segunda-feira, 31 de maio de 2010

A atitude

É sempre assim; você acha que já viu de tudo e aí percebe que na verdade não viu nada ainda. E a razão da minha incoerência com o mundo talvez seja esta: ansiedade do que está por vir. Ansioso para ser feliz, e ao mesmo tempo com medo de não estar preparado. E quando eu paro pra pensar em como o mundo é muito mais do que minha ansiedade de amor e ser amado, eu vejo como as coisas sempre se resolvem na hora certa. Pelo menos é o que me ajuda a dormir; eu preciso acreditar nisto quando deito a cabeça no travesseir oà noite, mesmo quando vou dormir sozinho.

E enquanto existirem tolos dispostos a acreditar como eu, tudo ficará bem. Não é a toa que me sinto tão inseguro; tudo está mudando de novo, e nem eu me sinto mais o mesmo. Mas dizem que tudo depende da atitude, e dessa vez a minha mudou; e vai durar, quem sabe até uma semana.

Olhando em restrospectiva, muitos desses momentos acabaram sendo os mais felizes. Então eu devo estar feliz agora. É, isto vai ser bom. Senão por que eu estaria chorando?


***


Talvez eu encontre alguém com quem eu possa compartilhar minha vida, talvez não. Mas a verdade é que nos meus momentos mais solitários, sempre havia alguém do meu lado.

***


Enquanto isso, eis o que tocou na minha cabeça em Maio:


01. Tik Tok – Ke$ha

02. Going the Distance – Bill Conti

03. 17 Again – Eurythmics

04. Whenever, Wherever – Shakira

05. Haven’t Met You Yet – Michael Bublé

06. Pearl’s a Singer – Elkie Brooks

07. Hello – Lionel Richie

08. The Only Exception – Paramore

09. Drown in My Own Tears – Ray Charles

10. Maybe Tomorrow – Stereophonics

11. We’re All Alone – Rita Coolidge

12. The Wildest Times of the World – Vonda Shepard

sábado, 29 de maio de 2010

Tema de vida

O modo como as pessoas vivem pode não definir quem elas são, pelo menos para mim. Acho que todo mundo tem direito à sua incoerência, contanto que faça sentido para si. Se for real para você, é o que importa. E já que estamos todos tentando sobreviver no mundo real, cada um se agarra às crenças que lhe atrai e seja feliz assim. Afinal, não é esse o objetivo que a sociedade toda procura; ser feliz?

Depois de nutrir por muito tempo a idéia de conhecer a mulher da minha vida e como aconteceria, eu estou aos poucos aprendendo a ceder e a deixar que as pessoas se integrem à mim. Só um pré-requisito sobrou na minha lista; eu preciso amá-la.

Nos meus momentos de desespero eu descobri uma boa maneira de sobreviver no mundo, com esperança de que o sobreviver eventualmente acalmasse a ponto de me deixar simplesmente viver de novo; através de trilhas sonoras para meu dia-a-dia. De repente eu podia lidar com qualquer coisa que o mundo jogasse em mim, se tivesse uma música para me apoiar. Eis a necessidade, então, de criar uma música-tema. Algo para tocar na sua cabeça e que faça você se sentir melhor em momentos difíceis.

Foi como eu decidi viver; através de músicas e letras, para sempre manter um sentido na minha vida, e pelo menos um dos meus pés no chão. Posso manter contato com a realidade com um toque de fantasia; não faz mal a ninguém. Claro, eu posso começar a cantar baixinho de repente, é um risco com qual me acostumei. Mas diga o que quiserem; a sensação é real como qualquer outra do mundo. E é assim que eu me coloquei no mundo; sinta-se livre para cantar comigo.


Música de Hoje: You're My First, My Last, My Everything - Barry White.

Começar de novo

Eu me perdi de novo, e de certo modo já era de se esperar. Quando o incoerente se torna incoerente, geralmente é sinal de que algo está errado. Eu recuperei minha essência, reconheci minha alma na escuridão do mundo, mas de nada adiantou se eu continuei no escuro, e mais ninguém me viu. Se não fossem por algumas outras almas caridosas, eu nem teria percebido isso. Mas agora o problema de verdade está claro... De novo.

