outros inventam senhas indecifráveis para proteger suas contas bancárias, e ainda há aqueles que sempre tentam manter um bom relacionamento com seus amigos para certificarem-se de que terão ajuda em caso de emergências.

Mas garantir uma boa sensação de segurança não é algo fácil, especialmente quando nos encontramos em risco e descobrimos que tudo aquilo que tínhamos como certo vem a nos deixar desamparados; a família com a qual contávamos pode não nos oferecer o conforto que esperávamos, os amigos com os quais convivíamos podem nos abandonar sem explicações, e ocasionalmente podemos acabar sozinhos sem ter quem nos ajude a nos reerguer quando as coisas se tornam difíceis.

Assim, alguns de nós passam a viver em um constante estado de alerta; ressegurando-nos de que nossos amigos guardarão nossos segredos, que nossa família se prontificará a cuidar de nós quando precisarmos, e nos certificando de que nossa vida financeira não desabe para que nosso lar continue sempre aberto para nós quando precisamos de refúgio de um mundo tão perigoso. Infelizmente não importa o quanto nos sentimos seguros, sempre haverão momentos de incertezas que nos farão perguntar, "Será que dividirei minha vida com alguém um dia?" ou "Esta pessoa irá partir meu coração?".

Por isso precisamos estar preparados caso toda a nossa segurança não seja o bastante para suportar tempestades que não podemos prever, seja por ouvir que somos importantes para alguém, ou ao encontrar forças para enfrentar nossos medos, ou quem sabe ao decidirmos ir em frente e fazer a coisa certa mesmo quando isto significa não conseguir o que queremos. Não há nada como uma boa sensação de segurança para nos fazer dormir tranqüilos, mas às vezes é preciso sair da nossa zona de conforto e pular sem uma rede de proteção para nos amparar; só assim conseguiremos sentir como realmente é estar vivo.

Ao som de: I'll Be There - Jackson 5.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Os 5 estágios do Roacutan

            Olá. Meu nome é Igor Costa Moresca e eu não sou um alcoólatra. Muito pelo contrário, sou um apreciador, um namorador, um profissional em se tratando de bebidas. Sem preconceito, horário ou frescura com absolutamente nenhuma delas, acredito que existe sim o paraíso, e acredito que o harém particular que está reservado para mim certamente tem open bar. Já tive bebidas de todas as cores, de várias idades, de muitos amores, assim como todas as ressacas que eram possíveis de se tirar delas. Mas todo esse amor, essa dedicação e essas dores de cabeça há muito deixaram de fazer parte do meu dia a dia, tudo por uma causa maior. Até mesmo maior do que churrascos de aniversário, camarotes com bebida liberada e brindes à meia noite depois de um dia difícil. Maior do que o meu gosto pelos drinques, coquetéis e chopes, eu optei por mergulhar de cabeça numa tentativa de aprimorar a mim mesmo, em vês de continuar me afogando na mesmisse da minha mela...

A girafa e o chacal

Melhor do que os ensinamentos propostos por pensadores contemporâneos são as metáforas que eles usam para garantir que o que querem dizer seja mesmo absorvido. Não é à toa que, ao conceituar a importância da empatia dentro dos processos de comunicação não violenta, Marshall Rosenberg destacou as figuras da girafa e do chacal . Somos animais com tendências ambivalentes – logo, nada mais coerente do que sermos tratados como tal.  De acordo com Marshall, as girafas possuem o maior coração entre todos os mamíferos terrestre. O tamanho faz jus à sua força, superior 43 vezes a de um ser humano, necessária para bombear sangue por toda a extensão do seu pescoço até a cabeça. Como se sua visão privilegiada do horizonte não fosse evidente o suficiente, o animal é duplamente abençoado pela figura de linguagem: seu olhar é tão profundo quanto seus sentimentos.  Enquanto isso, o chacal opera primordialmente pelos impulsos violentos, julgando constantemente cada aspecto do ambiente ...

A justificativa sem fim

45 anos atrás, Pink Floyd disse que não precisamos de educação e aqui estamos nós: aparentemente muito confortáveis com a nossa imprudência. Claro: não imaginávamos que um hino rebelde poderia nos deixar tão mal acostumados, e realmente não é de se culpar o hino - nem nada ou alguém na verdade - a não ser nós mesmos pelo estado da nossa cultura. O problema, como é de se esperar, mora na interpretação de texto - ou então, especificamente, no nosso jeito de ler e reproduzir o mundo à nossa volta, à nossa maneira, sob uma visão espetacularmente egocêntrica. Pelo visto Pink Floyd não percebeu que, ao tirar a educação da equação, também estava abrindo a porta para a insensatez sem limites. O que nos leva ao novo grande mal estar da humanidade (e outro sério problema acadêmico): a justificativa sem fim. Assim como Pink Floyd nos absolve da necessidade de qualquer educação ou controle de pensamento, passamos a admirar toda e qualquer instituição capaz de assumir a responsabilidade sobre noss...