Pular para o conteúdo principal

Postagens

As melhores coisas da vida são...

A vida é uma bagunça. Só isso já deveria ser o bastante para te reconfortar. Especialmente se você for como eu, e sente que as coisas estão constantemente fora do lugar. Se a Teoria do Caos estiver certa, não há razão para se preocupar. Não se cobre tanto pelas coisas desorganizadas ao seu redor – seja o seu quarto ou a vida em si que desenvolve fora dele. Não se preocupe: nada vai dar certo. Claro, essa seria a saída simples. Mas não existe nada simples em nós, exceto o fato contraditório de que somos intrinsecamente insatisfeitos com tudo que nos rodeia. Começando por nós mesmos. Eternamente paranoicos com noções que variam desde perder mais uns cinco quilos até receber rios de dinheiro por um trabalho bem feito. Mudaram as estações, mas nada mudou. Aplique o conceito de uma raça que vive com saudades do calor no auge do inverno e que, na mesma intensidade, sofre no verão com a ausência dos dias frios de céu azul . Existe uma explicação psicanalítica mais aprofundada, graças à Freud...

O Tinder não é para você

Mais cedo ou mais tarde você iria descobrir isso. Entre encontros e desencontros, bloqueios inesperados no WhatsApp e o verdadeiro abismo que existe entre o “ nada sério ” e o “ vai que... ”, você percebe que o Tinder – ou qualquer outro aplicativo de relacionamento que exista no seu celular agora – não é o seu lugar.  Porque o Tinder, ou qualquer outra plataforma alternativa, não foi feita para relacionamentos casuais. É só uma lenda urbana, criada e propagada pelos mesmos autores de “ nadar depois de comer dá câimbra ” e “ vinho bom mesmo é de cinquenta reais pra cima, seco e importado ”. Nada disso é verdade. Inclusive: acreditar em lendas urbanas é o que tende a causar câimbra e a ser caro demais a longo prazo. Nunca subestime o poder de mergulhar de cabeça em algo, especialmente em um vinho barato. “ Estamos na era dos relacionamentos líquidos ”, eles disseram. “ Bauman ficaria parte orgulhoso, parte horrorizado por ter previsto o nosso enforcamento emocional à base de aplica...

Somos todos sozinhos

Isso vai parecer clichê, mas dois movimentos similares não podem ser meramente circunstanciais. Eu costumava viver usando preto, quase como um uniforme, porém sob a desculpa de que é a ilusão de ótica preferível por quem está fora de forma. E, convenhamos, entre todas as ilusões em que vivemos, essa pelo menos parece combinar melhor com tudo. A outra desculpa, a clichê, é subjetiva: parecia como se eu estivesse perpetuamente de luto por alguém. Não alguém que você aí chegou a conhecer – nem eu, para falar a verdade. O luto por alguém que não conheci. E que, depois de inúmeras tentativas, descobri que isso só não aconteceu porque é impossível conhecer alguém que não existe. Não me entenda errado: amor existe . Claro que existe. É uma benção não termos o poder de prever o futuro, ou sequer teríamos coragem de levantar da cama pela manhã. Só de pensar o quão aterrorizador seria conseguir contabilizar os dias até aquele em que algo importante acontece, parece o equivalente a vivenciar u...

Obrigado. Próxima!

Meus amigos dizem que supero relacionamentos rápido demais. Claro, esses não são os mesmos amigos que estavam por perto na época em que eu não só jamais superaria um relacionamento de qualquer tipo em uma velocidade remotamente impressionante, como sequer chegava a vivenciá-los de verdade. Mas todos temos os nossos fantasmas, remorsos e arrependimentos - sejam eles os certos ou os errados - em se tratando de relacionamentos. Sejam eles reais ou imaginários. São os mesmos amigos que hoje ficam abismados com o quão proativo eu me tornei sobre a minha vida pessoal. Para os de outrora, não há segredo algum. Eu queria, quero e possivelmente irei querer sempre alguém para amar nesta vida. Só o que mudou é o que esse amor em particular, e essa eterna busca pelo algo a mais, significam.  Não se trata de preencher um vazio, para-sempre-vazio , numa vã esperança de alcançar um momento de sossego e distração em meio a uma miríade de neuroses e lutos mal elaborados - como já foi o caso um dia...

Você nunca esteve aqui

Quando dizem que seu passado te condena , talvez estejam exagerando. Não necessariamente porque a vida que assombra o retrovisor eventualmente não irá te alcançar. Ironicamente, vai além disso. Talvez signifique algo muito mais simples do que os nossos piores medos. Talvez, em um dia qualquer, ao olharmos distraídos para trás e percebermos o quão longe já chegamos, é possível que sequer reconheçamos quem viemos a nos tornar. Pior ainda: alguns sonhos e promessas dos quais jurávamos nunca nos desfazermos podem, vez por outra, terem escapado das nossas mãos ao longo do caminho. Enfim, a hipocrisia: você sequer sentiu falta deles . Também não chega a ser algo digno de um luto, em vista do quão natural tudo parece ter acontecido. Dos mais humildes entre nós até aqueles dotados de um distorcido complexo de Júlio Cesar – olhando tudo ao seu redor e declarando que “ vim, vi, venci ” – nossos impérios e nossos domínio sobre eles muda com o tempo. E já falamos sobre isso por aqui: mudança, na f...

Meditações em uma emergência

Perspectiva. Esse é o segredo. De uns tempos pra cá, comecei a realmente pensar sobre o que certas coisas significam. Só não digo que ando em desconstrução porque, ironicamente, já destruíram o termo em si. Mas desde os pequenos e estranhos sinais comuns, até os grandes e profundos gestos, há sempre algo a mais sendo dito. Às vezes, um simbolismo silencioso. Às vezes, um amor entre as ruínas. As pessoas dão sinais desde o começo de como são. Nós só não gostamos do que vemos logo de cara, por isso é mais fácil disfarçar como se não fossem nada demais – ou pior, como se fossem aspectos capazes de desaparecer com o tempo. Nunca é o caso. E se isso ainda não faz sentido para você, é só fazer a conta ao contrário. Quais defeitos existem mesmo em você, capazes de lentamente afastar outra pessoa? Mudá-los está mesmo ao seu alcance ou, bem como um prédio, um tijolo a menos desmoronaria toda a estrutura?  Quando não era usado em vão, desconstruir-se era mais um exercício a ser aprimorado. ...

A volta dos que não foram

A vida ficou infinitamente mais fácil depois que eu aceitei o fato de que o verdadeiro e único amor da minha vida sou eu. Por dois grandes motivos: o primeiro sendo a noção básica (porém inconcebível até certo ponto) de que meu amor é o único que não pode me decepcionar. Os outros sempre estarão à mercê exatamente disso, dos outros e, portanto, eternamente fora do meu controle. O segundo motivo é mais fácil de entende, mesmo sendo tão teimoso quanto eu. Se eu não me tratar como um amor a essa maneira, por que mais alguém faria isso? Mesmo assim é fácil perder-se no dia a dia. Entre itinerários de ônibus, horários comerciais, compromissos na agenda e filas de banco. Quando tudo ao seu redor parece cinza e ligeiramente utópico no pior sentido possível, não há nada como a teoria do " vai que... " para vir ao seu resgate. Pra quem não sabe, " utopia " é uma contradição em mais de um significado. Um deles é direto e abstrato - a palavra em si deriva do grego e representa...