Bom, eu sei do que sou feito, conheço meus valores, tudo que falta é colocar em prática e acabar com esse negócio de colocar uma máscara antes de sair de casa para me socializar com os outros - tudo pra que? Pra falar que me socializei? Não sei porque todo mundo, e até eu inclusive, coloca um valor tão alto em lucidez. Em ser normal e nunca fugir disto. Como se falar sem pensar e se arrepender constantemente depois fosse normal.

Mas tudo bem, eu já passei por isto. E se me reencontrei uma vez, eu consigo de novo. Vou precisar de uma boa trilha sonora e um bom par de tênis. Sempre que me sinto perdido o primeiro instinto é de calçar os tênis e sair por aí, com todos os meus artistas preferidos cantando nos meus ouvidos, à procura de mim mesmo. A verdade é que eu talvez ainda esteja em reforma; isto pode ser apenas um desabamento da... base? Tudo bem, eu consigo. Preciso ser fiel ao que acredito, ao que escrevo, ao que sinto. Do contrário sou apenas mais um fantasma vagando sem rumo pelo mundo real, achando que está feliz assim. Não, obrigado. Preciso achar coerência na minha incoerência, antes que nem eu me reconheça mais. Isto provavelmente explica minhas dores de cabeça.

Então eu vou começar de novo... De novo. E desta vez vai durar. Meu amor está vivo, e eu ainda sou eu.


Música do Dia: Start All Over – Miley Cyrus.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Felicidade aleatória

Meus professores dizem que quando um paciente deixa o consultório, ele precisa sair com a sensação de que foi entendido. Apesar de estar estudando sobre isso, eu balancei a cabeça quando ouvi mas não consegui captar bem a sensação - provavelmente porque faz tempo que isto não acontece comigo. A medida que fui tornando-me cada vez mais estranho e complexo, mergulhando de cabeça na minha alma e quase me afogando nas próprias lágrimas, ficou difícil de acreditar que alguém poderia me entender de novo, vide a fantasia constante de que a pessoa capaz disto estava solta por aí, sempre inalcançável, cuja alma se encaixaria à minha num piscar de olhos; eu só não a havia encontrado ainda. É difícil encontrar pessoas compreensivas hoje; pessoas que te entendem de coração e alma, escutam todos os seus segredos, e ainda saem em público com você. E conforme me deixei morrer, morreu comigo a esperança de que isto poderia acontecer de novo. Mas como sempre, a vida se encarrega de me contrariar - pelo meu próprio bem.

Há dias que começam assim; com músicas nostálgicas e repetindo para si mesmo que tudo vai dar certo, até passar por momentos turbulentos e eventualmente repousar na cadeira na hora da aula à noite, só para ter a depressão chegar silenciosamente. E quando tudo parece estar perdido, acontece; a felicidade aleatória que toma conta quando menos se espera e mais se precisa. De repente as pessoas e tudo mais em volta se transformam em apenas barulhos de fundo, e o mundo que tomei como real escapa da minha mente e vem à tona ao ouvir alguém dizer, "eu entendo" - e sentir que, finalmente, está sendo entendido.

Tudo bem, o sonho acabou. Mas se for como diz a música, e a felicidade estiver mesmo há cem lágrimas de distância, talvez eu esteja mesmo chegando perto. Mas sentir-se entendido de novo faz valer a viagem. Não há nada como felicidade aleatória para salvar o dia.


Música de Hoje: The Wildest Times of the World – Vonda Shepard.

Sem rede de proteção

É reconfortante saber que tudo na vida acontece por um motivo; mas seria bom pelo menos uma vez estar por dentro do que está acontecendo. Estar feliz de novo não é tão estranho como eu imaginei que seria; pelo contrário, parece que eu sempre estive assim e que os últimos seis meses se resumiram a um único dia longo e ruim que acabou. E você nem está aqui pessoalmente para justificar o porque de eu andar na rua sorrindo com a cabeça erguida. Ou quem sabe tenha sido uma espécie de ritual pelo qual eu tinha que passar para finalmente seguir em frente, não sei. Até o sol surgiu de novo, e não venha me dizer que estava aí o tempo todo e era só eu quem não via, mas não é coincidência.

