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Acredite nas estrelas

Toda vez que minhas aulas acabam mais cedo, ou quando minha van atrasa (ou, ambos), eu fico no estacionamento frente ao meu bloco e olho para o céu, em típica moda subjetiva. Mas o que eu nunca deixo de reparar é a quantidade de estrelas que estampam a noite em Cascavel. Talvez fossem os prédios ou minha cegueira adolescente natural, mas eu não conseguia ver as estrelas em Londrina. Em Cambé não havia prédios que cobrissem minha visão, e a janela do meu quarto era virada justamente para a imensidão lá fora - também, sem estrelas. Na minha mente eu sempre acreditei que existia certa conexão entre as estrelas e algum tipo de esperança, para não dizer felicidade. Desde a literatura até o cinema retratam estrelas como símbolo desse significado, e eu cresci com isso. O que eu acho estranho é exatamente esta contradição: eu era feliz em Londrina/Cambé, mesmo sem estrelas. E agora que tenho uma cidade estrelada, tudo parece ser mais difícil - isto é, até eu olhar para o céu. Honestamente?...

Rapidinha

Pra mim, manchas de caneta nas mãos não é sujeira, mas sinal de trabalho. *** Estou trabalhando numa teoria sobre como tudo no mundo é subjetivo. Mais detalhes em breve. *** Às vezes a nostalgia me domina demais e eu sinto vontade de dizer à pessoas com quem não converso mais algo como “obrigado por ter feito parte da minha vida”. O mesmo vale para alguns lugares. *** Só isso.

Mesmo que distante

Meu nome é Igor Costa Moresca. Há cerca de dois meses atrás eu tinha uma vida completamente diferente em Londrina, mas motivos pessoais e estudantis fizeram com que eu decidisse, de certo modo, seguir em frente - para Cascavel. Eu tinha uma vida plena com minha família, meus amigos, e minha consciência. Mas agora eu preciso começar tudo de novo, num lugar novo, com pessoas novas e quase nenhum histórico de qualquer tipo. Nenhum laço, nenhuma lembrança, nenhum fragmento meu. Em Londrina, parece que estou fragmentado pela cidade. Cada rua me lembra uma história, uma piada, uma sensação. Porém, o que resta agora são apenas fragmentos, e eu terei que me acostumar com isto. De agora em diante, terei que me contentar em perder aniversários, ocasiões especiais e momentos... Aqueles momentos em que eu quase sempre estava presente. De agora em diante, com raras exceções, serei frases de MSN, fotos de Orkut, textos de blog, e uma voz no telefone por um bom tempo. Serei uma lembrança de tem...

Laços rompidos

Ultimamente eu tenho reparado bastante nas doenças que eu possuo, e chamo-as de “doenças” propositalmente no sentido pejorativo. Minhas síndromes são bastante peculiares e malignas: desde minha Compulsão por drama transcrito até a perigosa Apegação emocional instantânea. São bem simples de diagnosticar mas complicadíssimas de se tratar - ou então, era o que eu achava. Compulsão por Drama Transcrito (CDT) baseia-se na comodidade momentânea que encontro ao digitar minha dor para fora de mim e expô-la ao mundo em forma de arte (ou, tentativa de arte), mas na maioria das vezes o brilho de mártir não é tão reluzente quanto eu esperava. A cura? Ter mais tempo para pensar, porém menos tempo com as mãos sobre um teclado. Um caderno pode até ser usado para absorver tais frases, mas o cansaço natural de meus dedos, perante a rapidez dos meus pensamentos, sobressai-se e cessa este mal. Mas os verdadeiros danos são causados pela Apegação Emocional Momentânea (AEM?), e se não forem tratados c...

O mundo real

Existe uma linha tênue entre viver e sobreviver, e é bastante simples perceber a diferença: está na paixão. Se você tem paixão, você vive. Senão, você só sobrevive, por questão humana básica. Antes de vir para cá, eu me considerava um apaixonado; pelo curso que escolhi, pelas pessoas que me deram força para prosseguir com ele e com os desafios que viriam pela frente. Perdão, eu não me considerava um apaixonado e ponto. Eu achava que minha paixão era eterna, algo escrito nas estrelas e que nunca se apagaria. Curiosamente, eu expressava tudo isso com palavras digitadas. Parecia tão inocente e confortável; eu me sentia bem com isso. Dois meses depois, a situação amadureceu, mudou, cresceu e está assim agora: cinza, tipo aqueles dias nublados e perfeitos para ficar dentro de casa com uma xícara de chocolate. Nem precisa dizer que são meus dias preferidos, e eu até fui agraciado com um deles hoje – mas não pude aproveitar como gostaria, devido às responsabilidades que adotei e, em troca, ...

Infidelidade

Meu nome é Igor Costa Moresca, meu melhor amigo é meu mp4 e uso meu caderno para anotar conversas comigo mesmo. Alguma coisa deu errado. *** A verdade é que mentir é mesmo mais fácil, e acompanhando as mentiras vem as justificativas para elas. Dizemos a nós mesmos que não há necessidade de contar a verdade se tudo o que causará será dor; talvez uma consciência limpa não valha isto. Mas mentiras encobertas podem ser mais difíceis de agüentar do que verdades expostas. Mentimos para nós mesmos esperando pelo melhor: que nossas mentiras se transformem em verdades. Depois que parei de mentir para os outros sobre meu bem-estar toda vez que perguntam se estou, afinal, bem, as coisas até pareceram ficar mais fáceis – mesmo que tenha sido uma sensação momentânea. Só que não parou por aí. Eu continuo a mentir pra mim mesmo. Eu vou dormir à noite sempre achando que amanhã será melhor, mas acaba sendo só a mesma coisa. E está ficando muito cansativo. Eu não sei se tudo dará certo, ...

Andar sobre a água

Depois de toda tempestade, um arco-íris aparece no céu. Até aí, tem tudo a ver com biologia, ou química, ou pura bichisse – essas coisas. O que eu parei mesmo pra reparar é o tempo que algumas tempestades duram, algumas levam apenas uma tarde, enquanto outras se transformam em dilúvios aparentemente eternos – tipo aquele em que eu me meti enquanto atravessava a Avenida Brasil semana passada (falando nisso, minha calça preferida continua um pouco úmida). E não estou falando simplesmente de trovoadas a céu aberto – viva, subjetivismo! Morar aqui, andar por aqui, viver aqui está sendo como caminhar meio a uma tempestade – estou constantemente tropeçando em simbólicos buracos nas ruas, cobertos pelas águas, enquanto rezo pela volta do sol. Na minha cabeça, faz mais sentido, mas eu não quero mais guardar essas coisas só pra mim – eventualmente, me afogarei nelas. Às vezes minha vista embaça e eu não consigo enxergar meu caminho – ou até mesmo a mim, ou quem eu costumava ser. Não consigo...