segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O que acontece aos corações partidos

É a mesma sensação de sempre. Você não consegue abrir mão, não consegue se despedir, e a cada instante que se passa quando parte fica claro o quanto você amou. Os nomes mudam, os cenários se alternam, mas a essência é única. Quando se cultiva um amor que não vinga, de todas as emoções a perda é a mais gritante. De repente, você se sente sem coração, e morre. E morre um pouco mais a cada dia que cultiva a dor. Porque a dor é a única maneira que restou de se conectar com a pessoa que você amou, já que ela se foi.

Mas o que acontece com aqueles que amam tanto a ponto de depositar todas as suas esperanças de serem felizes em outra pessoa que não demonstra a reciprocidade pela qual rezavam? É a mais irresistível ilusão, recheada com a maior de todas as dores que uma pessoa pode ter; projetar seus sonhos em alguém que não sente o mesmo, apenas para ser confrontado com o momento da verdade. O momento em que se descobre como estava gritando para o mundo que estava apaixonado, sozinho. Um amor que nasceu em você, cresceu em você, e morreu na entrega.

Imagine ter tanto amor assim, capaz de distribuí-lo sem medo ou culpa para todas aquelas que pareciam ser sua alma-gêmea, e continuar andando com a cabeça erguida desilusão após desilusão. Uma dor no coração após a outra, que no fim serve para fortalecê-lo ainda mais. Ninguém sabe como curar um coração partido, mas o mundo nunca parou de girar por causa de um e essa é a peculiaridade da vida. E quando um coração partido finalmente se recupera, você descobre exatamente o quanto se é forte. E o quanto o amor que vive em você é real.

Quando dói a ponto de morrer, você sobrevive.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Acordando normalmente

Bom humor matinal não depende de mim ou do mundo, é uma anomalia emocional que ocorre quando menos espero e quando mais preciso. E não depende também de qualquer variação do meu ritual: bocejar, espreguiçar, arrastar-se até o banheiro, jogar água fria na cara até parecer humano de novo. Claro, o mundo participa também; os pássaros cantam, o vizinho faz barulhos estranhos ao sair pro trabalho, a dona-de-casa do apartamento da frente liga o axé no máximo para limpar sua casa mais graciosamente - ou não - e meu celular tem a hora programada pra tocar "So Happy Together" do The Turtles (daquela propaganda do Ford Focus no final do ano passado) para fazer com que eu abra os olhos e volte à realidade. Ah, e café. Café é vital, agora. Depois de anos adepto ao tradicional leite com toddy (nem Nescau, Toddy mesmo), eu agora tomo "a bebida que gente grande bebe o dia todo pra continuar funcionando" (acho que minha mãe disse algo parecido pra mim, em algum ponto da minha vida onde Toddy estava caro). Enfim, eu curto os dias que começam com bom humor, mas não dura muito. É só pisar do trabalho que tudo volta ao normal (viu?). Mais sorte na manhã seguinte.

***

Pense numa pessoa que dá um passo à frente, dois pra trás, e se perde. Sou eu.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Sobre viver a vida

Quando a vontade de escrever bate, tem que seguir com ela até o final. Sem mais nada de produtivo pra fazer a não ser atualizar o twitter a "less than 5 seconds ago from web" e curtir os flashbacks que só o media player no aleatório pode proporcionar, eu decidi passar pelo Jornal Nacional no mudo para, pela primeira vez na minha vida, pegar uma novela do começo. Afinal, agora não tem mais mãe lá na sala pra me explicar a história quando eu resolver assistir quando saio da minha caverna pra jantar em família.

Da Índia pro Leblon, tudo bem, Manoel Carlos, a gente entende. Helena, claro, a gente entende. Título com subjetividade universal, entendo muito bem. E dessa vez, nove meses depois da Flora ter sido presa, eu não me sinto mal por começar outra novela na segunda assim, depois de um final na sexta. (Só um comentário aleatório; William Bonner fica bem engraçado no mudo, experimente. Ouvindo: The Winner Takes It All - não a versão maníaco-dramática da Meryl Streep, é o ABBA mesmo) É que da última vez, demorou pra que eu deixasse a Flora em paz para aceitar a Juliana Paes indiana e aquele gordo em quem ninguém podia tocar, mas com o tempo eu aprendi a jantar com eles também.

Peraí que eu tenho que tirar do mudo, começou. Por-do-sol, "What the world needs now is love", Búzios 2008. Corta pro monólogo interior da Taís Araújo, num barco. Pelo visto, essa Helena sempre andou descalça e por isso tem os pés no chão, mas deu pra ver na cara da equipe de reportagem entrevistando ela que acharam a frase batida. Ela sonha muito também, mas não delira. Particularmente, não sei como é isso. Parei pra pensar e ela agora pulou num Banana-Boat, com um tema latino que era pra ter tudo a ver, mas não foi. Corta pro morro, - sabe, a parte de cima do Rio - perseguição, sobe e desce de escadas, Tropa de Elite soundtrack, e de volta pra Helena/Taís na praia, de biquini que é pra dar ipobe, e começa a justaposição de imagens porque o diretor acha que é um efeito legal (no mais, serviu pra atacar minha enxaqueca). Agora a gente entende que, enquanto a irmã rica tá de boa em Búzios, a irmã pobre foge da polícia, sem deixar de lado que família é importante e tal.

Corta pra Alinne Moraes, num buggy rosa (É. Um buggy. Rosa), que também é modelo mas não tem cérebro. "Sabia que meu rosto está entre os 20 mais bonitos? Mas não vi seu nome lá!" - "É que eu estou entre as 10, queridinha". As duas param o trânsito, no sentido ruim, e quase são atropeladas quando um cara decide mesmo "passar por cima" delas. Há algumas locações dali, Lília Cabral/Tereza e José Mayer/Marcos discutem num carro, até a mulher bater a cabeça no porta-luvas. Enquanto isso, Danielle Suzuki socorre a irmã pobre da Taís, que despistou a polícia porque a novela é fiel à realidade. Lília Cabral continua a falar mal do ex-marido, da carreira da filha, do restaurante, de Búzios, e do oxigênio que inala enquanto a filha balança a cabeça. Ah, ela odeia carnaval também; isso aí.

Alinne Moraes continua a dirigir com seu buggy rosa pela novela enquanto Mayer observa de longe um grupo de turistas que está visitando a praia, e se perde em devaneios de como logo se casará de novo só para voltar a ouvir as babozeiras de uma mulher no meio da noite, mas uma Letícia Spiller descabelada o interrompe com algo que ninguém presta atenção, pois ela está descabelada. A entrevistadora então decide falar com Helena Taís sobre amor, e esta demonstra desespero, desilusão e esperança tudo numa só expressão (igual quando a Regina Duarte fica feliz e triste ao mesmo tempo). Ao aprofundar-se mais no turbilhão de emoções e frases impulsivas que tomaram sua fala, Mayer aparece no fundo e percebemos que (nossa) estão no mesmo bar - balanceado com imagens de Danielle Suzuki, an, fazendo uma salada.

A equipe de filmagem vai embora e Taís Helena, ou Helena Taís fica pensativa, até ligar para Suzuki, que fala de boca cheia (pois está comendo salada) sobre como está a situação da irmã pobre. Suzuki engole a salada e muda repentinamente de cenários enquanto Taís Helena continua no bar, e pede ao garçom um pedaço de papel e uma caneta para anotar um telefone. Mayer usa a deixa para se aproximar de Helena, e lhe oferece papel e caneta (porque todo mundo tem papel e caneta assim, fácil). Helena comenta com Mayer sobre como é raro um homem andar por aí com caneta à tinta, e Mayer contra-acata com uma cantada tipo "filosofia-da-caneta-que-papai-me-passou" e logo se aproxima dela. Helena agradece e devolve a caneta quando um repórter volta para buscá-la. Antes de sair, Helena agradece novamente pela caneta, e Mayer, em sua última jogada, se despede com "até qualquer outro momento". Mayer agora observa Taís ir embora com o sol batendo na cara, mas a música permite que ele curta o momento. Corta para a abertura, começou a novela.