Minha vida parece estar se acertando, de maneira tão suave que me amedronta; isso tudo é real, ou eu estou alucinando de novo? Ou talvez sou eu quem não deveria estar tão feliz assim para facilitar o declínio depois. Mas não consigo; você voltou, e trouxe o sol de volta. Aconteceu de repente, e eu logo estava sentindo aquele maravilhoso sentimento de terror; a sensação de subir na corda bamba sem rede de proteção.

A vantagem de andar sozinho para casa é que você pode refletir sobre o dia, e eu mal posso esperar para refletir sobre este. Mas acho que isso vai ter que esperar.


Música do Dia: Wildest Times of the World – Vonda Shepard.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

A única exceção

Em dias que me sinto mais frio do que a névoa que invade a cidade após o por-do-sol, parece que o tempo não passou e que estou preso no dia seguinte ao que você foi embora. E não importa o quanto eu me esforce, não consigo rever todo o progresso que acho que fiz, as noites não dormidas, as músicas que me assombraram, e as lágrimas que não deixei cair. Já não espero que você volte - nem desejo mais isto - mas ainda sentir seu aroma no ar não é voluntário. E saber que você provavelmente nem lembre mais de mim também não ajuda.

É desconcertante sentir-se vazio por muito tempo e, com a mesma facilidade em que se cai neste abismo, de repente encontrar-se vivo, firme e forte, no mundo real de novo. Eu tentei tomar interesse por pessoas, algumas até me atrairam, mas nada tão autêntico quanto o que aconteceu ano passado. Quando você apareceu e mudou tudo. Mudou minha história, revirou minha vida, e se fez presente mesmo que distante. Era perfeito. E do mesmo jeito que você veio, você se foi. O sol continuava a nascer, os pássaros não deixaram de voar, e a vida continuou do mesmo jeito. Nada mudou; você só não estava mais aqui. E ninguém podia perceber isto como eu. Como nós.

Desde então eu passei a viver um sonho constante, a construir meus planos sob ilusões tão deliciosamente atraentes que optei por tomá-las como verdades. E dei vida à maior fantasia de todas; a idéia de que alguém que estava vida afora e que seria perfeita para mim, nossas almas se complementariam e encontraríamos um no outro tudo o que sempre procuramos, e descobririamos tudo isso somente com a troca de um olhar. Foi o que me levou adiante, dia após dia, crise após crise, lágrima após lágrima.

O mundo real tornou-se um inimigo, e as pessoas por completo perderam seu charme. A medida em que a fantasia tomava maior complexidade, menos as pessoas podiam se encaixar a ela, e logo eu percebi que estava sozinho de novo. E desta vez, nem eu mesmo estava comigo; pelo menos, ninguém podia me ver. Eu me recuperei, mas ninguém me conheceu de novo. Claro, eu nunca mais me mostrei. Crente de que as pessoas não entenderiam, meus monólogos interiores tiveram que bastar. E quando eu me convenci de que a vida era só isto, assim como os dias passaram a ser todos iguais, e a fantasia continuava a me envolver de modo que não precisava de mais nada, você voltou.

No limite da razão, sozinho e contra todos, e ao mesmo tempo com medo de que ninguém mais pudesse me conhecer e que eu não pudesse me conectar com alguém a ponto de entregar meu coração de novo, eu me rendi. O sonho acabou. Você voltou mas de certo modo nunca realmente havia partido.

E então, eu rompi com a lucidez. Eu te amo.


***


A pior parte foi, pela primeira vez em muito tempo, me sentir feliz de novo.


Música de Hoje: The Only Exception – Paramore.

