sexta-feira, 30 de julho de 2010

A constante

Às vezes eu acho que deveria ter uma placa com “em obras” escrito grudada na minha testa. Parece que nada fixa; mudam as roupas, o andar, as coisas que fala, como se sente, o que pensa sobre isso e aquilo… E a única coisa que se mantém constante é a crença, esperançosa e brutalmente ilusória, de um dia estar pronto. De sentir-se pleno, completo, e pronto para… Para que mesmo? Se não houvessem mais mudanças e tudo sobre nós se tornasse estático, e não houvessem mais variáveis para nos tirar da rotina, nos surpreender, e quem sabe até dar sentido aos nossos dias… Passariamos a sonhar com o acaso, o aleatório, uma vida alucinante e surpeendente como uma roleta russa. Assim nos damos conta da maior de todas as contradições que existe em cada um de nós; o sonho de encontrarmos o nosso “feliz para sempre” todos os dias. Uma rotina de variáveis, onde só o que permanece constante somos eu e você.


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Não importa o que aconteça, você será a minha constante.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Ilusões do amor, eu acho...

Agora eu sei porque te amei tanto; te ter era impossível. Faz sentido, afinal se tem uma coisa sobre mim que eu conheço muito bem, é a atração pelo inatingível. A crença cega em coisas que não se pode ver, e o amor, que no final das contas era inexistente, por alguém irresistivelmente distante; com todas as complicações e enganos que eu poderia querer, só para ter do que reclamar depois. Nunca te tive, e mesmo assim senti a sua falta. Senti algo muito forte, que talvez fosse parecido com amor, por você, e como era de esperar, demorou para que eu pudesse abrir meus olhos e dar conta da realidade: eu nunca te tive, nunca fomos nada, então por que significou tanto para mim? Ilusões do amor, eu acho. Ilusões, talvez, de uma outra ilusão.

O que é amor? Eu não sei. Eu nunca soube. Tudo que sei é que, com isso, achei que tinha chego perto de descobrir. Não, eu não cheguei nem perto. Pelo menos, não do jeito que eu achei que era. Na verdade, talvez até fosse, mas certamente não era aquele amor. Com letra maiúscula e eterno, como eu penso que seria. Se existe, eu não sei. Vejo casais juntos, sorrindo, de mãos dadas, aparentemente felizes. Pelo menos não estão sozinhos; já é motivo de sorriso. Quanto mais eu penso, mais eu percebo o quanto eu ainda estava vivendo um sonho; como estava desesperadamente tentando manter um castelo de areia em pé, e para que? Para provar a mim mesmo de que pelo menos havia chego perto de descobrir o que amor era, ou é. Que cheguei perto de senti-lo de verdade, apesar de saber em algum canto remoto da minha mente que não era nada real e sim uma invenção; uma farsa necessária, pois o descontentamento de não conhecer amor a essa altura seria demais para mim. A realidade, a verdade, sempre foi demais para mim.

Tudo que eu sempre sonhei, tudo que eu sempre desejei, nunca passaram de sonhos. Ilusões tão deliciosamente tentadoras que eu não pude resistir, e ao pular em direção a elas, não só fiquei sem os pés no chão, como estava contente em perder tal contato com a realidade. Era isto ou nada, e não podia me contentar com nada. Senão para que eu estaria vivendo? Como as pessoas se encontram, e da noite pro dia estão de mãos dadas e sorrindo por aí? É tão difícil assim, ou me falta alguma coisa? Talvez ter noção da realidade seja o que faltava. Mas aí está; eu não sei o que amor é, e nunca soube. A maior de todas as farsas foi em todo este tempo dizer que sabia, mesmo sabendo que ninguém acreditou. E eu percebi que, se tudo isto realmente quer dizer o que quer dizer, então eu nunca amei. Quem diria? Depois de todo esse tempo, tudo o que eu sempre quis foi saber o que era o amor; nada mais, nada menos. Mas se tem uma coisa da qual ainda tenho certeza, é que ainda quero descobrir.

Ou tudo que eu quero desta vida é amor - amor real, amor do tipo um-não-vive-sem-o-outro - ou então eu não tenho coração; mas algo me diz que tenho, e que vale a pena ser salvo.


Ao som de: Across the Universe – Jim Sturgess.

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Você tinha razão; eu não te amo. Só não sei se isso é uma coisa boa.