Por enquanto, tá mais interessante que as peripécias de Maya pela Índia afora. Não me decepcione, Helena Taís.

Obs. Logo após o intervalo, vemos Moraes e Mayer no buggy, e Mayer comenta sobre como é bizarro o veículo rosa vagando pelas areias de Búzios. E agora ela também está de biquini. Me convenceu a continuar.

Acima do normal

Eu juro que ouço essa palavra todo dia, e estou repetindo aqui de propósito. Simplesmente para ver se alguém também se dá conta disso. Na maioria daz vezes, é usada pra descrever uma sensação, um lugar, uma atitude, um pensamento, o tempo lá fora, enfim. Outras vezes, é o que uma pessoa espera atingir na esperança de não ser julgada por outros e sentir a comodidade de “se encaixar” na sociedade, e então perder tempo com outras coisas.

O que eu não entendo é essa busca sem sentido pela normalidade; que graça tem? Ser igual a todo mundo, fazer as mesmas coisas, sem nunca sair da rotina, só porque a televisão mostrou que aquela menina que dança “A Little Less Conversation” no corredor de casa tem síndrome de down. Eu faço a mesma coisa, quando o espírito do Barry White baixa aqui (you’re my first, my last, my everything, yeah baby), e consigo comer sem babar (exceção clássica: cachorro-quente), e andar na rua (grande parte do tempo) sem trombar em nada. Tio Raul já dizia que excercitava sua falta de normalidade tanto musicalmente quanto no dia-a-dia e, até quando estava fumando maconha até o Tico e o Teco desmaiarem, era chamado de gênio. E gritam pra ele tocar em qualquer show até hoje.

- Você, bom, você...

- Não sou como qualquer outro que você conhece?

- Mais ou menos. Você não é normal.

- Eu sei. E eu gosto.

Pode continuar fazendo tudo igual aí, enquanto eu me divirto com essa música tocando na minha cabeça.

Segunda-feira, 15:35.

É, a tarde de hoje foi bem produtiva. Mas sabe, o que realmente acontece depois que se encontra o amor? A pessoa fica feliz, e só? O drama acaba, as inseguranças se acalmam, as lágrimas secam, o coração pára de pular... fim? Talvez eu seja louco, ou apenas masoquista, mas isso me parece bastante chato. Eu gosto da busca, a procura incansável; essa é a graça. Quanto mais se está perdido, mais se tem a esperar. Quem diria, eu estou feliz e nem tenho noção.

Pensando em você

Hoje eu me lembrei daquela frase que diz que a vida se baseia nos momentos em que perdemos o fôlego, e já faz algum tempo que eu venho reparando em como eu ando suspirando bastante, com tudo que me acontece. Só que em vês de suspirar por algum amor perdido ou por prender meu dedo no freezer sem querer, dessa vez foi puro tédio. Aí eu caí num dia tipo “o-que-posso-fazer-pra-mudar-minha-vida-hoje?” e decidi tentar um experimento bastante desafiador: pensar antes de falar e agir. Sistema de filtragem: ligado, e assim foi. Sabe como se descobre que se fala muita merda? Quando se pensa antes de falar e o silencio se torna constante. E digo mais, é melhor do que exercitar a paciência.

O tipo de coisa normal

Demora um pouco pra se perceber, mas depois de muita observação a outros seres huamnos e suas manias ao longo dos anos, posso honestamente dizer que o mundo é feito de pessoas estranhas. Mas por que não nos avisam? Quando crianças, por que não nos ensinam na pré-escola que as pessoas são bizarras, assim não nos sentiriamos tão mal com nossa própria estranheza, e talvez até seriamos mais mente-aberta quanto ao estranho. Pense na pessoa que você julgou ser estranha e tirou da sua vida; ela é mesmo pior do que os estranhos que você ama, e até sente falta?

Resumindo, somos todos submetidos a uma lavagem cerebral para acreditar que as melhores pessoas são normais e atraentes, mas talvez não sejam! Talvez os estranhos sejam mesmo as pessoas mais legais, e a culpa é nossa por estar ignorando-os. Afinal de contas, ainda estamos sozinhos. Estamos, definitivamente, esquecendo de alguma coisa.

***

Normal é o meio-termo entre o que você quer e o que você pode ter.

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Não somos apenas atraídos a querer o que não podemos ter. Também somos atraidos a querer o que realmente não queremos. Estranho, mas é normal.

O efeito dominó

Segredos, mentiras, e mágoas são resultados do que acontece todos os dias quando as pessoas menos esperam, quando se vive num mundo sem amor. Em vês de corações abertos, tudo que se encontra são ironias e sarcasmos engatilhados, prontos para serem atirados contra alguém que, curiosamente, ainda acredita que aquela coisa estranha chamada amor possa mesmo, apesar dos apesares, conquistar tudo. A partir disso, ocorro todo aquele efeito dominó: uma pessoa quebra a cara, que por sua vez torna-se fria e acaba por esmigalhar as crenças de outro em seguida. No fim, o que nos resta para acreditar a não ser na tal realidade, com toda sua frieza e senso de que fantasia só pode existir até quando, digamos, você começar a pagar seu próprio aluguel. Encarados com tantas calúnias, a única coisa que resta perguntar é: nos dias de hoje, exatamente quão perigoso manter um coração aberto é?

terça-feira, 8 de setembro de 2009

A dor maravilhosa

Eu fui pra cama à uma da manhã, e ainda estava acordado às duas e meia. Não haviam mais palavras, já havíamos dito todas. Depois daquilo, eu sabia que tinha acabado. Será que eu realmente amei? Ou estava apenas viciado na dor? A dor maravilhosa de querer alguém tão inatingível. Eu queria ir até ela, mas me senti amarrado aonde estava. Uma parte de mim estava me segurando, sabendo que já tinha ido longe demais, atingindo meu limite. E assim, eu me desprendi do amor. Eu estava livre, mas não tinha nada de maravilhoso nisso.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Se for só na sua cabeça

É fácil se perder quando se segue o coração o tempo todo. Num piscar de olhos, dá pra perder amigos, oportunidades únicas e até mesmo uma vida; basta esquecer que tem cérebro e deixar que seus batimentos cardíacos tome decisões por você. Isso só não se aplica à exceção clássica: amor. Não se escolhe a quem amar, até aí todo mundo sabe, mas o que o mundo cisma em impor é que é sim possível decidir por quem sofrer – para não dizer, que dá até pra não sofrer por ninguém.

Depois de inúmeras cartas de amor, lágrimas de arrependimento e pedidos de desculpas, a tendencia é de que o garoto ingênuo e apaixonado que existe dentro de cada homem morra pouco a pouco ao longo do caminho rumo à maturidade. Quando não passa de um garoto ingênuo dentro de um garoto mais ingênuo ainda, acaba demorando mais ainda. Mas acontece.

Acreditar no amor é algo que envolve tempo, imaginação fértil, castelos em cima de sonhos, coragem de admitir para o resto do mundo que você não vai pegar a garota bêbada da festa só porque ela está no estado “qualquer-dez-reais-me-leva”, e força para sobreviver a incorrespondências que eventualmente levam amizades a completos desastres. Só que como mudanças fazem parte da vida, esse tipo de força acaba se transformando em outra, aquela que nos ajuda a superar fatalidades de verdade e que nos leva a enfrentar o mundo real dia após dia.