Quando eu não chorei

Ultimamente parece que a única coisa real que existe em mim é a dor. O momento mais honesto do meu dia tornou-se chegar em casa depois da aula e, ao encarar a solidão que paira, imaginar se o responsável disso sou eu mesmo. Claro, eu dou risadas e converso normalmente por aí, mas... Alguns meses atrás quando eu achei que tinha me perdido, tudo o que eu queria era me sentir uma bagunça de novo. Irracional, inconsequente, incoerente, complicado... Eu era feliz assim e mais: eu fazia outros felizes mesmo sendo assim. Mas tudo mudou no dia em que meu coração estraçalhou-se nas mãos de outra, e eu nunca mais fui o mesmo. Repleto de atitudes incorentes, mas não com a incoerência que me pertencia em outrora, incapaz de derramar lágrimas que antes era preciso derramar, e tão exausto de estar infeliz que deixou o desespero tomar conta, e saiu e fez coisas que nunca pensou em fazer só por julgar que seria melhor do que estar... quebrado.

Então eu saí, cometi erros, talvez alguns acertos mas nada grandioso, e ainda estou aqui para contar a história; e mais ansioso do que nunca por um final feliz. A essa altura, eu preciso de um final feliz. Só não sei como começar, de novo.


***


Talvez isso seja o que minha professora chama de "romper com a lucidez". Não vejo nada de ruim com isso; afinal, funcionou pro Nietzsche. Ou quem sabe eu já tenha rompido com isso há muito tempo, e só agora estou descobrindo.


Música do Dia: You’re Still You – Josh Groban.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Amanhã

Às vezes, a única coisa que me tira da cama de manhã é a idéia remota de que hoje pode ser o dia em que eu conheça você. Talvez eu te encontre na rua; podemos esbarrar um no outro e com apenas um olhar podemos perceber que não foi acidente, e passar a andar juntos na mesma direção. Quem sabe aconteça no trabalho; você apareceria na minha frente e com um mero toque da sua mão eu sentiria que sua alma é a metade que falta da minha. Poderia acontecer na faculdade; entre trabalhos e provas, nos aproximariamos e ao longo do tempo descobririamos que jamais gostariamos de nos separar de novo. Não sei, mas acreditar que vai acontecer é o que me restou; aliás, é com o que estou contando. Meu coração sente sua falta. Tudo que me sobrou é a esperança, que me mantém na expectativa de que pode ser hoje.

E se não for hoje, bem, então estamos apenas a um amanhã de distância.


Música de Hoje: Tomorrow – Aileen Quinn.

sábado, 22 de maio de 2010

Somos todos sozinhos

Por mais que tentemos compartilhar nossas alegrias e tristezas com alguém, a verdade é que,ao deitar a cabeça no travesseiro a noite, estamos sozinhos com nossos pensamentos de novo. Nossas angústias que vivem em nós permanecem conosco, nossas inseguranças que passam o dia escondidas vêm à tona, e nossos sonhos nos levam longe da realidade e tomam conta até o amanhecer. Somos todos sozinhos. Mas se nos mantermos fortes o bastante, podemos encontrar aquele alguém capaz de nos fazer sentir melhor apesar de tudo isto. Alguém que fique do nosso lado até o fim; senão da vida, que seja apenas de uma noite de inverno. Somos todos sozinhos, mas cabe a nós decidir se queremos lutar contra isto, ou deixar-se ser solitário.


Música de Hoje: We’re All Alone – Rita Coolidge.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Olhe em seus olhos e verá o que sabem


Quando as coisas parecem estar a ponto de desmoronarem, eu me pego pensando no passado e todas as pessoas que conheci. As pessoas com quem compartilhei risadas, que afagaram meu choro, e sempre me disseram que apesar de tudo eu poderia ser feliz em qualquer lugar. Eu me lembro de quando conheci cada um, e como aos poucos foram tornando-se essenciais, e mesmo depois de tanto tempo eu ainda revejo nossos momentos juntos e percebo que enquanto durou, tudo valeu a pena.

