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Meu já famoso desabafo infame

Talvez eu tenha perdido aquele sentimento amoroso que me mantinha sempre adiante com minhas loucuras, minhas irracionalidades, e meu jeito de ser que, de algum modo, sempre cativava aqueles dispostos a me dar atenção. Talvez enquanto eu estava por aí certo de que as coisas estavam melhorando, que este era o ano de tentar desafiar a gravidade - e até mesmo cheguei a sentir meus pés deixarem o chão - a verdade esteve diante de mim esse tempo todo, escondida nos olhares reprovadores dos meus amigos, nas coisas não ditas por meus colegas que foram se acumulando até finalmente encontrarem um caminho de volta para mim; você está piorando, Igor, talvez nem tanto a ponto de se insistir em não se deixar levar pelo mundo real e recuar pra dentro de si, mas definitivamente está lá fora fazendo papel de tolo, enquanto poderia estar fazendo melhor.

Muito do que eu digo e escrevo é infame, sem importância a ponto de passar batido por qualquer um, desde aqueles que eu mais desejava que prestassem atenção até a meros estranhos que nem sequer conheço, mas ultimamente os estranhos parecem estar se tornando uma fonte muito maior de conforto do que aqueles cujo nome já cansei de repetir, mas que nunca vem a mim. Mas antes de formarem qualquer conclusão quanto a mim, minhas atitudes ou até mesmo meu coração, eu gostaria de lembrá-los de, por favor, não me ferir; vocês fazem parte de mim, e eu não gostaria de descobrir que os laços que criei por ai possuem uma profundidade menor do que eu imagino, como se estivessemos limitados a conversas virtuais ou ocasionais momentos juntos entre uma aula e outra, enquanto jogamos coisas importantes um ao outro de maneiras tão superficialmente sutisque perdem seu encanto no meio do caminho, como "eu confio em você" ou "eu te amo".

No fundo eu me orgulho das minhas crises existenciais; se não fosse por elas, eu não me tornaria cada vez melhor que ontem e pior do que amanhã, a medida que os dias passam e as irracionalidades mudam, mas absolutamente tudo ainda dentro do normal - e quem se atreve a dizer o contrário? Não me importam os nomes que possam me chamar; obcecado, louco, anormal, desesperado, anti-social, carente... Sou eu, gente, lembram-se? Ainda sou eu; se melhor ou pior cabe ao tempo dizer mas não a nós, porque o que cada um de nós pode realmente ter certeza em se tratando do amanhã? Até mesmo isso me roubaram - pare de sonhar com o amanhã, viva o hoje, isso sim importa, o que vai ganhar com essas fantasias enquanto a vida segue lá fora? Bom, me digam vocês que estão ai fora, o que estou perdendo? Afinal de contas, pelo que me parece, isto é, pelo que vocês costumam me dizer no fim do dia, ainda estão tão perdidos quanto eu. E além do mais, quem disse que não estou vivendo? Estou vivendo, escrevendo, trabalhando, me emocionando, rindo e chorando, até mesmo morrendo... Só não chegou a minha vez ainda.

Passei a guardar um lugar na mesa para minha namorada, mas onde está ela? Não sei. Só sei que ela tem seu lugar guardado, e pode demorar o tempo que for, porque ninguém abaixo do que eu mereço tomará seu lugar. Mas as pessoas insistem que o que me falta mesmo é sair, viver, conhecer gente nova e criar laços instantâneos, mas nunca compromisso. Infelizmente, uma vida repleta de coisas superficiais nunca me atraiu; eu preciso de conteúdo, de contextos, de um mínimo de organização, e de ser justo comigo e com o que eu estou sentindo, e dessa vez eu sinto que não estou errado. Tudo o que eu sempre quis, tudo o que eu sempre precisei foi dela, e nunca me envergonhei disso. Porque eu tive uma vez, ou, pelo menos, eu pensei que tive, mas foi tudo pra mim. E o que vocês tanto fazem no mundo lá fora? Não estão procurando por alguém também?

Bom, de agora em diante, vou fazer o que uma amiga há tempos insiste para que eu aprenda; vou ligar o foda-se, e vou ser feliz. Alguns vão ficar para trás, por mais que pareçam tão importantes agora, mas eu sei que realmente não são e a maiora das vezes em que estou errado, me forço a aceitar. Mas eu vou em frente, com aquele bom e velho sentimento amoroso que por anos me mantém vivo e idealista, à procura de transformar sonhos e fantasias na melhor das realidades possíveis, porque a prova de que o amor ainda está aqui comigo é que agora meus sorrisos até aparecem em fotos. E mesmo sabendo que este não foi meu post mais infame, vou terminar aqui com algo definitivamente condenável, mas certo de que nada nem ninguém agora vai me impedir de tentar realizar meu sonho de adolescente.

Ao som de: Teenage Dream – Katy Perry.

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