E então, chega o momento em que você não encontra mais seus amigos por perto e tudo pelo que sonha ainda está há mil lágrimas de distância. Foi quando eu percebi que não sei usar meu coração. E se eu não sei usá-lo, como acreditar em algo cujo símbolo é ele?

Talvez eu encontre a pessoa dos meus sonhos, talvez não. Mas, por ora, cansei.

Mundo Real: 1 x Igor: 1.

sábado, 5 de setembro de 2009

Tudo normal até que...

Sabe aqueles dias em que você sente que não pode chegar perto de outros seres humanos, para o seu bem e a segurança deles? É um dia em que todas as forças do universo se conciliam estritamente para te irritar, e conseguem. Você pode até, no maior dos milagres, acordar de bom humor num dia assim, mas com um piscar de olhos, de repente tudo e todos tornam-se malditos que só apareceram no seu caminho para testar sua paciência, geralmente com coisas pequenas e perguntas insignificantes. As pessoas dizem que você não pode ficar estressado, você as manda pra bem longe, e o dia vai piorando.

Todos tornam-se alvos e não há quem você não imagine que exploda e te deixe em paz. E, claro, a hora no relógio não passa para que você volte para casa o mais rápido possível, sem ferir ninguém. Você questiona se as ordens do seu chefe no trabalho são de verdade, ou se são só pra te irritar, você não liga pra colega escrota que não te cumprimenta, e você nem se preocupa em servir direito o cara que pediu um chopp justo na hora em que você está fechando o caixa. Deu até vontade de cumprir aquela promessa.

Aí tem os lugares onde você não pode ir num dia assim; evite aglomerações, porque você é a única pessoa sã que tem bom senso de não parar pra cagar no meio do shopping e não anda na velocidade de um peido; até parece que é pra te atrapalhar de propósito quando você tenta se locomover em corredores estreitos – e sempre, sempre haverá duas ou mais tartarugas na sua frente que não te deixam passar, mesmo que você esteja de uniforme e provavelmente trabalhando. E eu fiz a cagada de ir nas Lojas Americanas exatamente com esse humor.

Parecia pegadinha; tem dez caixas, só cinco funcionando, sendo um deles preferencial, e as pessoas muito inteligentes que saem de casa naquele sabadão de tarde pra ir passear esquecem que precisa de dinheiro pra pagar o que querem comprar e despejam mil reais em moedas no balcão – e contam uma por uma, que é pra não perder troco. Pra melhorar, o caixa não sabe fazer conta. Rangi os dentes numa fúria assassina, mas mantendo estampado no rosto aquele sorriso plastificado que é pra não dar na cara que estava desejando que o chão se abrisse e engolisse todos à minha volta. É uma oportunidade ótima para treinar frases-feitas e felicidade forçada, que é o que mais se vê num shopping.

Voltando pra casa – da onde você não deveria ter saído - , os carros sincronizam suas passagens exatamente quando você vai atravessar a rua, e as pessoas coreografam seus passos com os seus, e tomam o espaço da calçada. Ao entrar dentro de casa, você consegue respirar fundo pela primeira vez no seu dia e agradece por não ter saído armado. E prepara um drink do tamanho da sua cabeça, porque amanhã tem mais.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Motivos normais

Na maioria das vezes, medo é o que separa as pessoas daquilo que mais querem. Medo de admitir que errou, e que sente falta. Medo de perceber que talvez fez a escolha errada, e de aceitar em vês de se afogar em arrependimento. Eu não tenho, nem nunca tive, medo de querer alguém para amar. Porque eu tive uma vez, e era tudo. O que me amedronta agora é a possibilidade de nunca te ter de novo.

Ou talvez, eu nunca tive de verdade.

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Sabe aquela calma que só o desespero dá?

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As pessoas gostam de dizer “muito pouco” pelo mesmo motivo que se apaixonam pela pessoa errada: atração por contradição. E nunca falha.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Amanhecer

Morrer é fácil. O coração pára de bater, você vê uma luz branca, e caminha em direção à eternidade, deixando para trás a vida que sequer chegou a conhecer por completo. Ruim mesmo é morrer enquanto ainda se está respirando, porque a dor não pára. É um momento inexplicável quando paramos por um segundo para perguntar a si mesmo: “pelo quê eu estou vivendo?”, e encontrar-se sem resposta. Talvez seja pela família, pelos amigos, o trabalho, ou quem sabe a vontade de realizar todos os sonhos pelo qual aspira, antes de parar de respirar.

Alguns nem param para pensar nisto; dizem que a vida foi feita pra ser vivida e nada mais, e não estão errados. Mas ao encarar-se com o fim de uma vida alheia, a tendência de tirar alguns instantes para analisar a própria é quase inevitável. E na maioria das vezes, não sabemos exatamente porque levantar da cama de manhã.

Todos queremos realizar algo em nossas vidas antes de deixá-la; algo significativo. Seja a emoção de um romance, a alegria de criar uma família, ou a angústia de uma perda; esperamos que algo aconteça para dar sentido ao nosso cotidiano, e para que lembrem-se de nós quando partirmos.

Começamos a morrer logo quando nascemos, por isso é fundamental criar nosso legado antes que seja tarde demais. Ontem já se foi, então aproveite o hoje. Mas não se esqueça do amanhã.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O dia em que a terra tremeu

E então, eu decidi ficar louco. Se deu certo pro Raul...

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Lembra de como você costumava ser impulsivo; espontâneo a ponto de não pensar duas vezes antes de sair de casa para procurar alguém a quem você devia desculpas. Espontâneo a ponto de dizer e fazer tudo que pensava, tudo que queria, sem temer os olhares dos outros em volta. Você não se preocupava em dormir cedo para descansar; dormia cedo para que a noite passasse rápido, para que pudesse rever todos aqueles que ama no dia seguinte. Você costumava guardar os segredos de todos, e em troca dar-lhes os seus pois sabia que estariam seguros também. Você não se preocupava tanto com dinheiro; as coisas que te faziam feliz não tinham preço. Você ássava horas conversando sobre coisas sem sentido, e se sentia bem com isso. De repente, as coisas – e as pessoas – precisavam ter uma espécie de “conteúdo” para chamar sua atenção. Estranho como você nem sabe definir bem que tipo de “conteúdo” é esse. E aí, você cresceu. Conseguiu tudo que queria – quer dizer, tudo que achou que queria – só para desejar ser aquele garoto de novo.

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As coisas estão parecendo surreais de novo. Como se o “mundo real” estivesse me engolindo, me afundando nesse poço de responsabilidades e dolorosas verdades. E, de certo modo, não me sinto tão ruim. A não ser que tenha chego fundo demais, sem perceber. Ultimamente tudo tem seu lado “ou não” mesmo.

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Estranho como os pensamentos mais significatibos que tenho acabam sendo escritos nos pedaços de papel mais abomináveis.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Momentos definitivos

Ao longo dos anos eu passei a acreditar que não existem grandes histórias de amor sem lágrimas, um enredo dramático, agonia, extase, e uma boa dose de insanidade. Após alguns meses de adaptação e uma grande quantidade de ócio em mãos, eu consigo perceber agora como 2009 está sendo o ano definitivo da minha vida – até mesmo divido em momentos marcantes. Passados a dramaticidade do ato I e o aprofundamento do ato II, estou ás vésperas do meu “começo de fim de ano” e mais ansioso e amendrontado do que nunca.

Porque , depois de deixar minha cidade, meus amigos, começar a trabalhar, começar (e parar) a faculdade, morar sozinho, sem contar as brigas, os dramas, as lágrimas, o beijo, um assalto, aquele casamento de não-sei-quem, a dispensa do exército, a primeira geladeira, as pessoas novas, as piadas novas, as músicas, e aquela vez que vi um pombo dançando na rua, eu posso dizer que estou vivo, e me divertindo pra caramba. O que mais pode acontecer?