Os sorrisos imortalizados nas fotos não me deixam mentir; estávamos no auge, felizes sem saber, e sem se preocupar com o amanhã. Afinal, estávamos juntos, nas alegrias e tristezas, e era só o que importava. Mas ao refletir sobre tudo, me pego pensando se realmente fui o melhor amigo que poderia ter sido, ou se eu demonstrei o bastante a importância de cada um na minha vida. Se os amei o bastante, se fiz diferença... Se o que nós tínhamos poderia sobreviver à frieza dos anos e, quem sabe um dia, pudessemos todos nos encontrar de novo numa mesa de bar e rir de tudo isso. Alguns ainda estão comigo, e alguns perdi. Alguns se perderam por si só, e alguns continuam os mesmos. Não foi fácil aprender a viver sem vocês, mas se não acreditassem em mim para fazê-lo, não teria chego até aqui. Um pouco cansado, um tanto abatido, mas ainda sorrindo. Ainda lembrando de vocês, mesmo que distante.

Eu me lembro de cada um, e de como foi difícil me despedir. Mas conforme a hora chegou, eu comecei a me desapegar. Eu abri mão dos intervalos que passávamos juntos, das conversas ao luar, das aulas que matamos no bar, as ressacas durante a primeira aula, os os dramas que sofriamos, as dores que tomávamos uns dos outros, e acima de tudo, o amor que nos manteve juntos. Um amor que ainda está vivo, em cada um de nós. Eternamente jovens.

Não é tão ruim dizer adeus quando se sabe que viveu. E eu vivi. Ah, como eu vivi.


Música do Dia: 17 Again – Eurythmics.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

O que eu nunca farei por amor de novo

Eu conheço bem o que estou sentindo, e não vai parar enquanto eu continuar mentindo pra mim mesmo. Desculpe, eu achei que poderia ser você. E desculpe se você acha que me magoou, mas na verdade foi auto-destrutivo da minha parte. Só que ao olhar em retrospectiva, não importa realmente o quanto eu fale do meu coração partido se eu não deixar que as pessoas o conheçam pessoalmente - e tenham a oportunidade de integrar-se a ele. É mais fácil culpar o frio agora mas deixar que as pessoas conheçam este coração e seu dono, e toda a dor que ele carrega, me parece extremamente difícil. E, claro, por que? Medo.

E se as pessoas descobrissem a real insegurança que aqui reside, a incapacidade de acreditar em sorrisos e a falta que abraços fazem meio a este mundo frio que cerca e encurrala, e todos os sonhos e fantasias que ainda cultiva com suas últimas forças na eterna esperança de ser acolhido, e de acolher. É difícil explicar quando ouve-se que ninguém poderia entender plenamente, sendo pensamentos tão únicos que nascem e morrem dentro da pessoa sem nunca alguém os descobrir, por medo de serem revelados e rejeitados. E o pior, algumas pessoas simplesmente nem se importam. Amor ainda existe?

Ainda espero ser corajoso o bastante para deixar que a inconsequencia tome conta das minhas atitudes e me leve a ser feliz de novo, porque desejar que isto não se repita é inútil. Eu amei, eu amo, eu amarei, e nada vai mudar isto. Não posso me arrepender, não quero esquecer. Então desculpe, eu achei que podia te amar; não era você. Diga adeus ao hoje, quem sabe amanhã. Mas eu juro, foi tudo por amor.


Música de Hoje: What I Did For Love – “A Chorus Line” Original Soundtrack.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O que eu fiz por amor


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Eu provavelmente não saberia viver com um coração inteiro, porque desde que o conheço sempre esteve partido. Talvez eu nem o reconheceria sem as cicatrizes e os furos, sem falar da fratura de estresse que o partiu ao meio – e deixou um vazio tomar conta. Um vazio que só poderia ser preenchido por algo – quer dizer, alguém – que não existe. E eu sei disto, mas para enganá-lo eu estanco a ferida com sonhos e fantasias. Em certos dias, ajuda a diminuir a dor.
Claro, eu poderia viver sem dar atenção a isto, mas tenho a sensação de que não seria eu mesmo. Ou quem sabe até seria, mas não faria a dor parar de existir. Eu poderia sair por aí e acenar normalmente para as pessoas, sorrir como se estivesse tudo bem. Afinal, que diferença faria ter um pouco mais de hipocrisia no mundo? Infelizmente, não é da minha natureza sorrir sem fundamentos, e viver sem coração. Tenho medo do meu coração parar de funcionar; medo de perder minha fé nas pessoas, no amor, e até em mim mesmo.
Sou o orgulhoso dono deste coração partido, mantido vivo à base de vaga esperança de que um dia alguém possa completá-lo. Estou apaixonado, e sempre estarei.
***
Já conheço a música de cor: “How can you mend a broken heart…

