Pular para o conteúdo principal

O que eu fiz por amor


-->
Eu provavelmente não saberia viver com um coração inteiro, porque desde que o conheço sempre esteve partido. Talvez eu nem o reconheceria sem as cicatrizes e os furos, sem falar da fratura de estresse que o partiu ao meio – e deixou um vazio tomar conta. Um vazio que só poderia ser preenchido por algo – quer dizer, alguém – que não existe. E eu sei disto, mas para enganá-lo eu estanco a ferida com sonhos e fantasias. Em certos dias, ajuda a diminuir a dor.
Claro, eu poderia viver sem dar atenção a isto, mas tenho a sensação de que não seria eu mesmo. Ou quem sabe até seria, mas não faria a dor parar de existir. Eu poderia sair por aí e acenar normalmente para as pessoas, sorrir como se estivesse tudo bem. Afinal, que diferença faria ter um pouco mais de hipocrisia no mundo? Infelizmente, não é da minha natureza sorrir sem fundamentos, e viver sem coração. Tenho medo do meu coração parar de funcionar; medo de perder minha fé nas pessoas, no amor, e até em mim mesmo.
Sou o orgulhoso dono deste coração partido, mantido vivo à base de vaga esperança de que um dia alguém possa completá-lo. Estou apaixonado, e sempre estarei.
***
Já conheço a música de cor: “How can you mend a broken heart…

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Os 5 estágios do Roacutan

            Olá. Meu nome é Igor Costa Moresca e eu não sou um alcoólatra. Muito pelo contrário, sou um apreciador, um namorador, um profissional em se tratando de bebidas. Sem preconceito, horário ou frescura com absolutamente nenhuma delas, acredito que existe sim o paraíso, e acredito que o harém particular que está reservado para mim certamente tem open bar. Já tive bebidas de todas as cores, de várias idades, de muitos amores, assim como todas as ressacas que eram possíveis de se tirar delas. Mas todo esse amor, essa dedicação e essas dores de cabeça há muito deixaram de fazer parte do meu dia a dia, tudo por uma causa maior. Até mesmo maior do que churrascos de aniversário, camarotes com bebida liberada e brindes à meia noite depois de um dia difícil. Maior do que o meu gosto pelos drinques, coquetéis e chopes, eu optei por mergulhar de cabeça numa tentativa de aprimorar a mim mesmo, em vês de continuar me afogando na mesmisse da minha mela...

A girafa e o chacal

Melhor do que os ensinamentos propostos por pensadores contemporâneos são as metáforas que eles usam para garantir que o que querem dizer seja mesmo absorvido. Não é à toa que, ao conceituar a importância da empatia dentro dos processos de comunicação não violenta, Marshall Rosenberg destacou as figuras da girafa e do chacal . Somos animais com tendências ambivalentes – logo, nada mais coerente do que sermos tratados como tal.  De acordo com Marshall, as girafas possuem o maior coração entre todos os mamíferos terrestre. O tamanho faz jus à sua força, superior 43 vezes a de um ser humano, necessária para bombear sangue por toda a extensão do seu pescoço até a cabeça. Como se sua visão privilegiada do horizonte não fosse evidente o suficiente, o animal é duplamente abençoado pela figura de linguagem: seu olhar é tão profundo quanto seus sentimentos.  Enquanto isso, o chacal opera primordialmente pelos impulsos violentos, julgando constantemente cada aspecto do ambiente ...

A justificativa sem fim

45 anos atrás, Pink Floyd disse que não precisamos de educação e aqui estamos nós: aparentemente muito confortáveis com a nossa imprudência. Claro: não imaginávamos que um hino rebelde poderia nos deixar tão mal acostumados, e realmente não é de se culpar o hino - nem nada ou alguém na verdade - a não ser nós mesmos pelo estado da nossa cultura. O problema, como é de se esperar, mora na interpretação de texto - ou então, especificamente, no nosso jeito de ler e reproduzir o mundo à nossa volta, à nossa maneira, sob uma visão espetacularmente egocêntrica. Pelo visto Pink Floyd não percebeu que, ao tirar a educação da equação, também estava abrindo a porta para a insensatez sem limites. O que nos leva ao novo grande mal estar da humanidade (e outro sério problema acadêmico): a justificativa sem fim. Assim como Pink Floyd nos absolve da necessidade de qualquer educação ou controle de pensamento, passamos a admirar toda e qualquer instituição capaz de assumir a responsabilidade sobre noss...