Então, eu senti algo que soltou borboletas no meu estômago e deixou minhas pernas tremendo. Algo que fez com que eu largasse o trabalho e corresse para uma cabine no banheiro mais próximo. Não eram somente lágrimas, era o começo de mais uma história de amor.

E Setembro nem chegou ainda.

***

Não sabia que usar links era tão legal.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O mundo real II

Alguns problemas parecem tão complicados que se esconder debaixo das cobertas não faz com que desapareçam. Então eu levantei, com meus olhos inchados e o corpo lentamente reaprendendo a se mexer e me arrastei até o banheiro, joguei água no rosto algumas vezes até ser considerado humano de novo e saí por aí. E foi um daqueles dias.

Ao encarar mais e mais divergencias, imprevistos que me deixam acordado noite afora e uma série de angústias que me fazem duvidar da minha saúde mental, por mais frágil que seja, eu me pergunto: o que tem de tão bom no mundo real? Apesar de que, talvez, nem seja por opção própria. Afinal, o sol ainda nasce e os pássaros ainda cantam, mesmo sem você estar aqui.

Então eu decidi continuar escrevendo o que sinto, e compartilhando isto com quem tiver interesse e paciencia de entender. Porque por mais problemático que eu seja, algumas vezes a culpa é do mundo e não minha. Vou voltar para debaixo das minhas cobertas, com a consciência limpa.

***

Acho que estou ficando mais saudável agora. Na maior parte do tempo, eu quase nem penso em você.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Palpite

Tenho tido algumas angústias bem estranhas ultimamente. Angústias que, ao analisar mais profundamente, não passam de meros momentos de fraqueza. Fraqueza e ansiedade, por não ter te encontrado ainda. Eu não sei quem você é; não sei se é loira ou morena, alta ou baixa, não conheço o tímbre da sua voz ou a real sensação do seu toque, mas sei que te amo. Apesar de tudo que anda acontecendo, eu ainda não desisti de esperar por você. E eu mal posso esperar para dividir minha vida com você.

Cometi erros inúmeras vezes, e por pouco não deixei que sua tão sonhada presença escapasse de meus planos, mas ainda acredito que você está por aí. Tanto é, que não decidi voltar para casa ainda. Tenho um palpite que você está mesmo por aqui; só preciso abrir mais os olhos.

Ainda não sinto que enlouqueci, a esperança está me mantendo vivo. De certa maneira, gosto até de pensar que você está me procurando também, mas vivemos nos desencontrando. Ridículo, não é? Mas é algo que preciso manter em mente quando deito a cabeça no travesseiro à noite, especialmente enquanto estou sozinho.

Boa noite, meu alguém. Nos vemos em breve.

sábado, 8 de agosto de 2009

Uma faísca na escuridão

Em alguns certos raros momentos, uma onda de calmaria me atinge e eu consigo sentir plenamente que estou feliz - ou, então, que estou muito perto de conseguir. Só não consigo ter plena certeza de que é mesmo de você que eu sinto falta, ou de alguma outra pessoa. Quem sabe, pode até ser aquela pessoa com quem sonho, e ainda não cheguei a conhecer.

Apesar da calma e o relaxamento, me encontro exatamente no meio da jornada: sem querer voltar da onde vim, e sem saber pra onde vou. Também não é a primeira vez que me sinto assim; outrora, me convenci de que o melhor estava por vir e assim consegui continuar trilhando meu caminho - eventualmente encontrando a parte boa que supostamente acreditei estar, até então, adiante. Hoje, já não me parece algo tão simplório. Na vida, de vez em quando, devemos acreditar em algo sem completa fundamentação para conseguir passar pelo presente. Por isso eu repito a mim mesmo, tudo aquilo sobre o amanhã.

Com meus erros me atormentando e minhas vitórias se espairecendo no ar, não tenho mais medo de admitir que não consigo me olhar profundamente no espelho por muito tempo. Às vezes gosto do que vejo, às vezes não. E quanto mais eu aprendo sobre a vida, mais eu percebo que não estou ficando louco - porém, nem tão lúcido assim.

A melhor parte de tudo isso, é poder passar tanto tempo refletindo e ainda ter dezessete anos. Se não estou feliz ainda, estou - definitivamente - quase lá.

domingo, 2 de agosto de 2009

Sozinho de novo

Eu tinha um plano, e pelo que me lembro - seis meses atrás - até fazia sentido. Eu estava fazendo uma mudança na minha vida que me levaria a uma graduação de sucesso, a companhia de uma família, e ao encontro do amor que eu sempre sonhei. E, somando estes sonhos, eu seria feliz. É, eu acreditava nisso, mas a realidade sempre dá um jeito de me contradizer.

Meu plano não envolvia assaltos, a força armada brasileira ou até mesmo doses de tequila, mas é o que anda acontecendo por aqui. E quanto mais meu otimismo tenta se agarrar á tal filosofia do “não-procure-pelo-amor-pois-ele-vem-até-você”, mais ele se cansa. Como resultado, outro estilo de vida lentamente se estabelece: solidão. E o problema está exatamente na crença de que o amor simplesmente aparecerá mesmo que você não faça nada; sejamos honestos, quem foi o escroto que inventou isso?

Pergunte aos seus amigos ou procure nas pessoas que você conhece; sobre quantas delas você pode dizer, “a pessoa certa simplesmente apareceu”? Se você perguntar, ouvirá apenas que a pessoa certa “escapou”. Agora, pergunte a alguém o que este mais deseja... É amor. Todos concordam que o lado pessoal é mais importante do que carreiras ou compromissos, mas olhe em volta; no calor do cotidiano, ninguém realmente se empenha em sua vida pessoal - apenas esperam que esta se resolva por si só. Mas ás vezes, não acontece.

Então eu estou sozinho, de novo. Talvez esteja na hora de ser mais assertivo, de mudar minha atitude para, daqui em diante, não depender mais da possibilidade remota que vou trombar com o amor da minha vida assim, na rua, num dia qualquer.

Meu nome é Igor Costa Moresca, e estou fazendo o máximo que posso para não desistir da promessa que fiz.

domingo, 26 de julho de 2009

O normal a ser feito

Sempre que eu sinto meus instintos dominando a melhor parte de mim, eu tento me lembrar da filosofia de vida que me não me deixa jogar tudo pro alto e sair correndo: dê tempo ao tempo, você vai adorar o amanhã. Na maioria das vezes, funciona; eu acordo na manhã seguinte muito mais relaxado e com a sensação de que daqui em diante tudo vai dar certo. Pelo menos, é algo no qual eu preciso acreditar, por razões que não conheço bem. E uma vez mais, nada disso faz sentido.

Por mais que eu tente, não consigo expressar de outra maneira - ou, com outro tipo de vocabulário senão este que respinga subjetivismo. E estou aprendendo a não me incomodar tanto com isto também. A questão aqui é que eu me perdi; saí da minha cidade e larguei uma vida toda pra começar uma fase nova, enfrentei obstáculos que não esperava e dei meus pulos, mas eventualmente me perdi. E aquele negócio de procurar o normal a ser feito agora já era. Estranho mesmo é não me arrepender de ter largado a faculdade ou de continuar a assinar o recibo que me garante o próximo mês no meu apartamento.

Levar um dia de cada vez parece ser a melhor política, mas o desespero não foge muito. E o frio não ajuda. Seja como for, deixo que a vida se encarrega de me colocar de volta nos trilhos. Uma hora ou outra, eu acho meu caminho de volta. Palavras nada normais, de uma pessoa nada normal.

domingo, 12 de julho de 2009

Uma vez na vida

Demora certo tempo para perceber, mas em algum ponto da vida chega o momento em que descobrimos que amor e felicidade na verdade não são sinônimos. Eu tenho amor na minha vida; uma família querida que está longe de mim, apenas aguardando minha próxima visita, amigos leais que não se esqueceram de mim mesmo longe da internet, e uma cidade que ainda guarda meus eternos sonhos e esperanças de, um dia, combinar todo esse amor com a felicidade cuja qual procuro.