sábado, 15 de maio de 2010

Eu a conheço de coração

Eu sei que está realmente tudo bem. Grandes amigos, família carinhosa, ótimo emprego, total liberdade... O que mais poderia haver?


***


Ao relembrar meus momentos mais tristes, eu percebo que acabaram sendo os mais felizes. Então eu devo estar feliz agora. É, isto está sendo bom. Senão por que eu estaria chorando?


***


A verdade é que eu provavelmente não quero ser muito feliz, ou contente. Porque, e depois? Eu realmente gosto da busca, a procura. Essa é a graça. Quanto mais se está perdido, mais se tem a esperar. Quem diria? Eu sou feliz, e nem tenho noção disto.


***


O mundo não é mais um lugar romântico. Porém, algumas pessoas ainda são, e nelas vive uma promessa. Não deixe o mundo vencer.


***

Existe um caminho secreto que sigo, para um lugar onde ninguém pode encontrar. Onde encontro minha perfeita alguém, que mantenho escondida na minha mente. Onde meu coração faz minhas decisões, até meu sonho se tornar uma visão. Até o amor que sinto, a torne real um dia. Porque sei que ela está por aí, fora do meu alcance. Apesar de nunca te-la tocado, ou ouvido sua voz. Mesmo sem nunca estarmos juntos, nunca estivemos separados. Não, não nos conhecemos, não a encontrei ainda. Mas eu a conheço de coração.


Música do Dia: I Know Her By Heart – Vonda Shepard.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Não te conheci ainda

Você não sabe, mas está em meus sonhos quase todas as noites. E isso sem sequer ter falado com você. Mas por ter despertado meus sonhos novamente, senti que não precisava até então ouvir sua voz. Você nem desconfia, mas ultimamente não consigo tirar meus olhos de você quando está no recinto. E quando não está, honestamente quase nem vale a pena estar ali também.

Algumas músicas já me lembram você, alguns lugares também, isto sem nunca ter te tocado. Sonhar com você tem sido a maior das alegrias que sinto desde muito tempo, mas quanto mais sonhava-te mais a necessidade de tornar-te realidade foi aumentando, até não saber mais o que fazer. Porque um medo inexplicável tomou conta de mim; um medo que até me impedia de olhar diretamente para os seus olhos. Como encarar o sol, precisava desviar para não acabar cego. De tanta beleza, ou de encarar-me com a mínima possibilidade de você perceber minha existência, mesmo que uma fração do quanto eu passei a estimar a sua.

E então, aconteceu. Num ato espontâneo, quase como um reflexo, chamei seu nome para você mesma pela primeira vez. Afinal, tenho repetido seu nome várias vezes, mas sem nunca pensar em direcionar minha fala à você. E você se virou, e olhou inocentemente para mim, sem nenhuma idéia do que se passava da minha cabeça - e, até me atrevo a dizer, no meu coração. Não senti ele pular, provavelmente porque eu por inteiro não consegui perceber na hora exatamente o que estava acontecendo. Mas estava acontecendo; eu e você estávamos trocando palavras pela primeira vez, e o medo... De repente me lembrei do medo que existia e que me impedia de olhar em seus olhos, e como este, tão subitamente como apareceu, assim sumiu e me deixou ali, completamente dominado pelo nosso primeiro diálogo. E ao mesmo tempo que falava, sonhava. Sonhava em como poderia ser o primeiro de vários diálogos, e cheguei a sonhar mais longe do que antes tinha pensado em ir. E você foi simpática, foi atraente e sedutora sem querer, e me prendeu ali em poucos segundos que nosso contato durou. E no final, quando eu ainda me esforçava para acreditar que isto era real, você sorriu.