E eu não me importo se ninguém se preocupa em ler meus apelos. Até mesmo por que grande parte dos que liam, em lágrimas passadas, não compreendiam completamente o que eu tentava expressar. Tudo que quero é escrever o que sinto, e compartilhar isto. E o que eu sinto ainda é você.

Em dias mais otimistas, e até mesmo nos abismos de pessimismo nos quais me afundo às vezes, eu acredito na velha teoria sobre ter apenas um amor na vida. Um amor que, mesmo por mais que se tente, não é possível se esquecer. Um amor que eu sinceramente achei que poderia estar aqui. E se, por acaso, estava comigo o tempo todo?

Restam apenas duas coisas que ainda espero que aconteçam; que você me perdoe completamente, e que eu entenda de uma vez por todas porque errei.

***

Eu estou tentando ser feliz sem você. Mas sinto saudade às vezes.

A melhor coisa que já se aconteceu

Existem algumas pessoas que, quando você as conhece e logo após deixarem o recinto, te fazem pensar: “Como eu vivi até hoje sem ela?” Pode parecer ridículo, ou então a melhor coisa que já se aconteceu. O tempo se encarrega; você vai adorar o amanhã.

sábado, 11 de julho de 2009

Lágrimas secam sozinhas

É difícil dizer por quais razões vale a pena derrubar lágrimas, e por quais não vale. Choramos de felicidade quando reencontramos pessoas especiais, e choramos de tristeza quando estas, por sua vez, nos deixam sem dizer quando ou se voltam. Choramos de saudade por tempos que passaram rápido demais, e que tudo que nos resta são memórias dos sorrisos que ficaram para trás. Choramos secretamente e nunca contamos a ninguém, pois os porquês não teriam sentido para ninguém senão nós mesmos. Choramos por não conseguir abrir mão, não conseguir seguir em frente, e quase nos afogamos em lágrimas até mesmo por motivos que, cinco minutos depois, parecem tolos. E então, existem momentos em que, por mais dolorosos que sejam, não derrubamos sequer uma lágrima. É um sinal de que a dor está passando. E as lágrimas, enfim, secam sozinhas.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Cro-magnon II

Outra coisa bastante afirmada por antropólogos é o quanto evoluímos desde nossos primórdios, quando ainda éramos todos da espécie cro-magnon. A questão é; evoluímos mesmo? Ainda passamos grande parte do nosso tempo enclausurados em nossas respectivas cavernas, deixando-a apenas para propósitos de caça e coleta, ocasionalmente trombamos com neandertais aqui e ali, e cometemos erros cruciais que prejudicam nossa existência e de todos da nossa tribo. Tudo bem, as ferramentas mudaram, o idioma modificou-se de forma mais polida, e a sociedade insiste em crer que estamos caminhando para um futuro mais moderno, mas e quanto a nós mesmos? Em um mundo onde as pessoas ainda ferem, mesmo que acidentalmente, outras que lhes são importantes, e a necessidade por sobrevivência nos leva a cometer atos ainda mais asquerosos independente das conseqüências em jogo, é possível dizer com certeza de que deixamos nosso passado cro-magnon para trás?

***

Outro dia eu vi na televisão uma propaganda que dizia: “o mundo não é movido por respostas, mas sim por perguntas”. Por um instante, senti que minha natureza não parecia tão estranha.

Sem título

Ao andar sobre a chuva e o luar nublado, horas após a aula ter acabado e sem nenhum motivo aparente para ainda não estar em casa, eu percebi o inevitável: eu estava fazendo coisas idiotas de novo. E para mim, isso só significava uma coisa; a estranheza agora se tornara outra coisa... Outra coisa muito familiar.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Eu queria que você me conhecesse

Ao meu primeiro amor.

Eu sei que já disse muitas coisas antes, coisas que você provavelmente já cansou de ouvir, pois decidiu que nada seria verdade. Mas agora eu prometo que é diferente; existem duas últimas coisas que eu gostaria de dizer, antes de sair definitivamente da sua vida. Se puder me ouvir, saiba que serei eternamente grato por tudo que fez por mim, até mesmo quando não percebi suas boas intenções no momento certo e, em troca, tentei te empurrar para longe. É estranho, você veio do nada e do mesmo modo que adentrou meu coração, ali você ficou. Apesar de, assim do nada, tê-lo abandonado fisicamente, ainda guardarei comigo pequenos fragmentos de lembranças dos bons tempos que passamos juntos. Momentos que passaram tão rápido, e nos mudaram tão radicalmente, que até parece surreal. Mas cá estamos; eu aqui, você aí, e a vida continuou. Disseram-me para seguir em frente, e eu admito que não sabia para onde ir, sem você do meu lado. Porém, a vida me empurrou para frente e, pela primeira vez em muito tempo, acho que é assim mesmo que deve ser. Honestamente, eu gostaria que você me conhecesse agora, um pouco mais maduro e um pouco menos neurótico, mas ainda do jeito de sempre. Se puder mesmo me ouvir, leve estas últimas duas coisas com você: me desculpe por tudo, e obrigado por tudo. Eu não teria chego até aqui sem você, e por isso não posso completamente te esquecer.

Se cuida.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Interessante

Instantes após conhecê-la, a coisa mais estranha começou a acontecer: eu procurava qualquer desculpa só para pronunciar seu nome. Foi quando percebi que gostava de pronunciá-la tanto quanto gostava de estar conversando com ela, lado a lado com ela, observando ela. Não me cansava de observá-la com o canto do olho, da maneira mais discreta que pude, para não criar comentários.

Após dizer “boa noite”, eu tive dificuldades para criar uma imagem mental do seu rosto; tudo que eu conseguia me lembrar era de um sentimento. E as estranhezas continuaram; no dia seguinte, eu estava literalmente contando as horas para vê-la de novo, apenas para, no mínimo, rever seu rosto.

De repente, sensações que não sentia há tempos me invadiram; ela possuía atrativos que me cativavam todo tempo que ela estava no recinto, e meu coração... Meu coração deu um pulo quando ela chegou. E meu coração não pula desse jeito por muita gente.

Na verdade, não me lembro da última vez que ele pulara. Tentei ignorar, fingir que não era o que eu estava seriamente pensando - uma teoria que, ao longo dos anos, sempre acabou me decepcionando... Porém, não sem antes me trazer momentos e sorrisos que, inexplicavelmente, pareciam fazer tudo valer a pena. Tudo começou a ficar confuso, e então eu percebi: ela era... Interessante.

De certo modo, era exatamente o que eu estava procurando. Pelo menos, parecia ser por quem eu estava esperando. E daí em diante, as coisas realmente começaram a ficar boas.

Para não dizer, interessantes.

Um dia maravilhoso

Antes de morrer, o tio do Homem-Aranha proferiu a memorável frase: “Com grande poder, vem grande responsabilidade”, e foi exatamente isso que me ocorreu quando meu chefe me ligou com a notícia de que, devido à saída de mais uma funcionária insatisfeita, eu agora seria promovido - de atendente, para caixa. Foi o bastante para me deixar inquieto por alguns bons instantes antes de finalmente cair no sono.

No dia seguinte, assumi meu novo posto - eu agora podia ficar sentado o dia todo, e ainda mandar em quem por ventura trabalhasse comigo de agora em diante. O chefe e a gerente se reuniram comigo para passarem o básico; eu agora seria responsável por toda a frente da loja e, ainda por cima, sozinho. De repente, a inquietação transformou-se em medo; medo do desconhecido, medo de falhar, medo de contar errado e ter que arcar com as conseqüências de quaisquer fosse meus erros, diretamente do meu bolso.

A idéia de ter uma cobrança ainda maior sobre meu trabalho, e não somente a responsabilidade praticamente direta sobre as despesas e lucros da loja, pagamento de funcionários e até a segurança e estabilidade financeira de suas famílias, sem contar o estresse que vem com o novo controle, me deixou com borboletas no estômago e calafrios durante a tarde toda. Foi só quando eu fechei minhas contas e passei o posto para a caixa noturna que comecei a me sentir melhor.

Talvez eu seja subjetivo demais para esse trabalho. Ou para qualquer outro trabalho do tipo, pensando bem.

***

Talvez seja o clima que esquentou subitamente, ou então sou eu quem se acostumou com toda a frieza que me cerca - e que pode até ter me afetado ao ponto de eu nem sentir mais qualquer mudança climática. Às vezes eu sinto que ando pela rua como um fantasma perturbado que vaga sem rumo, sonhando sem esperanças em voltar para casa. Eu ando com um olhar tão distraído, e com uma cara tão fechada, que nem pareço ter alma. Ou pior, parece que perdi minha alma.

Sei lá, mas é o que parece. As músicas que escolho ouvir a caminho de casa, voltando da faculdade à noite, também não ajudam muito.

All of the happiness you seek, all of the joy for which you pray, it’s closer than you think, it’s just a hundred tears away”.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Era amor

Sentimentos ás vezes parecem ser tão indecifráveis que, por um momento, parece impossível defini-los sem nos confundir ainda mais. Mas na primeira vez que a vi, eu tinha certeza do que estava sentindo.

O sol do meio-dia há pouco tempo tinha baixado e estávamos no meio de uma tarde de quarta-feira qualquer quando nossos caminhos se cruzaram. Foi um encontro tão inesperado, e num cenário tão ridículo, que tudo só parecia ainda mais surreal. Meu coração distraído não a viu chegar. Ela estava usando o uniforme do nosso colégio, assim como eu. Eu ainda o usava por preguiça; cheguei em casa e, antes de sair novamente, não senti necessidade de tirá-lo. Mesmo com as roupas de sempre, ela parecia diferente. E mal sabia eu que, ao retornar para casa, eu estaria diferente também.

Ela estava acompanhada por sua irmã, que reclamava constantemente sobre exatamente o fato de ter sido recrutada para ir com ela até a lotérica, já que o apartamento onde moravam ficava apenas a três quadras para baixo e não havia nenhum perigo aparente. Sua irmã também possuía um nome raro, incomum, do tipo que a maioria das pessoas erraria ao pronunciar pela primeira vez. Admito que também demorei algumas semanas para me acostumar; eu ouvira errado quando nos conhecemos.

Ao esperarmos por nossa vez para sermos atendidos, cada um com seu respectivo boleto nas mãos e o dinheiro para pagá-lo num dos bolsos da calça, três horas de conversa simplesmente fluíram no espaço de quinze minutos. No tempo de uma corriqueira fila de lotérica, nós havíamos descoberto milhões de coisas um sobre o outro. Parecia que nos conhecíamos intimamente há anos, e que há anos estávamos separados. Finalmente havíamos nos reencontrado, e os sorrisos eram constantes. Quando finalmente fomos atendidos, tanto eu quanto ela esquecemos o que tínhamos ido fazer ali. Ah, sim, pagar a fatura do mercado. Andamos lado a lado até a esquina que dividia nossos caminhos uma vez mais. Ela e a irmã atravessaram a rua, enquanto eu as observava ao lentamente tomar meu rumo. Mesmo sem vê-la chegar, meu coração sentiu um enorme peso quando nos despedimos. De repente, eu não queria mais ficar longe dela. Por que aquela fila tinha que terminar?

Três anos depois. Não moramos mais na mesma vizinhança, e eu já nem sei que caminho ela segue para voltar para casa. Tudo que sei é que, desde a primeira vez que a vi, eu sabia exatamente o que estava sentindo. Era amor.

Ainda é.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Tudo novo, de novo

Talvez o que eu senti no ônibus a caminho de casa, voltando da faculdade com o frio no meu rosto e o pouco movimento de minhas mãos, não seja raiva, mas sim desconforto - daqueles que são momentâneos, sabe? Desconforto pelo fato de que minha rotina foi alterada uma vez mais, como se fosse impossível regularizar padrões durante minha estadia aqui. Ontem foi o desapego de Londrina, depois as complicações da faculdade, os aprendizados no trabalho, e agora chegou a isso; trocar o conforto da van pelo tumulto e agonia de ônibus para ir e voltar da faculdade, tudo em nome do meu novo aluguel.

A verdade é que sempre fui irresistivelmente apegado a rotinas; padrões de comportamento do dia a dia, que por sinal fazem até o dia passar mais rápido, ou senão, pelo menos com mais ordem. Eu gosto de organizar minhas tarefas e compromissos, como se tudo pudesse ser previsto, mas sempre deixando uma brecha para planos de emergência - por exemplo, tornou-se de praxe sempre carregar consigo R$2,20; a tarifa do ônibus daqui, porque nunca se sabe. E se existe uma coisa que agita meus sentidos e aumenta minhas aflições, são remanejamentos inesperados.

Provavelmente me adaptarei a isto com o tempo, o problema é que hoje foi só o primeiro dia. E parece que as rotinas que eu costumava ter jamais voltarão, já que o plano é continuar seguindo em frente e, de agora em diante, é tudo novo de novo. Por exemplo, já estou me acertando com o inverno, e reencontrar meu cachecol, touca e luvas, que há anos não eram usados, meio a malas que ainda não desfiz também ajudou um monte. Sejamos sinceros; numa cidade onde a temperatura abaixa perigosamente ao longo do dia, a última coisa que eu precisava era que o ônibus quebrasse no meio do caminho pra faculdade. E ninguém gosta muito de andar no inverno; nem mesmo eu.

É isso que acontece quando se sai da rotina; nada mais será o mesmo de novo. Pelo menos agora eu tenho um cachecol.

***

Às vezes eu acho que quando me deparo com semi-conhecidos na rua, é na verdade o jeito de Deus me dizer: “crie vergonha na cara e faça amigos!”.

domingo, 5 de julho de 2009

Não tema mais

Existem certas obrigações que encaramos ao chegar em casa após um longo dia de trabalho. Tirar os sapatos na porta, cumprimentar todos, e iniciar todo um ritual de desembarque até finalmente poder suspirar e aliviar-se por estar de volta ao lar. Curiosamente, tal ritual não ocorre quando se mora sozinho. É estranho, mas ao entrar dentro de casa, me sinto... perdido. Não há ninguém que me lembre de tirar os sapatos, muito menos a quem cumprimentar - com exceção de raros encontros com vizinhos no corredor. Não parece haver obrigação alguma, em vês disso há total liberdade de fazer o que quiser até a hora que quiser do jeito que quiser. Foi quando eu percebi que ter tal liberdade chega a ser até assustadora.

Por isso é sempre bom ter um alguém esperando por nós. Nem que seja apenas uma carona.

sábado, 4 de julho de 2009

A atmosfera perfeita

É incrível a quantidade de paracetamol que precisei comprar para sobreviver ao inverno daqui. Talvez seja a atmosfera com a qual meu corpo não está acostumado, mas está do jeito que eu gosto. Desde quando consigo me lembrar, sempre tive paixão pelo inverno. É a estação do ano propícia para ficar dentro de casa de pijama e meias, só bebendo coisas quentes, sem ser questionado. Só o que eu não esperava era o alto risco de pneumonia. Vide o paracetamol.