Outros ao meu redor esperaram para ver minha reação, outros que já sabiam do quanto isto significou para mim, mas me contive até as luzes se apagarem para a apresentação de um filme. Você estava sentada na minha frente, na maior das ironias, e em vês do filme apenas abaixei a cabeça para finalmente contemplar o que havia se passado, e os sonhos que disto viriam.

Não, eu não te conheço ainda, nem você sabe quem sou. Pelo menos, eu espero, já descobriu que eu existo. Só não sei se tenho coragem para que agora descubra o quanto você existe para mim. Nos falamos em breve.


Música do Dia: Haven’t Met You Yet – Michael Bublé.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Bandeira branca II

A verdade é que eu ainda sou um otimista, mas pelas razões erradas. Um otimista por achar que você ainda vai voltar; que você ainda vai perceber que tivemos o amor certo na hora errada, e que ainda é uma questão de amanhãs para que a hora certa tome conta. Um otimista que carrega uma dor imensa, que parou de latejar de tanto ter sido empurrada para dentro da pele, afundada no coração, a ponto de mais ninguém percebê-la. Um otimista que vive na base de fantasias, de encontrar você de novo - e ao mesmo tempo sentir calafrios só de pensar em ver seu rosto na minha frente; o que eu diria? O que você diria? Afinal, depois de tudo aquilo, o que sobrou para ser dito?

Um otimista extremamente machucado, de maneiras indescritíveis. Um homem quebrado, agora dono de um coração soliário que paira solto no mundo onde as pessoas já não conseguem mais se prenderem a ele. Um homem e um coração quebrados. E mesmo depois de todo esse tempo, mesmo quando desisti de sair e andar por aí na esperança de que o destino - ou qualquer outra força mais realista - te colocasse no meu caminho, eu ainda consigo ver o estrago. A essa altura já não falo mais de dor, mas da sensação estranha que é não ser capaz de sentir mais nada. E além disto, medo de sentir alguma coisa de novo. Medo das pessoas, de cumprimentar estranhos, de deixar que qualquer outra chege tão fundo na minha alma como você chegou – só para me destruir de dentro pra fora.

Espero que esteja satisfeita, mas acho que ainda não está. Você nunca sentiu nada, e não começaria agora. Eu te amo, eu te odeio, eu sinto a sua falta. Mas não o bastante para te chamar de volta, isso eu garanto. Eu admito a dor, mas não a redenção. Como eu disse antes, tornou-se mais saudável sentir sua falta do que ter você ao meu lado. Acho que isto mostra exatamente como você quase acabou comigo e como ainda estou juntando os pedaços.

É engraçado ouvir pelos outros que você até mesmo ainda pergunta como eu estou - como se você não soubesse. Ou é por que ainda espera ouvir de mim? Acha que vou levantar bandeira branca, desistir, e chorar para te ver de novo? Talvez antes, não agora. Devo te agradecer por isto; você me fez capaz de não admitir derrota. Eu vou afundar com este navio, me parece o mais apropriado a se fazer. Agora, faça a nós dois um favor; pare de perguntar como eu estou.

Mas se quer mesmo saber... Estou cada dia mais distante de você, e mais perto de ser feliz.


Música de Hoje: White Flag – Dido.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Inverno II

Mesmo com a temperatura insistindo em abaixar nos últimos dias eu ainda saio de casa de manhã sem blusa, porque não quero me decepcionar de novo. Estou esperando pelo próximo inverno desde quando minha semi-pneumonia do ano passado venceu, mas toda vez que o clima descia um grau e eu procurava um moletom ele acabava nas minhas mãos e não em minhas costas.

O melhor do inverno é que nossa dor fica menos visível; dá pra explicar uma lágrima como sendo culpa do vento. O frio eleva os sentidos à flor da pele, nos faz sentir vivos como nunca, e também traz à tona nossas memórias mais bem guardadas no coração. Verão é tempo de aventuras novas, mas Inverno é para nostalgias.