Já fazia alguns anos que eu não via o interior de um hospital, mas após passar mal no meio do trabalho, meus superiores decidiram que estava na ora de ver um profissional. “Você já tomou algum medicamento?”, “Naldecon, Neosaldina, Paragripe, Ambroxmel...”. O médico tirou uma longa pausa e me deu um olhar sério, julgando mentalmente a lista farmacêutica que eu ditara. O que aconteceu foi que, logo no início quando era apenas um resfriado, saí recolhendo recomendações médicas de todos que encontrava, o que acabou resultando numa maçante dor de cabeça, quinze quilos de catarro e náusea.

Fim do dia; imprevistos superados, medicamentos comprados, tarefas cumpridas, e o nariz parece até menos congestionado do que antes. A dor de cabeça insuportável minimizou-se, e um estoque pessoal de remédios agora ocupa o último canto vazio que havia na mesa da cozinha, com direito a atestado, receita médica e bulas, muitas bulas. Apesar dos novos quatro medicamentos que devo tomar antes de dormir, ainda é minha estação favorita. Meu corpo pode estar desacostumado com o ambiente, mas a mente já se acomodou. E então, a parte ruim acabou. O resto é apenas névoa.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

E se...

Hoje eu tive um pensamento diferente; e se eu tivesse ficado?

Quais são as chances de eu ter conquistado tudo que consegui até agora, em tão pouco tempo, nas circunstâncias com as quais eu convivia? Faria cursinho? Me dedicaria mais? Trabalharia? Conheceria gente nova? Amadureceria? Provavelmente não. A cada dia que passa me dou conta do quanto minha escolha foi drástica, decisiva, quem sabe até em tempo. A verdade é que eu precisava vir para cá; para virar gente, para crescer.

Claro, estourar a bolha na qual vivi pelos últimos anos não foi fácil, muito menos então aceitar o fato de que o tal ensino médio simplesmente acabou, assim, de repente. Agora caí no mundo real, e as coisas são mais difíceis do que eu imaginava. Por sorte, ainda tenho benefícios como ser “filho do chefe” (apesar de expressão não carregar tanto prestígio como aparenta), e de ainda precisar de empurrões para continuar seguindo em frente. Se dependesse só de mim, já teria desistido.

Outra coisa que preciso me lembrar todo dia; as pessoas que querem me ver feliz querem que eu siga mesmo em frente, mesmo que a dor da separação e da distância machuque mais a elas do que a mim. Meus pais, meus amigos, minha família. Não estou fazendo isso só por mim.

No fim de cada dia preciso me lembrar de que as lágrimas que escorrem por meu rosto antes de dormir serão equivalentes a sorrisos e mais sorrisos no futuro. Se é verdade eu não sei, mas parece algo que eu preciso acreditar para conseguir ir adiante. Então o plano é este; chorar no presente para ser feliz amanhã. E seja o que Deus quiser.

***

Talvez essa seja a tal maturidade da qual todos tem me falado.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Independência

Sejamos honestos, morar sozinho não é sequer o mínimo sinônimo de independência. Tanto não é, que não sinto, nem por um instante. Quer dizer, eu sinto em pequenos momentos somente quando é inevitável; quando lavo minha própria roupa, pago minhas próprias contas, limpo minha própria casa, e estoco minha própria geladeira.

Talvez independência seja uma utopia porque, pensando bem, sempre acabamos dependendo de alguém para alguma coisa. Dependemos de nossos pais para abrir nossos olhos até quando estamos cegos demais para tomar o rumo certo, dependemos dos nossos amigos para nos assegurarem de que somos especiais, dependemos até de coisas pequenas como lugares ou até músicas para nos lembrarem de que estamos vivos, quando o mundo real tende a nos massacrar de novo e de novo.

Eu não me sinto independente, e nem quero ser. Porque depender dos outros significa que não estamos sozinhos, e nada parece ser mais reconfortante. Talvez eu esteja errado, mas independência para mim traduz-se como não precisar de ninguém para nada - o mesmo que ser sozinho. Tudo que sei com certeza é que agradeço ao fim do meu dia por todos aqueles que me ajudam a viver, porque eu não conseguiria absolutamente nada sem eles.

Acreditem quando eu digo; o fato de eu comprar meu próprio sabão em pó não quer dizer nada.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Culpado

A verdade é que eu me sinto culpado por ter ido embora. Culpado por alguns pensarem que me esqueci de tudo e de todos, e de como ás vezes não parece haver um meio de eu alcançá-los, só para dizer um “olá” rápido e garantir que ainda me lembro de tudo. Culpado por agir impulsivamente e magoar pessoas que só querem meu bem, quando não consigo entender a finalidade de suas ações - ou então, a falta delas. Culpado por não conseguir expressar tudo que sinto, ou não dizer o que gostaria na hora certa. Culpado por decidir ir atrás do meu sonho, mesmo quando já não tenho muita certeza de que isto é mesmo o que eu queria. Mas a culpa mais pesada que carrego, é por não ter esperado por você, e por ter deixado meus instintos falarem mais alto.

E pelo que parece, esta é uma culpa que ainda carregarei por muito tempo.

terça-feira, 30 de junho de 2009

120, 150, 200 km por hora

As coisas estão passando mais depressa
O ponteiro marca 120
O tempo diminui
As árvores passam como vultos
A vida passa, o tempo passa
Estou a 130
As imagens se confundem
Estou fugindo de mim mesmo
Fugindo do passado, do meu mundo assombrado
De tristeza, de incerteza
Estou a 140
Fugindo de você
Eu vou voando pela vida sem querer chegar
Nada vai mudar meu rumo nem me fazer voltar
Vivo, fugindo, sem destino algum
Sigo caminhos que me levam a lugar nenhum

O ponteiro marca 150
Tudo passa ainda mais depressa
O amor, a felicidade
O vento afasta uma lágrima
Que começa a rolar no meu rosto
Estou a 160
Vou acender os faróis, já é noite
Agora são as luzes que passam por mim
Sinto um vazio imenso
Estou só na escuridão
A 180
Estou fugindo de você

Eu vou sem saber pra onde nem quando vou parar
Não, não deixo marcas no caminho pra não saber voltar
Às vezes sinto que o mundo se esqueceu de mim
Não, não sei por quanto tempo ainda eu vou viver assim

O ponteiro agora marca 190
Por um momento tive a sensação
De ver você a meu lado
O banco está vazio
Estou só a 200 por hora
Vou parar de pensar em você
Pra prestar atenção na estrada

Vou sem saber pra onde nem quando vou parar
Não, não deixo marcas no caminho pra não saber voltar
Às vezes, às vezes sinto que o mundo se esqueceu de mim
Não, não sei por quanto tempo ainda eu vou viver assim

Eu vou, vou voando pela vida
Sem querer chegar.

Desapaixonar-se

Medo. Por isso fiz o que fiz. De onde estou hoje, percebo que nada que eu conquiste preencherá o vazio criado por atitudes tomadas a partir do medo. Medo de te perder, não por quaisquer dramas que eu por ventura alimentasse, mas para evitar que você me deixasse. Insegurança talvez também sirva de justificativa, mas a única palavra que me vem em mente é medo. Medo do que parecia ser inevitável. Por isso, para tentar minimizar a dor, decidi fazer primeiro o que você provavelmente faria. E eu admito; por um momento, eu sinceramente achei que machucaria menos. É isso que mais me apavora; eu precisei me arrebentar, quebrar minha cara em mim pedaços, para descobrir que eu estava errado.

É... Eu ainda te amo. E não estou surpreso.

***

Por outro lado, estou pegando prática em dizer adeus. Só não sei se isso é uma coisa boa.