Mas algo mudou este ano, e o responsável é o Verão passado. Ao mesmo tempo que sinto todo o amor que já expus por aí de volta, não sinto nada. Meu coração é de todos, e de ninguém. Às vezes, nem mesmo meu. Estranho, mas ninguém consegue perceber além de mim. Afinal, este coração agora está escondido meio a blusas e mais blusas. Ninguém o vê bater, ninguém o vê morrer. Pelo menos não sou o único a sentir frio; esta é a beleza do inverno.


Música do Dia: Somewhere Down the Road – Barry Manilow.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Quais são as chances?

Há dois dias atrás eu saí de casa e fui em um desses lugares onde a música é alta e as bebidas custam o triplo do que valem, e cheio de pessoas que não valem nada mas tentam se provar umas para as outras. Levando em conta a crença que a sociedade instala nas mentes dos jovens de que este é o ambiente ideal, eu decidi tentar na esperança de algo disso fizesse sentido para mim. Não fez, mas eu ri bastante.

Em meio aos rostos de desconhecidos algumas até chamavam minha atenção quando passavam por mim para ir ao banheiro ou para me ignorar e comentar com a amiga em seguida, mas uma em particular sobreviveu ao extermínio que cometi aos meus neurônios e continua na minha mente. Ela estava lá andando para lá e para cá com uma amiga. Meus olhos frisaram nela no exato momento em que um cara a agarrou pela cintura e começou a cochichar em seu ouvido algo que transformou o sorriso dela em uma careta. O cara tentou roubar um beijo, mas ela - já esperando tal atitude - rapidamente virou sua bocheha como alvo. Ainda persistindo, o cara a segurou por mais alguns instantes até desistir e seguir para o banheiro. A garota foi para o outro lado carregando consigo a careta para mostrar à amiga.

Mais tarde no outro lado da boate eu a vi novamente com a amiga, e novamente a vi ser envolvida nos braços de outro causador de caretas. Desta vez não demorou muito, ela parecia mais impaciente e logo o cara se foi, deixando uma careta pior do que a primeira. Procurei-a por um tempo mas não a encontrei, puxei o bêbado que estava comigo e decidimos ir embora.

Na saída eu a vi, sentada num sofá do hall de entrada com desapontamento transbordando em seus olhos. O olhar de alguém que saiu em procura de algo que não estava ali, e que produzir seu melhor visual até então foi em vão. Não tenho certeza, mas olhei para trás uma última vez antes de deixar o lugar e acho que vi lágrimas secas traduzindo a frustração para fora dela. Ainda lembro do rosto dela, mas provavelmente nunca mais a verei. Trabalhando com isto em minha cabeça cheguei a conclusão de que minha opinião préviamente formada sobre o lugar estava errada; ali, no meio de doses de álcool e ritmos eletrônicos havia pessoas procurando por algo. Algo que até mesmo eu, com silenciosa esperança, buscava encontrar.

Provavelmente nunca mais a verei, e apesar de termos saído com a mesma sensação, ela não me viu. E mesmo sabendo que você nunca lerá isto, não pude deixar de pensar... Não poderia ser eu? Acho que nunca vamos saber. Ou não.


Música do Dia: Chances Are – Robert Downey, Jr. & Vonda Shepard.


***


E falando em músicas, eis aqui o que cantei baixinho pelas ruas em Abril:

01. Overture Delle Donne – “Nine” Original Sountrack

02. Tears Dry On Their Own – Amy Winehouse

03. Fall to Pieces – Avril Lavigne

04. True Love Stalker – Miss Li

05. Shining Star – Get Far

06. I Don’t Wanna Miss a Thing – Aerosmith

07. I Dare You to Move – Switchfoot

08. Better in Time – Leona Lewis

09. She Will Be Loved – Maroon 5

10. Send in the Clowns – Judy Collins

11. Didn’t We Almost Have It All – Whitney Houston

12. Someday We’ll Know – New Radicals