***

Quase 18 anos e ainda desabafando em um caderno. E não vou parar enquanto... Enquanto eu não souber como terminar esta frase.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

O único amor que tive

Era uma vez
Há muito tempo atrás
Eu achei que deveria te deixar
Eu achei que você deveria ir embora
Nunca realmente disse adeus
Nunca sequer escutei você chorar
E mesmo depois de tanto tempo, é difícil dizer
O único amor que tive, eu mandei embora

Ah, mas você era jovem
Mais jovem do que eu pensava
Espero que me perdoe
Eu era jovem também
Eu realmente achei que sabia
O que era melhor para você e eu
Mas depois de tanto tempo, é difícil dizer
Porque o único amor que tive, eu mandei embora

Às vezes, enquanto fico deitado aqui no escuro
Me pergunto aonde estás dormindo
Ou se você sequer pensa em mim
Você está aquecida?
Você está feliz aonde está?
Você ás vezes sente vontade de chorar quando os verões se tornam invernos?
Você sequer pensa em mim?

E então eu mando isto
Para aonde quer que você esteja
Para dizer que ainda te amo
Você ainda faz parte de mim
E se você puder encontrar um jeito
Eu estarei esperando pelo dia
Em que você possa sorrir para mim e dizer que está tudo bem
Pois o único amor que tive, eu mandei embora.

Cidade fantasma

Eu tive um pesadelo ontem à noite. No sonho, eu estava cercado de pessoas em um grande corredor, frente às portas de salas que pareciam não ter nada dentro. Na minha frente, estava outra pessoa, com uma cara desapontada. Não havia som no sonho, mas pelo que pude identificar em sua face e o modo como proferia suas sentenças, tudo dava a entender que a pessoa estava gritando sobre algo. Quando acordei, percebi que não era ilusão; era uma briga que tive ano passado, e a culpa que eu ainda carrego estava apenas começando a se expressar.

Ao longo do dia, fui relembrando uma série de desentendimentos passados cujos quais não superei totalmente; alguns pequenos porém marcantes, outros escandalosos e irreparáveis. Cada um recheado com sua própria parcela de culpa que, aparentemente, ainda pesava em mim. Mais do que eu imaginava.

Quando saí de Londrina, deixei para trás grande parte de minhas angústias, mas algumas ainda encontraram um meio de se infiltrar em minha bagagem e me seguiram. Achei que as tinha perdido ou simplesmente superado, mas pelo visto estava enganado. Meus desentendimentos e momentos rancorosos passados estavam repassando diante dos meus olhos, e não pude deixar de sentir um golpe. Estranho, mas após uma briga, será que nos livramos completamente das assombrações? Ou somos perpetuamente perturbados por fantasmas de discordâncias passadas?

Tentei me perder em trabalhos ou me concentrar em outras coisas mais relevantes, mas os pensamentos não fugiam da minha cabeça. Cada briga que tive, cada instante de raiva que senti e que expressei, e cada mágoa que senti estavam ressuscitando, e a culpa, a pior parte, ia lentamente se acumulando.

Claro, depois de toda discussão, era de praxe pedir desculpas já que vivíamos - e estudávamos - no mesmo ambiente fechado, e nos deparar de novo e de novo frente a frente era questão de segundos. Mas agora que estamos todos soltos no mundo, sem portões de colégio nos cercando, todo e qualquer vestígio de rancor que ainda possa existir pode ser perigoso para o bem de uma amizade.

E eu me torturo; será que fui mesmo perdoado? Ou então, será que perdoei de verdade? Como me livrar desses pensamentos-fantasmas? Comecei a pensar em Londrina como uma verdadeira cidade fantasma, repleta de espíritos de relacionamentos passados e inacabados que pareciam ainda vagar pelas avenidas buscando por fim a tal perturbação. Relacionamentos que estou com medo de reviver.

Eu sabia o que tinha que fazer agora; confrontar meus fantasmas para finalmente encontrar paz de espírito. O único problema é, como confrontar pessoas que não posso ver? Pessoas que não estão aqui. Pessoas que, de um jeito ou de outro, deixei para trás. Preciso dar um fim definitivo para maus entendidos que abandonei, e descobrir se fui mesmo perdoado. Pela minha paz de espírito.

domingo, 28 de junho de 2009

Guerra fria

Enquanto espero a hora exata para sair de casa e ir trabalhar, sentado frente ao computador e tremendo de frio graças ao clima temperamental lá fora, eu percebo o quanto eu estive brigando... comigo mesmo. Ao criar inúmeras regras e ilusões de como a vida deveria ser, acabei estabelecendo padrões altos demais e quase impossíveis de serem alcançados, sempre levando a desapontamentos no fim das contas. E para que? Eu poderia estar me divertindo há muito tempo, se não fosse por mim mesmo.

Dizem que tudo depende da atitude, de como encaramos as mudanças que ocorrem na nossa vida, e da verdade universal sobre nada ser tão bom como gostaríamos, nem tão ruim quanto tememos. Talvez seja o frio, talvez seja o turbilhão de novidades que quase fez com que eu me perdesse, mas perdi a noção de tudo isso. Isso explica porque sempre havia chocolate ou cerveja por perto.

sábado, 27 de junho de 2009

Cro-magnon

Eu não ligo se nada disso não tiver sentido. Fico feliz só pelo fato de estar escrevendo de novo.

***

Há anos eu venho tentado descobrir o que tem de errado com a minha natureza. Estudos antropológicos já demonstraram mil relatórios sobre a tal da natureza humana, exemplificando e comprovando a teoria de que, se soubermos de onde o homem veio, é possível saber para onde ele vai. Acho tudo muito simplório; gosto de pensar que o ser humano não é tão previsível. Mas estou perdendo o foco.

Eu não gosto de futebol, não só por causa da minha falta de capacidade motora, mas simplesmente porque a atividade em si - correr para lá e para cá atrás de uma bola por oitenta minutos - não parece possuir finalidade alguma. Adoro colocar ketchup em tudo, absolutamente tudo, mas odeio tomate. E talvez a característica mais peculiar de todas; meus ideais provaram ser tão sólidos, ou ao menos convincentes o bastante, para causarem que eu me tornasse extremamente exigente e provinciano - resultando, obviamente, num ser bastante complicado - quando o assunto é relacionamentos, ou até mesmo ao gostar de alguém; circunstância infelizmente fora do meu controle.

Uma soma de aspectos distintos e alternativos que fazem com que eu questione incansavelmente: o que há de errado comigo? Ou, mais além, porque eu sou assim? Se a natureza humana básica é tão evidente em 99 de cada 100 seres humanos, porque fui sorteado? Por exemplo, os outros 99 nem pensariam em metade dessas coisas. Simplesmente não faria sentido.

Eu não sou louco, mas também tão tenho os dois pés no chão. Por outro lado, gosto de ser assim. E o que mais me animou perante tantas, ahn..., peculiaridades (perdoem a falta de sinônimos) foi o fato de que, juntas, formam uma personalidade única e estranhamente curiosa. Ênfase na palavra “estranho”.

Entretanto, o que fez com que eu parasse com tais questionamentos foi o curso da vida em si, ou de um ser superior que possui um plano geral das vidas de todos e sabe bem como mexer conosco como marionetes muito bem coreografadas. Tudo isso só para dizer que, depois do meu primeiro beijo, eu agora enxergo a parte básica da natureza humana em mim. Não foi nada como eu esperava, pelo contrário; foi puro instinto, e afetou meus dogmas ao extremo. Sobrevivi, mas em dias menos felizes, ainda sinto questionamentos pesando em mim.

Se na natureza nada se cria nem se destrói, tudo então se transforma, considere a lição aprendida. De certo modo, me senti bem com isso. Quer dizer que não estou totalmente fora do normal. Ou, pelo menos, não totalmente louco. E eu aposto que nenhum antropólogo previu isso.

***

Enfim, é nisso que dá morar sozinho e não ter ninguém para me impedir de escrever. Outra coisa que também me deixa bem.